Maldições e dádivas - Mate o conjurador
6 Capítulo 5: Fronteira das águas obscuras
Notas iniciais
Passando entre montes deslizantes e torrentes secas, o trio peregrino começa a descansar em grutas, onde o calcário e as estalactites dominavam. Dias longos e quentes se passaram, exatamente dois, após a nada acidental destruição do Fio de cobre. Às vezes Irineu pegava-se pensando em Ruí, mas logo voltava à imagem de seu amado irmão petrificado e a cada vez mais isso se enraizava em sua mente, parecia que um parasita estava dentro dele, sugando toda sua memoria feliz. Léia calou sua voz e não comentou do que sabia sobre aqueles homens da estalagem, cedo ou tarde a verdade subiria a tona, toda a camada obscura dos ceifadores iria desabrochar, e ela temia que isso acontecesse mais do que tudo. Eliort era firme, tentava não pensar na pequena Merina e em sua mãe, sentia que se pensasse muito nisso a fraqueza da dor e da saudade tomarei seu ser e jamais queria isso sucedido. Pausaram para uma boquinha num campo largo e úmido, tudo porque um pequeno lago nas proximidades retinha bastantes peixes e dele saíram três. Léia foi quem os preparou e os fritou na fogueira de mato seco e madeira enxuta que milagrosamente Eliort fez-se acender.
— Não devemos estar muito longe do mar de polvos-raio, assim acho. – Irineu declarou tirando pedaços de espinha de seu peixe. – A brisa é muito fluente, a umidade também. Sugiro que depois do vale a frente, chegaremos.
— Ainda bem. – Situou Eliort estraçalhando com os dentes sua refeição.
A garota arfando levemente observou a sinceridade de ambos os garotos e decidiu revelar pelo menos os motivos dos ceifadores destruírem a estalagem, motivos dos quais ela presenciou diversas vezes. Antes colocou o assunto em xeque. Era a hora certa para explicar algumas coisas a mais.
— Viram aqueles homens revestidos de ossos? – indagou ela, fingindo não saber de exatamente nada.
— Eu não. – Disse Eliort.
— Sim, foram eles que destruíram todo o fio de cobre. – Irineu citou desmotivado.
Eliort então refez os seus passos naquela noite lembrando-se do que aconteceu consigo, da visita de Jubileu. Assim prontificou-se a dizer tudo aos presentes.
— Na verdade o mensageiro se fez em minha presença. – Contou.
— E porque não nos disse isso até agora? – Exclamou Irineu.
— Depois que ele conversou comigo, acabei caindo sobre o matagal desacordado e agora que as minhas memorias retornaram. – Ele esperou um pouco e prosseguiu. – Ele exigiu que nosso vilarejo contribuísse com os Ceifadores, se aliassem a eles.
— É um absurdo – Irineu disse. – Pelo jeito, ele quis fazer uma troca: uma aliança pela cura.
— Deve ser por isso que eles queimaram o fio de cobre. – Deduziu Eliort. – Para nos matar!
— Não. – Léia ponderou. – Os ceifadores indevidamente cobram uma taxa nos vilarejos desprotegidos pelo império, quem não as paga és eliminado.
— Ou seja, eles não sabiam quem nós éramos já que alguns ceifadores passaram por mim e nem se quer notaram minha presença. – Concluiu Irineu, lembrando novamente do caótico fogo amolecendo as estruturas da estalagem.
O assunto se encerrou e a noite encaminhou como uma flecha veloz que tem em seu proposito acertar a cabeça de algum infeliz. Dormiram ao relento, debaixo de uma arvore longa com algumas raízes baixas. Antes mesmo de o sol raiar, Eliort escreveu um pergaminho contendo todas as informações obtidas até então para enviar ao seu pai, estupidamente após escrever vinte linhas notou que não estava no vilarejo e as águias- tigres só recebem mensagem em cidades. Uma hora de trabalhos perdidos, pelo menos exercitou a sua caligrafia horrível. Enquanto Léia capturava algumas maças de uma macieira próxima, o loiro notou que nas botas da garota existiam duas adagas com um cabo no formato de um dragão. Institivamente ele se aproximou dela de forma sorrateira, estava de costas acima de uma pedra tentando pegar uma linda, vermelha e apetitosa maça. Eliort até tentou continuar a andar de forma silenciosa, mas pisou sobre um galho causando tumulto o bastante para que Léia pega-se suas adagas, vira-se de frente e as joga-se em quem estivesse ali, no caso o amigo. Habilidoso como era desviou da primeira, e agachou pela segunda adaga que passará rasteira por cima de sua cabeça.
