Mal Futuro (Hiatus)
3 Evil Mission
Notas iniciais
CAPÍTULO 3 — Evil Mission
– Como é que é?
Já é primeiro de abril? Eu notei a semelhança de Chris no garotinho, mas pra ser filho era muito insano, Barry continuou com a face divertida por pouco tempo.
– Este aqui é o Stev, não, espera, este é o Piers. Stev está em casa. — falou sem se importar com a minha expressão.
– Como assim? São dois? — cada palavra que o homem a minha frente dizia eu só ficava mais indignada.
– Sim, ou gêmeos, se preferir.
– Titia Claire, papai e mamãe estão em perigo. — finalmente proferiu tirando seu dedo da boca, um tanto impaciente.
– Como você sabe? — questionei.
– Eu sou especial, eu tenho sonhos que acontecem. E vi mamãe com o papai sendo...
– Capturados — Burton completou para o menino confuso, sem saber que palavra usar.
– Barry, isso tudo é verdade?
– Não sei, acredito que sim. Ele sempre tem esses tipos de visão, e tudo que ele fala acontece... Teremos que arriscar. — respondeu-me.
– Onde Chris está?
– Naquela ilha, que você ficou presa junto a Moira, ele disse que foi uma mulher má que os pegaram. Mas não pode ser Alex. — disse fitando-me e preocupado, só de pensar naquela ilha, sinto um frio percorrer minha espinha.
– Já não sei de mais nada, sou tia e não sabia, e ainda de dois meninos, e... Espera, que é a mãe mesmo?
– Adivinha. — disse num tom sarcástico mas descontraído.
– Jill?
– Exato. — sorriu, e o menino ao ouvir o nome da mãe, fez o mesmo.
– Como Chris pode me esconder isso? — perguntei a mim mesma, num tom normal.
– Na verdade, ele não sabe. Jill queria que ninguém soubesse, ela me entregou eles por que eu soube cuidar bem das minhas filhas, principalmente com Kathy ao meu lado... — sorriu novamente ao citar sua companheira.
– Jill sempre fora protetora demais. — fiquei introspectiva por um minuto, até encontrar o rosto do pequeno a minha frente. – Devemos ir agora?
Balançou timidamente sua cabeça num sinal positivo.
A única maneira de chegarmos lá era de avião, poderia ir no helicóptero da Terra Save, se tudo der certo. Estava tão confusa, que ignorei a criança, Barry havia me deixado com Piers assim que o sol começou a se pôr. Já estávamos andando de carro até o prédio da TS. Meu novo superior, Davis, adorava fazer favorzinhos para mim, e quando preciso ele sempre me ampara.
No banco de trás, ainda com o ursinho nos braços, meu sobrinho — nunca achei que usaria essa palavra — continuava com o olhar longe. Era muito irônico o jeito semelhante dele com o Chris e Jill. Gosto de imaginar que ele é a junção perfeita dos dois, ele tinha o jeito de um Redfield. Ele é tão esperto, quando o fitei levemente por trás dos ombros, por mais que eu não quisesse, ele me notou, e deu-me um sorriso sem mostrar os dentes. Era um sorriso comum. Me trazia um leve ar de nostalgia. Que até me perdi nos pensamentos por um segundo, até notar que estava à menos de 1km do meu destino.
Assim que sai do carro, ele já estava pronto para sair também. Tive um pouquinho de receio, não soube se deveria pega-lo no colo, ou segurar sua mão. Então, decidi não fazer nenhum dos dois, deixei que simplesmente descesse do carro sozinho, e o ajudei quando deve dificuldades.
Com uma mão livre a ergueu e me ofereceu, com os grandes olhos claros em direção a mim. Não pude deixar sua mão ao vento só, e a segurei. Tal ato, fez ele sorrir para mim, novamente, notei o quando ele era comum. Percebi também que aquela cumplicidade e simpatia também não era algo novo pra mim.
Foi então que lembrei de onde toda essa semelhança vinha. Da Claire. Da antiga Claire. Que sabia lidar com crianças, que chorava demais, sentia demais, a Claire antes de tudo de ruim, antes de ver tudo que vi. E por um momento senti inveja do menino. Senti inveja da sua inocência que eu já tive.
– É por ali. — disse Piers apontando seu dedinho pela janela do avião.
Durante toda a viagem ele dormira, e eu somente cochilei, como sempre. Contudo, agora que estávamos perto do nosso destino, ele estava bem acordado. Estávamos na verdade, perto de pousar, e ele falava sem parar o que devíamos fazer. Meu ouvido estava irritado só de ouvir aquele som das turbinas e de Piers falando sem parar. Mas no fundo, amei o fato de ter um sobrinho, dois, na verdade. Estava ansiosa para ver Stev...
Piers e Stev, a Jill soube bem como agradar os Redfield's, mesmo se ficássemos bravos com ela por esconder eles de nós, ainda assim, amávamos o fato de eles existirem. Eu entendo a Jill, e tenho certeza que faria o mesmo.
O avião estava no chão.
Os meus pés estavam no chão.
Meu coração doeu quando encarei aquela maldita ilha.
