Maldição dos Deuses
9 Janeiro * A Fatídica Mensagem de Iris
Notas iniciais
Quiron nos deu um dia de folga das atividades, enquanto os vencedores e perdedores descansavam e se não me engano era dia de alguma comemoração estranha grega. Pedi a Bruno que me acompanhasse até a loja do acampamento e ele fez uma piadinha de mal gosto em relação a minha situação praticamente nua e eu lembrei-o que eu não sabia onde meus pais estavam. O clima estranho passou rápido quando eu soquei o braço dele. Empurrei-o para fora do chalé enquanto nos apressávamos indo em direção ao pavilhão. Chegando lá nosso chalé ainda estava discutindo e quase não notaram nossa ausência. Comi algumas frutas e comi um pão doce com suco de laranja. Bruno continuou dizendo que eu não penso direito que blá blá blá, até que eu mandei-o calar a boca o que adiantou.
Fui até a loja do Acampamento e comprei remédio e o que precisava. Sentei-me, olhando fixamente para a aspirina pensando que se quisesse poderia tomar algo muito mas efetivo como néctar para me curar. Bati as mãos nas temporas reprimendo esse pensamento anormal, não humano e me permiti um momento de descanso, o que nos últimos dois dias não tivera, pois na meu único tempo de sono tive pesadelos. Deitei a cabeça na mesa e tentei esquecer tudo, monstros não existem, pensei, não sou uma semideusa e deuses gregos são irreais. Estava tão absorta em meus pensamentos que nem me dei conta da chegada de alguém na minha mesa:
—Olá.
Levantei minha cabeça e me ajeitei na cadeira. Era Annabeth quem chamava.
—Oi, Annabeth, que bom que você está aqui. Você está ocupada hoje? Por que eu estou muito a fim de ter aquela aula viu?
—Giovana, você leu meus pensamentos
...
Estar com Annabeth, me deu mais energia ela adorava estudar e conhecer as coisas assim como eu. Ela me ensinou algumas coisas em grego, como olá, como vai? Entre outros. Os princípios básicos. Depois de uma hora já sabia como perguntar as direções entre outras coisas básicas, devido ao meu cérebro ser ligado ao grego antigo.
Annabeth me daria aulas duas vezes por semana, terças e quintas, de qualquer matéria que eu quisesse. E eu já estava apaixonada por ela. Quando acabamos, começamos a conversar sobre nós:
—Giulia, seu pai ou sua mãe é divino?
—Meu pai.
—Tem certeza?
—Sim, porque.
—Você se parece filha de Atena.
—Isso é o melhor elogio que já recebi.
Ela riu.
—Se não é Atena... – até podia ver as engrenagens funcionando em seu cérebro. – Pensando bem você tem os olhos de... não, não pode ser, deixa pra lá.
—Olhos de quem??
—Nada, pensei algo, mas nada importante.
—Bem Annabeth sei que não sou sua amiga, mas eu estou tão confusa em relação a tudo queria saber como foi sua vida até aqui. Quem sabe pode me ajudar a não enlouquecer.
Ela sentiu-se confortável com meu interesse. Contou-me sobre tudo, como era a vida no acampamento, como era ser um meio sangue e contou-me como são os deuses. Ela contou-me resumidamente sua vida. Fugira de casa aos sete anos por ser rejeitada pela madrasta, depois se encontrou com os amigos Thalia e Luke com os quais passou algum tempo de sua vida fora do acampamento fugindo dos monstros. Depois chegou ao acampamento meio sangue, onde fez novos amigos.
—Quem é Luke?
Seu rosto ficou pálido e seus olhos cinzentos assumiram um tom escuro como nuvens de tempestade.
—É melhor perguntar a Percy. Não quero falar nesse assunto.
—Tudo bem, me desculpe. E ah... fiquei tranqüila em relação ao Percy, ele não faz o meu tipo, é mais um amigo irritante.
—Do que você está falando?
—Ann, achava que vocês se gostavam.
Ela corou. Suas bochechas ficaram realmente vermelhas.
—Ah, não, ele não gosta de mim não.
—Bem, digamos que eu sinto as emoções das pessoas no ar. Tanto as dele quanto as suas.
—Eu não constumo falar sobre isso ainda mais com alguém que eu converso a pouco tempo. É muito difícil esquecer um grande amor e se sentir impotente em relação ao novo. Não conte para Percy sobre isso ok? E também não tente fazer com que ele goste de mim. Bom, E você? Conte-me sua história.
Contei a ela minha vida resumindo.
—E a amorosa? — Annabeth quis saber.
—Muito mal. Uma vez gostei de um cara, que fazia inglês comigo, mas sabe, paixonite de 9 anos, achava ele engraçado. Mas, ele sumiu do mapa, então decidi que não sirvo para o amor.
