Make Up
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Como colocar isso em palavras.... Ah sim: DESISTO!
Bem, não que Susan seja uma péssima aspirante para atriz, por que pra chegar no nível de péssima, ela precisaria melhorar e muito. Sério, nunca vi alguém tão ruim quanto essa garota. Pedimos para ela só ser sutil durante um papo, e nem isso ela conseguia. Ela era tão sutil quanto um soco na boca do estomago ou uma patada de cavalo no saco. Por mais que isso possa parecer ela era só... só... um erro da natureza. Só isso ( ^-^ ). Das duas uma: ou procuramos outra garota, ou esse plano vai dar bem errado.
Antes de continuar falando, tenho que explicar algo; sobre a mulher que eu chamei de pai: quando eu tinha uns dois anos (nem lembro direito) meu pai sumiu do mapa. Minha mãe nunca quis dizer porque ele tinha ido embora, ou qual era o nome dele. Mas desde que eu me lembro por gente, Janet sempre esteve ao lado da minha mãe me criando como um pai. Sim, como um pai: me levava pra assistir jogos de basquete no estádio, me levava pra jogar futebol no parque, me ensinou a arrotar. Era difícil explicar na escolinha que eu não tinha duas mães, mas sim um pai gostoso. Por uma questão de apego, eu sempre chamei Janet de Richard, tanto por um apelido carinhoso, e por que ela era bem masculina e merecia um nome de homem. Juro que lembro dela coçando o saco em algumas ocasiões, mas acho que deve ser imaginação.
Estávamos na sacada, eu Richard e Meg sentados á mesa; ambos fumando enquanto se lamentavam pelo tempo perdido com a garota. Aquela maldita fumaça, por mais que eu desviasse me perseguia, até que uma hora desisti e prestei mais atenção no assunto do que na fumaça.
–- Sério... – Prosseguiu Richard soltando uma baforada – Eu até ajudo com isso, mas não quero ver aquela garota nunca mais.
–- Bem, não conheço mais nenhuma garota que seja de acordo com o “padrão Steve de qualidade”, que vá nos ajudar a essa altura.
–- Garota pra que? – Quando Richard abriu um sorriso bem sem vergonha juro que passou um arrepio pela minha espinha.
“Não... ela não faria isso comigo” pensei.
–- Como assim?
–- Temos uma coisa bem melhor... – E ela resolve me encarar.
“Merda... ela vai fazer isso comigo...”
Meg olha pra mim e olha pra Richard de novo.
–-Quem? – Meg falou meio perdida
–- Adivinha...
“Sim... Essa filha da puta vai fazer isso comigo”
Eu já previa o fim dessa historia, sendo obrigado ou ameaçado por uma das partes, então apenas esperei em silencio pro desfecho.
–- O Nathan puxou muito o lado teatral da mãe dele, porém ele nunca conseguiu fazer papéis masculinos, entretanto...
–- Entretanto....
–- Ele sempre fez ótimos papéis femininos. Nunca entendi o porque da atuação, mas o rosto dele tem traços bem delicados se perceber. Poderíamos vestir ele de mulher, ver se fica parecido.
–- Sério? – Meg quase sufocou na fumaça tossindo de tanta empolgação que teve naquele momento... pena que não morreu. – Nathan você faria isso?
–- Não. Mas eu tenho opção?
–- Não! – As duas “pessoas” falaram isso ao mesmo tempo... Ferrou.
Depois de relutar, e de ser ameaçado, concordei em me vestir de mulher. Richard me maquiou, fazendo o com que meu rosto parecesse mais pálido dando brilho em minhas maças do rosto, e uma sombra escura que fazia meus olhos parecerem maiores. Depois da maquiagem feita fui caçar algo nas roupas da minha mãe , peguei uma jaqueta curta e um jeans que (alem de me apertar o saco), levantava muito a minha bunda. Richard me alcançou uma peruca de cabelos compridos e franja curta para parecer de vez uma garota.
–- Uau... – Exclamou Meg ao me ver já todo produzido na sala – Cara, tu é linda
–- ...
–- Sério, se eu fosse um homem agora, eu certamente estaria de pau duro
–- Sem exagero...
–- Sério mesmo. – Ela começou a me rodear -- Até bunda tem...
