Notas iniciais
Demorou, mas enfim saiu o capitulo 3 uhuuuuull Bloqueio criativo é foda, mas agora estou me esforçando e vou postar o quanto antes. Agora que a "Consciência" apareceu, as coisas vão começar a acontecer.

Ouço o som de batidas na porta do meu quarto poucos segundos depois de vestir meu casaco já pronto para sair. Antes que eu possa abrir aporta, escuto a voz da garota abafada pela madeira há poucos metros de distância.

—Você já está pronto?-eu escuto ela dizer.- Não gosto de esperar.

Bem, aí está uma coisa em que concordamos. Penso e fecho o casaco até a metade.

Ao abrir a porta, vejo uma garota bem diferente da que vi quando acordei ainda hoje. Não sei como ela achou essas roupas da minha mãe, já que parecem joviais demais para uma mulher de quase 50 anos, mas ela veste um vestido preto curto de um modelo que não esperava que minha mãe usasse. Apertado e semelhante a uma camiseta até perto da cintura e solto na saia, nem tão curto, mas também não é longo. Por algum motivo, ela também vestiu por cima uma casaco fino e longo como um sobretudo que a cobre até a metade da coxa. Para completar, ela ainda usa meus All Star`s branco e preto, mas não temos tempo para mudar agora. Tenho certeza de que posso comprar um novo para ela no shopping, já que ela parece ter gostado tanto.

Ela percebe que eu estou olhando seu par de sapatos, bem meus, e parece se sentir desconfortável. Talvez pense que eu prefira que os troque.

—Se quiser, eu posso escolher outro tênis.- ela diz apontando para os próprios pés.

—Não, não temos tempo pra trocar.-respondo.-Vai com esse mesmo, agora que já está usando.

Ela assente e sai da frente da porta para que eu possa passar e a acompanho até o andar de baixo. Aproveito que ela já foi abrir a porta e pego as chaves de casa e a do meu carro na cozinha e aproveito para dar uma olhada pela casa só para ter certeza de que meus pais não estão mesmo por aqui. E não deixaram nem um bilhete, por acaso. Faço um gesto para que ela continue andando e eu a sigo até meu Honda CR-V que ganhei de aniversário dos meus pais e sigo até o shopping Block Thirty Seven para comprar roupas normais para a garota sentada ao meu lado. Pelo menos creio que posso me referir a ela como uma garota, essa coisa de sermos tecnicamente a mesma coisa ainda me confunde. Tenho sorte de já ter deixado a carteira com o meu cartão de crédito no carro ontem já que precisei usá-lo para ir comprar as besteiras que comemos na casa de Anthony durante a noite. Agradeço que meus pais são bem sucedidos e sempre me deram tudo que eu pudesse precisar, nunca me faltou nada que eu quisesse e isso é ótimo porque vai muito útil com essa garota morando comigo por tempo indeterminado. Espero que eles não se importem com as faturas do cartão esse mês, até porque eu quase nunca o uso mesmo. Logo, logo eu já vou poder passar ele para o meu nome já que sou maior de idade agora, mas não enquanto eu tiver que me preocupar com meu Subconsciente andando solto por aí no corpo de uma mulher extremamente parecida comigo. Ainda preciso encontrar uma forma de desfazer esse feitiço, aliás.

Assim que chegamos ao centro de Chicago, caminhamos direto para a H&M procurar por roupas mais baratas, até eu gosto das roupas da sessão masculina dessa loja.

Rodamos muito e já perdi a conta de quantas lojas nós entramos e saímos com roupas. Tenho que levar algumas sacolas, mas ao menos ela está me ajudando. Não sei exatamente há quantas horas já estamos dentro do shopping, mas assim que ambos sentimos fome, caminhamos até a praça de alimentação para procurar algum lanche e descansar um pouco. Já posso sentir o cheiro de fritura e queijo da praça de alimentação apenas alguns metros a frente quando olho para meu lado esquerdo para observar a vitrine da minha loja favorita repleta de vídeo games e eletrônicos como sempre faço e acabo reconhecendo a garota morena com cabelos coloridos segurando um copo de milk-shake e olhando lingeries dentro de uma Victoria Secret`s e cutuco o ombro da Subconsciente silenciosamente pedindo que ela andasse rápido para que Dália não nos veja, tenho certeza de que ela também sabe quem é Dália, afinal, nos conhecemos há muito tempo. Quando ela enfim vê o que eu estava apontando, parece compreender e e começa a dar passos mais largos, mas não adianta de nada. Em um movimento rápido de cabeça, Dália olha para fora da loja bebendo um gole do milk-shake e parece ter me visto. Não, ela com certeza nos viu e agora está acenando para nós. Merda, penso. Antes que possamos ter tempo de ir embora, Dália começa a caminhar para fora da loja e se despede da vendedora como se dissesse que voltava mais tarde e começa a falar alto antes mesmo de estar próxima de nós dois.

—Hey, Derek.- ela diz correndo atrapalhada com o copo na mão e as sacolas coloridas nos dois braços.- Que surpresa te encontrar aqui!

