Maldições e dádivas - Mate o conjurador

4 Capítulo 3: A última casa/ A primeira casa


Notas iniciais
Desconsiderem os erros, se gostarem recomendem ou apenas leiam :)

Ao se verem confusos decidiram deixar para amanhã, quaisquer discursão sobre o ocorrido. De fininho em ponta de pés adentraram na residência onde sentada numa cadeira Améliz babava sobre as frutas num sono intenso. A mãe de Eliort esperou a noite inteira e um pedaço da madrugada por eles, só que não aguentou os bocejos e dormiu desconfortavelmente ali mesmo. O rapaz sabia do sono pesado que a mãe continha, então a carregou nos braços e a colou dentro da rede de cipós mais próxima. Não queria acordá-la por que teria que enfrentar uma bagatela de perguntas das quais as respostas ele só queria dar no nascer do sol de amanhã.

Antes dos dois caírem nas suas redes e dormitarem, Léia fez questão de limpar o machucado no rosto de Eliort. Pegou um pano molhado e um pouco das ervas que trazia consigo da viagem e tratou o ferimento dele. Seu olho esquerdo roxo e inchado pelo golpe, quase não fechava e quando o pobre tentava a dor o infringia. Léia procurou em sua bolsa de pele de Burso, uma folha da planta Grastriel que amenizava qualquer inchaço. Quando a achou aplicou no rosto dele delicadamente e dispôs fora dormir, ele numa rede ela em outra como bons amigos.

Os raios solares passaram pela janela e iluminaram a visão de Eliort fazendo com que acordasse. Sua dormida não fora fácil, além da dor que sentia, também retomava as lembranças da vergonhosa luta contra o mensageiro dos ceifadores. E finalmente quando repousou fora obrigado a se ver em um sonho onde sua esgrima estava repleta de sangue e todo seu vilarejo estava em volta dela, porém nenhum se quer estava de pé mais sim caídos ao chão, todos mortos.

Quando piscou de modo involuntário notou que seu olho não estava mais inchado e conseguia ver bem por ele. Em sua frente Léia sentada sobre um tamborete via a mãe de Eliort, mas as coisas pareciam atritadas entre elas tanto que a garota mal olhava nos olhos de Améliz. Ele se levantou, retirou sua rede e a aguardou, não demorou muito para a interrogadora das “galáxias” afins viesse interroga-lo de maneira ameaçadora.

— Eliort Nantes posso saber onde estava ontem à noite? Quero uma resposta plausível por não ter chegado cedo com a senhorita Léia. – Seus olhos “fumegavam”

— Nas roseiras. – Disse sem problemas.

— E porque não chegaram cedo? Sabe muito bem os perigos noturnos da floresta.

Ele fitou a garota e os dois pareceram sintonizados. Ela sabia o que ele iria dizer naquele instante e ele sabia que ela concordava.

— Venha! – Chamou ele saindo apressadamente da sua casa.

Restou apenas Améliz obedecer e Léia acompanhar. Eliort decidiu alertar o que aconteceu para todos, não só exclusivamente sua mãe. Antes mesmo do sol se por escreveu um pergaminho contando tudo ao seu pai, todos os detalhes sem tirar nem por. O correio era lento, pois as águias tigresas muitas vezes eram mortas pelos animas da floresta ou perdiam a rota de seu destino. No centro do vilarejo, o garoto se posicionou e começou a clamar pelos moradores. Lentamente as pessoas foram se aproximando até não faltar um cidadão da floresta amaldiçoada.

— O que você quer criança? – Reclamou o velho Gurgon Florin, se apoiando em sua bengala de árvore lisa.

Todos começaram a reclamar de uma só vez, exalando zumbidos demais para a cabeça de Eliort.

— Silencio! – O seu tom fora tão elevado que emudeceu a multidão e espantou as aves das árvores mais altas ao redor dele. – O que eu tenho a dizer é muito grave.

— Diga logo meu jovem, tenho que preparar o almoço dos meus filhos. – Pediu Cassandra Diagore.

— Mãe! – Irineu olhou desconfiado para sua mãe, a mesma ficará indignada.

— Irineu! Seu irmão Ulisses e seu pai precisam encher a pança diária, assim como você. – Alertou a gorda de olhos azuis, vulgo mãe de Irineu.

— Tudo bem! – Léia tomou as rédeas. – Se todos silenciarem ele poderá abrir a boca o quanto antes.

Eliort avistou Léia e seu semblante para ela era de puro agradecimento.

— Não sei ao certo quando isso irá acontecer, mas uma enfermidade irá aparecer no nosso vilarejo para aqueles que têm as maldições. – Despontou.

