Notas iniciais
Primeiro e único capitulo da minha estória.
Espero que gostem.

"Já faz três meses que eu me suicidei. Sim, estou morta, mesmo que não acreditem em mim. Fui amaldiçoada. A pior maldição que Deus poderia impor a uma suicida: A vida. Sinto-me deslocada nesse mundo de vivos... Como posso suportar viver? – pensava a garota enquanto sentava – se em um alto edifício, preparando – se para pular."


Três meses antes...


Aquele deveria ser o dia perfeito para várias pessoas. Mas para certa garota de cabelos negros era mais um dia melancólico e sofrido. Um dia que ela preferia não viver. Mais um dia de tortura psicológica e solidão.

O céu claro, sem nuvens e o dia ensolarado e com brisas refrescantes.

As pétalas das flores voavam junta a brisa, dançando no ritmo da primavera. A grama bem – cuidada do colégio, a fonte no meio do jardim e a grande edificação mostrava o porte daqueles que estudavam ali.

Detalhando mais um pouco tudo: A edificação, o colégio em si, era exuberante. Criado nos mínimos detalhes. As flores coloridas davam ao local um clima leve e divertido, a parede do colégio tinha tons cremes e brancos, a fonte era de um verde que parecia se juntar à grama. Algumas árvores ali deixavam tudo ainda mais belo.

A linda garota de cabelos negros e longos que chegavam até um pouco antes da linha dos joelhos, seus olhos azuis cristalinos e a pele corada faziam que ela parecesse uma boneca perfeitamente moldada por Deus. Com um corpo que a maioria das suas colegas tinha inveja, ela andava ignorando os olhares para si. Vestia um vestido branco e sandálias douradas, uma franja do seu cabelo estava preso por uma presilha de rosa branca.

Caminhava pela escola, sozinha. Por ser muito bonita ninguém queria saber dela.

Invejosos, e também irritados com a beleza da jovem garota, eles olhavam – a com repulsa.

A moça que se chamava Elizabeth Casynn era filha de um bem – sucedido empresário com uma psicóloga. Aquela era uma das mais requisitadas escolas de seu país, até de outros. Mas, mesmo com tanta concorrência a garota se dava bem. Sempre tirava notas excelentíssimas, e tinha uma única amiga.
Katharine Masot, uma ruiva de cabelos curtos, curtos, um corpo esguio e era bastante alta, já que adorava basquete. Katharine era filha de um famoso cirurgião plástico, mas não tirava notas tão boas como sua amiga. Dava atenção demais ao esporte. Às vezes a própria amiga se perguntava como a Kath continuava naquela escola.

Elizabeth sentou – se na mesma cadeira de sempre, a segunda cadeira da terceira fileira perto do professor e atrás de sua amiga. A garota de cabelos negros tinha 15 anos e a sua melhor amiga era tinha um ano mais que ela.

O professor de geografia logo entrou na sala de aula. Todos aqueles que estavam conversando ou em pé sentaram – se educadamente e cumprimentaram o professor com um “Bom dia”. O nome do professor era Maurício Castellani, ele dava aula tanto naquela escola como em uma faculdade.

Ele era um bom professor, mas para Elizabeth, nenhum se comparava com o seu professor de português.

A aula se passou mais rápido do que as duas amigas poderiam imaginar. Já estava na hora de irem ao intervalo. O coração de Elizabeth pulsava de medo, sabia o que aconteceria ali.

Três garotas, Madeleine, Luiza, Anna Beth apareceram para atormentar as duas amigas. Aquelas eram bullys que atormentavam as duas desde que Eliza chegou àquele colégio. As duas até tentaram escapar, mas as suas inimigas eram muito experientes naquilo. Madeleine puxou os cabelos da bela garota de cabelos negros e cuspiu em sua cara.

_Vadias como você não deveriam estudar nesta escola, sabia? _ disse com um tom de escárnio, sorrindo de maneira sádica _ Quantas vezes terei que lhe mostrar que o seu lugar é num puteiro?