—Ninguem aqui do acampamento te atraiu a atenção? Percebi que tem andado muito com Michael.
—O que? Não, não. Michael é só um amigo, de verdade. Mas, tem um garoto do chalé 11 que chama minha atenção.
—Qual é o seu nome?
—Bruno.
—Sei quem é. Acho
—Ele me disse que não queria que eu fosse filha de Hermes, poruqe?
—Bem, provavelmente, por que ele é filho de Hermes e se você fosse não poderia se apaixonar.
—Sério? Por que?
—Irmãos, né?
Voltei a falar para ela sobre a minha família e comecei a chorar, lágrimas não são de meu feitio somente quando estou realmente esgotada, acho que consigo contar nos dedos as vezes que eu chorei ( ok, nem tanto).
—Todos nós temos problemas graves com famílias uma hora ou outro, eu entendo o que você está passando.
—Annabeth, eu tentei até ligar para eles, usei o celular, nem sei se isso é ilegal... Não sei se tem outra forma de me comunicar.
Os seus olhos tempestuosos viajavam, talvez pensando na própria morte dos conhecidos, nas próprias perdas, se enxergando em mim, uma menina mais nova enfiada em um mundo que não pertencia.
—Vou te levar lá.
...
Até a pia do chalé 3 era atrativa esculpida em conchas e com um vidro cristalino que parecia ondular. Percy estava lá apoiado na beliche com uma cara de sonso enquanto a Annabeth me explicava sobre a Mensagem de Iris. Aparentemente ela era a única capaz de fazer uma naquela idade e provavelmente sabia que estava na lista de coisas proibidas antes dos 16 anos. Ela me deu um dracma de ouro e a moeda reluziu na minha mão.
Então puxou Percy para fora que saiu resmungando e sorriu para mim. Como se explicasse que seu problema ali era Annabeth, já eu pensava que era a solução.
Fiz o que Annabeth mandou, me concentrei joguei a moeda e esperei. Sabia que para uma mensagem de Iris seria necessário um arco íris, mas por algum motivo estranho Annabeth sabia que aquela fonte tinha aquele poder apesar de Percy nunca ter nem cogitado usá-lo, pois de repente comecei a ver imagens um pouco escuras, minha mãe estava descabelada e parecia assustada parada na varanda de um pequeno apartamento.
—Mae!! – eu gritei e ela me encarou alegre imediatamente.
—Gi! Meu deus! Você está bem? Está a salvo? Se machucou? Estou muito preocupada!
—Mãe, calma estou bem estou no Acampamento Meio Sangue, onde você está? Eu tentei me comunicar de todas as formas possíveis.
—Tivemos que fugir, eles foram atrás de você, Gi.
—Mãe, eles quem? Onde vocês estão?
—Estamos no Oregon, mas por pouco tempo,...
—Mae eu quero voltar para casa, ficar com vocês, por favor, eu vou ate vocês, me esperem !
—Não faça isso, se sair daí você estará em risco pode morrer !
Ela começou a chorar e eu não sabia o que fazer.
—Mãe, por favor promete que nos veremos em breve nem que você venha até aqui, por favor eu não quero ficar sem vocês. Eu te amo
—Filha, eu tenho que te contar umas coisas sobre seus pais biológicos, sobre sua verdadeira origem. Sempre pensei que teríamos mais tempo, mas saiba que apesar de tudo de todas as mentiras eu ainda te amo e seu padrasto também, filha não pense que isso não era verdade.
Senti um arrepio na espinha, algo estava errado, muito errado.
—Mãe, como assim meus pais??
—Giovana, eu ....
Ela procurava palavras para descrever enquanto eu ficava cada vez mais angustiada, até que explodi:
—Você mentiu para mim, para de enrolar e me conta o que está acontecendo agora mãe!
Ela engoliu em seco, teve medo, tristeza, impotência passaram pelos olhos dela, como eu a amava e tinha conseguido gritar mesmo estando com tanta saudade. Me arrependi na hora, mas quando eu e ela tentamos retomar a fala ao mesmo tempo, um estrondo a assustou e escutei a buzina e a voz do meu padrasto gritando para que ela corresse, eles não tinham mais tempo.
—Giovana eu te amo tudo isso vai passar, fique calma
Ela tentava acalmar meus soluços.
—Eu te amo, tenho que ir, vamos conversar assim que possível você vai se dar bem, eu prometo.
Ela saiu correndo enquanto algum monstro (Certamente algum monstro) os atacava do lado de fora da casa. Eu gritava tanto que me surpreendi dos outros chalés não terem ido verificar o que estava acontecendo, mas na verdade eu estava sozinha vendo minha mãe ir praticamente para a morte e solulaçando descontroladamente pela dor no peito, de uma alma que foi arrancada e jaz impotente.
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