Mais uma história nessa cidade

2 Cap 2- Uma menina, um bar.


A metropole de muitos nomes é consumida pelas luzes de lojas, clubes e prédios. Lucas está finalmente chegando em casa, depois de uma longa caminhada (não podia correr pois tinha que acompanhar Ella, a vendedora). Pairava os prédios de centenas de andares da plataforma na qual se encontrava. Olhando pra cima sem coneguir ver os céus e olhando para baixo sem conseguirver as primeiras ruas da cidade. Aproximando-se de uma das várias entradas do prédio o qual seria sua moradia, Lucas se dispede de Ella e sobe até um dos últimos andares. E ali está ele, parado em frente ao apto 442. Muitas coisas passam em sua mente, tanto seu futuro, agora incerto, quanto medo e curiosidade ao que poderia vir.

A porta de um vizinho se abre, dela escapam várias luzes, cada uma de uma cor diferente. O cheiro forte de bebida contaminou o corredor do andar. Um casal se agarrando sai pela porta em direção ao elevador. Lucas estranhou que a música com volume tão alto não era escutada com a porta fechada. A curiosidade tomou conta dele, se moveu até a porta para dar uma espiadinha no que estava acontecendo. Havia poucas pessoas dentro do apartamento, as que não estavam bebendo estavam conectadas nas entradas da casa, viajando em algum tipo de rede local. Lucas bate na porta, espera um pouco e ninguém escuta. Observando a parede do corredor no lado de fora do apartamente, ve um botão diferente na parede. Ele o aperta e, quase de imediato, uma menina de cerca de 20 anos com fones de ouvido ao redor do pescoço aparece para lhe atender:

–Olá, em que posso ajuda-lo?A música te incomoda?- diz ela

–Oi. Não, claro que não, eu acabei de me mudar e queria conhecer meus vizinhos, a proposito, eu me chamo Lucas- diz ele.

–AH, você é o cara novo, Ella me falou de ti. Nós somos amigas, até achei estranho ela não ter aparecido pra festa na "realidade alternada" hoje... Muito prazer Lucas, me chamo Lucy- diz ela estendendo sua mão para ele.

–Muito prazer, que bom que já tenho um amigo aqui- diz ele cumprimentando-a.

–Um amigo no prédio?!?!- pergunta Lucy.

–Na cidade!!- responde Lucas com um certo sorriso envergonhado.

–Ué!? Você é novo aqui na cidade?-pergunta ela com certo espanto o rosto.

–Pois é. Eu tava desenvolvendo um projeto na cidade onde eu morava e como já sabia que aqui todo mundo tem seu "projeto" de melhoria resolvi vir para me aperfeiçoar...

–Cara...tenho tanto pra te mostrar! Arrume-se ai no teu apto, depois vem aqui em casa, quero ver esse projeto depois, dai podemos sair pra eu te mostrar alguns lugares pra passar o tempo- ela responde muito entusiasmada com a idéia.

Lucas sorrindo, acenou com a mão dando tchau. Seu olhar volta-se para sua porta. A preocupação sobre dinheiro estava lentamente tomando conta de sua mente, mas ele sabia que era uma preocupação para outro dia. Chegou o grande momento. Ele move o cartão de acesso até a fechadura *bipbip*, a porta se abre, e ele se depara com uma sala com janelas ocupando metade de suas paredes. Havia também alguns moveis e ponto de acesso junto com tomadas no chão, e perto destes poucos move tomava lugar um sofá que Lucas havia comprado. A cozinha estava limpa, com um gesto ele aciona as luzes e ativa as peças retrateis do cômodo. Lucas observa por alguns segundos tudo aquilo. Ele pega sua mala e tira de dentro um dispositivo posicionando-o no centro da sala, pressiona um botão fazendo com que várias luzes tomem conta das paredes revelando as interfaces do seu computador móvel mostrando seu projeto. Lucas foi até o quarto onde havia apenas uma cama e um espelho. Todos os guarda-roupas e gavetas estavam embutidos nas paredes. Uma tela gigante em frente a cama era o monitor principal da casa. Ele olha a janela do seu novo quarto admirando os veículos que passavam por ali. Este era seu novo lar.

O som do que aparentemente era sua campainha encheu a sala, Lucas foi atender, abriu a porta e não para sua surpresa lá estava Lucy.

–Pô, cara! Já faz um tempão que eu te falei pra ir lá no meu apartamento! Tipo uns, 20 minutos, se apressa ai senão não te espero- diz ela.

– é... Desculpa, eu acho, só preciso de mais uns minutos ok?- responde Lucas- Alias, espera um pouquinho ai mesmo.

Lucas abaixa seu visor, que era uma espécie de óculos, e programa uma analise de arrumação para sua casa, o programa começa a funcionar e Lucas some deixando partículas claras lentamente caindo em um rastro. Lucy não entende o que estava acontecendo, ela fica parada com uma cara de curiosa a porta. Em algum segundo Lucas retorna a porta e tudo em seu apartamento parece ter ficado arrumado.

–Pronto! Podemos sair!- disse ele indo em direção ao apartamento de Lucy andando calmamente.
Lucy fica ali na porta do apartamento dele, parada, tentando entender o que havia acontecido.

–Você não vem?- pergunta Lucas entrando no apartamento de Lucy, então ela começa a caminhar em direção a porta de seu lar.

–Ok. Já vou... — disse ela sem ter entendido o que havia acontecido ali.

Lucas entra naquele apartamento escuro, a casa de Lucy. Lá algumas luzes fracas iluminavam locais de acesso da rede local. O cheiro de bebida predominava no ambiente. Todas as janelas estavam tomadas por interfaces do computador central mostrando vídeos de música. Lucas se senta no sofá analisando tudo a sua volta, a única que veio em sua mente era o fato de nunca ter conhecido alguém tão festeiro quanto ela. O cheiro, a decoração a sua volta e as músicas que tocavam eram indicadores disso. Ele não sabia sobre o que falar, geralmente não gostava de sair muito, principalmente para festas...

