Notas iniciais
Pixels não podem sair do lugar sem a permissão de seu supervisor. Se não é bug.

A tal Máquina do Tempo foi construída em larga escala logo depois que seu criador – o pai de Burrhus Polka – morreu, para que seu trabalho não fosse esquecido. Existem diversos modelos de máquina do tempo: algumas delas são feitas em forma de automóvel, para aqueles que de alguma forma gostam de utilizá-lo várias vezes, como já se viu casos desses; esses são os mais comumente conhecidos por aparecerem em várias histórias que são contadas até hoje. E geralmente aparecem como se realmente fossem viagens através da história; e podem ser, mas na realidade são as dimensões que nos importam. Ocorre que a história não é uma linha reta, mas sim um amontoado de dimensões que podem ser mudados de acordo com o andamento de cada ser que passa por ela. Há indícios de que esses tais “viajantes do tempo” na realidade eram viajantes transdimensionais que estavam perdidos em uma das dimensões do tempo que não seriam a dimensão 2, o que aconteceu várias vezes. Aliás, muitos deles saíram das dimensões 3 e 4 para de alguma forma mudar a dimensão 2. O que acontece é que ninguém sabe onde foram parar de verdade. Mas sabe-se que também fazem parte do livro Ficção para que se comprovem as teorias.

Outra forma que se pode cogitar é o uso das palavras mágicas: “esquilofrenia sem fraldas”, prática clandestina de alguns alunos da ANTA para fazer viagens transdimensionais sem a autorização no papel. Essa forma foi descoberta por Burrhus Polka, mas foi logo depois que ele havia patenteado as outras duas, e então, para não perder o dinheiro que recebia das criações de seu pai, ele preferiu deixar esse segredo bem trancado. Mas ele esqueceu que todos os segredos são revelados na dimensão Confidencial, o que comprometeu toda a história que se conhece na dimensão 2 quando o livro Ficção foi publicado pela primeira vez na Alemanha. É nessa dimensão que muitos detetives e pesquisadores entram, apesar de muitos entrarem na dimensão Pegadinha-do-Malandro, que por algum acaso infeliz tem a mesma propriedade de mostrar-se revelador de segredos, porém não passam de piadas e zoeiras convencionais e não convencionais.

Uma outra forma, não muito comum, de produção de máquinas do tempo é a forma de celular. Isso acontece porque nenhuma montadora de aparelhos celulares fez o acordo necessário para que pudesse ser patenteado o modelo da máquina do tempo, e é mais difícil fazer um celular do que um carro. Mesmo assim muitos se aventuraram em construir aparelhos celulares com o dispositivo necessário para que a viagem através das dimensões pudesse ocorrer.

Ruf usava uma máquina do tempo no modelo de celular, e para ser mais específico, um celular touchscreen. Ele é retangular, 10 cm de altura por 5 cm de largura, cores marfim e branco, com a grossura de um livro de umas 50 páginas de papel A4 normal, um botão redondo na parte central inferior e câmera de 5 megapixels. A Máquina do Tempo é um aplicativo que vem junto com o celular com o ícone de uma noz. Há uma versão com o símbolo de uma girafa, mas ela só está disponível para a versão gold do celular. E quando se diz versão gold, se diz que o celular deve ser de ouro maciço.

Ruf utilizou-se do aplicativo em seu celular para levar William para sua própria cabeça. O botão para que aconteça a viagem interdimensional é um botão com os dizeres: “Yes, we can!”. Para que William também viaje, Ruf deve ao menos tocá-lo ou simplesmente pegar o número de telefone de William para poder fazer uma conexão. Ele escolhe a segunda opção. Ruf aperta o botão. Eles finalmente estão viajando pelas dimensões.

O ambiente em que se localizam é... Psicodélico. Isto porque agora estão na cabeça de William. Cores e formas e coisas estranhas estão acontecendo no ambiente, que de repente se torna um breu profundo. O celular de William começa a tocar. Ele pega o celular em sua mão esquerda, e vê que recebeu uma mensagem.

— O que é isso, Ruf?

— Ah, sim, permita-me explicar. É o seguinte: estamos na sua cabeça.

— Ah... Entendo, mas...

— Mas o quê?

