Make A Decision
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que vocês gostem, e boa leitura!
O clima ameno de Las Vegas acariciava o rosto de Gil Grissom, que dirigia com o vidro do carro aberto. Ao seu lado estava sua esposa, Sara Sidle, e no banco de trás uma surpresa para os amigos.
Há sete meses ele tomara a decisão mais importante de sua vida. Há sete meses ele agradecia aos céus todos os dias por ter tomado esta decisão. Há sete meses ele se tornara o homem mais feliz do mundo.
--Está tudo bem, querido? --Sara perguntou, observando-o pensativo.
--Claro! –Ele respondeu animado. –Está preparada?
Ela assentiu com a mesma animação que ele, enquanto lembranças permeavam os pensamentos do entomologista.
--Você precisa conversar com alguém. –Warrick lhe dizia. –Não tem que ser comigo, mas você precisa. Catherine, Jim e Doc estão preocupados com você.
--Estão preocupados à toa. –Ele respondeu seco.
--Você não tem comido direito, está com olheiras enormes e vive para esse laboratório. Isso não é vida, Grissom!
--É a minha vida. E eu não quero discutir isso com você, nem com ninguém.
O tom irritado do supervisor não fez com que Warrick saísse de imediato. Ele estava preocupado com o chefe, amigo e às vezes até seu pai. Doía nele ver Grissom naquele estado, e por mais que o respeitasse, ele se arrependeria amargamente se não lhe dissesse o que estava travado em sua garganta:
--Vá atrás dela! Você parece que morreu desde que ela se foi. O laboratório está refletindo o seu estado. Nossa equipe deixou de ser uma família. –Ele ofegava – Nós precisamos de você, e você precisa dela.
--Eu já disse que não quero tocar neste assunto.
--Não importa! Você sempre me mostrou o caminho certo quando eu precisei, e agora eu vou fazer o mesmo com você. –Warrick disse petulante. –Nós falamos com ela, e ela está tão mal quanto você.
E foi aí que Grissom perdeu seu controle.
--Ela não me quer! Ela foi embora e não fala comigo desde então. –Seu tom era alto e magoado. –E eu não quero mais falar nisso, Warrick. É a minha vida!
Então ele recolheu suas coisas e saiu do laboratório como um tufão, atraindo muitos olhares curiosos.
--Você tem certeza que é isso que quer, querido? --Sara perguntou gentil.
Gil demorou alguns segundos para voltar à realidade, mas não tardou a responder:
--É o que nós dois queremos. –Ele respondeu doce. –E eu tenho um compromisso com Ecklie.
--Você disse isso mesmo que eu entendi? --Ecklie o encarou abismado.
--Isso mesmo. Todos os meus dias de folga acumulados, minhas férias, licença. O máximo que conseguir.
Era a primeira vez desde que Ecklie se lembrava de que Gilbert Grissom pedia um dia de folga. Quanto mais no plural.
--Você tem certeza? Você vai voltar? --Ele parecia temeroso.
--Eu preciso disso, Conrad. –Gilbert disse seco. –E sim, eu vou voltar.
Os dois estavam na sala do sub-xerife, dias depois da conversa turbulenta com Warrick. Ele não queria admitir, mas o amigo estava certo: ele precisava de Sara.
Ecklie puxou um arquivo e começou a organizar alguns papéis. Ficaram em silêncio por vários minutos, e depois de uma ligação entre o careca e o Xerife, ele anunciou:
--Certo, você tem sete meses e duas semanas.
Grissom se espantou com a quantidade de dias livres que teria, mas somente agradeceu.
--Catherine ficará no meu lugar e contrataremos um estagiário. –Disse antes de sair. –Obrigado.
--Boa sorte com Sara, Gil. –Conrad disse honestamente.
Minutos depois, estava reunido com sua equipe no Locker. Ele pigarreou quando chegou, e assim que o silêncio se fez, anunciou:
--Eu sairei de licença por um tempo. Até lá Catherine ficará no meu lugar, vocês estarão em boas mãos.
--Você vai voltar? --Nick perguntou temeroso.
Grissom apenas concordou com a cabeça e saiu. Mas quando estava a meio caminho de sua sala, sentiu seu braço ser puxado. Era Warrick.
--Eu sabia que uma hora ou outra você ia se dar conta. –Ele sorriu para o chefe e lhe entregou algo. –Por isso eu poupei seu tempo: aqui tem o endereço e telefone da Sara. Boa sorte.
Gil não soube o que dizer, apenas sorriu agradecido quando o moreno sumiu pelo corredor.
--Acha que Ecklie vai me deixar voltar? --Sara perguntou hesitante.
--Tenho certeza. –Ele segurou sua mão.
--E o pessoal... –Ela parecia nervosa.
--Eles adoram você e estão com saudades. Não serão rudes, se acalme.
Ela sorriu confiante para o marido e observou um pequeno embrulho acomodado no banco de trás do carro.
--Acha que eles ficarão felizes?
Gil riu alto afirmando.
--E absurdamente... Surpresos.
Grissom tremia da cabeça aos pés. Agora que estava tão perto, não sabia se tinha sido boa ideia ir atrás dela. E se a carta fosse mentira? E se ela estivesse comprometida com outro? Mas agora era tarde demais para desistir.
