Make it true
3 -Essa é a hora em que eu te beijo ?
Notas iniciais
Aquela noite Andy não dormiu novamente, não era normal passar duas noites acordado e nem se sentir cansado, passou a noite toda pensando no acidente que ele “Previu”. Naquela manhã, apos tomar banho e se arrumar para ir pra escola, ele se olhou no espelho, os seus cabelos cacheados estavam um pouco molhados, seus olhos tinha um brilho diferente, lembrou do brilho dos olhos castanhos claros de Gean, mesmo estranhando esse pensamento o deixou fluir, ficou imaginando aquele rosto, as maçãs dele que eram bem marcadas, o sorriso sem graça que se formou depois do acidente do dia anterior, depois de um tempo Andy voltou dos seus pensamentos e desceu para tomar seu café da manhã, enquanto o fazia conversava com sua mãe :
–Bom dia, mãe hoje posso voltar tarde para casa ?
–Mas por que quer voltar tarde menino ?
–Bom dia né !
–Desculpe, bom dia, agora fala !
–Eu quero ficar na Karol, eu tenho que distrair minha mente.
–Hum, será que é isso mesmo ?
–O que esta tentando insinuar em sra.Katherina?
–Vocês são muito grudados para serem apenas amigos!
–Ah mãe, para com isso eu não gosto mesmo dela, não temos nada além de amizade, além de tudo você sabe que eu não sou de me apaixonar.
–Ah, não sei não, você pelo visto nunca se apaixonou, nunca o vi perdido, pensando muito, quieto e nervoso para falar com alguém.
–É, nunca estive apaixonado e espero não ficar !
–Ai menino, sem coração, é tão bom estar apaixonado por alguém, você fica feliz vendo a pessoa, ouvindo a voz dela, quando fala com ela fica com borboletas no estomago e quando não fala não para de pensar nela, parece estar com abstinência
–Ai credo, nunca vou ficar assim.
–Ok, vamos ver se não
–Tá mãe, tá bom, to indo agora, volto tarde hoje viu.
–Vai ficar com a namoradinha né ?
–PARA, ela não é minha namorada.
–Ui nervosinho, ok parei, tchau.
–Tchau.
Andy saiu de casa e foi para escola, pensou em chamar Karol mas queria ir sozinho para escola, ele estava precisando pensar, estava confuso com alguma coisa.
“-Andy on-”
Enquanto eu andava, me perdia em meus pensamentos, cada minuto eu ficava confuso, tinha alguma coisa errada, alguma coisa faltando, alguma coisa a mais, eu não sabia o que tinha de errado mas que tinha, tinha. Pensei muito sobre o acidente mas pensei mais ainda em Gean, fiquei pensando a noite toda o que eu tinha feito de errado por ele ter me tratado mal no intervalo de ontem, eu nem conhecia ele direito, e nem ele me conhecia então ele foi muito insensato, é isso ...Vou fazer ele me conhecer de verdade.
Eu cheguei na escola e procurei ele, o vi sentado em um canto apoiado em uma parede, então eu esperei ali onde eu estava mesmo o sinal da escola tocar, sabia que ele viria correndo em minha direção para ir a sala de aula. Demorou um pouco mas tocou o sinal e quando tocou vi Karol vindo em minha direção falando um monte de coisas.
–Seu viado você nem me esperou, nem para passar na minha casa para me chamar, como tem coragem de vir sem mim pra essa espelunca.
–Cala a boca- Ele já estava vindo, correndo novamente, com seu violão em uma mão e sua amochila apoiada em só um de seus ombros, eu fiquei meio nervoso, confesso, foi a tal das borboletas no estomago e a Karol não estava ajudando falando um monte no meu ouvido.
–CALA A BOCA? MENINO QUER MORRER SUA PESTE ? TA PIRADO ?VOU QUEBRAR SUA CAR…-Antes que ela pudesse terminar eu virei rapidamente e corri, não muito por que eu dei de cara com Gean, novamente a cena se repetiu, pude ver seus óculos voarem junto com sua mochila e o grandalhão caindo no chão, mas antes de qualquer coisa cair no chão eu fui o primeiro, aquele peitoral tinha uma força incrível mas só quando eu cai parei para pensar em o porque estava fazendo aquilo. Ele colocou os óculos dele e me olhou, pude ver um sorriso no canto de sua boca e ouvir um riso contido, ele se levantou e me estendeu a mão e eu a segurei, ele me ergueu e disse:
–Ironia do destino não pirralho ? -Quando ele disso pude sentir minhas bochechas queimarem, provavelmente eu estava vermelho- Hey seu bobinho, não precisa ficar com vergonha -É eu estava vermelho.