— Eu não entendi muito bem... Aqui está tudo escuro!

— Ah, sim. É que acontece o seguinte: quando você entra na cabeça de alguém, você tem que escolher uma forma de vê-la.

— Como assim?

— Veja a mensagem no seu celular.

William olha para o celular e vê a mensagem. Nela há a questão: “Plano de visão da cabeça de William” e as opções: “Behaviorista”, “Existencialista”, “Platonista”, “Aristotélica”, “Schopenhauriana”, “Freudiana”, “Marxista” e por aí vai.

— “Plano de visão da cabeça de William”...

— Isso mesmo. Escolha uma!

— Vamos ver... “Behaviorista”... “Schopenhauriana”... Hm, essa deve ser legal: “Otimista”... Acho que vou ver a “Existencialista”.

— Então aperte!

William escolhe a opção “Existencialista” clicando nela em seu celular. Aparece um grande vazio.

— Mas o quê? — William pergunta.

— Como assim, “o quê”? Você não sabe da abordagem existencialista?

— Ahn... Sei.

— “A consciência é um vazio”.

— Ah. Então esse vazio é minha consciência?

— Na verdade, é, mas há algo estranho.

— Como assim?

— Ah, achei!

— O quê?

— Cara, com tantas perguntas você já pode virar filósofo!

— Por quê?

— Ali está. — Ruf aponta para um local onde estão duas mulheres conversando e discutindo.

— O que são elas? — William pergunta.

— São as teorias.

— O quê? Quer dizer que as teorias são mulheres?

— Ahn... Acho que sim.

— Uau! Mas elas são muito bonitas...

— Pois é! Agora eu vejo por que os filósofos ficavam por aqui!

— Mas qual delas é a cordista e a baterista?

— Acho que a loira de vestido vermelho é a baterista e a ruiva de vestido preto a cordista.

— É... Mas ambas são muito bonitas!

— Mas ali vem uma outra. Está vendo a moreninha?

— Sim, sim, eu a vejo. Ela é muito linda!

— Quer dizer que você tem uma terceira teoria que está te incomodando!

— Como assim?

— Vamos nos aproximar delas.

Os dois começam a se aproximar das mulheres/teorias. A morena tenta apaziguar as duas.

— Então é isso!

— O quê?

— Dê mais valor à morena.

— Como assim?

— É ela que está apaziguando a situação.

— Ah...

— Veja o quanto você a tem machucado.

Este capítulo está começando a ficar um pouco tenso. Afinal, apareceram teorias e mulheres sofrendo, o que não parece condizer muito com um livro de comédia. Por isso, aqui fica uma piada, só para não perder o gosto: “Era uma vez um pintinho chamado Relâ. Toda vez que chovia, Relâ piava”. Tudo bem, vamos para a próxima (caso você não tenha rido nem um pouco dessa): “O que o esquilo disse para o humano? ‘Eu vou te matar!’” Tudo bem, a última não foi uma piada. Mas vamos continuar a história.

— E olha quem está vindo para brincar! — Ruf diz apontando para um esquilo que intervém no apaziguamento.

— Ei! — A morena diz.

— O que você está fazendo aqui? — diz a loira.

— Nós estamos no meio de uma conversa, você não viu? — a ruiva diz, irritada com o pequeno mamífero roedor marrom.

Então o esquilo arranha as três mulheres/teorias com suas garras, o que provoca uma imensa dor de cabeça em William.

— Que droga! — Ruf diz. — Eles estão por toda a parte! Como conseguiram entrar aqui?

— O quê? Os esquilos?

— Eu ainda não sei por que você pergunta o óbvio...

— Ah, me desculpe se eu acabei de entrar numa dimensão totalmente estranha a partir de uma viagem que estou fazendo com um cupcake falante!

— Ei!! Essa dimensão não lhe é estranha; é a sua cabeça!!

— Mas na minha cabeça não há teorias em forma de mulher, que eu saiba!

— E você tem alguma namorada?

— Não.

— Por que não?

— Por que eu tenho que estudar e... — William percebe que perdeu a briga. —Droga!

— Temos que evita-lo o quanto antes. Vamos ter que sair daqui mais depressa.

