Maktub

11 Escrava Sexual


A noite se tornava gloriosa com a lua cheia iluminando o céu, eu não sabia o motivo para ser levada naquele palácio. O homem me conduziu para uma sala completamente branca contendo uma cama estranha. Tudo ali era muito limpo e frio. Alguns instantes depois uma mulher entrou. Seus cabelos eram loiros e sua pele branca como eu raramente via, me olhou sorrindo de uma forma simpática.

— Senhor Ubaid, que honra vê-lo.

— Examine ela.

Ubaid não transmitiu nenhuma simpatia pela mulher, seu rosto continuou sério e sua voz ríspida, porém a mulher parecia não se importar, continuou com seu sorriso simpático e veio até mim.

— Olá, me chamo Sônia, e você é? — Ela estendeu a mão para mim. Sônia tinha as mãos fina e as unhas estavam pintadas de rosa, dava a impressão de serem muito delicada. Então sussurrei meu nome; ela abriu ainda mais o sorriso. — Pois é, Nhaja, faremos alguns exames, não precisa ter medo, mas precisa tirar sua roupa e deitar naquela cama.

Meus olhos se arregalaram, como assim teria que tirar minhas roupas? Olhei para o homem parado ao meu lado, ele continuou imóvel sem demonstrar nenhum espanto, jamais tinha ficado sem roupa na frente de outra pessoa. Fiquei esperando por mais instruções da mulher que lavava as mãos e colocava luvas transparentes e máscara. Então quando ela se aproximou da cama me encarou levantando a sobrancelha.

— Algum problema? — Ela encarou Ubaid esperando alguma resposta, que logo me agarrou pelo braço puxando para perto da mesa.

— Tire logo sua roupa, eu não tenho a noite toda, ou prefere que eu faça isso?

— Não precisa, a menina só está com vergonha da sua presença, por que não espera lá fora?

— Cala a boca, não dê opinião, apenas faça aquilo que lhe é pago. E você, o que vai preferir?

O homem já estava começando a puxar minha blusa quando Sônia segurou sua mão com o olhar ríspido. O homem fez uma carranca capaz de matar qualquer um, ela se colocou na minha frente com um olhar de desculpas e começou a me ajudar a tirar a roupa. Às vezes quando me lembro de todas as situações humilhantes que já passei, aquela foi a pior. Ficar completamente nua na frente de um estranho, uma exposição que feria a alma.

Sônia sentou-me na cama e com uma pequena lanterna ela examinou meus olhos, minha boca... Ela olhava e anotava tudo. Fez-me deitar na cama e ajeitou minha perna em uma posição ainda mais constrangedora, hoje em dia toda vez que preciso ir na ginecologista para fazer exame anual e tenho que ficar naquela posição me recordo daquele incidente e de como me senti violada.

Ela tocou meu órgão íntimo com um instrumento gelado. Não consegui ficar parada e por isso ela pedia que eu relaxasse e que confiasse nela. Quando terminou, pediu que me sentasse novamente na cama, pegou uma seringa e coletou um pouco de sangue. Antes de sair da sala ela me entregou um lençol que rapidamente eu enrolei no meu corpo.

Olhei na direção de Ubaid que esbanjava um sorriso satisfeito com tudo que tinha visto. Meu estômago revirou, senti muito nojo naquele instante, como os homens podiam ser daquela maneira? Sentir prazer com o sofrimento e o constrangimento dos outros.

Sônia retornou algum tempo depois, trazendo vários papeis.

— Demorou muito.

— Ela é saudável, não tem nenhum ferimento, também é virgem. — O homem balançou a cabeça satisfeito, pegou um aparelho do bolso e começou a falar com alguém. — Nhaja, isto que vou lhe aplicar é uma injeção de anticoncepcional, marcarei para que todo o mês você venha para tomar uma dose.

Não tive permissão para colocar minha roupa, aquele homem segurou meu braço enquanto caminhava pelos corredores, comigo enrolada naquele lençol. Mesmo ninguém tendo me falado eu tinha uma vaga ideia do que me aguardava.

Entramos em um quarto, quatro mulheres estavam paradas à nossa frente, eu podia ver uma banheira e toalhas pelo lugar.

— Arrumem-na e rápido, não quero perder mais tempo.

Aquelas quatros mulheres eram muito ágeis com as mãos, esfregavam minha pele como se quisessem tirar toda a minha cor, já sentia uma ardência quando começaram a passar os óleos na minha pele. Várias vezes quando estava morando no deserto eu ajudei naquele ritual de preparação de noiva. Poderia ter até apreciado aquele momento; ter gostado do banho com óleos perfumados que deixaram minha pele macia.

Meus cabelos foram ajeitados em pequenos cachos. Minhas mãos e pés foram cobertos com desenhos feitos a rena. O kajal delineando meus olhos e ressaltando ainda mais sua cor, o corante deixando meus lábios vermelhos.