Ninguém levou muita fé no que ele disse inicialmente, se entreolharam diversas vezes e com toda certeza inúmeras perguntas se formaram também. Os únicos amaldiçoados do vilarejo presentes eram: Irineu, Ulisses, Kaidro Florin, Califa Mercel, e os gêmeos Rachel e Pietro Rodrick, os ausentes eram Verona que morava um pouco longe e Pasquim.

— Como você sabe? –Indagou Matilde.

— Eu e Léia encontramos um homem no campo das roseiras e ele nos disse que um grupo do qual participava chamado Os ceifadores causariam a doença.

— Porque devemos acreditar em você? – Kaidro falou rasteiramente.

— Melhor prevenirmos do que esperarmos o pior acontecer. – Intrometeu-se Améliz. – Se o meu filho disse, então eu acredito.

— Óbvio que vai ficar no lado do seu filho Améliz e não na voz da razão. – Resmungou Gurgon. – Vamos embora... –Sua família se retirou e as únicas a ficarem foram às famílias Rodrick e Diagore.

— Se isso mesmo acontecer tenho que está com o estoque das minhas plantas e raízes preparada em minha despensa. – Matilde ressaltou.

— Infelizmente acho que vai minha amiga. – Declarou Améliz.

— Pietro e Rachel, vamos procurar mais suprimentos de cura, precisamos de tudo o que poder ser encontrado. – Ela deu uma piscadela para a amiga de infância que retribuiu.

Eliort, Léia e Irineu saíram da discussão, deixando os adultos Ulisses, Henrique, Améliz e Cassandra discutindo sobre estratégias de defesa.

No riacho da floresta os três jovens se refugiaram. A água era cristalina, portanto ninguém se limpava ali ou o poluía, a única função do riacho para os moradores do vilarejo sempre fora a de saciar a sede. Irineu adorava dormir ao som da água fluindo por entre a fresta de terra e enquanto Léia e Eliort tagarelavam, tranquilamente cochilava apoiado em uma árvore. E o engraçado era que seus sonhos remetiam a ele dormindo nas nuvens do céu, comendo e bebendo sem precisar se levantar ou buscar tais coisas.

— Não acha Irineu? – Perguntou Eliort, mas era evidente que os olhos fechados do amigo significavam que ele não ouvirá nada há pouco. – Não acha?! – O cutucou ocasionando o seu acordar.

— Sim. – Disse ele desnorteado, após despertar do seu inerte e nada profundo sonho.

— É evidente que ele não ouviu nada do que conversávamos. – Léia disse.

— É verdade – Ele bocejou, se espreguiçando. – Conte-me então.

— Seu amigo acha que devemos simplesmente ficar e lutar contra a quem seja, não é absurdo?

Ele esfregou suas pálpebras e mexeu no cabelo de forma periódica e enfim resolveu responder a pergunta.

— Infelizmente Léia tenho o dever de admitir que Eliort tem a total razão.

— Viu... – Zombou o loiro.

— Isso é burrice! Se ficarmos e os ceifadores trouxerem seus exércitos seremos massacrados em minutos e se não vierem com certeza enviaram um jeito de alastrar a doença para o vilarejo, não podemos arriscar com uma coisa tão grave.

— Um exército? E como sabe que eles possuem um Léia? – Interrogou Irineu, rápido como uma águia tigre e sábio como um golfinho ártico.

-Dessa vez você me pegou – Ela abrandou. – Meus pais nunca foram navegantes, mas sim fizeram parte do exército dos ceifadores.

A visão que tinham de Léia se rompeu. Tanto Eliort como o seu fiel amigo ficaram boquiabertos com a revelação. O cérebro de Eliort mal desenvolvido por ele raciocinou que ela mentiu novamente, já o genial cérebro de Irineu processouque ela mentiu e ainda era uma espiã dos ceifadores, onde se infiltrou no vilarejopara coletar informações.

— Traidora! – Bramiu Irineu, que numa velocidade extrema derrubou Léia ao chão ficando por cima dela.

— Solte-a Irineu. – Exigiu Eliort.

— Mas se ela escapar poderá dedurar nossas estratégias ao inimigo. – Retrucou Irineu apertando bem os braços da garota.

— Eu encaro as consequências, apenas solte-a. – O loiro articulou tão determinado que não restou outra opção a não ser soltá-la.

A ruiva ficou acanhada, vislumbrando o chão como se fosse à coisa mais interessante já vista por ela, evidente que não era, mas conseguia esconder as lágrimas agora verdadeiras discorridas pelo rosto.