–- Ok, eu não acho isso boa idéia.
–- Olha só.. – Ela tirou o celular do bolso e ligou a câmera – Tente fazer uma cara fofa.
Bem, ela esticou o braço e tirou um self nosso. Ela piscando e eu apenas mostrei a língua enquanto sorria.
Naquela noite, tive uma longa conversa com Richard e Meg. Decidi fazer o plano. Mesmo que desse tudo errado, eu não ligo muito pra fofocas e o lance todo de popularidade, eu conseguiria me manter com todo o estresse. Richard foi para o hotel onde estava hospedado, e concordei com que Meg dormisse aqui em casa. Naquela noite, pelas duas da manhã Meg me mostrou a foto que havíamos tirado e que ela havia postado em seu facebook. Quando eu vi os mais de duzentos likes e comentários como “Nossa que garota linda” e “Meu deus Me de o numero dessa gata”, me senti mais confiante para botar o plano em pratica. Se eu conseguia enganar mais de duzentos, então eu conseguiria enganar o Steve.
Sábado de manhã fui até uma cabeleireira amiga da minha mãe pra colocar aplique. Richard não confiava muito na peruca e tinha medo de que algo acontecesse, então sugeriu para colocar megahair pra evitar algum desastre.
De tarde fui pra casa me vestir; fui de acordo com o que eu havia planejado: camisa do coringa, flanela por cima, uma calça jeans e uma sapatilha preta. Porém desta vez tive que colocar um sutiã com dois silicones para dar “volume”. Pois acho que não ficaria legal uma garota com peito reto.
Pelas sete da noite, Meg veio me buscar. À caminho da festa, quando estávamos repassando as coisas, começou a me dar pânico. Comecei a pensar se caso tudo desse errado, eu fosse descoberto... Coisas que eu não cheguei a pensar antes, como seria a reação dele e tudo mais. Quando estávamos já estacionando eu mal conseguia me mexer no carro.
–- O que houve boneca?
–- Por favor... – Eu já balbuciava em meio a lagrimas – Eu não quero fazer isso.
–- Calma querido.. Tudo vai dar certo.
–- M-mas e se não der? E se eles resolverem me agredir depois?
–- Calma...
–- Como eu vou me acalm—Eis que para minha surpresa, Meg me interrompe com um beijo.
Ao contrario do primeiro, essse foi mais... quente. Como se realmente tivesse algum sentimento nele. E aquela sensação boa me fez parar de chorar. Depois de alguns segundos ela se afasta e prossegue.
–- Olha, mesmo que você desista agora, eu vou dar um jeito. Eu me diverti ontem com você e seu pai... mãe... Ah sei lá, mas o que importa é que eu mudei a minha impressão de você. Você chegou até aqui por mim, mas se quiser ir pra casa tudo bem, eu dou um jeito sozinha.
Ela tinha razão em algo: eu havia chegado lá. E na faz sentido eu sofrer tudo aquilo e desistir na ultima hora. Engoli o seco, ajeitei a maquiagem e junto com ela saí do carro em direção a festa.
Entrando na festa, eu me senti um xis burger na Somalha. Todos os garotos me olhavam com olhares admirados, me avaliando de cima a baixo. Eu abaixei a cabeça e segui Meg; nós ficaríamos junto do grupo das gorilas, que alem de já saberem do plano, me dariam cobertura pra alguma eventualidade. Ficamos nos fundos perto da piscina, dançando um pouco olhando ao redor, caçando Steve com os olhos. Todas as vezes que uma das gorilas iam buscar algo para bebermos elas comentavam que algum garoto pediu para ser apresentado a mim ou para ficar com ele, mas em todos os casos eram dispensados de alguma maneira. Em um momento fui ao banheiro, por não agüentar tomar mais que seis latas de refrigerante, porém quando voltei eu não avistava nenhuma das garotas. Eu nunca senti tanto pânico na minha vida, e tudo só piorou quando dei meia volta. Frank Stevenson estava na minha frente segurando um copo.
–- Olá.
–- O-O-Olááá.... – Por um momento quase esqueci que eu tinha que fazer voz de garota.
–- Eu me chamo Frank, mas meus amigos me chamam de Steve. Qual o seu Nome?
Naquele momento eu definitivamente, não podia mais voltar atrás.
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