Majo - Witch Hunt -
1 Prólogo
Majo – Witch Hunt –
Várias pessoas chegavam ao teatro, sentando-se nas confortáveis cadeiras, para ver os gêmeos, que sempre usavam roupas formais européias, possuíam cabelos loiros e olhos muito azuis, mesmo que fossem japoneses. A mãe destes, Lily, casara-se com um jovem nipônico, se mudando para o país, fazendo assim aquelas duas crianças de aparência ocidental terem nomes típicos do oriente. Kagamine Len e Rin.
Ficaram conhecidos por todos os lados, graças às histórias que contavam. Lindas, tristes e, de acordo com ambos, verdadeiras. Embora no começo apenas crianças fossem até o teatro da família, toda terça-feira, às cinco da tarde, agora, dois meses depois que eles começaram, o lugar já se enchia de homens, mulheres e até estrangeiros. Haviam virado um tipo de atração local. Os pais se orgulhavam de seus filhos, mas não podiam deixar de pensar que talvez fosse melhor que levassem uma vida normal. Aquela vida de contadores de história um dia poderia leva-los a passar necessidades, era o que pensavam.
De qualquer forma, tinham apenas 14 anos e eram muito inteligentes, não havia motivo para se preocupar com aquilo, por enquanto. Logo, poderiam convencê-los a seguir uma vida mais tranquila e estável, deixando de falar e cantar para uma platéia. Se dependesse de Lily, porém, eles continuariam, ela daria apoio, mesmo que concordasse que era uma vida instável e cheia de altos e baixos. Desde sempre, a loira sonhava em ser cantora. Enfeitiçar massas com sua voz encantadora. Mas nem tudo é como queremos. E ela sentia-se satisfeita por ter enfeitiçado apenas uma pessoa. O pai de seus filhos.
Os resultados dessa paixão estavam completamente alheios aos sonhos da mãe e às expectativas do pai. Apenas penteavam-se em um camarim, apenas alguns minutos antes de entrar no palco. Rin, calmamente, ajeitou sua franja da melhor forma que pôde. Julgou que para aquela história em especial não deveria usar suas presilhas, deixando-a com um ar mais sério, o que seria indispensável. Len prendeu seu rabo de cavalo com perfeição, procurando abaixar um pouco o cabelo, não conseguindo totalmente o resultado desejado.
Finalmente se entreolharam e sorriram. A garota se levantou, dando a mão ao gêmeo, e ambos subiram ao palco, onde havia apenas duas cadeiras. Ouviram os aplausos da platéia e curvaram-se diante deles. Len ajudou Rin a sentar-se, em seguida indo para seu lugar. Depois de mais alguns sons, todos se calaram, olhando atentamente para os dois, esperando com ansiedade para que começassem. A loira fechou os olhos, respirando fundo, fazendo alguns outros, fãs de tempos, prenderem a respiração para encará-los.
— Aproximem-se, escutem essa triste história. Aproximem-se e não esqueçam de preparar seus lencinhos. – começou, serenamente, com ambas as mãos repousando sobre o colo. Len também cerrou seus olhos, ficando na mesma posição que a irmã.
— Parece que em algum lugar viveu uma bruxa. E ao que parece, ela e um príncipe se apaixonaram. – os dois abriram os olhos ao mesmo tempo, prontos para iniciar sua incrível e sincronizada narrativa.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Ela era uma bela jovem de cabelos longos cabelos rosados e olhos azuis. Vestia-se em tons sempre claros, com suas tiaras belíssimas e com babados na cabeça. Tinha um sorriso que podia encantar a qualquer um, corpo belíssimo e cheio de curvas, que levaria muitos à perdição, se este fosse seu desejo. Com seu jeito delicado e voz suave, conseguia olhares por onde quer que passasse. Era sem duvida uma bela jovem, de nome Megurine Luka.
Ele era um belo príncipe, de longos cabelos arroxeados presos em um rabo de cavalo e olhos da mesma cor. Usava roupas bordadas em seda, sempre belas e bem feitas. Com seu olhar enigmático, conseguia levar muitas moças à paixão, embora estivesse momentaneamente focado em demasia em questões políticas para retribuir. Com sua voz firme e jeito bondoso, era respeitado e querido por todos os seus súditos. Era sem duvida um belo príncipe, de nome Kamui Gakupo.
Comecemos nossa história com o príncipe.
Ele era muito desejado pelos mais diferentes tipos de mulheres. E isso incluía a filha de um nobre muito devotado à Igreja, que treinava a jovem para se tornar uma inquisidora, mesmo que isto fosse difícil para uma mulher. Ela era uma menina de 16 anos, apenas, quando sua atração começou. Tinha enormes cabelos verde-água, que prendia com marias-chiquinhas muito simétricas. Olhos do mesmo tom que seus cabelos. Seguia todos os ensinamentos da Igreja.
Ela seguia Gakupo em todos os seus tempos livres. Diferente de outras moças, nunca se atreveu a falar com ele, pois via, refletido naqueles olhos roxos, o desinteresse pelas que o faziam. Esperava uma chance de ser notada naturalmente, para que assim parecesse merecer atenção.
Naquele dia em especial, o príncipe caminhava sem destino pelas ruas, cumprimentando aos súditos que passavam. Miku, como sempre, seguia-o de longe, atenta a todos os seus movimentos. Eles não tinham conhecimento de uma bela dama de cabelos rosados que passeava pelas ruas. Ao menos não até uma forte rajada de vento cortar o ar, fazendo as roupas de todos os que pela rua passavam, incluindo Luka, levantarem-se levemente. Quando levou a mão aos cabelos para tentar evitar que este batesse contra seu rosto, acidentalmente desprendeu a tiara, a fazendo voar.
Ela correu atrás, já que todos os enfeites que tinha eram calculadamente feitos para combinar com determinados vestidos. Assim que a rajada de vento passou e o pequeno pedaço de pano deixou de voar, caindo com delicadeza, Luka deu um pequeno suspiro de alivio. E só então percebeu que o príncipe o pegou em uma das mãos antes que alcançasse o chão. Sorriu para ele, que retribuiu, enquanto se aproximavam.
Provavelmente Luka jamais o faria se soubesse que isto a poria sob o olhar de uma inquisidora.
Notas finais
Obrigada por ler ^^
Fale com o autor