Maldição dos Deuses

4 Janeiro * Minha primeira reunião no Conselho


Marchamos, então, colina acima até o pavilhão do refeitório. Sátiros vieram da campina e se juntaram a nós. Naiades, as mulheres dos rios emergiram da água e algumas meninas brotaram da floresta e quando eu digo brotaram é que brotaram mesmo.

Ao todo, tinham talvez quase uma centena de campistas, sem contar os sátiros e as naiades e as dríades, meninas arvores. A mesa 11 era superlotada, eu quase não consegui me sentar. Vi Percy se sentar sozinho com o outro garoto. Vi também Michael atrás do líder do chalé 7. Cada mesa era enorme e tinha toalhas brancas com detalhes roxos.Ao centro das mesas havia um enorme braseiro de bronze onde o fogo segundo Miranda é eterno.

Vi um homem gorducho sentado á frente de todas as mesas tomando uma Diet Coke, ele vestia uma camisa com estampa de leopardo muito colorida, tinha uma barriga redonda de álcool e olhos que acompanhavam as chamas em um tom de púrpura. Ao seu lado estava Quiron o centauro, em pé com sua bunda de cavalo. Me perguntei se Carlos estaria bem, perguntaria por ele na enfermaria ou a Quiron

Quando todos se sentaram, o falatório era demais, até que Quiron bateu o casco e o cajado no qual estava apoiado e disse em voz alta:

—Vamos começar nosso banquete logo, porém, antes tenho alguns comunicados a fazer. – fez-se silencio por alguns instantes – Primeira coisa que tenho a dizer é que nosso diretor, Sr. D, está de volta.

O homem gorducho se levantou resmungando e disse:

—Bem, bem como vocês sabem eu não estou nada feliz de estar de volta a esse Hades! — Um trovão ribombou e o homemzinho murmurou palavrões em grego eu acreditava. –Bem, é só...

Com isso, ele sentou-se novamente dando um longo gole em sua Diet Coke. Quiron então continuou:

—Segundo aviso, Tântalo não voltará mais ao nosso acampamento e como podem ver eu estou de volta.

Todos os campistas deram vivas e mais vivas. Certamente, ou eles odiavam demais aquele tal Tantalo, ou amavam demais Quiron. O centauro continuou:

—Em terceiro lugar, queria dar as boas vindas oficiais para nossa nova campista, Giovanna Halles

Fez silêncio enquanto todos os olhos buscavam a menina com esse nome, que por um acaso era eu. Não soube o que fazer nesse momento, até que Bruno me empurrou para fora da mesa, sussurrando: “Vai lá!”. Dirigi-me então até Quiron e o homem gorducho que era chamado de Sr.D, não sabia por que.

Estava de pé ao lado de Quiron enquanto todos me olhavam, eu fiquei até envergonhada, sou bastante tímida.Quiron continuou.

—Proponho um brinde à ela. — Todos pegaram suas taças que se encheram quase que imediatamente – Que ela faça muitos amigos aqui e que possa considerar nosso acampamento como seu lar. Todos serão muito acolhedores. Principalmente, nessa época que temos poucos campistas novos, não é mesmo? Um brinde e que você tenha muito sucesso!

Todos os campistas gritaram ao mesmo tempo:

—Sucesso!! – e cairam na gargalhada. Aquilo devia ser tradição do acampamento.

De volta a minha mesa Quiron prosseguiu:

—Quarto aviso que eu queria dar-lhes é que hoje devemos fazer uma reunião do conselho de urgência. Conselheiros dos chalés vocês devem comparecer logo após a refeição ao local de encontro. Hoje teremos dois convidados de fora na reunião, coisa que nunca aconteceu. Carlos e Giovanna devem comparecer. Carlos, você sabe o caminho e Giovanna acredito que os irmãos Stoll possam levá-la. Temos muito o que resolver. Que comece o banquete!!

Com isso todos nós começamos a comer o enorme banquete e logo esqueci a preocupação que Quiron me causara. Tinhamos churrasco, uvas suculentas, arroz, algumas coisas meio estranhas que Miranda disse tratar de iguarias gregas. Eu não tinha nada para beber e enquanto observava o meu copo Connor Stoll me disse:

—É só pedir o que você quiser e aparecerá no seu copo...

—Sério?

—Sim

—Obrigada.

—Por nada – disse ele com seu sorriso malandro.

Pensei por alguns segundos e então pedi silenciosamente por minha bebida favorita: água de coco. Eu sei eu sei você vai reclamar que se eu podia pedir qualquer coisa, porque eu não pedia algo melhor. Mas, é que água de coco e refrigerante eram as duas únicas bebidas que acalmavam meu cérebro. Acredito que pelo fato de água de coco lembrar-me da praia meu lugar favorito.

O jantar estava uma delícia, literalmente dos deuses, ainda mais porque minha barriga estava vazia. Depois que acabamos, queimamos oferendas aos deuses, como eu não sabia quem era meu pai, pedi para que quem quer que fosse, me reclamasse o mais rápido possível. Travis, COnnor e eu fomos até um lugar que era na verdade uma sala de jogos, que ficava próximo a arena.

—Connor porque o centro de reuniões de vocês é um salão de jogos?

—Isso não é um centro de reuniões

—É um salão de jogos – eu comentei seca

— Mas, quando temos assuntos realmente sérios, a gente vem aqui.

