Maldade Por Maldade...
2 Última gota...
Notas iniciais
Boa leitura.
Aqui estou eu mais uma vez, estão pedindo mais de mim do que poderia dar... Mas está tudo bem, isso é justo, não?
Já que querem tanto assim saber o que me fez enlouquecer deste jeito, acho que posso lhes ajudar...
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3 anos atrás...
Mamãe está demorando demais para chegar, já faz uma semana que ela teve que fazer uma viajem de negócios, era para ela voltar hoje.
_ Pai, ela já não deveria ter chegado? — Perguntou para seu pai, que se encontrava ao seu lado no aeroporto.
_ Não sei... — Sua indiferença era notada de longe, nem ao menos olhava para sua filha enquanto falava.
_ Hum... Está começando a chover, é melhor ela chegar logo.
_ Vamos. — Disse levantando-se da cadeira do aeroporto.
_ Espera, o vôo da mamãe só está um pouco atrasado, vamos esperar!
Ele nunca me ouve, continuou andando, como se não pudesse me ouvir... Como se não se importasse mais...
Isso tudo começou há dois anos, eu não consegui passar numa prova de uma escola particular de ensino médio, ele deixou de me dar presentes como castigo. Nos últimos dois meses da 8ª série, minhas notas baixaram um pouco, não deixaram de ser boas, mas não eram excelentes. E novamente me castigou, dessa vez não falava comigo, não me abraçava, nem mesmo me chamava de filha. Para ele, era importante eu ter boas notas, e tinha a obrigação de passar na escola onde ele estudou, e onde minha mãe também havia estudado.
Não sei como não saí de casa, ele ficou tanto tempo me tratando desse modo, que acabou se tornando assim... Mas continuo aguentando pela minha mãe, ela é o que me mantem aqui, tão bonita, admirável e inteligente, e mesmo assim, casou-se com meu pai. Isso não tem muita lógica, mas dizem por aí que o amor é burro. Bem, acho que acredito nisso.
Vendo pela janela do carro a chuva cair cada vez mais forte, me preocupo com minha mãe, e se ela estiver em um avião agora? Logo chegamos em casa, tudo o que se passou em minha cabeça no carro, fica se repetindo agora que tento dormir... Sei que não vou conseguir ficar na cama.
_ Alô, sim ela é minha esposa... O que?
Ouço meu pai falando com alguém ao telefone... Era sobre minha mãe.
_ Como assim houve um acidente?!
_Não... — Alice sussurrou enquanto se deixava cair no chão de seu quarto.
_ Sim, estou indo. — Seu pai desligou o telefone e logo estava de saída, iria ver sua esposa... Ela estava em um estado muito grave, poderia morrer a qualquer momento.
Ele foi embora e me deixou mais uma vez sem o direito de saber... Quero poder ver minha amada mãe de novo.
...
Na semana seguinte meu pai chagava todo dia bêbado em casa, provavelmente estava abalado pela morte de minha mãe. Pergunto-me se era para eu estar deste modo também... Mas não quero chorar, minha mãe não gostava de me ver chorar. Devo fazer pelo menos este esforço.
No enterro de minha mãe nada se passou tão bem, a nuvem negra circulando o caixão estava lá, parada, em lágrimas. Mas por que todos olham para mim como se fosse uma aberração, me punindo com seus olhos de gelo?... Bem, acho que talvez saiba a razão, sou a única que não chora em meio ao enterro de minha mãe. Isso é triste...
_ Alice, porque você não chora? — Pergunta uma garota que estava ao seu lado, tinha a mesma idade, era sua melhor amiga Katherine. Uma menina de cabelos negros e olhos castanhos, era da sua altura, mas não tinha o seu olhar sem emoção, ou seus cabelos azuis... Parecia um anjinho perto de Alice.
_ Kah, eu não quero falar sobre isso agora... Mas, eles não poderiam parar de me olhar assim não?
_ Acho que não. Você nem parece que é dessa família... Demonstre algo.
_ Não dá... Não agora. — Falou saindo de perto da nuvem negra que rondava um tumulo agora fechado.
Katherine correu atrás de mim, mas foi à única. Isso me decepciona, eles sempre me deixaram para trás.
_ Alice! Por que você está assim? Eles não fazem isso por mal, todos estão tristes pela morte da sua mãe.
_Não é só por isso! Ninguém nunca espera essa reação, por isso me deixaram de lado... Eles nem mesmo sabem o motivo de estar assim, e continuaram lá, como se eu nunca tivesse ido.
Continuaria falando se meu “querido” pai não tivesse chegado de lugar nenhum e pego em meu pescoço. Então agora ele quer me matar?
_ Sem coração! Sua mãe morre, e é assim que você fica?... Como pude ter uma filha como você?! — Seu pai lhe segura pelo pescoço, e a suspende no ar.
_ Senhor, por favor, fiquei calmo... Ela está ficando sem ar! — Disse Katherine desesperada ao ver que sua amiga estava ficando mais pálida do que o normal.
_ ME RESPONDA!
_ Não tenho nada a lhe falar pai... — Disse Alice com a voz meio falha pela falta de ar.
Ele me largou, ou melhor, me jogou no chão. Olhava-me como um assassino olha para a sua nova vitima, em seus olhos consigo ver o ódio, a loucura, mas também a dor... E em seu rosto, ainda há marcas das lágrimas derramadas há segundos atrás.
_ Você é mesmo uma ingrata... Uma doente! — Gritou seu pai já de costas... Iria embora da mesma forma que havia vindo.
Minha mente sempre pede mais de mim do que posso dar, mas agora estava realmente me incomodando. Eu não poderia ter o deixado ir...
O que mais me incomoda agora é ver a verdade estampada no rosto de meu pai, a cada dia que se passa vejo suas feições mudando, o rosto que mostra dor, agonia, e ódio por me ver... Sou a ultima lembrança de minha mãe, a “coisa” que o faz lembrar que um dia ela esteve aqui.
Ele quer se livrar de mim, minha mente me diz isso...
Notas finais
Obrigada.
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