— Calma lá, não sou o seu almoço. – Brincou.
Ela respirou fundo suavizando sua tensão. Sem se quer falar algo continuou a pegar mais algumas frutas para a viagem, pois sabia que receberia ajuda dele e então poderiam desenvolver alguma conversa para tirá-la do tremendo tédio.
— Eu sei. – Ela finalmente abriu a boca. – Mas, é que estou em alerta. Nunca se sabe quando um homem de armadura de ossos poderá me ferir.
Ele sorriu, notando o quanto as palavras discorridas de Léia o afetavam emotivamente.
— Belas adagas. – Notou. – Perfuraram o piso, devem ser mais afiadas do que minha esgrima. Onde as encontrou? Por sinal sabe bem usá-las.
Ainda de costas colhendo algumas ervas seu sangue gelou. Decididamente ela sabia que não contou totalmente seus segredos, mas se contasse o que seria dela? Ela era uma mulher de mistérios e adorava conte-los consigo.
— Encontrei jogadas ao lado de um ceifador morto e as peguei, achei que seria útil. – Disse rispidamente.
— Imagine se tivesse pratica com elas. – Falou ele sem desconfiança. – Seria uma bela e excelente combatente.
— Agradecida. Pronto, colhi tudo o que devia para nós, já estou aprontada.
— Vou acordar Irineu.
— Eliort.
— Sim. – Voltou novamente.
— Realmente sou boa nisso? – Indagou.
— E como. – Afirmou sorridente indo de encontro ao amigo.
Mesmo que o vale parecesse próximo, só parecia. Perseguiram a trilha feita provavelmente por mercadores ao longo da manhã. O sol da tarde negou o conforto, pois o suor respingava por tordo o corpo dos jovens, uma alusão de deserto, segundo eles. Espaçoso e rochoso eram as características principais do vale, com enormes paredões de pedra e uma inclinação perfeita para escalar que era fichinha para os montanheiros. Pedregulhos médios e pequenos se intercalavam por entre as paredes rochosas, mas o caminho principal nenhuma pedra fora vista por eles, significando que o local recentemente fora cuidado e isso jamais seria um bom sinal.
— Sem querer assusta-los, mas peço que andem mais depressa, cautelosos e disfarçadamente. – Irineu falou cabisbaixo.
— Por quê? – Perguntou Eliort alto o suficiente para criar um eco.
— Cochiche Eliort, cochiche. – Irineu o fitou furioso. – A trilha esta bem cuidada, significando que mercadores passaram recentemente por aqui, ou seja, esta é uma rota comercial e raramente nesses locais não encontramos saqueadores.
— Existem ladrões por aqui. – Insistiu o loiro.
— Certamente. – Reafirmou.
Andando o mais rápido que podiam tentando disfarçar e ocultar suas passadas ligeiras, a apreensão circulava em seus corações. Eliort andava com as mãos praticamente na cintura, onde seu sabre estava pronto para arrancar sangue. Irineu por sua vez, ocultava tanto sua aflição que andava sossegado como se não suspeitasse de nenhum ataque, se prostrando numa atitude tola para tentar reverter o conflito iminente. Após subirem um pequeno morro deram de cara com um homem de vestes camponesas típicas da cidade a vista. Ele possuía um cantil, uma espada curvada( cimitarra), e nada mais além do usual básico do corpo. Eliort sem raciocinar já fora subindo seu sabre da bainha, mas de forma disfarçada Irineu o impediu. O estrategista sabia que se tentassem algum ataque a aquele homem, todo o seu provável bando de ladrões os matariam sem dó e nem piedade, mas antes os torturariam de inúmeras formas até saírem palavras de súplica pela morte de suas bocas. O homem sorriu para eles e retirou uma moeda de bronze de sua calça e a lançou contra nós.
