Maldita Nami
3 Eu finalmente decidi
Notas iniciais
Ela chorava. Oh, isso mesmo. Estava chorando, mas era de felicidade? Afinal, Nami finalmente conseguiria tudo o que tanto desejou durante toda a sua vida, iria se casar com um homem rico e bonito, porém isso a entristecia, pois significava apenas uma coisa. Sua condenação.
Não era ele a quem amava, não queria ter seu ''felizes para sempre'' ao lado do noivo. Ela não chorava de alegria e sim de tristeza. Chorava por causa daquele moreno, Zoro, aquele homem turrão e orgulhoso que tinha abandonado-a, entretanto entendia os motivos dele.
Mas Nami nunca imaginou que um dia estaria chorando por um pobretão que tinha dado o fora nela, embora ele estivesse correto em sua decisão, enquanto ela estava totalmente errada.
Nami cresceu com a fixa ideia de que iria se casar com um homem rico, afortunado como Sanji. E de fato tinha conseguido, ela ia realmente casar-se com um bom partido. O problema era que estava indecisa, não amava o loiro.
Ela amava uma única pessoa, Zoro, mas não era com ele que iria se casar. O que escolher então? Mais riqueza ou o amor de sua vida?
Nami sabia que casamento era algo sério e não uma simples brincadeira como tratou de deixar explicito quando questionada por Zoro. Ela estava hesitante em seguir adiante com esse matrimonio, mas seu tempo para decidir já tinha se esgotado, afinal hoje era em fim o grande dia.
O grande dia, onde finalmente iria se casar com Sanji, mas essa parecia uma escolha tão errada. Ela sabia que não tinha mais tempo, contudo continuava a sentir que a real decisão não tinha sido tomada de fato...
— Nami, tenho certeza que está cometendo uma loucura. – opinou a bela morena de olhos azulados, fitando a amiga suspirar tristemente enquanto continuava a chorar.
— Eu não sei, Robin. Sanji é legal, eu gosto dele. – estava deitada em sua cama, com a cabeça no colo da amiga enquanto chorava, agarrada a uma almofada.
— Gostar e achar legal não quer dizer que você o ame. – a morena acariciava os cabelos da ruiva na tentativa de acalmá-la. – Para falar a verdade isso está mais para uma amizade, é totalmente o oposto de como você se sente com o Zoro. Posso estar enganada, mas acredito que ele seja o homem que você ama.
— É difícil para mim. Passei a minha vida inteira dizendo que me casaria com um homem cheio de riquezas. – murmurava, tentando inutilmente limpar mais uma lágrima que escorria pelo rosto.
— Ora, mas veja bem, isso pode mudar. As coisas mudam e você ainda é jovem, então tecnicamente não foi sua vida inteira. Ainda há tempo de alterar sua escolha, sei como você foi educada desde criança, mas essa vai ser uma decisão sua e não dos seus pais, Nami.
— Eu sei, Robin, mas o meu maior medo é abandonar o Sanji para ficar com Zoro e no fim ele fazer a mesma coisa, não sei se suportaria viver sem aquele marimo. – suspirou, voltando a se entristecer.
— Eu acho que ele seria incapaz de fazer isso. Se o Zoro realmente te ama como diz amar, ele nunca faria isso e se fizer, o que duvido muito, é porque não te ama. Quanto ao Sanji, minha querida, eu não me preocuparia com isso, você é bela, conseguiria vários homens facilmente aos seus pés. – Robin sorriu enquanto tentava levantar o animo da amiga.
— Tenho medo de me entregar a esse amor e me machucar. Não sei se consigo me arriscar sabendo que existe a possibilidade de ser rejeitada... Sou uma fraca, eu sei.
— Tudo tem seu ponto positivo e negativo. Veja o Zoro como exemplo, ele decidiu ser amante por você, entregou-se, machucou-se... Fez tudo isso por você, Nami. Você não acha que vale a pena fazer um pouco de sacrifício pela sua felicidade? Seja igual ao marimo, se arrisque sem medo. – incentivou, na tentativa de fazer com que a ruiva percebesse a loucura que estava cometendo.
