Mais um verão
18 Blackjack pousa no meio de uma floresta
PERCY
–Narrator-
ERA MEIO-DIA DE UM SÁBADO, SEIS DE JULHO. PERCY E ANNABETH ESTAVAM MONTADOS EM BLACKJACK, viajando para o outro lado do país. Eles tinham deixado o lugar que haviam passado a noite anterior bem cedo, pois Annabeth falou que quanto mais rápido eles chegassem à São Francisco, melhor seria. Eles passaram minutos em silêncio. Até por que não se tem muito como conversar quando se está montado em um pégaso. O som do vento, e o fato de não poder olhar nos olhos de Annabeth fizeram com que Percy não dissesse nada. Depois de mais alguns minutos em silêncio, Annabeth viu Blackjack falando com Percy, pelo menos ela pensava que o pégaso estava falando com ele.
– Bom... Tenho uma notícia, e não é nada boa. — falou Percy.
– O que é? — perguntou Annabeth, curiosa.
– Blackjack está cansado. Desde manhã estamos voando. Ele disse que tem que descer antes que...
– Antes que caia no chão e nos mate. Certo, acho que descer para descansar não vai fazer mal algum. — disse Annabeth, e Percy sorriu.
Blackjack pousou no meio de uma pequena clareira em uma floresta.
– Não tinha uma cidade ou algum lugar civilizado para descermos, Blackjack? — perguntou Percy, olhando para todos os lados.
O pégaso relinchou e balançou a cabeça, negativamente.
– Ótimo. — Annabeth falou, olhando para os lados.
– Você tá com fome? Nós podemos colher algumas daquelas frutas e comer. — disse Percy, apontando para umas árvore que estavam à uns dez metros de distância.
– Certo. Eu colho as frutas, e você procura água. Nossas reservas estão se esgotando. — falou Annabeth, tirando algumas garrafas vazias de sua mochila.
Percy assentiu. Ele tirou a mochila das costas e jogou-a no chão. Disse para Blackjack que quando precisasse dele o chamaria, e então o pégaso voou para longe. Percy pegou as garrafas e saiu andando pelo meio da floresta, indo para um local onde ele sentia água doce e corrente, enquando Annabeth foi colher as frutas para o almoço. Poucos minutos depois, Percy avistou um rio, encheu as garrafas com água e voltou para o pequeno acampamento.
– Você já colheu as frutas? — Percy perguntou surpreso.
– Sim. É potável? — Annabeth perguntou, enquanto pegava as garrafas de água da mão de Percy.
– Aham. Aprovada por mim mesmo. — disse o garoto, sorrindo.
Eles estenderam uma toalha sobre a grama e sentaram. Lavaram as frutas, e já estavam prontos para comê-las. Percy pegou uma das maçãs que Annabeth colheu e mordeu.
– Hum, delícia! — falou Percy, comendo a maçã. Annabeth riu. — Não é um grande almoço, mas estas frutas até que estão gostosas.
Ela também pegou uma maça. Mordeu e sorriu, concordando com a opinião do garoto. Quando terminou de comer, Percy deitou na grama, e ficou olhando para o céu.
– No que você está pensando? — perguntou Annabeth.
– Ah, várias coisas.
– E eu não posso saber, Percy Jackson?
– Claro que pode. Estou pensando no Acampamento... No capture a bandeira de ontem... Quem será que venceu?
– Talvez nós possamos mandar uma mensagem de Irís para Quíron e... — falava Annabeth, quando foi interrompida.
– Ótima ideia! Vamos falar com Quíron!
*****
No Acampamento, Quíron estava sentado à mesa na varanda da Casa Grande, junto de Dionísio, e estavam aparentemente, jogando cartas. O centauro se surpreendeu quando viu a imagem de Percy e Annabeth surgindo à sua frente, mas logo sorriu e falou.
– Percy, Annabeth! Que bom vê-los! Como estão as coisas?
– Olá Quíron. Está tudo bem. Ligamos para dizer que estamos em algum lugar de... Bom, ainda não sabemos que lugar é este. — falou Annabeth. -
– Mas Blackjack disse que já estamos quase na metade do caminho. E sobre o Acampamento, está tudo bem? — completou Percy.
– Fico feliz em saber que tudo está bem. Por aqui também estamos bem. E vocês foram atacados por monstros? — perguntou Quíron.
– Não. Talvez pelo fato de estarmos na maior parte do tempo voando... — disse Annabeth.
– É. Tem razão. Bom, agora tenho que continuar com meu jogo de cartas. Estou feliz por revê-los. E encontrem aqueles semideuses e tragam eles para o Acampamento o mais rápido possível! — disse Quíron.
– Está bem, até mais, Quíron. — falou Percy, passando a mão pela imagem e a desfazendo.
– É bom saber que está tudo bem por lá. — falou Percy, deitando-se sobre a grama.
– Você tem razão. — falou Annabeth, deitando-se ao seu lado e fazendo carinhos em seu rosto.
– Eu... Eu não entendo. — disse Percy. — Eles podiam mandar algum sátiro para resgatar esses semideuses... E mandaram nós dois. Por quê?!
– Você não gostou de ter vindo comigo, Percy? — perguntou Annabeth, agora olhando para o céu.