Ainda relutante, ele tocou a campainha de uma casa simples perto da orla do mar de São Francisco. Suava frio, apesar do calor, e seu coração quase saltou da boca quando a porta foi aberta revelando Sara Sidle.
--Oi. –Sua voz saiu entalada.
Ela deixou seu queixo cair, mas sorriu para o amado.
--Você... Veio.
--Eu preciso de você. –Respondeu honestamente.
E sem esperar mais, colou seus lábios nos dela.
--Chegamos. –Ele anunciou sorridente.
Estavam parados na frente do laboratório de perícia. Ambos estavam igualmente ansiosos por ver os amigos, por voltar ao trabalho. Antes de sair, porém, ela segurou sua mão.
--Eu te amo. Obrigada por me fazer bem; por me trazer de volta para casa.
Grissom acariciou seu rosto de leve e lhe plantou um beijo doce nos lábios.
--Eu também te amo, honey. –Suspirou. –Vamos?
Ela concordou com a cabeça. Grissom deu a volta no carro, abriu a porta para ela e depois aconchegou o pequeno embrulho nos braços. Com a mão livre ele acionou o alarme do carro e depois segurou firmemente a mão da esposa, entrelaçando seus dedos.
A cada passo em direção ao interior do laboratório, Grissom sentia-se pesado com tantos olhares voltados para si e para a esposa; o lab parecia ter paralisado. Ela sorria radiante cumprimentando os conhecidos, sem soltar da mão de seu entomologista favorito. Eles rumaram juntos para a sala de reuniões que, segundo uma Judy emocionada, abrigava a equipe do turno da noite esperando o horário para ir embora.
Os Grissom chegaram rapidamente ao lugar tão conhecido, e encontraram seus amigos conversando animados, mas não tardaram a ser percebidos.
--Grissom! Sara! –Greg foi o primeiro a notá-los.
O antigo analista de DNA correu para abraçar a amiga com saudade, seguido de perto pelos outros. Mas eles pararam ao ver o que estava nos braços de Gil.
--Oh meu Deus! –Catherine exclamou emocionada.
Grissom ajeitou o pequeno embrulho quente com um sorriso orgulhoso nos lábios, que na verdade era um neném. Um neném dele e de Sara. Alegre, ele anunciou para a equipe:
--Esta aqui é a Emma, pessoal. –Ele se aproximou do bebê. –Dê ‘oi’ para os seus titios, Emms.
Sara abriu um sorriso largo ao ver as expressões incrédulas e felizes dos amigos.
--Bons filhos à casa tornam! –Jim entrou animado na sala ao ver os dois. –Uou!
Nem o detetive acreditou. Logo Hodges, Doutor Albert e Ecklie já estavam na sala com eles, dando as boas vindas ao casal.
--Ela é adorável. –Conrad disse encantado com o bebê.
Emma se mexeu um pouco no colo do pai, mas logo foi retirada por Catherine, que a aconchegou com cuidado nos braços.
--Nos expliquem como isso é possível! –Greg pediu apontando o bebê.
--Quer mesmo que eu explique como, Greg? --Sara respondeu atrevida.
Grissom, agora com as mãos livres, segurou a esposa pela cintura sem pudores e respondeu calmamente:
--Sara estava grávida quando foi embora, mas descobrimos dias depois que eu cheguei.
--Mesmo assim, era para estar grávida ainda. –Robbins fez as contas.
--É, e vocês nem nos contaram nada... De novo. –Warrick fingia-se de bravo.
--A gestação foi complicada. –Sara explicou. –Emma nasceu com quase oito meses. Tudo estava corrido com o casamento e a gravidez, não pudemos nem respirar direito.
--Vocês se casaram? --Nick perguntou feliz. –Você não era anticasamento, Sara?
A equipe embalou uma risada quando Sara corou.
--Era só charme. –Grissom brincou, levando um cutucão.
Então a sala se encheu pelo som de Emma chorando. Era um choro fino, e até agradável; mas que fez Catherine devolvê-la logo para a mãe.
Sara nem bem a aconchegou, e ela voltou a dormir tranquilamente. Os demais fizeram um círculo à sua volta para observar o bebê ressonando, mas Grissom se afastou e chamou Warrick num canto.
--Eu queria te agradecer. –Ele disse simplesmente.
O moreno pegou o chefe de surpresa e o abraçou com força.
--Eu fiz por você o que você faria por mim, Grissom. Você aproveitou. –Ele sorriu para o amigo. –E sua filha é linda.
--Que bom que o padrinho dela acha isso. –Gil sorriu de lado.
--Sério? Gil, isso é... Incrível!
O bebê começou a chorar de novo e Sara foi na direção do marido, deixando os amigos encantados do outro lado.
--Já contou para ele, querido?
Gil assentiu e pegou a filha no colo, para passá-la para os braços de seu padrinho. Warrick a acomodou emocionado, e seus olhos se encheram de lágrimas quando Emma abriu seus olhos azuis e esboçou um sorriso, seguido de sons de bebê.
--Bem vinda à família CSI, Emma Sidle Grissom
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