— Só peço a verdade e nada mais. – Seriamente disse Eliort, retirando sua esgrima da bainha e apontando para a garganta da moça.

— Tudo bem – Ela engoliu a seco e tentou secar seu choro. – Desde minha infância tive conviver em fugas. Sempre que os ceifadores tinham planos a serem concretizados, meus pais iam e eu também por pura insatisfação. Eu odiava todo o sangue derramado, todo choro causado à toa por propósitos aquém do desnecessário. Num dia onde as árvores expulsaram suas folhas secas, meus pais foram presos e assassinados pelo império em uma emboscada. Eu também fora pega, todavia eles não queriam matar uma garotinha. Fui expulsa do império e desde então banida de lá viajando por todo o canto, morando em qualquer árvore ou caverna obscura. Sem destino. Até agora onde parei meu corpo aqui. – Ela os fitou seriamente, em sua mente ela sabia que estaria morta em instantes, sua respiração se tornou gradativa e a aflição fez se sua morada.

Eliort logo olhou para o amigo depois de ouvir tudo. Irineu simplesmente abaixou a cabeça e consecutivamente o loiro guardou sua esgrima. Tudo se manteve em silêncio até que um som explosivo veio do vilarejo, um estrondoso e assustador ruído. Não dera tempo nem dos três correrem em direção aos lares porque com o barulho uma névoa roxa acompanhada de uma grande corrente de vento os empurrou para longe de seu ponto inicial, fazendo com que os três batessem com cabeça em uma árvore. Mesmo a colisão acontecendo fracamente, nenhuns dos jovens tiveram danos a não ser um desmaio que prosseguiu até o inicio da tarde. Eliort não demorou a notar que ao seu lado seu amigo e a possível traidora, ainda permaneciam entorpecidos em seus mundos soníferos. Sua intuição advertiu-lhe dos acontecimentos antecedentes ao seu desmaio e sua primordial reação venho como um flash. Irineu e Léia ouviram um grito forte. Assustados abriram suas pálpebras e correram para ver se acompanhavam Eliort que já estava bem à frente.

O filho de Pasquim chegará ao vilarejo e vira pessoas caídas com machucados tratados com ervas e outras totalmente paralisadas, pelo visto eram os amaldiçoados. Sua mãe e sua irmã estavam ajudando Matilde á fazer curativos nós acidentados, aliviando o ser do garoto. Quase todos do vilarejo choravam ou permaneciam pasmos vendo seus parentes petrificados como uma escultura. O velho Gurgon tivera um ataque ao ver seu filho no estado em que estava totalmente feito de pedra. Ele a esposa gritou desoladamente, desesperados pedindo socorro, mas agora só o observavam fixamente, aconchegados entre seus braços. A senhora Califa se balançava antes do ocorrido já que estava sentada em sua cadeira de balanço, sorrindo olhando para os galhos das árvores acima, sua neta Sêmera lamentava duplamente, pela sua avó e o seu marido, futuramente papai do filho que esperava. Irineu logo partiu para sua residência onde Ulisses segurava um regador de madeira que molhou as flores até ficarem encharcadas. Améliz quando virá seu filho logo o abraçou. Felizmente uma parte dela estava mais amena.

— Ainda bem que está tudo bem com você. – Ela disse aflita. – Eu estou assustada meu filho, nada do que fazemos destrói a carcaça de pedra sobre os petrificados. Meu filho eu não sei o que fazer. – Ela começou a chorar sobre o seu ombro. Eliort estava se segurando para não prantear, tentando ser forte para que sua mãe retire alguma coisa desse sentimento.

— Tudo vai ficar bem. – Ele acariciou os cabelos de sua mãe, de certa forma reconfortando-a. – Me diga só o que aconteceu.

— Eu não vi direto – Ela quase arfava ao falar. – A única coisa que reparei da janela fora uma coisa roxeada caindo do céu em direção ao centro do vilarejo. Não sei o que era, mas, um vento forte aconteceu e uma névoa roxa numa velocidade imprescindível nos atacou e você já vira o que ocorreu depois. – Suspirou finalmente.

E nesse momento caótico o garoto que todos denominavam de asno, teve a melhor ideia entre todas até então.

— Já sei onde e com quem obteremos resposta – Disse fitando ela, passando firmeza em seu olhar.

— Por favor, nos diga. – Suplicou.

— Verona! – Falou. – Sua casa está fora do limite da floresta e ela é a mais antiga de todos. A primeira amaldiçoada. Deve ter visto ao longo dos seus séculos algo do gênero, pelo menos espero.