—Na verdade essa é a segunda vez. A primeira foi no verão passado quando descobrimos que Cronos está de volta. – disse Connor

—Cara, ela não podia saber disso – o sotaque de todos no acampamento estava me irritando.

Quiron por fim chegou. Eram poucos campistas, um para cada chalé. Os únicos chalés que não tinham representantes era o 1, o 2 e o 8. As únicas pessoas que eu conhecia lá eram o Percy, Quiron, Carlos. Vi um garoto parecido com Michael, devia ser igualmente filho de Apolo.

—Não temos muito tempo. – disse Quiron que já estavaem sua cadeira de rodas falsa, acredito que ele em sua forma normal bateria com a cabeça nas luzes. – Giovana você poderá conversar com eles mais tarde, para se apresentarem, tudo bem?

—Claro – respondi.

—Dionisio não pode estar presente, ele sente muito.

—Que pena! – debochou Percy

—Dionisio?- perguntei

—É, — respondeu Travis. – o Sr. D

—Dionisio,... tipo o cara do vinho.

—Sim, exatamente esse.

—Ah... – Com certeza uma deus deveria ter aquela aparência super.

Uma garota gordinha com uma bandana vermelha e um casaco de couro e botas também de couro, riu de mim, me debochando, mas pelo visto isso era comum e todos ignoraram.

—Você não sabe a sorte que tem de não conhecê-lo. – resmungou Percy

—Percy! – advertiu Quiron – Pare com isso, afinal ele é o pai de Castor.

Percy ficou vermelho:

—Aí cara... Foi mal.

—Não foi culpa sua, eu entendo. – disse um garoto loirinho magricela no canto da sala.

—temos muitas coisas a tratar aqui. – disse Quiron – Como todos sabem, Giovana chegou hoje e foi trazida por Carlos ao acampamento.

Carlos, era filho de Dionisio, o único que atendeu à mensagem de minha mãe, pois estava próximo a mim. Ele ainda estava na área hospitalar infelizmente.

—Conte-nos o que aconteceu. – comentou uma garota loira ao lado de Percy. Tive a impressão de que ela era a tão famosa Annabeth.

Contei de tudo desde a conversa com a dracaena até a luta. Depois disso fez-se silêncio, os campistas pensavam a respeito do acontecido. Por fim a garota loira disse:

—Isso não é normal. Hades ou mesmo Luke, nunca enviaria uma dracaena para matar um meio sangue se não considerasse-o muito bom espadachim ou uma ameaça muito grande, nunca para um semideus destreinado.

—Annabeth tem razão, alguma coisa está errada no Olimpo. Dracaenas são monstros que dificilmente saem do Tártaro, só quando a guerra está desequilibrada

O ar ficou mais pesado, a guerra parecia mesmo estar esquentando, mas eu não entendia nenhuma daquelas terminologias

—Eu me lembro – disse Percy – Todos nós sabemos que Cronos vai retornar mais cedo ou mais tarde, mas qual é o significado de tudo isso?

Pude perceber uma troca de olhares entre Annabeth e Quiron, os dois sabiam o que estava acontecendo, mas não iriam abrir esta questão ali. A discussão continuou, o acampamento por hora estava seguro já que Clarisse, uma filha de Ares, Percy, Annabeth e Grover voltaram da ilha de um tal de Polifermo com o Velocino de Ouro o que salvou o pinheiro de Thalia e todo o acampamento. Outra coisa, era que Luke, não sei quem é exatamente, não iria atacar novamente tão cedo. Por fim, Quiron disse:

—Devo contatar urgentemente o Concelho dos Anciãos do Casco Fendido, porque será que Giovana não tinha um protetor próximo?

Todos me observavam e eu fiquei envergonhada, não gosto de ser o centro das atenções, principalmente quando o silêncio pairava. Com isso, todos os conselheiros voltaram ao seu chalé e eu também voltei ao meu. Voltei ao meu chalé, onde um pijama, na verdade uma camisola, certamente de Miranda estava sobre meu beliche. Me troquei lá em cima mesmo jogando minhas roupas usadas debaixo do travesseiro.

Depois de alguns minutos percebi que Travis e Connor já dormiram e eu não consigo nem ao menos fechar os olhos, já tive de absorver muitas informações no dia de hoje e esta reunião foi demais, porque a cada minuto que se passava eu entendia cada vez menos do que acontecia a minha volta e de quem eu mesma era. Considero-me uma menina dura na queda, mas esse dia tinha sido demais. Estava virada de lado para a parede com o rosto enterrado nos mãos, a ponto de chorar, quando escuto uma voz:

—E aí? Como foi lá , estou curioso?

Olhei para a direção da voz, era o Bruno, segurei as lágrimas e falei :

—O que?

—Como foi a reunião?

—Uma merda!

—Nossa calma...Só perguntei.

—Eu sei, é que já aconteceu muita coisa comigo hoje, e meu cérebro não consegue processar tudo. Está explodindo!

—Eu sei, sem problemas...

—Lá basicamente falaram que minha chegada é estranha e ainda mais o fato da dracaena ter sido enviada para me matar sabe?

—Ta, vou deixar você dormir, mas amanha você me conta o que aconteceu.

—Ok – respondi.

Ele foi para a cama dele e disse:

—Boa noite...

—Boa noite – respondi.

Assim foi meu primeiro dia no Acampamento Meio Sangue. Queria ter descoberto antes que em tão pouco tempo me apaixonaria por aquele lugar