Madeleine também era bonita, mas não chegava aos pés da beleza de Elizabeth, o que fazia a garota invejar a outra. Além de que desde que Eliza chegara à escola ela passou a ser a segunda melhor da classe e não a primeira, como antes. A garota tinha cabelos loiros abaixo dos ombros, quase chegando à altura dos seios, seus olhos castanhos eram de uma estranha beleza e sua pele branca davam – na um aspecto angelical. Porém, ela era um verdadeiro demônio, sem amor.

_ Vamos Madeleine, comece a bater nessa puta _incentivou outra garota, Luiza.

_Não... Por favor... Deixem-me em paz... _ pediu Elizabeth quase chorando, o jeito que a sua inimiga segurava seus cabelos fazia sua cabeça doer. E, mesmo, ela sabia que aquela garota não tinha pena quando a questão era espancar.

_ Olha só ela está pedindo com educação. _ debochou Annabeth, desferindo um chute na barriga da moça de cabelos negros.

_ Não! Elissie! _ Katharine chamou a amiga pelo apelido carinhoso, ia ajudá – la, porém Luiza e Anna Beth a seguraram.

Anna Beth e Luiza também eram bonitas. Anna Beth era descendente de uma família de italianos ricos e Luiza membro de uma poderosa família que descendente de suíços. Anna Beth tinha cabelos castanhos na altura da cintura, um corpo esbelto, um sorriso encantador. Luiza tinha cabelos pretos com mechas vermelhas nas pontas, seios fartos e uma pele levemente bronzeada – o que era o resultado de um casamento de uma suíça com um rapaz moreno.

As três tinham inveja da linda boneca.

E, então, começaram novamente o espancamento. Cabeça, seios, braços, pernas, costas foram atingidas. Ficariam marcas em seu corpo, mas ninguém ligaria mesmo. Já tinham tentando denunciar aquele trio há anos, mas nunca obtiveram sucesso, já que elas subornavam os professores e diretores.

E, mesmo que ela conseguisse seus pais nunca saberiam disso. Elizabeth guardava como o mais profundo segredo. Ela não queria envolver seus pais nisso, poderia prejudicá – los financeiramente, caso perdessem.

A jovem estava acostumada com tudo aquilo. Seu coração estava machucado demais, porém, ainda conseguia pulsar, ainda conseguia fazer aquela garota viver.

_ Por quê? Por que eu tenho que sofrer assim? _ perguntava – se mentalmente, deitada no chão frio do corredor da escola, seu corpo estava muito dolorido, e o sangue escorria da sua boca. Seu vestido antes branco estava sujo com marcas de sapato e pequenas gotas de sangue.

Katharine havia sido solta, mas também estava machucada, todavia o caso de Elizabeth era bem pior.

Não aguentou a dor por muito tempo, foi abençoada com a inconsciência. Sempre que isso acontecia, ela se encontrava em um local escuro, sem vida, frio e extremamente solitário. Sempre ficava sentada no meio da escuridão sem fim, se é que era mesmo o meio. As batidas do seu coração eram bem mais nítidas naquele lugar, sua respiração ficava mais fraca e ela podia pensar em quão podre e inútil era sua vida.

Quantas vezes ela já pensou em morrer? Quantas vezes ela imaginou os melhores ou piores métodos de suicídio?!

A vida é terrível demais para que eu continue existindo. Existe mesmo a felicidade? _ pensava naquele breu. Os seus olhos cheios de lágrimas demonstravam quanta mágoa tinha em seu coração.

Nunca chorava na frente das pessoas. Na verdade, ela odiava pessoas. Sempre odiou, nunca ficou perto de ninguém, mal tinha amigos. Seus familiares chamavam – a de “estranha”, “esquisita”...

Ela vivia em seu pequeno mundinho psicológico. Não deixando ninguém adentrar em seu território. Ninguém a entenderia mesmo, somente sua amiga. Somente sua melhor amiga e segunda pessoa mais importante para ela. A amiga que sempre estava ao seu lado, escutando suas lamúrias e ajudando ela a tornasse sem sentimentos.