— Você tem razão. – Disse vagamente — Vá meu filho, mas tenha cuidado. Ninguém a acha confiável. – Ela beijou sua testa e completou – Te amo.

— Eu também. – Retribuiu o afeto e correu na direção oposta a do morto campo de roseiras.

Antes mesmo de sair do vilarejo, Léia o encontrará e fez com que ele parasse para ouvir o que ela tinha a dizer.

— Não sou uma traidora! – Ela pronunciou firme. – Onde quer que esteja indo, por favor, leve-me com você.

— Eu sei que você não é uma traidora. – Léia não esperava está resposta.

— Como saberia? – Indagou curiosa.

— Sua alma trasborda algo bom, simplesmente sinto.

Os dois, descompassados pelas revelações foram surpreendidos por Irineu que suspirava e transpirava bastante. O inchaço nos olhos exaustivos dele estava sendo condizente com a situação melancólica enfrentada pela família. Os lamentos por Ulisses prosseguiam até então.

— Aonde você vai sem mim, amigo. – Perguntou arfando

— Posso estar desvairado. – Citou – Mas acho que Verona sabe como reverter essa situação e é para lá que me norteio.

— Realmente, você está indiscutivelmente correto. – Ele bagunçou ainda mais seus cabelos castanhos. – E isso me felicita muito.

Abraços confortantes e até perdão rolou entre os três. E a finalidade e a prioridade agora deles, pertenciam exclusivamente à busca pela salvação dos amaldiçoados, dos tais um conseguiu fugir da petrificação cujo nome fora concebido de Irineu, filho de Henrique e Cassandra Diagore.

Na última residência da floresta e conseguinte primeira a ser construída, a esperança fora colocada em xeque, a casa amadeirada de Verona. Num ritmo possante chegaram à casa da anciã. A madeira usada na construção da moradia tinha uma protuberância totalmente desadequada. Até era donomida de: “a casa futurista” por ter uma curva em sua estrutura, da qual não parecia atrapalhar em nada — esse era o imaginário de quem via por fora — entretanto, um tanto confuso para as cabeças do povo amaldiçoado da floresta impura. O toc- toc da porta foi forçado por Eliort, mas Verona permaneceu quieta. Um arco de ferro preso na entrada tomou de forma sublime a atenção de Léia. A ruiva decidiu então levantá-lo para sentir o seu peso e logo o soltou por não possuir forças para suportá-lo. Assim que o arco desceu, sabiam que iria no mínimo tocar a lasca de madeira. Estavam errados. A batida por conta da gravidade fora acompanhada de um ruído, não tal como um coaxar de um sapo- elefante. Semelhava-se a um grito agudo tão poderoso que o reflexo de tampar os tímpanos quase não resolveu o problema. Mas há algo bom seguido do som, a abertura da porta por exemplo.

O íntimo da casa era frio, o que ocasionou um trinchar de dentes respectivos, lembrando uma banda de instrumentos costumeira em festas no vilarejo.

Havia muitas coisas para uma mulher só. Uma mesade frente para entrada refletia restos de comida, jarros com flores exóticas escorados nas janelas fechadas morreram por maus tratos. Um odor podre também flui com a constante ventania. Os três jovens se intercalavam entre olhares e conversas paralelas e necessariamente o fato era: Onde está Verona? O estalar de degraus velhos desentorpeceu a linha dos pensamentos daquela salinha. Verona desceu como um turbilhão do segundo andar. O seu rosto coberto por uma máscara de veludo, evitava suas linhas enrugadas, suas maças do rosto profundas e sua expressão esquelética. A única evidência de sua face estava na presença de seus olhos amarelados, que querendo ou não ameaçavam até o maior dos brutamontes do império.

— Madame Verona esta ciente da vinda de vocês, sintam-se honrados – Entonou a última letra das palavras, como estivesse cantando-as. – Madame Verona também tem a plena tristeza por seus irmãos amaldiçoados. – Ela choramingou. Suas mãos tremiam freneticamente.

— Obrigado. – Agradeceu Eliort. – Madame Verona, estamos aqui para saber se a senhora sabe como reverter à situação.

— Não!— Ela cantou. – O universo sim é concebido de respostas das quais conheço algumas – Até a sua risada aparentava melodia. – A resposta será encontrada em algum Sangriots, é evidente.

O brilho que adveio dos três emburricou Verona. A esperança realmente estava contida com a primeira amaldiçoada.

— Diga-me onde possamos encontra-lo...

— Espere Irineu – Pediu cortando o diálogo do amigo. – O que é isso? Sangriots?

