Notas iniciais
Não se esqueça de passar o perfume, por favor.

— Marília, você consegue nos levar com seu celular versão Gold, certo?

— Sim sim, Ruf, sem problemas.

Enquanto Marília prepara a Máquina do Tempo (que não é uma máquina do tempo, mas foi patenteada dessa forma, como explicado anteriormente), William fica se perguntando por que motivo eles estariam indo para a dimensão Alfa/Lírica/52, pois possui uma curiosidade que, incrivelmente, todos os habitantes da Dimensão 2 têm. E de todas as outras dimensões também, mas como ele é dessa dimensão, então ficamos por assim dizer.

Marília finalmente preparou o destino e aperta o botão no celular segurando cada um dos personagens.

— Vamos nessa! — diz ela, como na fala de um super-herói.

— Marília.

— Diga, Ramon.

— Eu tenho uma pergunta: você…

Neste exato momento o celular começa a levá-los à dimensão Alfa/Lírica/52, com um objetivo que inicialmente parece obscuro por uma razão óbvia: prender o leitor durante o capítulo para descobrir o motivo deles estarem indo para tal dimensão ao invés de estarem indo para a dimensão Pixel, que foi a dimensão mencionada no capítulo anterior. Por quê? Porque eu sou o autor e quis assim.

Finalmente nossos heróis chegam à dimensão Alfa/Lírica/52. A dimensão não é muito estranha para William, pois é uma dimensão com muita filosofia e pensamento crítico, como acontece na ANTA. Eles estão diante de um portal muito magnífico e com formato gótico, esverdeado e com detalhes brancos feitos com dedicação por um dos maiores escultores de toda a história da dimensão Alfa/Lírica/52: Sopa. Esse nome, nessa dimensão, significa “algo líquido que pode ser facilmente ingerido por alguém que não tenha dentes por conter qualidades nutritivas interessantemente semelhantes às qualidades de alimentos sólidos comuns”. Esse nome lhe foi dado porque seus pais queriam que ele fosse dentista, mas infelizmente isso nunca aconteceu, apesar dele ter sido morto numa conspiração política e ter uma data específica como feriado: 21 de abril. A diferença entre ele e um personagem de outra dimensão é que ele usava meias azul-claro para sair com a namorada encontrar ursos verdes camuflados na selva da região de Utrukmolir, a região com a maior floresta tropical do único planeta conhecido com vida da dimensão Alfa/Lírica/52. Há dois porteiros segurando o portal, que está aberto para visitantes.

— Marília, você já veio aqui? — pergunta Ruf.

— Já sim— responde Marília. — Meu namorado me trouxe aqui uma vez.

— Ah, então você namora? — pergunta Ramon.

— Ah, não… — responde Marília. — Ele terminou comigo.

— Mas então por que você disse que ele era seu namorado? — pergunta Ramon.

— Porque faz pouco tempo que terminamos.

— E qual o motivo de terminarem?

— Ahn… Ramon — interrompe Ruf —, acho que já é muita intimidade.

— Não, não é não. — responde Marília. — Já contei isso para um psicólogo. E teria prazer em contar minha história para vocês.

— Deve ser dolorida. — diz Ruf. — Vamos guardá-la para depois.

— Afinal — começa a fala de William —, por que estamos aqui, Ruf?

— Bom… Vamos entrar na cidade que eu lhe mostro.

— Que cidade? — pergunta Ramon.

— A cidade que está logo à nossa frente. Chama-se Cidade Sopa.

— Ah, eu já ouvi falar dessa cidade — diz Marília. — É a cidade com o maior número de obras do Sopa, né?

— Sim, esta mesma — responde Ruf.

— Quem é esse Sopa? — pergunta William. — E que nome estranho para uma pessoa!

— Calma aí… — diz Ruf dirigindo-se aos porteiros e dizendo a eles:— Olá, gostaria de entrar aqui, por favor.