– Não, não é isso. Eu só acho que Quíron não precisava nos mandar para o outro lado do país para acharmos semideuses. — falou Percy, explicando-se.
– Talvez eles sejam extremamente importantes, e Quíron nos mandou para ter certeza de que eles ficariam bem. — disse Annabeth, voltando à acariciar Percy.
– Que bom que tenho você aqui comigo, Annabeth. — disse Percy.
Eles estavam exaustos por ter viajado em um pégaso durante toda a manhã. Estavam deitados, um do lado do outro, e então, eles adormeceram. Percy teve um sonho, mesmo não sendo noite. Ele viu dois adolescentes, um garoto e uma garota, andando e conversando. Pareciam bastante amigos, ou namorados. Percy não sabia. No mesmo momento, Percy pensou que eles eram os dois semideuses que ele e Annabeth estavam procurando. O sonho durou apenas alguns minutos, mas Percy pôde ouvir uma parte da conversa dos dois jovens.
– E como você conseguiu aquela lança, Andrew? — perguntou a garota.
– Antes de fugir, eu ganhei aquela moeda da minhã vó. Ela disse que quando eu precisasse de proteção, poderia usá-la, eu só não sabia que a moeda poderia se transformar em uma lança e destruir aquelas coisas. De todo modo, agora eu posso me proteger, e te proteger. — falou o garoto, corando um pouco depois de perceber o que havia dito. — Bem... E você, tem algo parecido com aquela moeda? — perguntou o garoto, Andrew, tentando mudar de assunto rapidamente.
– Não... — ela falou, e então, Percy acordou.
Ele viu que Annabeth ainda estava dormindo. Ele se sentou sobre a grama, e pensou que um pouco sobre o sonho que acabara de ter. Eram quatro da tarde. O sol ainda estava alto no céu. Instantes depois, Annabeth acordou e também se sentou.
– Está tudo bem, Cabeça de Alga? — perguntou Annabeth.
– Sim. Eu só... — tentou falar Percy.
Percy rapidamente levantou-se, pegando Contracorrente, que estava em seu bolso, pois três lestrigões vinham em direção à ele e Annabeth. A garota percebeu a movimentação dos monstros, e rapidamente pegou sua adaga.
– De onde eles surgiram? — perguntou Annabeth.
– Não faço ideia, mas o que você acha de destruí-los e depois dar o fora daqui? — perguntou Percy, indo em direção ao primeiro lestrigão.
O lestrigão levantou os braços, como se estivesse se aquecendo para a batalha. Percy foi mais rápido, e deu um golpe com Contracorrente no peito do monstro. Acabar com o segundo também não foi difícil, pois assim que retirou a espada do peito do primeiro monstro, Percy atacou o segundo lestrigão, cortando o pescoço. Os dois monstros que Percy derrotara viraram pó. Do outro lado, Annabeth dava facadas com sua adaga no terceiro lestrigão. Ele conseguiu acertar um golpe, e quando estava prestes a bater em Annabeth, Percy se jogou na frente, evitando o golpe em sua namorada.
– Percy, por que...
– Vai! Acaba com ele logo! — disse Percy, deitado no chão, enquanto se contorcia de dor.
Annabeth obedeceu, e deu uma facada certeira no peito do lestrigão. Como os outros, ele virou pó e desapareceu. Annabeth rapidamente se abaixou para ajudar Percy, que ainda estava deitado no chão, com uma mão sobre o peito. Annabeth tirou a camisa do namorado, e viu um grande vermelhão no local onde o monstro o atingiu. Ela foi até a sua mochila, pegou um pouco de ambrosia e fez com que Percy comesse.
– Por que você fez isso? Poderia ter tido uma fratura... — disse Annabeth, colocando a ambrosia na boca de Percy, mas sua fala foi interrompida pelo garoto.
– Eu não podia deixar aquele monstro te machucar, Annabeth. — disse Percy, depois de comer a ambrosia.
– Mas... — ela tentou protestar.
– Sem mas, sabidinha. Eu já estou bem, não tá vendo? — falou Percy, forçando um sorriso.
Depois de comer a ambrosia, Annabeth fez com que Percy tomasse um pouco de néctar. Ele bebeu um pouco. Mesmo ainda se recuperando, Percy parecia estar feliz por ter lutado com os lestrigões.
– Pronto, já to bem. Finalmente pudemos lutar contra monstros! Já tava ficando chato... — dizia Percy.
– Não ouse dizer que queria lutar com mais monstros, Perseus Jackson! — disse Annabeth.
– Tá bom, tá bom! Me desculpa, tá? Agora guarda isso, talvez os semideuses que vi no meu sonho... — disse Percy, dizendo para Annabeth guardar o restante o néctar.
– Semideuses em seu sonho? Então era sobre isso que você ia falar antes dos três monstros aparecerem? — perguntou Annabeth.
– Sim. Eu vi dois adolescentes, um garoto e uma garota, andando pelas ruas. Não sei que lugar era, mas como fomos mandados para São Francisco, deve ser lá. — falou Percy, Annabeth assentiu. — Mas agora vamos sair daqui, estamos chamando a atenção dos monstros aqui parados.
Minutos depois, eles estavam novamente montados em Blackjack, prontos para mais algumas horas de viagem.
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