Lançar uma moeda a frente de qualquer pessoa é considerado um grave afronte, e um desrespeito sem tamanho. De cabeça quente Eliort se livrou da proteção do seu amigo e apontou para a garganta do homem seu sabre, numa habilidade surpreendente. O atacado simplesmente bateu palmas, sorrindo sem precedências a atitude do jovem.
— Hábil. Nada além disso. – Ele citou.
Gargalhadas começaram a serem emitidas e vinham pelos lados. Por de trás das pedras médias homens armados até os dentes saíram. Os três ficaram impotentes observando a situação, perdidos como nunca, enquanto eram encurralados numa roda de acoite onde se tentassem escapar seriam brutalmente assassinados por espadas e lanças de lâminas brilhantes e extremamente cortáveis. Irineu num último recurso, basicamente abaixou a mão do amigo que ainda apontava furiosamente para a faringe do homem calvo.
— Esse sabre é belo, é feito de ouro e prata? – Perguntou ele.
Eliort aborreceu-se e num ato infantil virou a sua face sem temer o perigo à frente. Os homens gargalharam zombando do garoto, bastando estalar de dedos do seu líder para que cessassem. Num simples piscar de olhos os homens entenderam o recado do líder e prenderam Léia e Irineu passando as suas espadas bem perto dos pescoços dos adolescentes numa forma ameaçadora, bastava um pouco de pressão para jorrar sangue e ocasionar a morte.
— Me diga, é de ouro e prata. – Agora sua voz saiu ameaçadora.
O garoto notando a calamidade em questão resolveu responder, pois jamais desejaria a morte de seus amigos.
Uma vez depois de uma pescaria, Pietro fora aprisionado por uma alcateia de lobos da lua e o moreno clamou para que Eliort corresse e pedisse ajuda, entretanto rebelde como sempre fora resolveu então lutar juntamente com ele contra os perversos lobos, por sorte bastou matar o líder que o restante se esvaneceu.
Uma das suas maiores qualidades sem dúvidas era a lealdade.
— Cobre ouro e prata, para ser exato. – Respondeu sem vontade.
— Perfeito. – Articulou. – Entregue-a. – Ele estendeu sua mão, mas garoto recuou. – Seus amigos estão prometidos à morte garoto, não vá questionar os meus desejos. – Completou ameaçadoramente.
Vendo as faces assustadas dos prometidos a morte, não houve alternativa, entregou seu sabre com todas as suas recordações e lembranças que ele trazia para si em questão.
— Muito bem. – Ele disse. – Bem leve e cara, servira como pagamento para a soltura desse jovem. – Apontou para Eliort. – O restante... Matem.
— Não! – Vociferou o loiro tentando correr para evitar a tragédia, mas nem o homem mais rápido poderia evitar o que iria acontecer e realmente não fora evitada por um homem.
Uma flecha vinda de um lugar desconhecido atravessou o crânio do líder que caiu morto ao chão. Os outros dois guerreiros que seguravam os jovens também foram atingidos ocasionando a libertação deles. Eliort não demorou muito para retomar seu sabre e lutar contra os outros vinte ladrões. Uma mulher de cabelos compridos e negros apareceu por entre os pedregulhos com o arco na mão e com uma mira perfeita matou mais três. Em seguida dois guerreiros imperiais partiram para o ataque gladiando com suas espadas contra os malfeitores. O último homem a aparecer assustou profundamente Irineu e Eliort, mas principalmente tocou o loiro de uma forma inigualável. Ele tinha os cabelos negros parte amarrados em um rabo de cavalo e os outros soltos, alguns grisalhos fios alternavam no coro cabeludo, entretanto ele tinha uma aparência até jovial. Seus braços, pernas, costas e peitoral eram musculosos e pulsavam sobre a armadura pesada do império. O garoto só não correu para abraça-lo por que um ladrão tentou cortar o seu antebraço, todavia Eliort tinha mais velocidade e com um giro perfurou o coração do inimigo. Descendo a inclinação gritando como uma besta enfurecida ele atacou com socos alguns homens que morreram com seus rostos estraçalhados por punhos que nem tinham tanta força assim aplicada, só que eles tinham o acompanhamento da maldição da fortaleza que da ao seu receptor, uma resistência incomparável e uma força de dez homens sobreposta. Com a maldição o individuo nasce com um sentimentalismo a flor da pele.