Talvez fosse a pior das pessoas. Já havia aprendido a manipular, porém ainda tinha escrúpulos, poucos, mas ainda tinha. Seu coração já havia sido totalmente afetado. De todas as formas. Às vezes perguntava – se por que ainda persistia em viver.

Vida medíocre, para que eu nasci? Deus é tão cruel assim? _ perguntava – se mentalmente, sentindo as lágrimas quentes descerem pelo seu rosto.


Pouco a pouco recobrava a consciência, a luz do dia incomodava –a. Seus olhos ainda estavam se acostumando com a claridade. Estava mesmo chorando, não era só a imagem em seu inconsciente que estava. Sentia muita dor, e estava em uma casa conhecida; a casa de Katharine, sua melhor amiga.

Sentou – se com dificuldade na cama, observando o quarto luxuoso que tanto visitava.

Nada de diferente naquele lugar. A cama grande e espaçosa de casal de cor creme tomava metade daquele quarto, a parede azul meio acinzentado e piso de madeira de lei davam aquele lugar uma aparência meio sombria. Elizabeth estava coberta por caros cobertores e vários travesseiros brancos e alguns negros. Ao seu lado tinha um criado – mudo com um abajur apagado. Um armário branco guardava algumas coisas suas, para que, caso fosse lá já tivesse suas roupas. Alguns pufes e poltronas fazia aquele lugar se ainda melhor para uma leitura. Um pouco mais adiante tinha uma porta de correr de vidro, — ao seu lado esquerdo-- com janelas, que davam para uma piscina e, depois de um muro, para um enorme e bem cuidado jardim. Ao lado direito de Eliza tinha um banheiro grande, com banheira e pintura branca.

Aquele quarto fora criado somente para si, Elizabeth lembrava – se quando Katharine comentou isso.

Estava com curativos no corpo e no rosto. Um de seus dedos da mão havia sido engessado. Aquelas três exageraram dessa vez.

Escutou a porta de correr sendo aberta e quando direcionou seu olhar, viu Katharine entrando em seu quarto com coisas salgadas nas mãos. Lasanha, salgadinhos, macarronada. As duas sabiam que era proibido comer no quarto, porém, aquilo era uma exceção. Kath sabia o quanto Eliza adorava coisas salgadas, e ela precisava ser agradada naquele momento.

Um pouco de mimo a uma pessoa psicologicamente debilitada não faria mal.

_ Obrigada, Kath! _ agradeceu a garota de cabelos negros, com um sorriso no rosto e água na boca _ Há quanto tempo eu não como coisas gordurosas e que fazem mal ao coração?!

A melhor amiga riu e em seguida disse:

_ Cuidado, pode acabar pegando uma hipertensão ou colesterol alto por causa dessa sua gula _ assim que pôs a comida perto de sua amiga, ela comeu sem nenhuma educação. Como se fosse uma criança de cinco anos se lambuzando no chocolate que a mãe acabara de dar.

Já fazia um tempo que não comia direito, sentia seu apetite acabar. E as vezes que comia vomitava tudo. Sofria de bulimia nervosa. Também estava bem mais magra que antigamente e com um olhar bem mais triste, porém, havia aprendido com Katharine a fingir muito bem, quando fosse necessário.

_ Obrigada mesmo! _ agradeceu novamente, agora sem nenhuma fome e com sua boca e as mãos sujas de óleo e ingredientes, se direcionando ao banheiro para se lavar.

Enquanto isso, Kath, chamava um dos empregados para levarem as coisas para cozinha. Em poucos instantes a boneca perfeitamente moldada estava na cama. Aguentando o choro, mas ainda sim, lágrimas escorriam de seus olhos.

_ Ignore isso. Não aconteceu _ aconselhou a garota de cabelos ruivos, sempre era assim, sua amiga dizia aquelas coisas como se fossem fáceis.

Eliza sempre se perguntara como ela conseguia ser assim. É como se ela tivesse guardado o seu coração em uma masmorra como o Mago do coração peludo.