— Sim, claro Ruf. — responde o primeiro porteiro, um homem alto com um bigode de tamanho menor que a distância entre as narinas parecendo um importante personagem da história da humanidade do século XX e uma roupa verde, cor oficial da cidade de Sopa.. — Você é sempre bem-vindo por aqui. Ah, e construíram um novo teatro lá perto do restaurante do Grilão Nervoso, na esquina com a avenida Corte Cidádico. Quando quiser aparecer por lá, minha filha vai estar apresentando o especial de Dia da Puberdade hoje à noite.

— Dia da Puberdade? — pergunta William. — Mas o que é isso?

— Sabe o dia das crianças? — pergunta Ruf.

— Sei… é algo parecido?

— Não, nem um pouco. Mas é uma data comemorativa aqui em Sopa.

— É verdade — diz o mesmo guarda. Ele pega a pistola que tme no bolso e dá um tiro para cima, assustando Ramon, William e Marília.

— Ah! Por que ele fez isso? — pergunta Marília, tampando os ouvidos por causa do susto sonoro.

— Isso é para mostrar que tem gente nova entrando na cidade. — responde o outro guarda. — Assim as pessoas já se preparam para receber vocês de forma amigável. Se não, se elas os encontrassem na cidade, achariam que vocês nos mataram e então tentariam torturá-los até a morte.

— Uau! — diz William.

— É que ele vem da Dimensão 2 — diz Ruf para os guardas.

— Dimensão 2? — responde o primeiro guarda. — Sabe… Eu sempre fiquei pensando como seria essa dimensão…

— Mas agora não temos tempo, Jumuju. — responde Ruf. — Estamos com um pouco de pressa. Obrigado por abrir passagem.

— Você sabe que você é sempre bem-vindo aqui na cidade.

Os quatro entram na cidade de Sopa, sendo Ruf o líder da viagem. Eles atravessam alguns pontos da cidade até chegarem a um lugar sombrio chamado Beco Iluminado.

— O que viemos fazer aqui, Ruf? — pergunta Marília.

— Calma, gente. — diz Ruf, para fazer mais suspense. E solta um peido. Com alguns segundos de silêncio, o cheiro aparece, e então William diz:

— Isso tem cheiro de… Chocolate?

— Tá na minha essência, bro! — responde Ruf. Então uma pessoa misteriosa aparece diante dos quatro. Marília, com medo, começa a se esconder atrás de William.

— Estou com medo, William! — diz ela.

— Não se preocupem, galera — diz Ruf. — Falaê, jovem Pini.

— O quê? — responde a pessoa misteriosa.

— Espere… — diz Ruf, um pouco confuso.— Quem é você?

— Hahahaha — a pessoa misteriosa solta um riso cruel. — Sou alguém que não quer fazer bem a vocês.

— Ah… Ruf? — diz William.

— Acho melhor corrermos! — diz Ruf e em disparada começa a correr na outra direção da pessoa misteriosa, iniciando assim uma perseguição. Os quatro fogem da criatura misteriosa, que nem sabem o rosto, mas sabem que é ameaçadora e isso já é o suficiente. Afinal, se algo te ameaça, por que querer saber como é o rosto? Basta saber que é algo que te ameaça para sair correndo disso. Não faz sentido para para ver como é aquilo que pode te matar se você pode simplesmente sair correndo e evitar que essa coisa te mate de alguma forma, apesar de algumas pessoas não saberem disso. Apesar de que isso causa um prazer instantâneo e gravíssimo. Talvez por isso muita gente faça isso…

Encontrando o portal, Ruf grita para os guardas:

— Fechem! Estão nos seguindo para nos matar!

Os guardas esperam os quatro saírem da cidade para fecharem o portal, deixando a criatura para dentro da cidade. Porém a criatura não é vista por eles, pois simplesmente desaparece quando o portal se fecha.

— Conseguimos fugir — diz Ruf, ofegante.

