Notas iniciais
Desculpa a demora, galera! To elaborando o plot, os proximos tem um pouco mais de ação

Safilianty

Quando acordei pela manhã, meu corpo todo doía, como se eu tivesse sido atirada ao mar e as ondas me fizeram bater à frequência constante nas pedras. Olhei para a minha mão e o anel de Poseidon estava em meu dedo. Não consigo suportar a ausência de meus pais, a preocupação corroi o que sobrou da minha sanidade nesse lugar de gente maluca. Nunca me senti tão impotente perante uma situação. Queria sair correndo daquele Acampamento para salvar minha mãe e meu padrasto, apesar de agora saber que eles não são meus parentes biológicos. Não irei mais ficar parada esperando. Falarei com Quiron ainda hoje.

Rolei na cama e olhei o horário. Ainda estava muito cedo, faltavam 2 horas para a reunião do chalé e tomarmos café. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto quando pensei em reunião, pois na verdade não haveria reunião do chalé 11, aquele caloroso bom dia de um enorme chalé despertando. Seriam apenas eu e os meninos.

Coloquei um casaco e sai do chalé em direção à praia, não sabia se aquilo era proibido ou não e não queria saber. Chegando à areia, ainda nos limites do Acampamento chutei a água, amaldiçoando tudo aquilo.

—Ei, Gi.

A voz de Bruno chamou-me, porém, as lágrimas em meus olhos impediram que eu o visse nitidamente. Suas mãos me seguraram impedindo que eu continuasse com aqueles movimentos inúteis.

—O que você está fazendo aqui?

—Eu não consegui dormir e decidi caminhar.

—Que coincidência-disse secando as lágrimas.

—E queria conversar com você, estou preocupado desde ontem, foram muitas coisas que aconteceram.

—No fim, nada aconteceu. Eu não fui reconhecida, eu não descobri meu passado, eu não encontrei meus pais.

—Eu vou te ajudar, vai dar tudo certo

—Eu odeio chorar na frente das pessoas. Eu sou fraca agora.

Bruno pareceu indignado ao responder:

—Giovanna, não vou aceitar você falando assim consigo mesma. Sua vida acabou de um dia para outro, seus pais sumiram e você permaneceu firme em todos esses momentos. Nada mais justo que você surtar. A gente se conhece há pouco mais de uma semana, mas eu já te admiro muito e tenho você como uma inspiração.

Tentei parar de chorar, mas não consegui e me joguei no abraço do meu querido amigo, que tentava me dar apoio, olhando aqueles olhos cativantes e acolhedores, eu disse:

—Por que você é tão legal comigo?

Ele deu de ombros e permaneceu em silencio. Nós nos sentamos lado a lado olhando para as ondas quebrando calmas e para o sol que nascia no horizonte.

É, pensei sem folego, essa é uma amizade para se guardar apesar de ser bem irritante.

—Você é bem irritante sabia?

—Você também, chorona.

...

Após o café da manhã, fomos treinar egrima e duelar com a espada. O chalé 3 e o chalé 6. Porém, eu e Percy chegamos antes para treinar mais. Ele estava cansado e mais desligado do que nunca, talvez por que Anabeth não estava dando a devida atenção.

—Gi, vamos procurar uma espada para você, ainda não conseguimos encontrar a certa – disse Percy já com contra corrente nas mãos

—An, — lembrei imediatamente do anel em meu dedo – tenho uma novidade, quero testar outra espada.

Percy dirigiu-me um olhar interrogativo, clássico de Poseidon.

Tirei Safilianty do dedo e ela transformou-se. O ouro branco marinho reluziu e o cabo de couro preto com as jóias nos detalhes se encaixavam perfeitamente na minha mão. Percy, boquiaberto, não soube o que dizer.

—É só uma espada Percy, vamos tentar.

Ele assentiu com a cabeça e nós começamos a duelar, pratiquei as defesas e ataques que tinha aprendido no chalé 11, eu estava muito concentrada e buscava uma abertura em seus movimentos. Sentia meu corpo todo responder exatamente aos meus comandos e Safilianty, apesar de pesada flutuava no ar com meus golpes e pela primeira vez eu consegui girar o punho de maneira adequeda o que aperfeiçoou meus golpes. Talvez a minha determinação e os treinos sozinha em diversos dias assustaram Percy, pois ele deu uma abertura e eu consegui derrubar sua espada com um toque enquanto seu corpo caia no chão com um chute. Seus olhos verdes se arregalaram para mim. Ambos estávamos ofegantes. Não achei que o momento acumularia tanta tensão, afinal eramos irmãos e amigos. Entretanto, quando olhei para o lado, vi o motivo.