–Não to com vergonha, só bravo por me achar um pirralho
–Que isso, é por que você é minusculo perto de mim- A isso ajudou muito Gean, Ficou roxo de tanta vergonha.
–Ok, para de me zoar.
–Agora é o momento que eu paro olhando para seus olhos e a gente se beija ? É por que eu já to atrasado pra isso.- Eu com certeza chorei de vergonha.
–SEU IDIOTA, VAI PRA AULA LOGO VAI. -Pude ouvir ele rir e isso não me acalmou nadinha, senti meu coração acelerar vendo aquele sorriso.
–Eu estou brincando, Pirralho- Disse ele e esfregou a mão no meu cabelo, logo depois voltou a correr para sala.
Eu estava paralisado com um sorriso no rosto, POR QUE DIABOS EU GOSTEI DAQUILO QUE ELE DISSE ? O que esta acontecendo de errado comigo. Olhei para o lado e vi Karol contendo a risada.
–Que foi sua idiota, isso é culpa sua, olha a vergonha que você me faz passar.
–ANDY, NÃO ME DIGA QUE O QUE EU VI É O QUE EU VI.
–An ?
–Você gostou, gostou de ser chamado de pirralho, bobinho, baixinho, e ainda gostou do “hora te eu te beijar ?” você gostou.- Ela estava boquiaberta, eu ia negar mas não conseguir.
–Cala a boca Karol, vamos para sala.
Nos subimos, ela ficou me enchendo o saco com aquilo todas as aulas até o intervalo, mas era verdade, eu gostei, eu queria voltar tudo de novo, mesmo que quase tive um ataque cardíaco e parecia que ia vomitar, eu contei os minutos para ver ele no intervalo.
“-Andy off-”
Depois de todas as aulas, eles desceram para o patio, deu a hora do intervalo e eles estavam descendo as escadas quando Andy pode ouvir alguém cantando e tocando You, da banda preferida dele, The Pretty Reckless, ele correu e puxou a porta do patio e lá estava Gean novamente, no mesmo lugar de ontem, ele parou de tocar e olhou para o outro.
–Oi, descobriu meu esconderijo ?
–Se escondendo tocando You ?
–A é, você conhece tpr né ?
–Atá, vamos responder perguntas com outras agora ?
–Acabou de me perguntar novamente, pirralho !
–Não sou pirralho- eu disse e sentei ao seu lado, ele se endireitou para ficar de frente comigo.
–Ok, paro de te chamar de pirralho, mas o que quer comigo ? Já sei, o beijo de hoje mas cedo ?
–Seu besta, não, vim aqui para te ouvir tocar.
–Hum, primeira pessoa que recusa meu beijo- Disse ele olhando para o violão e rindo discretamente.
–Não to recusando…-Quando ele disse ele levantou a cabeça calmamente para olhar o outro — E-eu só, sei lá cara, você quer mesmo me beijar? Não é estranho pra você ?
–Hey, calma eu só estou brincando pequeno, mas de qualquer jeito eu te beijaria sim e não, não acho nada estranho, mesmo não sendo gay.
–Tá, para com isso que estou ficando com vergonha !
–Por que a vergonha, espera...Não vai me dizer que gosta d-de…
–Relaxa grandalhão, não gosto de você- Na verdade, ele não sabia se queria dizer isso, estava preocupado pois achava, que gostava sim.
–Tá, vamos cantar, pirralho- É, ele gostava sim, principalmente quando ele o chamava de pirralho, “ mas que merda esta havendo comigo ?” ele se perguntava naquele momento.
–Vamos sim.
Realmente eles cantaram, ficou perfeito a voz dos dois juntos, eles riam e contavam piadas um para o outro, mas Andy parecia distante em seus pensamentos e assim ficou até tocar o sinal para o resto das aulas, eles subiram juntos para sala, Gean o deixou em sua sala e saiu correndo para a sua, Karol estava na porta esperando Andy, estava com uma cara de quem ia mata-lo.
