Maldizes

1 Prólogo: Os Jornais Enganosos


Notas iniciais
E então leitores, como vão?
Bom... Este é o início de Maldizes, 2ª parte de Memórias, eu espero que gostem! (:

MALDIZES

PRÓLOGO


Julia havia voltado à Collinwood. O cheiro de bebida e cigarro, novamente, inundava a casa dos Collins. Barnabas não ia tomar café com todos, o que de própria parte achava desrespeitoso, porém, para cara de Julia não mais aguentava olhar, portanto... Assim ficou. Assim continuou. David havia crescido e apesar disso, Victoria não perdeu seu emprego, aliás, para ser mais exato, ela tornou-se uma agregada, como a Dra. Hoffman.

Elizabeth já não sabia mais o que fazer ou até de que lado ficar. Era Julia no uísque e Barnabas no sangue. – Sim, todos acabaram por descobrir que ele era um vampiro. – Julia no cigarro e Barnabas no charuto. A agonia era tanta, que de vez em quando ia a cozinha ajudar Willie com a comida, para ela, uma coisa que relaxava. Pode-se até dizer que o curso gastronômico serviu de forma bem eficiente para Willie, invés de waffles no café, eram agora servidos bolos de fruta ou torta de chocolate com cobertura dupla, mas está bem, não irei fazer com que fiquem com muito apetite, prometo. Roger vez ou outra surgia por lá, dava um abraço frio em David e ficava a tentar pegar dinheiro com Elizabeth. Além das cantadas para com Victoria. Julia até ficava com raiva em alguns momentos em que isso acontecia, mas ultimamente, mal chegava a ver isto realizar-se, mantinha-se concentrada nas histórias e rumores dos Collins. Queria arranjar um jeito de ferir Barnabas sentimentalmente. Era fácil. Depois... É, acho que ela já podia feri-lo de verdade. Passava o dia na biblioteca central da cidade, talvez o jovem que de lá cuidasse já estivesse enjoado do rosto dela, mas, você sabe, ela não estava nem aí.


Pegou o Chevy dos Collins – pois é, eles ainda o tinham. -, e seguiu para a tal biblioteca. O carro ainda soltava alguns trancos de vez em quando, e sempre que isso acontecia, ele então parava. Houve até uma vez em que Julia ficou bem irritada com esta situação e continuou a pé, mas isso não vem ao caso. Estacionou em algum terreno abandonado, este ficava bem ao lado, e seguiu.

A porta abriu-se. O jovem que tomava conta do lugar olhou para a sua cara e suspirou. Como vinha fazendo há alguns meses.

– Setor 3, alameda 7. – Disse ele.

– Muito obrigada.

Abriu livros e mais livros sobre as famílias antigas mais ricas da cidade, era estranho, tudo o que lia era diferente dos outros que já havia lido, como se cada um desmentisse o outro. Como se cada um apresentasse um final inventado ou até catastrófico, coisa que não aconteceu, aliás... Aconteceu sim, mas os livros continuavam diferentes. Já estava cansada de abrir jornais e ler algo do tipo:

ANTES DE MORRER, NAOMI E JOSHUA COLLINS GASTAM TODA A SUA GRANDIOSA FORTUNA.

– É tudo o que tem? – Perguntava ao jovem, certamente desapontada.

– Há não ser que queira checar os arquivos no porão. – Resmungou ele, desgostoso.

– Parece-me ótimo. – Retrucou. – Pode me dar a chave.

Adentrava em um sujo lugar. Estava bem escuro, bem tenso. Escutavam-se ratos perambulando por ali, uma agonia percorria pelo corpo, um arrepio. Sem contar, ainda, que tal corredor possuía um cheiro exagerado de desinfetante genérico. Talvez limpassem aquele local uma vez por ano e por isso, o cheiro tão discrepante de desinfetante. Talvez fosse para permanecer por certo tempo (12 meses), o que não me parece possível, mas tudo bem.

Ao fim do corredor haviam várias portas, cada uma apresentava destinos diferentes, talvez, “ARQUIVO MORTO” ou “LIVROS PARA DOAÇÃO” e até “REGISTROS E RELATOS FAMILIARES”, essa foi a que Julia entrou. Havia uma placa bem defronte a ela: “A-C – Setor 1; D-F – Setor 2; G-I – Setor 3”. Rumo ao setor um. Collins, Collins, Collins, mantinha em sua mente. Achou.

Naomi e Joshua Collins, mortos em 1775 (mil setecentos e setenta-cinco). Joshua, falecido marido de Naomi veio a falecer por crises respiratórias, as quais, sempre tinha, como diz o seu filho, Barnabas. O próprio Barnabas também afirma que sua mãe, Naomi, envenenou-se e teve um infarto fulminante logo depois, efeito do veneno, claro. Barnabas diz ainda que sua mãe vinha sentindo falta de seu pai e por isso entrou em uma profunda depressão, talvez não tenha aguentado tanta pressão. Barnabas diz-se triste, como todos os outros estão. Afinal, perder os maiores anfitriões da cidade não é uma coisa fácil.

Era o que dizia o jornal de Collinsport. Obviamente, não era verdade. Os pais de Barnabas foram assassinados em massa, por Angelique Bouchard. Enrolou o curto pedaço de papel, o pôs no bolso de seu vestido azul e seguiu para o térreo, até porque o cheiro de desinfetante já estava a afetar suas narinas.

– Muito obrigada! – Exclamou ao jovem da recepção.

– De nada. – Respondeu-lhe com um sorriso falso.

Entrou no Chevy desgastado de Elizabeth e foi para a Collinwood.

Enquanto dirigia o carro, esteve a pensar. Bem que aquele pedaço de jornal vinha a calhar. Ela poderia usar essa informação contra Barnabas, como Naomi e Joshua foram assassinados, e Barnabas afirmou algo totalmente diferente para todos, diante de um tribunal e tendo como testemunha Angelique, ele seria preso por calúnia. Sabendo também que após a polícia descobrir que foram assassinados, as buscas começariam, e do jeito que Angelique não possuía tanta inteligência, iria presa logo depois.

Perfeito. Era uma armadilha dupla. Só restava planejar tudo de forma certa e “pôr a mão na massa”.


ARTHUR C.


Notas finais
E então? O que acharam?
Comentários serão sempre bem vindos.
Muito obrigado pela leitura, e até o 1º capítulo! (: