Notas iniciais
Vocês acharam que eu não ia postar capítulo hoje, né? Acho que acharam que não tinha nunca mais pq a pessoa demorar 3 anos pra criar vergonha na cara de continuar a fic não é pra qualquer um não. Mas cá estou eu que motivada por um comentário que me deixou no chão em pleno 2017 a pessoa pedindo continuação, resolvi arregaçar as mangas e voltar a escrever. E EU ESTOU COMPLETAMENTE VICIADA, ALGUÉM ME LEVA PRA OS ESCRITORES ANÔNIMOSSSS. Brincadeiras a parte, acho que sai mais outro capítulo essa semana se Deus me der criatividade e falta de sono. MAS ENFIM FALANDO SOBRE O CAPÍTULO: Como tinha prometido, aqui vamos saber mais sobre o passado de alguns personagens e umas tretas cabulosas que rolaram ai. Agora vou parar de enrolação e ir direto pro que importa. Espero que gostem ^~^ ~Anna

-Vai Jack, me conta, por favor!- insistiu novamente Merida enquanto caminhávamos juntos pelos corredores vazios rumo aos nossos armários. Tínhamos o horário livre depois de duas aulas seguidas de história, mas não estaríamos juntos no próximo período.

-Desculpa Mer, mas eu já disse que não posso contar. –E nem queria– Isso é coisa da Punzie. Ela que tem que te falar, não eu.

A garota de cabelos escarlate continuou a me encarar com olhar pidão no rosto. Eu apenas balancei negativamente a cabeça de novo e ela bufou, por fim pareceu desistir.

-Ótimo. Então não me fale, cabeção. Mas fique sabendo que se não vai falar, também não falo mais com você. Não até eu saber dessa história.

Durante um tempo, tentei convencê-la de que aquilo tudo era besteira sua, mas ela pareceu se irritar mais ainda e começou a me castigar com seu silêncio absoluto, logo acabei desistindo temporariamente. Continuamos nossa caminhada silenciosa por algum tempo até que algo veio a minha mente.

-Meri? – Como já era de se esperar não ouve resposta — Meri, eu tenho que te perguntar uma coisa – ela apenas continuou seguindo pelos corredores da escola, não me dando atenção – É uma coisa importante, se eu fosse você escutaria – mais silêncio. Ainda não estava certo se ia ou não perguntar, então antes que tivesse mais tempo para pensar simplesmente falei – Você ainda gosta do Hick, não é?

Nesse momento ela parou subitamente, me fazendo quase esbarar nela. Quando olhei para o seu rosto vi uma expressão impossível ler. Ela estaria chateada com a pergunta? Triste por eu ter tocado num assunto tão delicado? Eu não precisava perguntar para saber sua resposta, mas mesmo assim eu queria ouvi-la falar, antes de contar-lhe sobre o que Astrid tinha feito. Só agora percebi como fiz mal.

-Por que você quer saber, Frost? – disse ela por fim.

-Isso não responde o que te perguntei. – a garota que estava na minha frente fechou os olhos e respirou e inspirou de maneira profunda, quando os abriu de novo vi que estavam um pouco vermelhos. Tinha feito isso para afastar o choro.

-Eu estou feliz em ser apenas amiga do Hiccup de novo. – disse formando o sorriso mais falso que conseguia.

-Também não foi isso que eu perguntei.

Agora o corredor não estava mais tão vazio. Algumas pessoas passavam e olhavam de relance, mas não pareciam achar nada estranho, provavelmente pensavam que éramos um casal e estávamos brigando. Quando parei de prestar atenção as pessoas ao meu redor, focando-me novamente em Merida, vi que seus olhos haviam começado a marejar (se encher de lágrimas), então ela virou o rosto para que eu não percebesse que estava chorando. Chorando por minha causa, pelas coisas que eu fiz com ela. Provavelmente estava pensando nisso também. Por que eu tinha que voltar a falar nesse assunto? Por que eu fiz isso? Por que eu fiz aquilo? Mas agora era tarde demais, tinha que continuar.

-Merida, eu vou te contar, mas só posso fazer isso se você me falar primeiro – meus olhos que antes analisavam sua reação agora se voltaram para o chão. Estava sendo muito difícil para mim também falar naquilo de novo, principalmente porque tínhamos concordado em esquecer tudo e nunca mais tocar no assunto, fingindo que ele não aconteceu. Mas eu sabia que ela não tinha esquecido e eu definitivamente precisa falar sobre aquilo. Voltei a olhar para ela e segurei levemente suas mãos – Desculpe. Desculpe por ter feito o que fiz. Desculpe por te enganar e te fazer sofrer tanto. Isso é minha culpa, eu continuei indo atrás de você mesmo sabendo como vocês estavam apaixona...

-É minha culpa também. Não devia ter acreditado em você e com certeza não deveria ter cedido à suas investidas. Eu fui tola e fiz o cara mais legal que conheço ficar na pior. Fiz com ele exatamente o que você fez comigo depois. –Disse rispidamente, cortando minha fala e puxando sua mão de volta. Então, deu uma curta e amarga risada antes de continuar – Mas nenhuma garota resiste aos charmes do famoso Jackson Frost, não é verdade? É tudo tão fácil para você. Você as usa e não pensa como elas vão ficar. Você só quis ficar comigo para atingir o Hick, porque ele tinha algo que não era seu. Não acredito que em algum momento você tenha realmente gostado de mim, mas me fez acreditar que estava apaixonado. Pior ainda, me fez acreditar que eu estava apaixonada por você.

Era possível ver que ela usando todas as forças que tinha para não chorar. Ironicamente, nesse momento, ela me lembrava de Rapunzel hoje mais cedo. Ferida, frágil e tão vulnerável. Logo a Merida que sempre foi tão forte e destemida, agora parecia que até um sopro podia machucá-la. Porém, esse momento só durou um instante antes dela respirar fundo para conter os soluços e continuar.

-Mas aqui vai uma novidade, depois de tanto chorar eu percebi que estava triste não por que você me largou e sim porque eu tinha cometido o maior erro da minha vida deixando o Hiccup. Infelizmente, não sei se algum dia vou ser capaz de compensa-lo...

Um longo e constrangedor silêncio formou-se entre nós. Nesse meio, tempo pude olhar novamente em volta e ver que um grande grupo de pessoas estava fora de sala agora. Provavelmente algum professor havia faltado e como era o primeiro dia de aula apenas deixaram os alunos livres para fazerem o que quisessem até o próximo tempo. Era tão estranho como minha conversa com Punzie parecia ter sido dias atrás e aquela situação com Merida aparentava ter acontecido milhares de anos antes. Entretanto, só agora iria completar dois anos do ocorrido. Acordei de meus pensamentos ao notar que ela me encarava.

-E então... – Não se via raiva ou tristeza em sua voz, ela só parecia querer terminar logo o assunto – Você disse que iria me contar sobre o que vocês conversaram hoje mais cedo. Pode começar.

-Por favor, Mer, não me faça trair a confiança dela.

-Você me deve isso, Jack. E eu não vou contar para ela que você me falou.

-Merida, eu não tenho certeza se posso... eu a prometi que não falaria...

-JACK! VOCÊ TAMBÉM ME PROMETEU.

-TUDO BEM – já estava de cheio dessa conversa, então decidi contar logo – O Flynn vinha traindo ela.

Numa fração de segundos vi a expressão de Merida mudar. Toda essa coisa de traição a deixou traumatizada e agora que era a Punzie que estava passando por isso. Logo sua melhor amiga, a que sempre foi como uma irmã menor para a Mer. Quase podia ver o ódio por Flynn sobrepondo o espanto em suas pupilas.

-Ela... a Punzie... ela está... como ela está, Jack?

-Mal, porém você a conhece e sabe que é dura na queda. A princesinha da torre pode ser bem forte, mas precisa muito da sua ajuda agora.

-Claro, com certeza. Ela vai ter todo o meu apoio – Merida ainda parecia atordoada, como se um flash de luz forte a tivesse atingido – Sei que não deveria estar pensando sobre isso agora, mas o que o Hiccup tem a ver com tudo isso?

-Era com a Astrid que o Flynn estava.

-Oh – Merida exclamou formando um perfeito “O” com a boca. O espanto em seu rosto era nítido.

-O Hiccup... deve estar arrasado. – tinha preocupação e dor em sua voz – O meu Hick. Ele deve estar... deve estar... tão mal. – Ela falava mais para si mesma do que comigo, quando pareceu retornar ao seu corpo continuou – A quanto tempo ele sabe disso? Por que não nos disse antes? Tenho que encontrar ele.

-Ei, ei, ei, calma. Você não sabe de nada disso lembra? Tem que esperar até que a Rapunzel te conte, só aí você vai pode procura-lo.

-Como você pode sequer pensar em me pedir para não ir atrás dele, Jack?! Você sabe o quanto ele deve estar péssimo com toda essa história?

-Sei, mas eu também vi como a Rapunzel estava e não quero que ela fique assim novamente. Você não vai contar e isso está decidido.

-HICCUP É SEU AMIGO, COMO PODE FAZER ISSO COM ELE? – Ela falou me empurrando com força no peito.

-ELA TAMBÉM É SUA MELHOR AMIGA, MERIDA! VOCÊ NÃO PODE FALAR NADA. – Respondi segurando-a pelos braços.

Percebi que estávamos gritando logo depois de notar os olhares em cima de nós. Puxei-a para um canto e continuei.

-Olhe, só estou te pedindo algumas horas. Ela já disse que iria te contar mais tarde, não foi? Só isso, Merida, e então você pode ir conversar com o Hick. Por favor, não estou pedindo isso por mim, é por ela.

A garota ruiva que me encarava não parecia querer concordar com a ideia de não sair correndo agora para consola-o, mesmo assim fechou os olhos e assentiu com a cabeça.

-Até o almoço, Frost. Eu te dou até o almoço. Temos o último tempo juntos e não posso garantir não falar com ele.

-Obrigado, Mer. Sei que está fazendo a coisa certa. – Dizendo isso me inclinei para abraça-la, mas ela me parou esticando as mãos para frente impedindo que eu continuasse.

-Tudo bem. Como você mesmo disse, ela é minha melhor amiga. Então saiba que não estou fazendo isso por sua causa. – Dizendo isso, ela deu as costas para mim e começou a andar.

-Aonde está indo?

-Anunciar no jornal da escola o que você acabou de me contar. – Olhei confuso vendo Merida se afastar, até que ela se voltou-se novamente para mim revirando os olhos e completou. – Combinei de me encontrar com a Violeta agora, temos aula de trigonometria juntas.

-Ah, até mais então.

-A gente se vê outra hora, cabeção.

Depois, ela voltou a caminhar à passos lentos corredor abaixo. Só quando seus cabelos cor de fogo desapareceram por completo do meu campo de visão, percebi que estava mais uma vez sozinho no corredor. Poucos segundos depois de checar meu horário pela terceira ou quarta vez, o sinal tocou e pude ver Wilbur tendo que se esquivar da multidão para chegar até mim.

-Pronto para aprender um pouco sobre química nesse belíssimo dia de aventuras, meu caro companheiro Jackson Frost? – Ele falou forçando um sotaque britânico e pondo o braço ao redor do meu pescoço.

-Eu tenho alguma outra opção?

-Ótimo! Por que pelos meus cálculos está bem na hora de irmos para à porta da sala dar um “olázinho” para as novas gatinhas.

-Você passou gel?

-Só um pouco, é do meu pai. Aquele velho manja dos bagulhos.

-Desde quando você começou a falar como se tivesse entrado para uma gangue?

-Pare de cortar o meu barato e vai na minha, Jack. Esse ano vai ser épico.

Falando isso Will começou a me puxar para a sala 53, onde teríamos aula de química com o Sr. Fisher, e continuou tagarelando sobre como tinha ouvido mais cedo na diretoria que 17 garotas vindas de um colégio interno só para meninas haviam pedido transferência para nossa escola esse ano. “ 17, você pode acreditar?! Me sinto no paraíso.” Mas enquanto ele falava apressadamente sobre seus planos de convencê-las a sair com ele, meus pensamentos vagavam pela imagem da única garota que fazia realmente eu me sentir no céu, desejando mais que tudo que ela estivesse bem. Por fim, ele me empurrou para dentro da sala bem na hora que o professor estava dando um sermão sobre pontualidade. Jogamos nossas coisas numa mesma bancada e me esforcei ao máximo para prestar atenção na aula, mas meus pensamentos sempre voltavam para a mesma pessoa. E essa pessoa com certeza não era o Sr. Fisher.

Notas finais
E então, o que acharam? Peguem leve, estou parada a muito tempo. E a treta? Acharam que era isso ou pensaram em outras coisas. No próximo capítulo estou pensando em começar com as coisas na visão da Merida e depois voltar pro Jack. Será que o Hick finalmente vai aparecer nesse capítulo. Comentem me falando o que vocês acharam! ~Anna