Quando tudo terminou eu estava usando uma pequena calcinha de renda. Enrolada com renda e seda transparente, o mesmo que dizer que continuava nua. Depois que já estava pronta fiquei esperando por algum tempo Ubaid vir me buscar; achei estranho quando uma mulher segurou meu braço e saiu me arrastando pelo corredor. Realmente aquele palácio era imenso e as vezes parecia um labirinto, subimos muitas escadas que levavam para o andar superior. Antes tudo era muito silencioso, mas à medida que subíamos as escadas eu podia escutar conversas e música.

Fui colocada em outro quarto junto com cinco outras garotas, todas pareciam ter a mesma faixa etária que eu, e todas estávamos arrumadas, vestidas apenas de renda e seda transparente.

Ouvi a porta se fechar atrás de mim. Tinha muitos olhares curiosos voltados para mim, não ouve nem um comprimento, nem uma saudação ou apresentação, todas continuaram em seus devidos lugar.

Desde o momento que fui vendida para aquele comerciante eu fiquei desconfiada. Pensei por um breve instante que seria apenas um serviçal, porém estava longe disto. Eu acabava de encarar outra realidade cruel. Não seria apenas uma escrava. Eu seria uma escrava sexual. Um brinquedo para divertir os homens em seus prazeres nojentos.

Infelizmente até hoje é uma realidade muito cruel, muitas garotas e mulheres com sonhos são enganadas e levadas para outros países e forçadas a se prostituírem ou são vendidas como mercadoria em países de extrema pobreza. Não importa os métodos, essa realidade destrói a vida de muitas mulheres, pois não é uma simples prostituição, algumas são forçadas a usar drogas e acabam contraindo doenças e não têm o mínimo de dignidade em suas vidas.

Algum tempo depois Ubaid retornou com dois guardas que nos conduziram para uma ampla sala, onde vários rapazes e homens mais velhos fumavam narguilé, bebiam, riam e conversavam alegremente. Sentado em muitas almofadas, sendo servido por uma moça loira, estava o sultão Abdullah. Usava uma túnica branca e dourada, em sua mão vários anéis chamavam a atenção. Quando percebeu nossa presença ele deu sinal para abaixarem a música. Ele era um homem grande com a barba rala e querendo ficar branca. O sultão era uma visão imponente, de um homem poderoso. Aquele nosso primeiro encontro foi algo neutro; porém, depois eu viria a conhecer a fúria esmagadora daquele homem.

Fomos colocadas uma do lado da outra, os homens nos olhavam com certa excitação, aquilo era uma festa e nós seríamos o prato de degustação.

— Hamdan! Filho, mais um ano de vida, isso deve ser comemorado.

O sultão começou um discurso para o rapaz que parecia não estar gostando daquilo.

Eu sentia meu corpo tremer, não sabia se aquilo tudo era medo ou fome. Passar o dia inteiro somente com um pedaço de pão velho e de repente ficar naquela sala com todos aqueles aromas de comida misturados com a fumaça doce da narguilé, não estava fazendo bem ao meu corpo.

Olhei uma mesa farta com carne e fruta e minha boca se encheu de água. Meu estômago doeu. O vazio que sentia dentro de mim se intensificou, mas inexplicavelmente senti um arrepio nas minhas costas e minha pele ardeu em brasa. Desviando um pouco meu olhar da mesa eu encontrei um par de olhos verdes intensos me observando.

Eu nunca consegui entender como pude sentir aquilo, apenas com um simples primeiro olhar. Ele certamente era o homem mais lindo que já tinha visto. Seus lábios cheios e vermelhos, sua pele tinha cor de tâmara madura e não havia marca alguma em seu rosto perfeito, algo imaculado coberto por uma barba rala.

Eu o encarava e o admirava como uma obra de arte que jamais tinha visto, então seus lábios se repuxaram em um sorriso de canto e eu senti algo dentro de mim se revirando.

Só fui puxada à terra novamente quando uma das garotas esbarrou em mim, então que percebi que algo estava acontecendo — o rapaz que o sultão chamava de filho caminhava de garota em garota analisando e logo atrás o sultão com uma expressão de falsa felicidade. O rapaz me olhou por um momento muito breve e passou à seguinte, mas voltou mudando de ideia e segurou meu braço bruscamente. Houve gritos e risadas, o sultão batia palmas com certa empolgação, depois deu sinal com a mão e alguns homens e rapazes se levantaram e foram até as garotas. Então ele caminhou como um leão selvagem com toda elegância em minha direção e continuava com aquele sorriso sedutor de canto de boca. Naquela época eu era apenas uma criança e não fazia a mínima ideia do que todos aqueles sinais significavam, mas tudo se aprende com o tempo e aquela seria umas das piores lições que a vida me ensinaria.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.