Maldosa
1 Capítulo 1 - O inimigo
Levantei da cama de um pulo, meu coração disparou dentro do meu peito, e senti o medo correr minhas veias, mas esse pânico durou apenas alguns segundos, no instante seguinte eu percebi que era apenas mais um grito da minha mãe com meu pai, o que eram bastante comuns, nada para se apavorar.
Minha única opção era evitar o café da manhã nada familiar que teríamos me levantei e decide que seria melhor me arrumar para mais um dia de aula. O que era terrivelmente desanimador, mas era algo do que eu não tinha opção. Então não fazia disso um drama e sim uma diversão.
Escola Roberto Alves era um daqueles lugares terrivelmente chatos e cheios de tédio. Mais era de certo modo meu lugar favorito, parecia contraditório, mas quem sabe eu não tivesse uma dupla personalidade? Pensei nisso e um sorriso brotou nos meus lábios, olhei com atenção para calça de couro vinho e blusa preta que combinava perfeitamente com minhas botas, meus cabelos dourados estavam presos em um rabo de cavalo cuidadosamente bem feito. Look perfeito para colocar fogo no parquinho. Pensei enquanto pegava minha bolsa e caminhava para a escola.
—Hana. —Eu não me virei, não precisava fazer isso para saber que era Sofia que vinha pelos corredores logo atrás de mim, tanto pela sua voz super fina como pelo som dos seus saltos altos mais precisamente um Louboutin. Eu ate poderia dizer que era minha amiga, se Sofia não fosse lerda demais para entender as coisas.
—Hana. O que houve? —Ela perguntou quando parei de frente para o meu armário, eu me virei e levantei a sobrancelha.
—Não vai estar atrasada para aula do Senhor Kenedy? —Ela disse espantada, obviamente aula de biologia não era minhas favoritas e Senhor Kenedy até tentava me ameaçar por chegar atrasado, mas ele sabia que historias de estacionamentos não soavam muito bem para um professor.
—Estar aqui, não quer dizer que vou ouvir o Sapão falando. — Era o meu apelido carinhoso para o Senhor Kenedy ele tinha uma papada enorme, alem de outras coisas enormes dentro da calca também. —Onde Samela esta?
Sofia balançou as mãos e desviou o olhar para armário, ela era péssima para disfarças as coisas.
—Ah não me diga. — Eu revirei os olhos sabendo exatamente onde ela estava. — Aquele garoto é nojento.
—Ele pode gostar dela de verdade. —Sofia disse com aquele ar romântico que me irritava. Eu bati a porta do armário com força, aquilo me irritava e caminhei pelos corredores, Sofia vinha logo atrás de mim, nem ousando em dizer uma única palavra que fosse.
— Samela. —Eu disse parando a alguns passos de distancia de minha amiga. Ela deu um pulo surpresa.
—Hana. Não sabia que já estava na escola.
Eu revirei meus olhos, o garoto loiro com inúmeras espinhas na cara me olhou, eu senti ele estremecer.
—Vamos. —Eu suspirei. —Ele tava quase babando dentro do seu decote. — Eu disse e pude ver Lucas ficar vermelho. — Qual é? Nunca viu um peito antes. — Eu perguntei com um sorriso sarcástico
Claro que não né virgão. — Eu pude sentir o ódio de Lucas sair pelas narinas enquanto ele bufava de raiva.
Algumas pessoas deram risadas.
—Ridículo. — Soltei. — Vamos meninas. —Disse me virando e caminhando para longe daquele ótario
—Porque fez isso? —Samela perguntou.
Olhei para ela com dó, eu realmente gostava dela.
—Porque eu só estou cuidando de você. —Eu disse colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. — Ele só que mamar nos seus peitos. — Disse delicadamente para ela. Samela ficou lá parada, sem saber o que falar. Não podia culpá-la, ela era muito inocente.
—Ei Tati. —Chamei assim que uma menina do primeiro ano passou por mim. — Se continuar mentindo assim, seu nariz não vai para de crescer. — Acho que ela não gostou do que ouviu, pois saiu correndo para longe de mim.
A verdade realmente doía.
Mal conclui essas palavras e um idiota qualquer, que não consegue enxergar por onde anda, aparece do nada na minha frente, batendo em mim e fazendo meus livros voarem para o chão.
—Idiota.
Realmente aquilo me irritou.
—Você não consegue usar esses olhos no meio da cara não.
Como sempre as pessoas não ousam me responder, mais aquele cara já estava passando do limites parado no meio do corredor me olhando com aquela cara de bêbado.
—Pega. — Eu disse para ele apontando para meus livros.
Ele sorriu para mim.
—Porque eu faria isso?
—Porque isso é culpa sua. —Uso meu tom de voz mais ameaçador que consigo, quem que aquele sujeito escroto pensava que era.
—Foi você que...
—Não ouse. —Eu digo levantando o dedo para ele.
— Pegue logo isso.
—Nem morto. — Ele disse se virando para mim. —Olhe por onde anda da próxima vez. — Ele grita sumindo pelo corredor.
Samela e Sofia ficam horrorizadas, eu mesmo estava. Quem aquele idiota pensa que era.
Ele vai me pagar... Não era um ameaça era uma promessa.
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