Mas, qualquer pessoa notaria a diferença entre as duas. Colocadas em situações extremas. Cada uma teria uma reação diferente. A garota ruiva teria total controle de sua mente, enquanto a garota de cabelos negros entraria em pânico, começando a chorar. Lembrava – se de quando pediu para a sua melhor amiga para ensinar – lhe a ser sem sentimentos. A ter total controle sobre eles. Foi logo após uma discussão com o seu ex – namorado.

“Por favor, por favor, Kath! Ensine-me a ser como você. Fria, sem coração, sem sentimentos. Eu não quero sofrer, por favor, não quero sofrer. Dói muito, meu coração. Ensine-me a manipular, enganar, a ser uma atriz! Eu não quero ter sentimentos.”

E, claro, sua amiga aceitou ensinar – lhe. O tempo se passou e Eliza já estava perto de ser parecida com a outra.

A única diferença entre as duas era que: A garota de cabelos negros somente fingia ser assim. Sabia fingir muito bem. E Katharine não ligava não se importava e mantinha – se fria e controlada o tempo todo.

_ Qual um dos meus primeiros ensinamentos para manter – se controlada?

_ Não se importar com nada... _respondeu, ainda segurando o choro.

_ Então por que você continua a chorar? _ a outra levantou o rosto da menor, segurando delicadamente _ Limpe seu rosto e sorria. Esqueça aquilo e finja que está tudo bem. Você não quer que ele lhe perguntando coisas, quer? _ Eliza sabia de quem sua amiga estava falando, não precisava citar nome.

_ Não... _ falou baixinho, enxugando seu rosto com as mãos e respirando fundo. Em seguida, forçando um sorriso. _ Eu não quero que ele se preocupe comigo.

Os dias se passaram desde aquele incidente, e parecia que as coisas só faziam piorar. Os pais de Eliza estavam viajando, então na maioria das vezes ela ficava sozinha na imensa casa. Os seus empregados estavam bastante ocupados. Então, sem ninguém pra conversar, a jovem deitou – se na sua cama.

Chorava encolhida e abraçada a um travesseiro. Sempre fazia aquilo, sozinha na grande casa, com medo e desprotegida.

Seu quarto poderia ser considerado um dos mais belos que já havia sido feito. Enorme, com um armário espaçoso e desenhado com lírios brancos e rosas vermelhas, cortinas vermelhas cobriam as largas janelas, deixando o quarto meio escuro. A sua cama era grande e com travesseiros e cor rosa e vermelhos. Em todo canto havia bichos de pelúcia, grande maioria eram coelhos e ursinhos. De todas as cores e tamanhos. As paredes eram brancas e o piso de madeira de lei, uma madeira maciça.

Eliza olhou para as cortinas vermelhas que dançava conforme o vento passava em sua janela. Sorriu de canto, e olhou tentadoramente para os remédios para dormir que sempre tomava.

Seu sorriso alargou – se. Isso mesmo, ela pensava em tomar aquilo. Tomar tudo de uma vez e descansar. Descansar para todo sempre. Esticou a mão para pegar o sonífero.

Colocando vários comprimidos na mão. Tantos que até caíram. Tomou tudo de uma vez, logo em seguida se ajeitando na cama.

Sorria, estava feliz. Iria se suicidar, iria ter paz.

Pelo menos, foi isso o que pensou. Pois, após falecer, acordou em um lugar totalmente iluminado, com um cheiro indescritível e lindo. Era o céu.

Era lindo, mas algo assustava Elizabeth, ela sabia que suicidas não iam para o céu. Então, por que estava ali? Levantou – se e começou a andar sem saber para onde ia. Seus pés denunciavam que a terra onde pisava era bem cuidada. De repente sentiu uma presença, não conseguia ver o rosto ou o corpo daquele ser, mas sabia que se aproximava a ser um Deus.

Conhecia aquele lugar. De onde ela conhecia aquele lugar?