O sorriso subiu nos rostos de ambos tanto em Eliort quanto em seu querido e saudoso pai Pasquim. E quando tiveram a oportunidade com o último ladrão abatido, se deram o ensejo de se abraçarem, o tão sonhado abraço. Esse afeto lembrara Eliort com dez anos tendo que se despedir de seu pai por um longo tempo novamente, esse abraço tinha o mesmo valor e se diferenciava de uma maneira feliz que não era o de partida, mas sim o da chegada, e que bem vinda chegada. Aquele confortável afeto fizera que Pasquim chorasse. Na verdade, por tudo aquele homem lagrimava, pelo animal morto, por um conhecido de outro conhecido que tenha morrido, por aniversários completados e por ai vão as gotas derramadas em sua vida.
— Mamãe e Merina sentem muita sua falta. – Eliort disse quase chorando também.
— Eu sei. – Sua voz estava melancólica ao extremo. – Mas você sabe como líder da cadeira dos amaldiçoados tenho muitos deveres do império a serem obedecidos e realmente as coisas não estão boas por lá. Infelizmente esse motivo me afasta de vocês e eu me entristeço muito. – Gaguejou cada palavra a seguir, soluçando tal como uma criança birrenta. – Eu amo vocês.
— Eu também. – Reafirmou o garoto.
— Senhor Nantes. – Irineu o saudou. – É um prazer revê-lo.
— Olha o pequeno Irineu, já esta grande nada forte, mas grande. – Seu sorriso era tão largo que assustava de uma maneira totalmente cômica. – Saiba que estou fazendo o possível para curar não só Ulisses, mas sim o vilarejo inteiro. – Ele se fechou, guardando toda a alegria que queria expelir. –Estamos usando todos os meios para tira-los da inercia, tenho medo de que a única forma seja destruindo o Sangriots.
— Então você sabe... – Eliort o viu como um homem lendário. – O que você não sabe?
— Que você tinha uma paquera. – Pasquim o cutucou, olhando para Léia como sogro.
— Ela é só uma amiga...
— Qual é sua graça, senhorita. – Interrompendo seu filho, Pasquim não perdeu tempo e logo cumprimentou a moça que ficara sem jeito.
— Léia.
— Belos cabelos ruivos, Léia.
— Obrigada. – Ela agradeceu timidamente.
A mulher de cabelos negros se aproximou, tinha um sorriso bem tímido e olhos bem puxados.
— Essa é uma das minhas comandantes. – Apresentou Pasquim.
— Péula, prazer. – Ela citou e de antemão foi conversar com os soldados, fugindo de uma possível conversa.
O céu estava prestes a escurecer, então sem delongas apertamos nossos passos e conseguimos chegar à cidade de Uliver, uma das oito que constituem o império. Aquela cidade tinha como base o comércio. Produtos agrícolas como frutas silvestres, cereais e vegetais colocados em barraquinhas tinham a esmo pelas vielas e ruas. Espelhos, tapetes, flores, perfumes e coisas da alta sociedade tinham um lugar especifico para serem comprados, chamado de: Ninho de tasquara. Tudo o que se imaginasse, comestivelmente ou usualmente continham-se naquele imenso buraco no lado sul da cidade, onde os vendedores barganham até o limite de sua paciência. Como o tempo era curto e os comerciantes já estavam guardando seus produtos, fechando suas barracas e indo de encontro as suas casas o grupo decidiu ir à estalagem mais próxima, sem andar muito por Uliver. O local escolhido para dormirem era simples, mas bem confortável. Naquele dia nenhuma banda tocava e o quadro de hospedes estava critico. Por conta disso os viajantes ganharam bastante desconto no lugar. Aproveitando a lua cheia belíssima que invadia a cidade frontalmente, Pai e filho decidiram caminhar por entre os becos e ruas sem movimento, assim conversando por todo o caminho, prolongando ainda mais a caminhada.
