Make a Wish
1 Único
Notas iniciais
Essa one-shot é a única KibaHina que eu escrevi na vida hahaha foi de coração, e eu realmente gosto bastante dela! Espero que curtam também ♥
Make a wish ✩
Grudou suas mãos e olhou para o céu – pelos orbes esbranquiçados – exatamente por um segundo. Após esse momento, fechou-os e tentou não praguejar Deus e todos os arcanjos que o apoiavam. Era uma tarefa difícil, já que estava desesperada. Hyuuga Hinata precisava clamar por ajuda. Não sei o que isso parece aos seus olhos, leitor, mas aos meus, as mãos unidas não davam a esperança desejada, mas sim uma aflição de que, se estava clamando, pedindo, suplicando... Algo estava extremamente errado. Era besteira suplicar? Talvez você nem acredite em Deus e afins, mas essa história contém uma magia muito maior do que espera. Uma garota com problemas? O mundo está cheio delas. Uma garota com problemas, que é ajudada pela guardiã de uma estrela? Acho que esse número já diminuiu.
Ajoelhou-se em frente a grande janela. Pensou em Kiba. Pensou em seu sorriso. Nas marcas de expressão que o sorriso causava. Nos olhinhos quase fechados. Nas marcas nas bochechas. Em sua pele morena. E aí parou, o todo poderoso não precisava saber de nada além disso, ainda que fosse onisciente.
— Também é onipotente – concluiu a garota, num sussurro.
Não queria acordar Akamaru. Sentiu a brisa suave balançar alguns fios de seu cabelo e olhou atentamente para uma estrela, após abrir os olhos com suavidade.
— Então, por favor! Eu imploro... Traga-o de volta.
Eram tempos difíceis. A guerra assolava a província, e só os mais afortunados – como Hinata – estavam realmente a salvo. A salvo fisicamente, mas isso não impedia que a dor fosse sentida. As almas, de todos, estavam estraçalhadas. Havia boatos de que acordos de paz estavam sendo feitos, mas, até aí, muito sangue já havia corrido, cabeças rolado. Kiba não precisava realmente ter ido, mas sua ética como homem à frente de seus princípios estava realmente aflorada. E então partiu. Desde lá, dois anos se passaram. E, para rimar, algumas poucas cartas chegaram.
Havia pedido algo aos céus e quem estaria lá para ouvi-la?
Os humanos tendem a saber pouca coisa sobre as forças cósmicas e astrais. Abaixe sua mão, eu realmente não me importo se sabe os signos de cor, e qual é a sua ascendência. Leitor, sua ascendência é o que menos importa. Humanos... Não sabiam nem um por cento. Ninguém pode culpá-los pela ignorância. Talvez, se soubessem de tudo, toda a magia se esvairia. E onde estaria toda a graça do desconhecido? Ele é sempre mais intrigante.
Cada estrela tinha o seu guardião. Esses guardiões tinham a forma parecidíssima com a humana; porém, num deslumbre desconhecidos a olhos carnais. Eles eram belos demais para ser descritos. A estrela que a jovem aflita fitou era de uma guardiã especial. Ino, era seu nome. Ela adorava vasculhar a vida humana, e até sucumbiu a um de suas maiores tentações... O beijo. O guardião da estrela ao lado – sim, como um vizinho estelar – era o seu amante. É essa a palavra certa para um romance tão astronômico?
Sorriu, terna, ao sentir a força daquele desejo. Aquela garota precisava mesmo de uma mãozinha, ainda que Ino só pudesse dar, de fato... Uma luz. Aquilo era algo que precisava compartilhar. Com um piscar de olhos, não estava mais em sua estrela.
— Olá... – sussurrou sensualmente na orelha de um ser igualmente belo.
— Olá, Ino. Sabe que não deve deixar sua estrela sozinha.
“Pff”, foi o som que emitiu, sentando na frente de Neji, o guardião vizinho.
— Eu tenho uma coisa para contar. Há uma garota, lá em baixo... – seus olhos eram eufóricos, e Neji sorriu por um instante. – Ah, deixa... Vou mostrar!
A conexão foi feita pelos olhares. Como uma sintonia extraordinária, a cor dos olhos de Ino mudou para o branco, e a de Neji para o azul. Estavam, de fato, trocando informações. Aceita essa agora, internet! Você não é de nada.
— Ela. Não. É. A. Sua. Cara? – perguntou a loira, arrancando uma careta do guardião mais velho.
— Na verdade não.
Ino cruzou os braços, incrédula. Ele não podia estar falando sério! Eles pareciam ter sido feitos na mesma forma. Só que ela andava triste... Era injusto que olhos tão parecidos carregassem pesos tão diferentes.
— Bom, que seja... Eu queria ajud-
— Você não vai interferir!
Ino se aproximou de Neji e o abraçou, fazendo a voz mais manhosa que conseguiu.
— Porque não? Hem? – passou os lábios pelo pescoço do guardião, que estremeceu, vacilando.
— O guardião do s-sol...
— Hm, aquele velho? Ele não tem que saber. É só uma luz, uma agilidade. Você viu os olhos dela...
O guardião do sol sabia de tudo. E Ino sabia que ele sabia de tudo. E Neji sabia que ele sabia de tudo. Os dois sabiam que o guardião sabia que eles sabiam que ele sabia de tudo. Torci a mente humana e simplória de vocês? Ok. Também torci a minha. A questão é: Neji sempre cedia à Ino. Todos os seres desse universo cediam à Ino. Mas esta história não é sobre ela.
Com uma piscadela de convencimento e um suspiro de conformação, a guardiã mandou um beijo iluminado para a Terra. O beijo continha tudo aquilo que ela representava – luz, calor, brilho e esperança – e mais uma pitadela de mão amiga. Ela com certeza voltaria para sua estrela e veria o que acontecera.
Naquele quarto iluminado pelas estrelas, Hyuuga Hinata suspirava. Havia acabado de fazer uma prece daquelas e gostaria de ser atendida por quem quer que seja que estivesse ouvindo. Sentou na poltrona, em seu quase majestoso quarto, correndo as mãos nos pelos de Akamaru. Ele ronronou, dando àquela noite um pouco de felicidade. Ele era tudo o que Kiba mais amava, além de Hinata, e estar ali significava muito para à moça. Ela adormeceu, assim, sentindo o calor passar do companheiro para sua mão, e vice-versa.
✩
Não queria chegar em casa daquele jeito. Estava irritado, e arrumara uma briga no caminho. Queria se livrar daquilo tudo. Praguejou. O que estava fazedo? Arrumando brigas infames enquanto sua mulher o esperava em casa. Após um longo período de tempo. Estaria mais bonita? Menos doce? Mais irritadiça? Menos amável? Não. Sua Hinata não era assim. Sua Hinata era sua exatamente por ser o contrário disso. Não era volúvel. Coçou o rosto, e viu algumas marcas de sangue em seus dedos. Ótimo. Avistou a residência perto, estancou o passo. Estava com medo? Inuzuka Kiba estava com medo? Sim, estava. A mente humana, tão ingênua... Não é o seu grande amor, Kiba? Não prometeu que voltaria? Pois volte.
Como se minhas palavras – e com certeza, seus pensamentos, oh humano – tivessem sido ouvidas – ele voltou a caminhar. Respirou fundo quando encarou a grande porta de madeira e bateu na mesma. Já estava tarde. Hinata provavelmente estaria dormindo. Estava, mas ao ouvir alguém batendo, olhou para a estrela a quem suplicou. Pode ter sido só impressão, mas ela brilhou um pouco mais, naquele momento. O que você acha? Ino brilhou sua estrela por querer? É lógico que não. A espontaneidade dela refletiu nos céus, e toda a noite se acalmou. Toda angustia se esvaiu. Kiba já não sentia mais medo. Hinata corria até a porta.
— Olá... – foi o que conseguiu dizer, ao ver sua mulher, com rosto de menina, cair a seus pés.
— Obrigada – agradeceu, não se sabe bem para quem.
— Estou aqui, Hinata – seu tom era grave e sério, mas ele estava se controlando para não desmoronar ao lado dela. Abaixou ao seu lado e a envolveu nos braços. – Não precisa mais chorar.
— Senti tanto, tanto, tanto a sua falta. Você não imagina.
Os olhos se encontraram, e a paz, enfim, veio.
Hinata passava lentamente um pano molhado pelos ferimentos de Kiba. Ele já estava limpo, então não poderia ter sido em uma batalha. Havia só aquele corte na testa e todo aquele sangue. Passava cuidadosamente, sem tirar os olhos do serviço. Ele sorriu, sabendo que não poderia ser recepcionado de forma melhor. Akamaru, nada bobo, até deu alguns instantes de privacidade.
— Já está bom – sussurrou o moreno, segurando o pulso de sua amada.
Ela sorriu, e se abraçou ao colo dele. Beijou de leve os músculos expostos de sua barriga, sentindo-o estremecer.
— Algumas horas atrás, eu fiz um pedido.
— Sim? – respondeu, a fim de que ela continuasse.
— Aos céus. Pedi que algo te trouxesse de volta, e agora está aqui.
Kiba alargou o sorriso, mas que ingenuidade. Puxou sua mulher para o colo, beijando-a suavemente. A noite estava apenas começando para ter tantas lamúrias no ar. Mas era grato, mesmo que não acreditasse em fenômenos divinos, que Hinata almejasse por ele. Mordiscou seus lábios, passando a língua por eles e procurando a dela a seguir. Apertou a coxa da Hyuuga, começando a matar toda a saudade que sentia.
— Estou aqui por nós, pelo nosso destino.
Não estava errado, ao todo. Ino não o levou até lá, apenas passou sentimentos bons. O destino, em si, era o encarregado de se virar com aqueles sentimentos. Graças aos céus, por mais redundante que isso pareça, ele resolveu fazer a coisa que eu, os guardiões, Hinata, Kiba – ah, e você, é claro! – queríamos. Uniu o amor da forma mais pura que se pode ter: a esperada.
Ah, a ingenuidade humana...
Sempre achando que não há nada por trás de tudo.
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