O chalé 6 nos observava boquiabertos.

...

Annabeth, que estava ignorando tudo que não dizia a respeito de Thalia. Decidiu caminhar comigo em direção à Casa Grande.

—Então, Gi, essa espada, onde a conseguiu?

—er, não sei explicar muito bem. É um presente de Poseidon.

—Como assim?

—Eu tive um sonho maluco e acordei com esse anel no dedo.

—Então, você é realmente filha de Poseidon?

—Não. Quer dizer, eu também queria saber. Mas ele não me disse nada. Só que sente o dever de me proteger.

—Isso tudo é muito estranho sabe, todos no Acampamento estão aflitos. Quíron já não autorizava mais missões, agora não poderemos sair daqui. Depois que Luke foi embora as coisas não pararam de ficar estranhas. Thalia, você e Percy, cada vez o enigma aumenta mais.

—O que você quer dizer?

—Eu não podia te dizer essas coisas, mas uma hora ou outra você vai descobrir. Existe uma Profecia. Que diz respeito a um filho dos Três Grandes derrotar Cronos, arriscando a vida por isso.

Fiquei espantada.

—Não pode ser eu, Annie. Poseidon nem ao menos me reconheceu como filha, como poderia ser? Eu não quero isso e além disso, Percy é bem melhor que eu.

—Giovanna, você mostrou seu potencial hoje. O Percy tem poderes incríveis, mas você pensa mais. Não me surpreenderia que...

—O que?

—Esquece, vai falar com Quiron.

...

—Acalme-se, Giovanna, estamos fazendo o possível. Já localizamos seus pais, ainda não conseguimos um contato de retorno, mas já devo informar a você que provavelmente eles não irão voltar, estão sendo caçados, pois sabem demais, será melhor que eles fiquem um tempo longe de você, então, como essa semana acaba o verão, você tem algumas opções. Vai morar aqui no Acampamento, poucos campistas ficam, mas é bem aconchegante, ou vai morar com sua amiga Natalia e estudar na escola que eu indicar, sempre com Carlos por perto para garantir sua segurança.

Por um momento pensei que pessoa horrível eu era. Não tinha mais visitado ele, o sátiro que me salvou. Quis correr para me desculpar, mas Quiron, um ótimo leitor de expressões logo percebeu.

—Carlos, está bem, mas saiu do Acampamento, tenho certeza de que quando voltar, vai te procurar.

Sorri e respondi:

—Tudo bem, vou pensar na oferta.

—Falarei com a família de Natalia caso queira.

—Quiron,

—Sim?

—Por que me colocou no chalé 3, apesar de não ter certeza se sou filha de Poseidon.

—Bom — ele coçou a barba – pode ter sido uma decisão preciptada, mas com tantas coisas acontecendo, achei que essa seria uma boa pressão para o Velho Cracas mostrar as caras. Provavelmente , ele está sendo pressionado pelos outros deuses e não pode admitir que quebrou a regra mais de uma vez.

—Como assim?

—Os Três Grandes concordaram que não irão ter filhos mais, pois vocês se tornam semideuses muito poderosos.

—Quiron, não acho que eu seja filha de Poseidon.

—Há alguma coisa que queira me contar? – disse olhando para Safilianty em meu dedo.

—Nada, foi só um sonho.

—Não ignore esses sinais, são poderosos.

...

Fui ao café tomar um sorvete com Michel. Não era costume do acampamento comer fora de hora, mas era uma desculpa para passar um tempo com ele. Minha relação com ele era bem diferente da que eu tinha com Bruno. Michel me entendia e eu o admirava, talvez por ser um ano mais velho, mas eu não sabia se ele sentia o mesmo apreço por mim, Bruno era mais um garotinho que me irritava e sempre era legal, mas alguma coisa me deixava pouco confortável com ele por perto, a não ser na praia, aquele momento até poderia ser classificado como mágico.

Depois de uma série de piadas envolvendo coisas não mágicas, coisa que Michel fazia perto de mim para nos distrair, ele fechou o semblante, completamente louro.

—Gi, pode não parecer, mas estou preocupado com você, é muito difícil te decifrar, não sei se você realmente está bem, ou surtando por dentro, não sei se você está a ponto de explodir.

—Um pouco dos dois. – sorri triste.

—Pode me contar, qualquer coisa, sempre que precisar de ajuda ou só conversar pode se sentir livre, sério. Eu te admiro muito, gosto muito de você.

Senti a felicidade queimar dentro de mim de modo que até mesmo meus olhos arderam e minha barriga tremeu ao travar meu sorriso ao máximo. Ele me admirava, era recíproco.

—Eu já faço isso – respondi, sem evitar a emoção.