Maldição Addams
1 Eu sinto que todo mundo é estranho ao meu redor
Quando nasceu, o jovem Pubert transformou a vida na mansão Addams.
No entanto, sua vida não foi como a de um bebê comum. Assim como nos temidos contos de fadas, Pubert viveu o terror nas mãos de sua babá, que se tornaria a esposa de seu tio em poucas semanas.
Naquela fatídica noite quando as mãozinhas do bebê Pubert conectaram as tomadas da chave elétrica, matando a tia Debby, a maldição que assombrou a família Addams se tornou irreversível.
Conforme crescia, Pubert foi ganhando cores cada vez mais saudáveis em suas bochechas pálidas. Os lábios acinzentados foram substituídos pelo tom cor de cereja. Seus cabelos, antes de um negro liso e frio, agora cresciam macios e brilhantes, como de um comercial de shampoo. Até mesmo sua voz mudou, à partir dos 10 anos ele falava gentilmente com as pessoas e, principalmente, os animais.
Pubert gostava de coelhos, cachorrinhos e gatos. Mas a alergia do pai o impedia de ter tais bichos de estimação em casa. Por isso, toda semana ele visitava a loja de animais, depois da escola, para brincar com os bichinhos mais adoráveis.
Toda a família estava assustada e com medo do que Pubert viria a se tornar no futuro. Talvez um veterinário, ou um apresentador da HGTV, reformando casas? Um futuro terrível que causava dor e sofrimento em seus pais.
— A culpa é minha, Gomez. — Tio Fester lamentou, sentado ao lado do leito de quase morte do irmão. — Eu caí em tentação por Debbie. Se não fosse por isso, o pequeno Pubert estaria vivendo seus melhores dias atirando pedras nos outros meninos, assustando as garotas no lago e fumando seu primeiro cigarro.
Gomez chorava, mas quando ouviu aquelas palavras do irmão, seu choro aumento.
Mortícia entrou no quarto, com uma poção para acalmar os ânimos do marido, e o ajudou a beber.
— Tish... o que eu fiz para merecer isso? — O rosto de Gomez foi acariciado pelas mãos frias e amáveis da esposa, que o beijou na testa.
— Meu amor, você não fez nada. — Ela suspirou. — Nem todas as famílias são perfeitas. E eu temo que isso se aplica a nós também. Lembra-se da filha da nossa prima Procópia?
— A pequena Lunna?
— Sim. — Mortícia se levantou, segurando o frasco de poção em suas mãos. — Bem, eu soube que ela começou ouvindo músicas estranhas; Taylor Swift, Justin Bieber. E quando Procópia deu por si, ela estava indo em festivais de primavera, até fugiu de casa.
— Que horror, Tish.
— Ela se casou recentemente, com um desenvolvedor de Software...
— Oh, Não! — Gomez mordeu a mão com força.
— Do Vale do Silício!
— Minha nossa! Que tristeza... — Ele caiu na cama, levando à mão ao peito.
— Dizem que eles tem até plano dentário, e adotaram um cão farejador de quinze anos, cego, aposentado da polícia.
— Não! Meu Pubert, não meu filho, eu não vou conseguir sobreviver a isso.
Mortícia retornou à cama.
— Você precisa resistir, mon cher. É o nosso filho, nós não podemos abandoná-lo só porque ele quer um labrador.
Chorando, Gomez aceitou o seu destino. Ser o pai mais amoroso, para a criança amaldiçoada.
Notas finais
Beijos! Boa leitura e não se esqueçam de comentar!
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