Felicidade... Os pais de Nami não eram felizes. Eles se casaram por puro interesse e nada mais. Não se amavam, viviam brigando e discutindo. Sua mãe era uma mulher linda e quando criança, a ruiva sempre quis ser igual quando ficasse adulta.
O pai era um homem belo também, porém em casamentos não eram somente as aparências que importavam. Além disso, os dois tinham amantes e estavam cientes disso, mas não se importavam, desde que cada um ficasse em seu canto.
Nunca se conformou com isso, afinal porque diabos ainda estavam casados? Cada um já possuía outra pessoa. Fazia sentido que até Nami tivesse um amante, podia-se dizer que esse era um mal de família.
A ruiva não queria ter uma vida igual a dos pais, não queria um casamento infeliz e muito menos se casar com quem não amava. Nami não queria se deitar com aquele que para ela era apenas um amigo e muito menos dividir a cama com ele.
A verdade era que queria se casar com alguém que amasse e que fosse capaz de fazer seu coração acelerar mais rápido quando estivessem juntos, com Zoro sentia isso. Acordar com ele todas as manhãs, todos os dias, seria o sonho mais belo que já tivera.
— Nami, está na hora. – A morena cutucou a amiga levemente para tirá-la do transe em que estava.
Como ela soube? Simples. A ruiva não ouviu as batidas apressadas de sua mãe mandando se arrumar antes que o casamento começasse.
— Pense bem sobre a nossa conversa, seja qual for sua decisão, eu vou te apoiar. – Robin abriu outro sorriso, antes de deixar a ruiva sozinha, em seus próprios pensamentos.
Nami deu uma olhada em seu vestido de noiva que se encontrava pendurado em seu guarda-roupa. Era simplesmente lindo. A calda longa e espessa imitava, a de uma sereia. O decote era generoso, mas não o mais profundo que já tinha usado. O caimento era levemente apertado na cintura, deixando-a ainda mais esbelta dentro dele.
Colocou o vestido sem muita dificuldade e se admirou no espelho. Ele tinha se encaixado bem em seu corpo, deixando-a simplesmente perfeita dentro dele, embora sua cara estivesse péssima, com sua face manchada de choro e os olhos vermelhos de tanto chorar, Nami continuava a ser uma bela noiva.
Penteou os cabelos ruivos e optou por deixar-los soltos, foi em direção ao banheiro e lavou o rosto, deixando-o mais renovado o possível. Calçou o sapato branco de salto super fino e bem alto.
Ela já havia tomado sua decisão e estava torcendo para que fosse a escolha certa, pois influenciaria no novo rumo que sua vida tomaria.
— Estou pronta. – comentou, após ir de encontro aos familiares, olhando para seus pais e Robin que olhavam em sua direção.
— Que noiva mais bela, hein? – admitiu maravilhada ao ver a filha.
— Sanji realmente vai ser um rapaz de sorte. – o pai sorriu animado.
— Você está linda, Nami. Sanji realmente vai ser um rapaz de sorte. Pelo menos um vai ter sorte, né? – soltou a indireta, olhando para a ruiva, tentando adivinhar sua decisão, temendo não ser a que estava pensando.
— O que quis dizer com isso, Robin? – indagou a mãe da noiva sem entender a indireta.
— Não é nada de mais, é só um comentário interno. – deu de ombros com um pequeno sorriso no rosto.
— Então vamos, a limusine já está nos esperando – respondeu o homem alegre. – Venha, Nami, eu quero te acompanhar.
Robin e a mãe da noiva entraram primeiramente na limusine, Nami e seu pai foram os últimos. O caminho até a igreja não demorava muito, mas pelo menos dava o tempo necessário para Nami firmar sua decisão e reunir mais coragem para ir adiante com sua escolha.
Ela teria que fazer isso, não seria errado tomar essa decisão, afinal estava convicta, não hesitaria mais. Assim como Zoro, queria ter a chance de fazer a escolha certa e a hora tinha acabado de chegar.
Nami tinha se metido nessa confusão e teria que desfazê-la. Gradativamente recordava-se da conversa que tinha tido com Robin, assim como se lembrou das palavras de Zoro há dias atrás, isso deu um incentivo a mais ao se lembrar do marimo.
