Maldição
1 Único
Notas iniciais
Há milênios de anos atrás dois irmão brigavam constantemente pelo poder no reino de seu falecido pai, ambos irmãos gêmeos nunca souberam quem por direito possuía o reino pois não se sabia qual havia nascido primeiro, foi-lhes dito que o mais forte herdaria o trono e o outro seria enviado a igreja para servir a Deus. Com isso sem saber o grande Rei havia condenado seus dois únicos filhos a uma eterna rivalidade.
O campo de batalha estava coberto de sangue, as lâminas das espadas brilhavam em um tom escarlate e os homens empunhavam suas armas já estavam exaustos, seriam aqueles seus últimos movimentos. Em um piscar de olhos um estava estirado no chão e o outro fincou rapidamente a espada em seu coração.
– Eu voltarei! – foram as últimas palavras antes de morrer.
Sua alma não havia partido em paz e ao chegar no inferno implorou a todos os demônios para voltar, mas nenhum deles aceitou, então ele passou a vagar procurando onde se abrigava o príncipe do inferno.
Lúcifer imponente sorriu-lhe como se já aguardasse sua chegada e nem ao menos pensou antes de lhe ditar.
“Te condenarei a viver eternamente, mas sua alma continuará no inferno, não poderá amar e sentimento nenhum brotará em seu coração, nenhum sentimento humano poderá existir dentro de si. Sugará o sangue dos mortais e assim terás toda força e vitalidade necessária para sobreviver, mas te condenarei a não sobreviver a luz.
Tu e teus irmãos ligados pelo mesmo sangue sois condenados desde o nascimento e assim vos condeno a eternidade, se um dia ele o morder tu serás morto e se tu o morderes a morde dele será teu alivio. Condeno-os a viverem juntos e separadamente, tu terás medo do sol e ele se transformará na noite em que a lua mais perfeita será vista no céu. Assim como tu e teu irmão, as tuas gerações serão amaldiçoadas.”
Ao terminar de falar, o príncipe do inferno sorriu e deu o próprio sangue de beber ao outro e assim seu corpo voltou a vida, mas o dia se tornou noite e a lua cheia fez-se presente no céu, ambos irmãos frente a frente sentiam que tinha algo de errado em si. O irmão que havia vencido a luta tornou-se um grande lobo de pelagem escura frente aos olhos do outro, olhos estes que se tornaram vermelhos mostrando que o corpo antes sem vida possuía toda a sede de sangue do mundo.
– O que fez conosco? – perguntou o homem-lobo.
– Nos condenei pela eternidade – ditou sorrindo fazendo aparecer as presas salientes na sua boca.
Antes de o sol raiar encontravam-se ambos feridos, exaustos e desmaiados, o próprio Lúcifer andou sobre a terra, pegando o lobo em seus braços levando-o para a porta de uma igreja, e depois levou o sugador de sangue para as masmorras de um castelo. Seus nomes foram apagados da história, mas suas histórias se perpetuarão pela eternidade.
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