— Mas afinal, o que aconteceu aqui? — pergunta Ramon.

— Ruf, precisamos de uma explicação lógica! — diz William.

— Pini é um dos caras que eu conheço. Ele conhece o esquema do Cinema de Cheiro e poderia nos ajudar a encontrar um meio mais fácil de saber em que lugar das dimensões o Cheiro da Morte tem se espalhado.

— Espere — diz William. — E você não fez isso antes?

— Não podia fazer! — responde Ruf.

— E por que não? — pergunta William.

— Porque… — Ruf tenta encontrar uma justificativa plausível. — existe uma justificativa plausível para isso…?

— Ah, Ruf! — diz William. — Você podia ter procurado antes. Agora vamos demorar mais ainda para encontrar essas coisas.

— Olha aqui, William, em primeiro lugar eu estava sozinho nessa missão e as coisas estavam meio confusas para mim. Eu não sabia o que fazer! E além disso, eu tive diarreia…

— O quê? — diz William, irritado. — Quer dizer que isso foi por causa de uma diarreia?!

— Problemas intestinais,, cara! Poxa vida, não posso tê-los em paz?

— Ah… — responde William, agora voltando a um nível de humor menos irritado — foi mal… Eu… Acho que exagerei um pouco…

— Tudo bem, cara — diz Ruf.

— Galera — diz Marília —, que tal irmos para a dimensão Pixel agora? Pode ser que encontremos algo por lá.

— Não, Marília — responde Ruf. — Antes precisamos de algumas coisas a mais.

— Eu posso ajudá-los — surge uma voz no ar. De repente, Ruf reconhece a voz e quando vê quem é, logo se alegra.

— Jurássico!

— É… — responde Jurássico.

— Quer dizer que você sobreviveu? — pergunta Ruf.

— Mais ou menos… — responde ele. — Os inimigos são muito brutos. Mas mesmo que a tortura pareça eterna, uma hora ela acaba.

— Cara, é muito bom saber que você está vivo!

— Ah, e eu estou com um problema de gases, então… — diz Jurássico e peida. Em alguns segundos, William logo diz:

— Caramba! Parece que alguma coisa está apodrecida por aqui!

— É que meu interior é podre mesmo. — responde Jurássico.

— Esse é o cara mais mal-caráter que eu já vi na vida! — diz Ruf.

— Espere… — William toma a palavra — se ele é mal-caráter, por que você anda com ele?

— Eu aprendi que amigos são amigos.

— Na verdade, eu o ameacei de morte… — responde Jurássico. — E a família dele também. Aí então ele começou a ser meu amigão! Né, Ruf?

— Talvez… — responde Ruf.

— Mas então… No que você pode nos ajudar, Jurássico? — pergunta William.

— William — diz Ruf —, o cara é mal-caráter. É claro que ele estava mentindo! — Então Jurássico dá uma gargalhada e diz:

— Por isso que eu gosto desse Ruf! O cara me conhece!

— E eu gostaria que você não conhecesse minha família! — diz Ruf em baixo tom.

— Mas você sabe que eu posso matá-los, né?

— Não se você não for à minha dimensão, Jurássico.

— Pois é… Saiba que eu comprei uma Máquina do Tempo e estou podendo viajar para onde eu quero!

— O que eu faço para você não ameaçar mais a minha família e a mim?

— Para eu parar de ameaçar sua família por mais um ano, preciso de cinco mil adlaremses.

— Mas… Onde eu vou conseguir esse dinheiro? Só se eu roubar um banco ou algo do tipo!

— Os meios não são comigo… Te vira, chocoboy!

— Ah… Galera — diz Ruf dirigindo-se aos outros três —, parece que vamos ter que ficar por aqui um tempo a mais. Precisamos desse dinheiro para salvar minha família.

— Tamo dentro — responde Marília. — O que faremos então?

Notas finais
Se você percebeu, Ruf ainda não explicou sobre Sopa.