O casamento do primo aconteceria de tarde e Hinata não conseguia evitar se sentir nauseada sempre que pensava no assunto. Nesta mesma tarde viajaria com Naruto para sabe-se lá onde, ela só pediu duas passagens e escolheu a data, o lugar não importava.

Os pais protestaram quando descobriram de manhã o que a Hyuga ia fazer, ninguém sabia até o momento e ela se atreveu a contar apenas a eles por pura obrigação.

Suas malas estavam prontas e amontoadas no canto do quarto, a garota estava deitada na cama trocando mensagens com as amigas desesperadas perguntando quando ela iria na festa, repreendendo-a por estar muito atrasada e por continuar com uma briga boba e sem motivo com o primo, afinal nenhuma delas entendia o que causou a distância entre os dois, e mesmo se soubessem a Hyuga já imaginava o que diriam. A festa de casamento havia começado pela manhã, mas o casal só trocaria alianças no fim da tarde quando Hinata estivesse bem longe da cidade dentro de um avião indo para qualquer lugar que ela não desse importância.

Com o passar do tempo as amigas desistiram e deixaram Hinata em paz, porém seu celular permaneceu silencioso por apenas 20 minutos antes de vibrar mais uma vez. Naruto a enviava mensagens perguntando se já estava pronta e se já queria que ele a buscasse, e ela aceitou tudo sem pensar. Queria sumir logo daquele lugar, parecia que cada segundo a mais ali arrancava um novo pedaço de seu coração.

Levantando da cama a garota decidiu dar uma volta no quarto, analisando cada detalhe dele a cada passo. Ao pousar os olhos sobre o criado mudo ela parou, o envelope branco que Neji a entregou da última vez se que viram ainda estava ali, intocado depois de meses. Não havia acumulo de pó pois o quarto estava sempre limpo, mas ninguém ousou tirar o envelope assinado com os nomes de Hinata e Neji com o selo do clã Hyuga.

Curiosamente, pela primeira vez Hinata, notou a falta do nome da noiva no envelope. Sendo um convite, destinado a madrinha ou a um convidado, o nome dos noivos deveriam estar juntos. E o selo Hyuga também não é um adorno para se pôr de enfeite em um convite de casamento.

Automaticamente a garota quebra o selo, mas se demora criando coragem para abrir e ler o conteúdo.

Suas mãos tremem ao ler o primeiro parágrafo...

●●●

Horas depois Neji aparece de terno a sua porta, abrindo-a com força sem nem bater antes de entrar.

— O que pensa que está fazendo? — O homem grita para a garota no quarto escuro, o Sol está se pondo do lado de fora e as janelas estão fechadas, Hinata está em frente a um criado mudo e abaixa as mãos parecendo esconder algo antes de olhar para ele e responder.

— O que o noivo está fazendo de terno, suado e ofegante no meu quarto? — Sua voz é tranquila como não era a meses quando falava com ele, e isso o surpreendeu.

Neji se recompõe e limpa a garganta antes de falar.

— Você não esteve na festa, por essa parte eu esperava, mas... — ele para de falar com a visão perdida em algum lugar do quarto, seu rosto parece tomar uma feição triste.

— Mas...? — Hinata o incentiva a continuar, na escuridão do quarto é difícil enxergar seu rosto.

— Hinata, isso é uma loucura! Uma viagem com Naruto? Hoje? Para onde? Por quanto tempo? Por que...

— Hey, calma! — se aproximando um pouco na escuridão ela o interrompe — Eu não vou viajar com Naruto.

— Mas seus pais...

— Disseram a você que eu iria? — sua voz esta mais próxima e Neji já pode vê-la um pouco melhor — É verdade, eu ia, mas desisti. Naruto veio até aqui mais cedo para me buscar mas eu não quis ir.

— Por que? — o Hyuga pergunta, um pouco sem ar e incredulo com a mudança repentina da prima.

Ela se aproxima mais do primo e estende um envelope meio amassado para ele.

— Nós terminamos.

O Hyuga esta assimilando as palavras quando pega o papel sem reconhecer de imediato e Hinata diz:

— Não vire-o ainda, eu não o abri. — encarando o primo seu rosto não demonstra nada, Neji não consegue ver nada transparecer — Me diz o que está escrito.

— É apenas um convite de casamento. — ele murmura em resposta sustentado o olhar da prima consternado com o sorriso que viu se abrir em seus lábios.

— Onde está Tenten? — ela perguntou ainda sorrindo.

— No altar, me esperando. — falou nervosamente, ele não entendia o interrogatório da prima e onde ela queria chegar, mas não pretendia revelar nada antes dela.

Subitamente a garota solta uma risada baixa e contida enquanto o primo permanece parado em sua frente.

— Maldito seja Neji Hyuga! — diz, mas não há ódio em sua voz, ou dor, ou sarcasmo. A garota parecia realmente feliz. E surpreendeu mais uma vez o primo ao prosseguir — Você não sabe mentir?

— Como? — o garoto pergunta estranhando as palavras da Hyuga.

Hinata então pega a carta da mão do primo, vira-a para cima e a devolve. Ao analisar o envelope amassado o Hyuga nota o selo rompido.

— Você leu. — diz ao entender a situação.

— Sim, — a garota responde o olhando com desdém — cada palavra.

— Hinata, eu... — ele começa a dizer, mas para repensando se é uma boa ideia.

Ao notar a apreensão do primo ela da outro passo a frente, diminuindo a distância entre eles de forma cautelosa.

— Por que não começa dizendo a verdade. — ela diz — Me conte onde realmente está Tenten.

Por um momento pareceu qua ele não diria nada, mas o homem se põe a falar com a voz rouca e baixa.

— Nós concordamos que... não daria certo...

— Hum?

— Rompemos na frente de todo mundo pouco depois de seu pai ter me falado sobre sua viagem.

— Por que?

Dessa vez é Neji quem se aproxima, impossibilitando qualquer novo passo que Hinata pretendia dar com centímetros de distância entre os corpos. Ele pega a mão da garota e põe a carta ali encarando-a. Sem soltar a mão da prima ele diz:

— Por que eu te amo, Hinata Hyuga.

A garota sorri ao ouvir aquelas palavras no timbre da voz do primo. Ela põe a mão livre na nuca dele e o puxa para mais perto, deixando seus lábios distantes apenas o suficiente para que não se tocassem ao sussurrar:

— Eu também te amo, Neji Hyuga.

Ao ouvir isso Neji não espera que a prima o puxe, ele solta a mão dela e pousa as suas na cintura da garota, puxando-a contra si e beijando-a intensamente. Com a carta ainda na mão Hinata cruza os braços sobre a nuca do primo desejando que aquele momento nunca tenha um fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!