_ Para uma suicida como você não há céu e nem inferno. Sua vida, seu corpo, sua alma serão amaldiçoados. Você tinha tudo para ser feliz... Perfeita até demais. _ a voz era autoritária e onipotente _ O seu destino será... Viver. Viver neste corpo que está apodrecendo.

A garota teve a impressão que conhecia aquele homem. Aquela voz.

Mas... Quem era?

_ Não! Eu...Quem... _ tentou dizer, mas novamente estava tudo escuro.


Mas antes que pudesse fazer ou falar qualquer coisa acordou na cama de um hospital. Estava usando uma máscara para respirar. Após acostumar – se com a luz forte e branca do hospital, a jovem de cabelos negros viu um médico olhando – a severamente.

_ Não foi desta vez que você conseguiu partir dessa para melhor, pequena. _ falou carinhosamente o médico, tocando levemente a cabeça da sua paciente.

Ela não respondeu. Não precisava responder para ver o quanto ela estava irritada e triste. Havia fracassado na única coisa que realmente queria. Teria que voltar a viver a vida que queria dar fim, uma vida que havia desistido.

Mas agora... Mas agora estava viva, ali, naquele hospital. Sem prestar atenção ao seu redor acabou sem perceber seus pais entrando ali. Algo tão raro que ela nem fez questão de imaginar. Só percebeu quando sua mãe tocou a sua mão, com uma expressão preocupada. É claro que levara uma baita bronca, fora para diversos terapeutas, inclusive com sua mãe. Sua liberdade tornou – se ainda menor. Em alguns dias o primeiro sintoma que estava morta apareceu.

Seu coração tinha parado de bater.


Mais ou menos duas da madrugada e ela estava dormindo tranquilamente quando acordou sem ar. Ao sentar – se em sua cama, tocou em seu peito, percebendo o que havia acontecido. Respirava ofegante. Nem sabia exatamente como ainda respirava. Levantou – se e se olhou em um espelho. Percebendo que sua pele estava meio pálida.

Não poderia, não deveria viver.


Atualmente....


Estava sentada em sua cadeira na sala de aula. Lia atentamente um livro. Sua pele estava cada vez mais pálida e sua respiração falha. A garota sentia que não precisava respirar para continuar vivendo, mas, por costume o fazia. Olhando atentamente para a sua amiga, Katharine percebeu que a mesma estava muito pálida, seus cabelos embaraçados e seus olhos cheios de olheiras, além dos cortes em seu braço – provavelmente cortara o braço com o seu estilete.

Ainda era linda, porém cada vez mais triste e distante dos vivos.

Katharine se aproximou de sua amiga e chamou – lhe a atenção.

_ Como você está?

_ Estou bem... Me sinto morta. _ começou, não escondia nada da sua melhor amiga.

_ Morta? Claro, você tentou o suicídio. _ afirmou o obvio.

_ Não... Morta mesmo. Meu corpo está em decomposiç-... _ não conseguiu completar a frase o pior trio da escola tinha entrado na classe e Elizabeth se apavorou.

A melhor amiga sentou – se no lugar de sempre e as duas permaneceram caladas pelo restante da aula.

Mas, milagrosamente, daquela vez o trio não perturbou a paz das duas amigas.


Agora estava no meio do pátio, ainda com o seu livro. Era seu único hobby naqueles dias. Ficou tão absorta lendo aquela história que demorou a perceber a sensação estranha dentro de si. Um leve formigamento. Colocou as mãos perto da barriga, sentindo alguma coisa mexer – se dentro. Assustou – se, e até deu um grito, derrubou o livro no chão.

O formigamento passou, mas agora todos estavam olhando para ela, como se fosse uma louca. E talvez estivesse mesmo ficando.

Aquela foi a primeira vez que os vermes comeram das suas tripas, sua carne.


Estava em casa, algo que sentia que não poderia ser pior. Seus pais estavam mais “presentes” agora. Depois que havia tentado o suicídio eles faziam de tudo para agradar a jovem. Não queria ficar maus para a mídia. Queriam que sua filha continuasse perfeita, como sempre fora.