– Você sabe exatamente onde eles estão? — perguntei ao pequeno, que me respondeu com um aceno rápido com a cabeça. – Sabe como entrar aqui?
– Sei. — respondeu sério.
– Então vamos.
Estava cheia de munição e com minha pistola costumeira, Piers se segurava em mim onde podia: manga da camisa, parte da calça, parte da mão. E atrás de nós vinha nossa equipe. A ilha ainda tinha um ar macabro, mas havia mudado bastante. O antigo prédio (ou sei lá o que aquilo seria) foi substituído por uma grande mansão, ainda mais macabra.
O garotinho me guiou junto a equipe até a porta lateral da mansão, em volta do local, podíamos ver muitos corvos, mas não daqueles modificados, mas ainda não era um bom sinal. A porta estava trancada, só que não era algo tão complexo de se resolver, ao contrário da mamãe mestre da destranca, a minha única forma de abrir uma porta era na base do tiro. Fiz sinal para um dos meus companheiros que portava uma arma menor e potente para atirar.
E ele o fez.
Assim nos deparamos com o primeiro cômodo, nos assustamos, era uma sala completamente enorme e vazia. Tão vazia, que nem escada havia. Somente havia uma frase aterrorizante na parede: "Bem-vindo ao seu pesadelo." Quando olhei para Piers, ele não parecia assustado, muito pelo ao contrário, estava normal, confiante. Queria não saber ler como ele.
– Tem certeza que é por aqui, Claire? — um dos homens me perguntou.
Olhei para Piers e ele assentiu.
– Na parede com as letras. Ela é falsa. Ela leva para um tipo de caixa que nos leva para baixo. — disse enrolado e confuso.
– Um elevador?
– Isso. Mas ele só leva para baixo. — apontou o dedinho pro chão.
Me aproximei timidamente da parede e a analisei, não parecia nem um pouco falsa, até que a toquei levemente, e um estrondo ecoou pelo lugar, a parede era um efeito cibernético, quase me senti em Matrix, gradualmente a parede foi se desfazendo, dando espaço a vários quadradinhos vermelhos.
"No Matrix não é verde?" me questionei por pensamentos. Os quadrados eram grandes, se juntasse dois daqueles, daria a minha altura. Esperei que ele sumissem mas isso não aconteceu.
– Vamos logo passar por ele. — disse um dos meus companheiros impaciente, estava armado até os dentes. Não me lembro bem de seu nome, na verdade, é a segunda vez que o vejo.
Ele foi o único a ter essa ideia e executa-la. Deu passos fortes que ecoaram e ultrapassou as luzes vermelhas vitorioso, parecia seguro. Mesmo com tal atitude do soldado continuei receosa.
Quanto a equipe estava prestes a ultrapassar a linha, um grito invadiu o local. Era o soldado do outro lado, ele gritava de dor, com a mão no peito, alguma coisa já começava a cheirar mal. Então, de uma forma estranha e inexplicável, ele começou a se transformar, sua pele ia queimando, e sua boca abria de um modo insano.
Piers tampou os olhos e se escondeu atrás de mim.
Ele ia se atrofiando cada vez mais, já estava com a pele toda queimada, dando espaço a uma visão da carne humana fritando. seus olhos queimaram também, e o seu peito começou a se tornar uma bolha gigante pulsante. A visão era cada vez pior, nem parecia mais aquele rapaz jovem e bonito de antes. Ele avançou até nós, seus gritos já não tinha o timbre humano.
Era só mais uma...
Coisa.
– York, pegue Piers e o dê segurança. — disse à minha parceira ao lado, e ela o fez. Julia York era jovem, cabelos médios e enrolados, tinha a pele branca e o cabelo loiro dourado. Ela é jovem, cerca de vinte e poucos anos. Lembro de quando eu a treinei, tinha um grande potencial.
A criatura avançou diretamente para York com meu sobrinho no colo, mas eu atirei em sua mão, para chamar-lhe atenção. Seu corpo virou-se para mim, com seu maxilar solto, e os olhos saindo fluídos. Aproximou e pude sentir o cheiro forte de podre, em menos de dez minutos seu corpo morrera rápido. Com o peito estufado, ficou em posição de ataque. E antes que o fizesse, atirei em sua bolha gigante. Eu era a única atirando. Um, dois, três tiros. E a bolha estourou. Seu corpo se desfez rapidamente, antes mesmo que pudéssemos sentir um luto.
Agora só era Davis, York e eu. O pequeno era café com leite.
Assim que o corpo do soltado sumiu, encarei York incrédula, queria chorar, mas não pode. Meu sobrinho, estava com seu rosto, entre os cabelos da jovem, que a segurava com uma mão, e morava com a outra.
O silêncio dominou o local cerca de alguns minutos. Julia abaixou para colocar Piers no chão, que correu para mim. Abraçou as minhas pernas assustado.
– Desculpa, eu não sabia.. — disse querendo chorar.
– Não se preocupe, — disse com a mão na sua cabeça. – York, Davis, vamos achar outro local.
– Ok, pelo que posso ver, tem uma porta ao lado do elevador, vamos procurar o caminho para ela. — completou John Davis.
Saímos pela porta da frente, estava com a sensação que aquela seria somente a primeira criatura de várias.
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