Olhou para seus pais, um sentado longe do outro, não queria isso para sua vida, não mesmo. Nami apenas queria alguém lhe abraçando, alguém que pudesse lhe oferecer o verdadeiro amor. Sanji fazia isso, é claro, mas não era o suficiente, não mexia tanto com ela quanto Zoro mexia.
Quaisquer pontas de dúvidas ou de medo que tivessem restado, tinham acabado de sucumbir no exato momento em que levantava a ponta do vestido com as mãos e colocava os pés para fora da limusine, saindo com a ajuda de seu pai.
Ela andava confiante enquanto olhava para sua mãe, ora para Robin e ora para seu pai. Eles pareciam felizes, com exceção da morena que apenas fingia estar animada.
Isto é, Robin só não conseguia esconder sua apreensão de Nami, já que as duas se conheciam desde a infância e eram super amigas. A ruiva olhou sorridente para a morena. Aquele sorriso cheio de significados significava apenas uma coisa.
Ela queria acalmar a amiga enquanto deixava transparecer para a morena que tudo ficaria bem, afinal sua decisão estava tomada. Robin suspirou.
Assim que adentraram a igreja, começou a tocar aquela tão conhecida música, que a maioria provavelmente já ouviu. Robin e a mãe de Nami foram sentar nos bancos da frente enquanto o pai da ruiva lhe acompanhava com os braços dados até o altar.
Eles seguiram o curto trajeto até chegarem no altar. O homem que a acompanhava se retirou, sentando com os demais enquanto Nami continuava parada em frente ao padre e a Sanji.
Esse era o momento para agir e abrir o jogo de vez, o loiro merecia a verdade, mas sabia que se o abandonasse sem dizer nada, ele nunca mais a olharia, por isso decidiu expor os motivos pelo qual o abandonaria em pleno casamento.
Ela olhou para sua mãe. Tomou coragem e apenas moveu os lábios, com seus olhos ainda fixos em Bellemere, esta que retribuía o olhar, acreditando que a filha estava emocionada demais para dizer algo.
Nami moveu os lábios, desculpando-se, sem deixar sair som algum de sua boca, entretanto sua mãe foi capaz de entender o que a filha sussurrou. Para seu pai não teve coragem de olhar. Respirando fundo e erguendo a face, olhou para Sanji e sorriu docemente.
— Nami? – o loiro indagou, não entendendo a reação de sua noiva que permanecia parada a sua frente, sem fazer menção de dar algum passo na direção dele e do padre, os dois esperavam que ela se aproximasse para que pudesse dar inicio a cerimonia.
— Sanji, me desculpe, eu não posso fazer isso... Prosseguir com esse casamento só acabaria ocasionando sofrimento para nós dois. Você sempre me tratou bem e sempre foi um cara legal comigo, porém não posso continuar te enganando. Eu não quero te magoar mais do que já magoei, mas vou seguir atrás do homem que eu amo. – sussurrou para que somente o loiro e o padre pudessem escutar, não queria envergonhá-lo na frente das outras pessoas.
O loiro ficou extremamente pálido enquanto olhava sua noiva lhe dar as costas. Nami segurou a barra de seu vestido e saiu correndo para fora da igreja.
Todos dentro da igreja alarmaram-se e soltaram um "Ohh!" em sincronia.
Nami não parou de correr nem mesmo quando seu pai gritou, chamando seu nome. Sabia que ele tinha ficado irado com sua desistência, mas o que importava? Pelo menos Robin e sua mãe estavam do seu lado.
Oh sim, Bellemere após entender o que sua filha planejava, concordou em silêncio, deixando escapar um sorriso de felicidade, sentindo-se incapaz de se irritar com a ruiva, afinal ela tinha tomado sua própria decisão, não se deixando influenciar por nenhuma riqueza, além de seu bem maior, o seu coração. Nami deixou claro que a única coisa que a separava da felicidade era seu amor e iria persegui-lo mesmo que para isso precisasse desistir de tudo que era mais precioso para si.
A ruiva corria cada vez mais rápido e sorria. Sorria como nunca havia sorrido antes, ao mesmo tempo em que soltava lagrimas de felicidade, afinal iria para os braços ternos e acolhedores de seu amado, nada poderia ser mais perfeito que isso.