E, isso, para Elizabeth, não poderia ser pior.

Agora ela mal saia do seu quarto, mal comia, mal dormia. Não conseguia mais nada. Não queria mais nada, estava morta mesmo, certo?

Morta, morta, morta, morta. –--- Isso se repetia várias vezes em sua cabeça.

Morta, morta, morta, morta.

Claro, seus pais a levaram para vários psicólogos, médicos em geral. Aquilo era cansativo para a jovem. Ela apenas queria que tudo acabasse.

Os exames deram que esta estava com a Síndrome de Cotard; uma doença que fazia a pessoa pensar que estava morta. Os médicos resolveram fazer uma terapia com Elizabeth.

Todo dia ela era obrigada a ir a um terapeuta diferente para fazer as terapias.

Mas Elizabeth sabia que aquilo não adiantaria. Começava a sentir o cheiro pútrido de seu sangue com a carne morta. Era realmente nojento.

Tinha que dar um fim àquilo.


Numa noite melancólica demais até para os enamorados, até parecia que a própria Lua sabia o que estava prestes a acontecer. Naquela noite, nem o vento queria quebrar o silencio. Aquele silêncio mortal. Elizabeth estava no prédio da escola, havia conseguido roubar as chaves do zelador. Estava o mais alto que poderia. Estava na ponta do teto, na ponta dos dedos, com o outro pé estirado para fora. Aquilo seria mesmo o fim.

Seu rosto estava branco, muito pálido, suas olheiras estava enormes, hematomas e cortes faziam parte de seu visual agora. Seus cabelos longos agora mal cuidados e desembaraçados.

Um... Sentia muito medo, será que iria doer?

Dois... Dessa vez não iria ressuscitar, sua cabeça seria esmagada com a força do impacto no chão.

Três... Já era tarde demais para voltar atrás. Havia pulado do prédio, e agora, ia de encontro ao chão. Assim que sua cabeça foi de encontro ao chão, e junto com a gravidade, fora esmagada. Sua cabeça havia se reduzido à apenas a metade.


Finalmente havia conseguido a paz.



Em um lugar desconhecido pela humanidade...


Um homem de aparência autoritária caminhava pela escuridão, se encontrando com uma bela jovem, que, antigamente atendia pelo nome Elizabeth.

_ Como você está? _ perguntou com uma voz indiferente.

_ Bem. Finalmente morri... Isso me deixa feliz.

_ O que achou dessa vida?

_ Depressiva demais. Você me amaldiçoou desta vez!

_ Sim, eu quis lhe animar um pouco.

_ Animar?! Você sabe como é pular de um prédio!?

_ Não.

A jovem sorriu para o homem.

_ Desta vez é você quem vai encarnar. Preciso da minha vingança _ falou se levantando e caminhando em direção ao homem.

O homem permaneceu serio por alguns segundos, até que finalmente esboçou um sorriso.

_ É claro. Vou ser um suicida revive também?

_ Não, não. Algo bem pior.

_ Estarei esperando ansiosamente pelo resultado.

_ Você encarnará em 200 a.C e seu nome será Diana...

O homem concordou e deitou — se no chão, sendo engolido por uma luz, sentia uma leve felicidade por voltar ao mundo humano.

Aquilo era divertido para eles.


Notas finais
Bem... O que acharam do final?
Eu achei muito "Nadaver", muito mesmo.
Mas até legal. É como um "jogo dos Deuses"
Porque, tipo viver no céu liderando anjos, humanos, terra, sol, universo... Pode ser exaustivo, não acha?
Todos tem que ter folga e divertimento.
Ah, e 200 a.C é porque para os Deuses não existe tempo, como para os humanos. E também o fato de ele nascer como mulher é pelo seguinte fato: Deuses também não têm sexo como nós. São apenas energia, (é nisso que eu acredito) e eles podem se formar do jeito que quiserem, nosso Deus é dito como homem, mas também pode ser mulher ou não ter forma física... Ninguém nunca viu Deus.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!