As edificações de Uliver mantinham um padrão de no máximo dois andares, algumas feitas de madeira e outras de argila laranja marítima, uma das matérias mais resistentes já descobertos. Em pontos estratégicos, sucumbia água de fontes embelezando a pouca beleza da cidade. As rajadas de vento contínuas traziam consigo a brisa fresquinha do mar à frente, mar que contém um dos monstros mais perigosos da natureza: Polvos-raio.
— Como sabia que veríamos para cá pai?– Eliort perguntou caminhando ao lado de alguns coqueiros — amarelos.
— Você sempre foi cabeça dura. Obviamente sabia que você iria pedir a ajuda de Verona e ela lhe mandaria para o bussuleiro. – Ele se animou com o pensamento. – Seu pai é extremamente astuto.
— E extremamente metido.
— Tudo bem. Pasquim você não é humilde. – Disse ele para si.
Eliort riu como sempre fazia ao seu lado. Em nenhum dia se quer o loiro tirava a alegria da expressão quando Pasquim estava em casa, dias e noites alegres persistiam na companhia paterna e materna que se completavam como sol e lua. E retomar esse ardor de felicidade tinha um valor muito especial.
— E minha garotinha, é obediente? – Indagou sobre Merina.
— Sim, ela até então nunca negligenciou a mamãe, e vou te revelar uma coisa: Eu faço isso muitas vezes. – Brincou, mas viu que seu pai estava serio e então revelou a desobediência, não tão seria assim. – Na verdade faço Merina desobedecê-la. Mamãe não a quer vê-la aprendendo a caçar, a lutar e eu estou a ajudando nesse quesito. Nas escondidas é claro.
Pasquim pareceu pensar. Seu firme olhar de décadas de convivência era bem expressivo até demonstrava um pouco de exaustão.
— Entendo. – Afirmou. – Continue as escondidas. Uma filha que sabe se defender contra cafajestes é a melhor coisa para um pai. – Deu uma piscadela apoiando a atitude.
— Pai.
— Sim.
— Estive pensando no que o senhor me disse e queria entender: o que está ocorrendo no império? – Perguntou ele.
O homem parou, adentrou os olhos do filho num severidade sem fim, mas no fundo desejava libertar as aflições do imperador contra si as despejando num ouvido de confiança e aquele que ele mais confiava sem duvidas era Eliort. Sua consciência o impediu de contar tudo ao garoto, não é a hora certa a se dizer, até por que Eliort é um adolescente e uma responsabilidade sem precedências dessa pode sobrecarrega-lo, um peso muito grande para quinze anos de vida.
— É sigiloso... – Pasquim percebeu que o filho iria retrucar e investigar até obter a resposta. Então antes mesmo do garoto abrir a boca, cortou todo o papo. – Esta tarde para crianças estarem acordadas, vamos dormir que amanhã será um longo dia.
Saiu sem esperar Eliort, assobiando a canção do pássaro de Mira a segunda cidade do império, a cidade das matérias primas. O restante da noite fora chuvosa e tempestuosa, raios e relâmpagos pareciam gladiar no céu e o trovão ruía tão estridente quanto o grito forte de um Perilampio. As ondas barulhavam desabando sobre a areia da fronteira das águas obscuras trazendo antigos sons ouvintes pelo os ambientes da cidade. Dispôs de o temporal passar aquele barulho de água, de mar era uma sinfonia relaxante para as mentes cansadas de toda Uliver e o friozinho que vinha com o fluxo da brisa tinha aspectos calmantes, alguns anciões diziam que as águas do mar de polvos-raio têm propriedades sedativas e essa teoria estava sendo bem aproveitada pelos peregrinos na estalagem.
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