Malditas Mentiras
6 Tia Pollie o caraças!
Sábado de manhã.
Este era um dos raros fins-de-semana que a Beatriz não trabalhava.
Estava uma manhã agradável. O sol brilhava fraco no céu limpo da primavera. Havia algumas nuvens tão brancas que pareciam algodão doce.
Eu bebericava uma caneca de chá de frutos vermelhos. Enquanto que as crianças deliciavam-se com o chocolate quente com torradas. A Beatriz devorava uma taça de cereais com pepitas de chocolate sem leite. Todos nós estávamos sentados no enorme sofá, que ocupava a sala, a observar a televisão.
«Mas que merda de fim-de-semana.» disse a Beatriz
«Mãe! Disseste uma asneira.» apontou a Catalina descontente. Gabriel olhou para as duas intrigado. Como se estivesse a processar o que a mãe dissera no seu cérebro.
«E se fossemos ao jardim zoológico.» disse
«Boa ideia.» replicou a Beatriz « Crianças, prepararem-se para irem ao jardim zoológico com a tia Pollie.»
Espera um minuto, pensei. Eu teria ouvido bem? Ela chamou-me de tia Pollie! Virei-me para a Beatriz com os olhos a faiscarem. Ela sabia que eu detestava ser chamada de Pollie e muito menos de tia.
«Eu ouvi bem? Por acaso chamaste-me de tia Pollie!»
«Bem… Eu.» gaguejou
«A quem que estás a chamar de tia?»
«A ti é claro! Mas…»
«Eu tenho cara de ser a tua tia!»
«Não! Nem me passou pela cabeça.» respondeu ponderadamente « Se a minha querida tia Pollie tivesse a tua cara, ela ficava-te eternamente grata.»
Todos começamos a rir. A excepção do Gabriel que parecia confuso com o dialogo, e assustado. Ele conheceu a tia da Beatriz. Mas o rapaz morre de medo da mulher. A última vez que a viu fomos encontra-lo escondido por debaixo da cama. Pollie é uma mulher corpulenta. Bulldog era a primeira coisa que lembrávamos quando a víamos. Enfim, ela é uma mulher feia. Ser chamado de tia era uma ofensa para qualquer mulher que a conheceu. Porque a cara dela era a primeira coisa que nos vinha a mente quando dizíamos a palavra “tia”.
As crianças ficaram muito animadas com a possibilidade de irem ao jardim zoológico com a mãe e na minha companhia. O Gabriel saltitava pelo corredor aos gritos, como se quisesse que o mundo todo soubesse que ele ia ao jardim zoológico. A Catalina estava no seu quarto e procurava pelo vestido preferido.
«Paolla! Preciso da tua ajuda.» Beatriz surgiu a minha frente com uma toalha na mão. «Foste tu que saíste com ideia de irmos ao jardim zoológico.»
«Sim! E então?»
«E então? Já reparaste na confusão que as crianças estão a fazer?»
«Sim! Mas os filhos são teus e estamos na tua casa.»
«Ah! O que queres dizer com isso?» perguntou na defensiva «Não vais ajudar-me a acalmar esses dois “Anjinhos”?»
Ela atirou-me com uma toalha. Por puro instinto estiquei uma mão e apanhei-a. No mesmo instante o pequeno Gabriel passou por nós na direção do quarto principal.
«Está bem. Ganhaste por agora.» Resmunguei
Com um suspiro de derrota segui o pequeno. Não iria ser nada fácil leva-lo para a banheira.
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