Maktub
3 Cinema e Mestre Yoda
Notas iniciais
Eu cheguei no cinema Cascata umas 17:30 e fiquei procurando a Sol. Então eu vi três pessoas olhando panfletos do cinema, um garoto alto e duas garotas. Uma delas tinha o cabelo muito negro e uma pele muito branca.
– Ei, Sol! — eu acenei pra ela
– Diego! — ela veio andando até mim, me deu um beijo na bochecha e pegou minha mão — Vem!
Ela me levou até a irmã e o namorado e me apresentou eles:
– Essa é minha irmã, a Clara e o namorado dela, Edu...
Eu cumprimentei eles e perguntei que filme planejavam ver. Eles disseram que tinham feito votação e a Sol e o Edu tinham ganhado pra uma animação infantil. Ok, parece meio estranho, mas entre as opções aquele era o melhor.
Nós compramos as entradas, eu pedi pra pagar a da Sol e ela disse que não precisava, então eu e o Edu compramos o lanche. O filme começou 18:15 e a sala tava bem vazia.
– Então, tudo bem? — perguntei aos sussurros pra Sol
Ela sorriu, olhou pra irmã que beijava o namorado e me disse:
– Olha, tem muito lugar vazio lá atrás. Eu não tô a fim de ficar vendo esses dois se beijarem... Bora?
Ela pegou minha mão, deu um tapinha no braço da irmã pra avisar que ia sair, e me puxou até a última fileira do cinema. Ela sentou na poltrona encostada na parede e eu sentei do lado. E só aí eu reparei bem nela.
Ela tinha feito uma rabo de cavalo no lado na cabeça e usado a mecha verde como prendedor. Usava um short jeans clarinho e uma blusa preta de uma banda que eu não conhecia. O braço era cheio de pulseiras: de cadarço, do reggae, do yin yang, azuis, pretas, etc.
– Que banda é essa? — apontei pra camisa dela
– In Vein. É uma banda meio rock meio folk. Sei lá, eu não conhecia quando comprei a blusa, achei ela num bazar perto de casa, achei a estampa bonita e comprei. Aí procurei a banda, não é tão boa mas eu tenho umas 6 ou 7 músicas deles no celular. — a gente ainda sussurrava
– Quanto tempo tua irmã namora?
– Com o Edu faz 2 anos, mas antes disso ela namorou com um cara por 5 anos.
– E quantos anos ela tem então? — eu me assustei, era bastante tempo
– 21 — ela riu baixinho
– Olha, não reclamando da programação mas... a praia fica perto daqui e tem umas lojinhas maneiras. Não prefere dar um rolê a assistir esse filme sobre um garoto que ama doce e vai parar num mundo de doce e descobre que isso não é tão bom?
– Ok, me venceu! — ela me deu a mão e me deixou conduzi-la. Eu fui andando pelo corredor entre as poltronas, desci até a porta do cinema, puxei a cortina, pedi licença pro cara que recolhe os bilhetes e encontrei "a luz". Eu parei na bomboniere do cinema, comprei duas cocas e dei uma pra ela.
– Eu quero te mostrar uma coisa numa loja perto daqui ok? Acho que você não conhece porque ela é bem escondida e tal...
Ela assentiu com a cabeça e fomos andando e falando de coisas variadas, viramos uma ou duas esquinas e andamos por uns 10 minutos até chegar numa rua meio vazia, tinham várias casas antigas e uma entrada de paredes pretas. Nessa entrada tinha uma porta de vidro fumê. Eu puxei a maçaneta e entrei com ela atrás de mim.
Eu ouvi um "ohh" vindo da boca dela e me virei.
– Então, gostou?
– Eu amei!
A "loja" era cheia de coisas variadas. Coisas nerds sobre filmes, camisas de bandas, cds de rock e outros estilos, um tocador com fone pra ouvir músicas na loja, gibis e livros, toucas de bichinhos e bonecos de ação. A loja era toda pintada de preto e haviam lâmpadas azuis lá dentro. Tinham umas 3 ou 4 pessoas lá tirando o cara do caixa que ouvia músicas num fone gigante. Também tinham mesinhas num canto pra você sentar e ler, ou fazer qualquer outra coisa e um mini bar perto do caixa.
– Esse lugar é perfeito! Como você descobriu isso? — ela sorria um sorriso lindo e eu fiquei sem palavras, quando consegui falar, não parava de sorrir também.
– Um dia, eu tava meio chateado e comecei a andar por aí, então vi essa loja. Na época o vidro era transparente, então eu vi uma blusa dos Insanes e precisei entrar. Achei que comprar algo ia me fazer meio realizado e eu não tinha mais nada pra fazer mesmo...
– Isso é muito legal, pena que eu não trouxe muito dinheiro... Ai meu Deus! Isso é um bonequinho do Mestre Yoda por 7 reais? — ela saiu fuçando a loja toda e me deixou perto de uns gibis antigos, quando eu senti uma presença.
– Olá Diego!
Era River, meu espírito da bondade. Acho que o dia estava livre pros espíritos hoje. Ele tinha a pele morena e os cabelos cacheados, seus olhos enormes e castanhos adoçam o dia toda vez que ele aparece.
– Oi River! Quanto tempo né?
– Pois é meu amigo. Quem é a garota? — ele apontava pra Sol
– É a Sol... — eu sorri que nem um bobo pronunciando o nome dela
– Você gosta dela?
– Q-QUE? Eu conheci ela hoje! Quer dizer, a gente tá se conhecendo. — eu gaguejei e tropecei nas palavras.
– Ok, então por que trouxe ela na sua loja preferida e por que sorri toda vez que fala dela e por que tá com raiva de mim por isso? Que eu saiba eu não briguei com o Cassian... — ele riu da minha irritação
– Ok, talvez eu esteja gostando dela. Ela é meio perfeita sabe? Gosta do que eu gosto, tem a mesma vibe que eu, se anima com o mesmo que eu e é linda, linda demais!
– Então segura ela amigão! Tchauzinho! — ele virou fumaça e deixou um cheiro de açúcar queimado no ar
Nesse momento Sol voltou com uma cesta cheia de brinquedinhos, duas blusas e uns três livros.
– Olha, não me chama de exagerada, é que eu não pude me conter!
Nós dois rimos e ela foi pagar as coisas. No caminho ela parecia falar com alguém.
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