Sinalizou para o táxi que parou logo adiante, Nami deu as instruções necessárias para o taxista levá-la para o lugar exato.
— Será que daria para ir um pouquinho mais rápido, moço?– o homem moreno a fitou através do espelho, sorrindo.
— Claro, mas para quê tanta pressa? – perguntou com curiosidade enquanto dirigia e aumentava mais a velocidade do carro.
— Tenho assuntos a resolver.
— Casar? – questionou sorridente.
— Acabei de fugir do meu casamento. – respondeu um pouco envergonhada.
— Oh, que pena. – comentou sem saber exatamente o que dizer.
— Eu não acho que é uma pena, agora posso finalmente ficar com quem eu amo. – lhe confidenciou, empolgada por encontrar-se com o seu marimo o quanto antes.
— Sábia escolha. – o homem falante parou o táxi em uma rua um pouco movimentada. – Boa sorte. – desejou após receber o dinheiro e ver a ruiva sair do carro com pressa.
Agora seu maior desafio seria encarar Zoro.
Bateu na porta, esperou um pouco e logo a mesma foi aberta. Nami assustou-se com o que viu. O belo homem estava pálido, com olheiras e de aparência exausta, em uma das mãos segurava uma garrafa de saquê.
— Nami? – o marimo não conseguia acreditar no que via.
— Zoro! – exclamou se jogando em seus braços, sem se importar com o cheiro de álcool vindo dele. – Eu te amo muito, seu baka. Você pode me perdoar pelas vezes que fui uma estúpida com você? Eu preciso de você, achei que poderia viver sem você, mas não posso. Eu quero ficar com você para sempre Zoro, meu marimo, o mais sexy. – desandou a falar sem parar.
— Oe e seu casamento? – Zoro a abraçou fortemente, ficando feliz com a recente declaração de sua amada.
Era inacreditável para ele, Nami finalmente tinha admitido que o amava, pegando-o totalmente de surpresa.
— Esqueça isso, não vou mais casar com o Sanji, acabei de fugir de lá. – riu como uma criança. – Culpa sua e desse seu corpo sexy, por você que desisti de casar, só por você fiz isso. – brincou, distribuindo diversos beijinhos pelo rosto do marimo.
— Nami, eu te amo. – Zoro a beijou carinhosamente enquanto puxava-a para dentro de sua casa.
No fim das contas, Sanji ficou com uma cara de tacho após ser abandonado no altar, Robin apenas deu uma pequena risada, mostrando-se feliz com a decisão de sua amiga.
Bellemere também sorriu, igualmente feliz com a decisão da ruiva, já seu marido apenas bufou irritado, mas no fundo sabia que iria perdoar Nami, sua menininha já estava crescida e estava na hora de tomar as próprias decisões, assim como havia acabado de fazer.
Enquanto isso Nami e Zoro estavam matando as saudades que sentiram um do outro, fazendo mais uma vez amor, dessa vez com a total certeza de que um pertencia ao outro. Não havia mais esse negocio de amantes, seriam felizes juntos e ninguém poderia impedi-los.
— Nami. – ele sussurrava deitado na cama, apoiando a cabeça no colo de sua amada, ele a fitou penetrantemente. – Agora você vai ser só minha? Para sempre?
— Só sua e para sempre, meu amor. – ela respondeu enquanto acariciava a cabeleira verde dele.
Agora sim Zoro poderia chamar Nami de sua. Finalmente ela era apenas dele, exclusivamente dele. Um sonho que julgou ser impossível desde o começo, mas a esperança era a última que morria e finalmente o que parecia distante estava se realizando.
A mulher orgulhosa que pisou em cima do próprio orgulho só para provar que o amava, merecia muito mais do que beijos e mimos, ela merecia tudo que poderia lhe oferecer.
Estava orgulhoso de sua ruiva, contudo não pode deixar de pensar na cara de Sanji ao ser abandonado no altar, pensando melhor, devia ter ido a esse casamento só para ver a cara do loiro, iria dar boas risadas, com certeza.
Fim.
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