–Então... Mora aqui há muito tempo?- pergunta o rapaz.

–Na verdade não- responde ela, — Há alguns meses. Quando eu comecei a trabalhar como DJ em um bar, que também funciona como casa de festa, decidi me mudar para perto, e aqui estou eu- diz ela levantando os braços mostrando o apartamento.

–E onde é esse bar?- pergunta ele.

Ela se aproxima das imagens na janela e tecla alguma senha, que ele não consegue ver, fazendo as imagens serem comprimidas na tela da sala liberando espaço para ver o lado de fora do prédio.

–Venha ver você mesmo!- chama Lucy

Lucas se levanta e aproxima-se da janela. Lucy aponta para baixo mostrando uma das entradas do prédio vizinho, ela apontava para um local com uma entrada convidativa, como era relativamente cedo não havia muito movimento, mas ele sabia que iria lotar, pois tinha ouvido boatos sobre as centenas de festa que tomavam conta dessa gigantesca cidade durante as infinitas noites.

–Qual o nome desse "bar"?- pergunta ele.

–Olha, assim como essa cidade, ele possui muitos nomes, ninguém sabe o nome original além do dono, alguns chamam o bar de "É".

–É?

–É, isso mesmo, quer ir dar uma olhada? Talvez eu até consiga uma bebida para nós dois...-disse ela

–Eu agradeço o teu convite, mas....bem, eu não bebo, tenho meus motivos. Podemos ir igual, ai pode ficar com minha bebida-respondeu Lucas.

–Oh well, mais pra mim. Nem vou perguntar teus motivos nem nada, fica tranquilo, mas vamos logo antes que comece alguma sessão de bebedeira.

Os dois chegam no bar, e Lucas percebe uma coisa, as pessoas andam em bandos, cada um com um estilo de roupa, cabelo, de andar, falar e cumprimentar diferente. Sentado a mesa, ele observava mais sobre o lugar. Muito grande pra ser um simples bar, quase centenas de mesas, muitos atendentes e um cômodo mais longe da entrada onde se localizava uma espécie de pista de dança dividida entre 2 andares, sendo o último o VIP com acesso ao DJ. Algo chama a atenção de Lucas, um bar tender brigava com o dono no balcão, algo sobre ele não aguentar mais ter que atender uma facção ou algo do gênero. Irritado, ele se demite, joga no chão uma garrafa e sai enfurecido pela porta. Lucy volta e então ele faz a pergunta.

–Sobre o que era tudo aquilo? Por que aquele rapaz emburradinho se demitiu assim?

–Olha, ele não gosta de atender aos trapper, pra ele esse grupo é a marginalidade em pessoa, ele é muito preconceituoso, só isso- responde ela.

–Grupo? Como assim?- pergunta Lucas, que percebera que não sabia muito sobre essa cidade.

–Ué? Nunca te alertaram sobre isso?- pergunta Lucy

–Isso o que?

–Bom, acho que tenho que te explicar umas coisas- Ela se senta ao seu lado, toma um gole de sua bebida reluzente e volta a falar- Já deve ter percebido que a medida que alguém fica mais próximos do sol, ou seja, mais alto na cidade, mais dinheiro a pessoa tem. Só que isso serve como um divisor para pessoas. Vários grupos se formaram nas últimas décadas de acordo com os gostos, maneiras de agir e pensar das pessoas. Eu mesma não conheço muitos, só alguns que frequentam esse bar, sendo um desses os trapper.

–Quer dizer que as pessoas ficam se classificando aqui? Botando etiquetas em si mesmas?- responde ele com um tom de estranhamento

–Aiai amigo, isso não é novidade. Eventualmente isso vai chegar em todo lugar, principalmente com o crescimento descontrolado desta cidade...- e ela para de falar quando percebe algo -Agora me diz, tem um trampo?-

–O que?- pergunta ele sem ter entendido o que ela havia dito.

–Um emprego, tem um? Tem um trabalho nessa cidade?

–Na verdade não...- responde Lucas com uma cara de vergonha, na cidade onde ele nasceu as pessoas eram trabalhadoras incansáveis.

–Olha só que oportunidade! Tá aqui a tua chance! Pode ser um atendente aqui, substituir o cara que se demitiu.

–E como eu conseguiria isso?- pergunta ele mostrando interesse pelo emprego.

–Pode deixar comigo, o dono do lugar é amigo meu, eu acho, eu falo com ele e talvez amanhã tu já esteja trabalhando aqui.

–Bom, se esta dizendo, eu aceito. -diz o rapaz com um sorriso no rosto -Só uma coisa, não vamos conhecer algum lugar pra passar o tempo além desse? Como você disse antes...

–Só depois de você me mostrar aquele tal "projeto" o qual tu tinha me dito antes- responde ela com um sorriso no rosto.

A noite toma conta da cidade, apesar de ninguém notar muita diferença considerando a altura a qual eles estavam. Lucas fica certo tempo no bar falando sobre o lugar de onde veio com Lucy, explicando como era acordar com os raios de sol, como o seu mundo era mais simples, e contando que deixou tudo pra trás sem avisar ninguém. A conversa vai longe, em algum ponto Lucy começa a abusar muito das bebidas até que perde sua consciência. Lucas a carrega de volta para seu apartamento, por sorte ela tinha esquecido a porta destrancada na saída. Ele a deixou no sofá, e voltou para seu lar. Deitou-se em sua cama e ficou ali olhando para o teto do seu quarto até pegar no sono.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.