–Entendo o seu caso com o outro ai, mas me deixar sozinha no intervalo é demais já.
–Não tem caso nenhum Karol, para de encher meu saco, você não ficou com a gente por que não quis, vamos entrar logo, a aula já começou.
–Ta bom, seu idiota.
–Ciumenta- Quando o disse ela ficou quieta, ele virou para olhar pra ela, suas bochechas estavam coradas.
–Não sou ciumenta, imbecil.
–Tá bobinha, somos melhores amigos, vamos parar de briga.
–é, melhores amigos- Disse ela decepcionada mas Andy não a ouviu.
Eles entraram e assistiram as outras aulas, Karol estava quieta e parecia triste, Andy ficava incomodado com isso mas estava muito ocupado com sua mente lotada de pensamentos e assim ficaram as ultimas três aulas e só fizeram outra coisa além de pensar quando o sinal tocou os avisando que chegou a hora de irem. Eles desceram as escadas e no final delas estava Gean, quando ele viu os dois descendo acenou para Andy.
–Hey, posso ir embora com você ?
–Pode vir com a gente sim.
–ok, então vamos indo ?
Eles foram, andaram muito e enquanto isso conversavam, menos Karol, ela parecia irritada com alguma coisa, então chegaram na casa dela que ficava antes da de Andy, então se despediram dela e continuaram o percurso sozinhos. Gean ficou quieto do nada, pareceu estar planejando alguma brincadeira pois estava com um sorriso estampado no rosto e aquilo estava matando o outro, eles andavam em silencio e o clima começou a ficar tenso, então eles chegaram na casa de Andy e ficaram parados ali um olhando para o outro, até o menos interromper o silencioo.
–Então..Tchau -Disse ele abrindo a porta mas foi interrompido.
–Espera ! -quando ele disse isso o coração do outro parou, e ele olhou para trás em um ato de desespero , então o outro se aproximou e a cada passo os corações se aceleravam então Gean o puxou pela cintura e selou os seus lábios em um beijo, Andy sentiu seu coração explodir, ouviu sinos tocar, ouviu sua mente dizer “Eu te amo, eu te amo Gean” mesmo contra sua vontade, ele deu espaço para a linguá do outro entrar, o beijou foi ficando cada vez mais quente, era o primeiro beijo de Andy, a linguá do maior acariciava a sua, ele sentiu suas almas se ligaram, mas tudo isso foi interrompido pela falta de ar. Ao recuperar o ar Gean disse com um sorriso malicioso no rosto:
–Pronto, matei sua vontade.
–M-mas, quem disse que eu tava com vontade?
–Não estava ?
–Para de ser idiota, eu fui quem disse que isso era estranho.
–A, já que você não quer e acha estranho não te dou o outro que pretendia dar. -Dizendo isso o maior se virou e começou a caminhar mas bem lentamente, a cada centímetro que ele se movia o interior do menor se queimava então ele teve que gritar :
–Espera, eu queria sim e quero o outro- Ele ficou vermelho depois disso, Gean se virou e começou a ir na direção dele, colou seus corpos, aproximou sua boca da do outro a ponto dele fechar os olhos esperando sentir o gosto de seus lábios novamente, mas ele só sussurrou.
–Eu sei que quer, mas isso é estranho- Ao dizer isso se afastou do menor e esperou sua atitude, ele estava surpreso mas depois de alguns segundos ele se virou e abriu sua porta mas quando ameaçou entrar em casa sentiu uma mão puxar seu braço o virando, lá estava novamente os olhos castanhos claros do maior olhando no olhos verdes do menor como se ele pudesse ver a almo de Andy, então seus lábios se selaram novamente, a linguá do maior invadiu a do outro e começou a se mover como se fosse uma dança e a alma do menor realmente dançava e seu coração estava batendo tão forte que o maior ouvir e isso só aumentou a intensidade do beijo e mesmo depois de acabar o ar de ambos o maior insistiu e mordeu o lábio inferior do outro e depois eles se separaram e Gean disse :
–Pronto, agora só aceito você ter vontade amanhã.
Andy estava muito encantado para reclamar das brincadeiras do outro, ele ficou ali na porta de casa olhando Gean ir embora. Quando se virou viu sua mãe parada no corredor com um olhar de espantada mas com um sorriso no rosto.
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