— Mas nós não tínhamos algo para resolver aqui?

— Depois nós resolvemos. O esquilo já entrou na sua cabeça e está prestes a destruir nós dois se não sairmos daqui.

— Mas eu ainda estou com uma dor de cabeça e... Afinal, por que viemos para cá?

— Para descobrir a origem de sua dor de cabeça.

— E então?

— Espere um pouco...

O esquilo olha para os dois com uma cara assassina.

— Rápido, William, pense em uma arma!

— O quê?

— Cara, você pergunta demais! Uma arma agora!!!

— Ok.

William pensou na primeira arma que ele poderia pensar, uma arma que já destruiu reinos e derrubou reis e príncipes, que conseguiu criar discussões e mortes em todos os cantos: o Argumento. Argumento é um homem pesado, de mais ou menos umas duas toneladas, que pode esmagar qualquer coisa na cabeça de alguém que está desprotegido. O argumento de William era um argumento careca, branco, que caía nu das profundezas do além de sua cabeça. E o esquilo era o infeliz desprotegido que seria atacado pelo terrível Argumento. Argumento caiu em cima do esquilo, pulverizando-o.

— Parece que estamos salvos agora — diz William.

— E você provavelmente não está mais com a dor de cabeça, certo? — diz Ruf, como alguém que descobriu algo que poderia trazer a paz mundial.

— Sim. Parece que minha dor de cabeça desapareceu!

— Eu sabia!

— O quê?

— Esse tempo todo era o esquilo. De alguma forma os esquilos estão ajudando os Ficcioneiros a promover seu plano maligno de dominação e destruição da Terra. Mas por quê?

— Eu não sei.

— Tudo bem. Vamos para outro lugar.

— Para onde vamos?

— Vamos primeiramente passar na minha casa para eu poder pegar algumas coisas. Está ok?

— Ah... — William diz, num tom de tristeza. — Mas...

— Você quer ficar mais um tempo?

— É que...

— Cara, se você se apaixonar por uma delas vai morrer solitário!

— Mas elas são tão lindas!

— Olha, você sabe por que que grande parte dos grandes filósofos morriam solitários? Porque eles se apaixonavam por suas teorias!

— Mas...

— Acredite, há alguma mulher no mundo real que vai lhe servir muito melhor que elas.

— Elas...

— É claro que podem te dar muito mais dor de cabeça... E vão ser muito mais persuasivas quando forem discutir com você, mas...

— São...

— E elas também têm TPM e...

— São...

— Quer saber, você decide!

— Elas não são reais!

— Mas elas são reais. Só que em outra dimensão.

— Eu queria que existisse uma delas na Vida Real.

— É sério?

— Talvez.

— Nós podemos levar para a dimensão 2.

— Hm...

— Você toparia?

— Não sei.

— É só pedir o número do telefone de alguma delas.

— Aí é que tá o problema! Eu não consigo!

— Se você não consegue fazer na sua cabeça, acha que conquistaria alguma delas na Vida Real?

— Você até que é um cupcake moralista, sabia?

— Eu tento ser um doce.

— Tá legal. Para onde vamos?

— Tem certeza?

— Eu consigo uma garota da Vida Real.

— Ok então. Vamos para a minha casa agora. Preciso pegar algumas coisas antes de ir para o outro local.

— Então vamos.

— Só uma pergunta: seu celular está carregado?

— Acho que sim, espere um pouco. — William pega o celular. — Está sim, podemos ir.

— Então vamos lá. — Ruf ativa seu aplicativo Máquina do Tempo. — Dimensão 123/Eba, aí vamos nós!

Notas finais
Um pixel uma vez teve medo do escuro. Sua mãe o levou à pixóloga mais próxima de sua casa para fazer pixelterapia e encontrar uma solução para o seu problema. Quando a pixóloga viu o pixel, ela se assustou, pois isso não se tratava de um problema normal pixólogico, mas sim de um problema fisiológico do pixel. Ela encaminhou ao médico, que realizou os exames corretos. Mas logo depois o pixospital passou por problemas e teve vários aparelhos quebrados devido à doença do pixel. Isso levou à morte de milhões de pixels. Por isso, todo pixel desde pequeno aprende que não pode ter medo do escuro.