—Ah, sim. Claro. É bom te ver também.- É mentira! Isso é péssimo. Grito em minha própria mente e me pergunto se a minha Subconsciência também pode escutar.

—Não achei que fosse te encontrar em um shopping algum dia, essa é nova.- ela para na minha frente e começa a tagarelar como sempre. Essa é a parte das pessoas extrovertidas que eu nunca vou conseguir processar: Por que falam tanto?-...E eu já estava indo para casa. Espera! Eu te conheço?

Quando ela aponta para a garota ao meu lado, me sinto obrigado a intervir antes que ela fale alguma coisa que eu não quero que fale. Minha subconsciência apenas fala o que vem na mente, e isso pode acabar me prejudicando qualquer dia desses.

—Dália, você não a conhece, não.- começo a tentar dar um significado a isso tudo e penso o mais rápido que posso para inventar alguma história para a garota ao meu lado.- Essa é...hã...-hesito tentando pensar em algum nome para ela, uma hora ou outra eu teria que escolher algum mesmo.- De...Erica, o nome dela é Erica. É uma prima distante que veio passar algumas semanas na minha casa, sabe como é. Então aproveitei que é o primeiro dia dela na cidade e vim fazer compras com ela aqui no shopping, sabe, viagens e tudo mais. As pessoas sempre compram roupas em viagens.

É, acho que eu mandei bem dessa vez.

Pelo canto do olho vejo que a recém nomeada Erica parece ter gostado dessa história também e me sinto bem de ter acertado pelo menos uma vez na criatividade.

—Ah, bem isso é muito legal da sua parte, Derek.- ela sorri virando seu olhar para Erica e sinto que as duas vão se dar bem, a julgar pelo olhar que estão trocando agora. É o olhar que vejo algumas garotas trocarem na escola. Amigas, Cúmplices.- Que bom te conhecer, Erica. Tenho a impressão de que vamos nos dar bem, você não acha?

—Claro que sim, aliás, eu vou adorar ter companhia feminina o resto do dia, se quiser. -Erica comenta animada e me entrega mais uma das suas sacolas pesadas e as duas começam a caminhar juntas me deixando para trás.

Não, não vai ser tão fácil assim.

—Ah, sabe o que que é, Erica.-eu corro atrás delas e puxo ela pelo ombro a obrigando a me olhar.- Ela já disse que estava indo embora e não queremos atrapalhar, não é?

Percebo que Erica vai tentar me responder, mas a própria Dália interrompe o começo de uma possível discussão entre nós.

—Besteira, Derek.-ela mexe a mão segurando o milk-shake tentando gesticular o que deveria ser um movimento de mão aberta.-Eu não tenho nenhum compromisso, eu só iria para casa. Posso demorar um pouco mais, tenho certeza de que minha mãe não se importa. Para onde estavam indo?

—Na verdade, estávamos indo fazer um lanche, mas acho que você já fez. -Erica a responde.

—não tem problema, acompanho vocês. Assim temos mais tempo para conversar.- ela diz como se não importasse mesmo. Mulheres, penso, eu mereço.

—Ah, que ótimo.- Erica diz e elas voltam a andar para a praça de alimentação e me ignoram mais uma vez.- Então, como nova na cidade, o que você me sugere para comer aqui desse shopping?

—Ah, tem um restaurante aqui que faz um hambúrguer muito melhor do que o do McDonald`s e do BurguerKing.-Dália continua dizendo enquanto eu continuo parado respirando fundo várias vezes. Como elas se distraíram fácil!

—Ei, Derek, você vem ou não?-Escuto a voz de Erica e abro os olhos vendo as duas me olhando com caras preocupadas e me esperando no meio do corredor do shopping. Já entendi tudo, virei o mordomo das duas madames.

Eu começo a segui-las e elas voltam a caminhar e conversar como se nada tivesse acontecido.

—Aliás, como você e Derek são parecidos!-eu escuto Dália dizer.

—Você achou?-Erica olha em minha direção e sorri como se dissesse "Eu disse" e logo volta a conversar em tom animado com a minha amiga de infância.

Notas finais
Já aviso que fiz algumas pesquisas sobre a cidade de Chicago, mas eu não tenho certeza de nada sobre shoppings de lá. Eu nunca visitei a cidade, então não sei muito sobre lá, então relevem. Já fui visitar Nova York e Orlando, mas acabamos não tendo tempo de alugar carro para ir até Chicago quando eu e minha família estávamos em Ny, mas imagino que não seja mt diferente de lá, então me baseio na própria NY para escrever esse tipo de lugar. Sobre o Honda, eu li na internet que é um carro popular, ou seja, comum nos EUA e carros não são caros como aqui no Brasil, tanto é que os próprios estudantes conseguem comprá-los com alguns meses de trabalho, então faz sentido que uma família de classe média-alta consiga comprar um carro de presente para o filho, principalmente pq lá a maioria das escolas de ensino médio é pública.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.