— Jovens e sua pouca convivência. – Ela aspirou o ar profundamente como se o mesmo fosse extinguir no alvorecer. – As maldições invocativas são denominadas de “Sangriots”, todo o ser perverso ou benigno que resolver trazer uma maldição à tona terá que invocar este pergaminho proibido. A dificuldade de encontra-los e as perdas prosseguidas de sua invocação desanimem qualquer um em sã consciência.

Ela pausou um pouco. Em cima da mesa uma xícara de porcelana — bastante usada pelos imperiais — continha água. Seu tremelique nas mãos e o seu sugar lento d’água atrapalharam sua explicação por alguns minutos. Quando o líquido na xícara tivera seu fim ela retomou.

— O fim de uma parte óssea do seu corpo fazendo com que o sangue preencha todo o Sangriots, o corte de uma emoção, e o fim daquele que o ama pelas próprias mãos. Esses três fatores transferem todo o conteúdo da maldição para a vida. Os chamados fatores imperdoáveis. Aquele que tiver sangue frio e disponibilidade de sofrer por toda a vida está aberto a convocar um Sangriots.

— Um Sangriots fora invocado para o vilarejo não é? – Perguntou Léia tirando fiapos ruivos de seus olhos.

A anciã dos sofredores do caos balançou a sua cabeça afirmando.

— Sinceramente seria burro da minha parte não indagar a dúvida dos meus amigos. – Destacou Eliort. – O que significa cortar uma emoção? Existe como? É com uma espada?

Verona gargalhou harmonicamente. Léia e Irineu não podiam acreditar na tamanha inocência do garoto, entretanto era tão pura que nem um dos dois riu.

— O invocador menino. – Ela suavizou a voz, e nem entonou as palavras seguintes, pois remetiam a seu passado. – Terá de abrir mão de um sentimento bom: amor, amizade, carinho, felicidade entre tantos outros. Ou seja...

— Nunca mais sentirá algo do tipo. – Irineu deduziu o restante.

Eliort terminou boquiaberto ao ouvir tantas barbáries que destruíam todo o se mundo de perfeição. Entretidos com o gato vermelho de Verona se esqueceram de algo primordial: como anular um Sangriots e coube ao intelectual do trio à responsabilidade de guardar a informação.

— Uma dúvida. – Levantou à mão, Verona silenciosamente assentiu. – Na verdade duas. – Pensou direito. – Como anulamos um Sangriots e se a senhora com toda sua magnitude sabe onde encontramos um já invocado, seriamos gratos eternamente pelas respostas. – Ele se curvou, deixando Verona no topo, fazendo com que ela se achasse a mais poderosa de todas as pessoas. Como imaginou e desejou.

— Tolinho – Verona cantou e realmente sua voz era lírica. — Um pergaminho destes só pode ser anulado com a morte do invocador e existe alguém que pode encontrar qualquer coisa em qualquer lugar.

— A digníssima pode nos informar quem seria esse ou essa? – Léia disse entendendo como funcionava a questão dos elogios.

— Sim – Ela gritou eufórica. – O bussuleiro, ele mora na ilha de Alcarastrão, o mar dos polvos- raio leva até ele.

Os três paralisaram ali mesmo. Eliort ainda deu alguns passos para trás onde bateu num jarro conseguindo quebra-lo. O mar dos polvos-raio era temido desde os confins da existência, nunca tiveram relatos de volta de navegantes que ousaram enfrentar a irá dos tentáculos elétricosdos monstros. O que pobres filhos do povo amaldiçoado poderia fazer contra tiranos monstros aquáticos? Exatamente nada, além de não terem as vias para adentrarem no mar não tinham poder para enfrentar os perigos à frente. Eliort era hábil, mas a inteligência não o convinha, Irineu era inteligente, entretanto não sabia segurar uma espada, somente usava um arco onde conseguia atirar flechas em perto alcance, bem perto mesmo. Léia era uma incógnita, não tinham informações dela até então, nem parecia tão sábia muito mesmo apta em combates. As chances de sobrevivência na aventura dos três eram mínimas.

— Outra dúvida só que agora pessoal. Maravilhosa princesa. – Indagou Irineu, ela concordou. – Também sou um amaldiçoado porque não estou petrificado?

— Simples. – Ela falou novamente cantando. – és tão preguiçoso que o Sangriots concluiu que você já era pedra.

Não era o que o preguiçoso desejava ouvir, entretanto silenciou envergonhado do seu estrondoso poder de fazer as coisas mais simples se tornarem eternidade por conta de sua lentidão.

Assim que eles agradeceram pelas respostas dadas de Verona lentamente voltaram ao vilarejo, incertos do que fazer após sair da última casa/ primeira casa da floresta impura.