Mais um verão
30 A volta ao Acampamento Meio-Sangue
ANDREW
–Narrator-
ANDREW ESTAVA ANSIOSO, E COM MEDO. Dois dias já haviam se passado, e ele e os outros ainda navegavam no Large Ship, nome que Percy havia dado ao navio que ganhara de seu pai. Nesse momento, Andrew estava na proa do Large Ship, observando o mar e pensando. Ele pensava na sua avó, pensava no dia que deixara aquela grande casa em San Jose, e também se lembrava do dia em que se encontrou com Sophia. Desde aquele dia, ele assumiu a responsabilidade de proteger Sophia de qualquer monstro que aparecesse em sua frente, e que pudesse ameaçá-la. Não fazia tanto tempo desde que eles se encontraram pela primeira vez, mas Andrew já começou a notar que ele gostava mesmo dela. Ele sabia que quando eles chegassem ao Acampamento Meio-Sangue, Sophia com certeza faria novos amigos. Ele estava com medo de que ela conhecesse essas novas pessoas, e o abandonasse, o rejeitasse como amigo. Já eram três da tarde, quando Andrew notou alguém se aproximando.
– Ei, tudo bem? – perguntou uma doce voz, que fez Andrew se sentir melhor instantaneamente.
– Uh, sim. – falou, virando para o lado e encontrando Sophia. Quando viu a garota, Andrew entrou em transe. Sophia estava linda. Seus cabelos castanho-escuros estavam soltos, caindo sob seus ombros, sendo iluminados pelos raios de sol daquele dia ensolarado. Sua pele clara também recebia os raios de sol. – Você... Você está linda. – Sophia corou um pouco.
– O-obrigada. – ela disse, sorrindo. — Annabeth falou que em poucos minutos já devemos estar chegando ao Acampamento Meio-Sangue! – ela dizia com entusiasmo. Seus olhos cor de âmbar brilhavam.
Andrew virou-se, voltando a olhar para o mar.
– Ah, que bom. – ele disse, friamente.
– Tem certeza de que está tudo bem? – Sophia perguntou, andando mais alguns passos, ficando lado a lado com Andrew.
– Claro. Estamos chegando ao Acampamento, você vai fazer novos amigos... Por que não estaria bem? – respondeu Andrew, um pouco grosso.
– Você parece estranho.
– Não, eu sou assim mesmo. – ele disse. Sophia assentiu, sem concordar.
– Nós vamos comer alguma coisa lá dentro, por que você não vem também? – a garota perguntou.
– Pode ir. Vou ficar aqui mais um pouco. – Andrew disse, sem olhar para Sophia.
– Se precisar de alguma coisa...
– Não vou precisar de nada.
– Mas se precisar...
– Eu já disse que não vou precisar! – ele disse, com o tom de voz elevado.
– Tá bom, calma! – ela falou, levantando as mãos.
– D-desculpa, é que eu... – Andrew percebeu que havia sido grosso com Sophia, e se desculpou. – Sabe... Quando chegarmos ao Acampamento, com certeza você vai fazer novos amigos, já que você é muito simpática... – Sophia escutava parada. Agora estavam um de frente para o outro, muito próximos. – E... Eu tenho medo de te perder pros outros e...
– Me perder pros outros? – ela perguntou confusa.
– Sim, bem... – ele dizia, sem jeito. Seu coração estava acelerado. – Quando você fizer novos amigos, conhecer novas pessoas... Tenho medo de que você comece a andar com eles... E me esquecer...
Sophia sorriu.
– Como ela é linda... – Andrew pensava.
– Foi você quem me salvou daqueles monstros, quando nós nos conhecemos. – ela falou. – Se você não tivesse chamado a atenção deles, com certeza eu estaria morta agora. Como posso te esquecer?
– Bom, eu...
– Finalmente, o Acampamento Meio-Sangue. – falou Percy, aproximando-se de Andrew e Sophia. – Ah, desculpem... Eu atrapalhei alguma coisa? – Annabeth, que estava ao lado de Percy, sorriu. Andrew e Sophia coraram, e se afastaram rapidamente.
– Não... Nós só estávamos... – Andrew ainda estava muito vermelho.
– Conversando. – completou Sophia, também vermelha. Muito vermelha.
– Tudo bem então... – falou Percy.
– Mas você disse... Acampamento? – perguntou Andrew.
– Ah, sim. Chegamos. – falou Annabeth, apontando para a ilha que estava a mais ou menos quinhentos metros do Large Ship.
– Nossa... – impressionou-se Sophia, olhando para o grande pavilhão-refeitório, ao longe.
Andrew também estava muito impressionado.
– Finalmente! Já estava com saudades... – falou Percy, com os olhos fechados e braços abertos, sentindo apenas o cheiro do mar.
– O-o que vocês fazem ali? – perguntou Andrew, apontando para o grande pavilhão-refeitório.
– É ali que tomamos café, almoçamos e jantamos todos os dias. – respondeu Annabeth. Andrew e Sophia assentiram.
Os dois novos semideuses olhavam admirados para a grande construção enquanto o Large Ship se aproximava da praia dos fogos de artifício. Poucos minutos depois, o navio já havia chegado à praia. Um grande número de semideuses chegou à praia.
– São eles! Percy, Annabeth! – gritou Grover.
– Grover! – os dois semideuses gritaram juntos, acenando.
– Que bom que estão bem. – falou Samara, aproximando-se de Grover.
– S-sim... – o sátiro respondeu.
Ainda a bordo do Large Ship, Andrew esfregava os olhos, como se não acreditasse no que estava vendo.
– Aquele... Aquele homem tem pernas de bode!? – ele gritou, admirado.
Percy e Annabeth sorriram.
– Ele é um sátiro. Metade homem, metade bode. – respondeu Annabeth.
– Mas eu pensei que eles só existissem... – dizia Sophia.
– Na mitologia grega. – completou Annabeth. – Nós vivemos a mitologia nos dias atuais. – Andrew e Sophia assentiram, chocados.
– Se os monstros existem, por que os sátiros também não poderiam existir?! – falou Percy. – Agora vamos! Temos muitas coisas para ver.
Poucos minutos depois, Percy e Annabeth já estavam na praia, cumprimentando os semideuses do Acampamento. Andrew e Sophia estavam logo atrás, olhando para o sátiro que se aproximava deles.
– Percy, Annabeth! – gritou Grover.
– Amigão! – disse Percy, abraçando Grover.
– Que bom revê-lo, Grover! – falou Annabeth logo depois, também abraçando Grover.
– Ei... Também estou aqui! – disse Samara.
– Samara! – correu Percy, para abraçar a jovem filha de Afrodite. Annabeth não gostou muito disso, Percy percebeu e logo se separou da linda garota de olhos azuis.
– Vejo que tiveram êxito em sua missão. – disse uma voz bastante conhecida pelos semideuses, e todos eles abriam espaço para que o dono daquela voz se aproximasse de Percy e Annabeth.
– Quíron! – disseram os dois jovens, tentando abraçar o centauro.
Andrew e Sophia pareciam não acreditar naquilo tudo. Antes, haviam visto um sátiro, e agora, um centauro. Mesmo eles sabendo que monstros existiam, parecia complicado aceitar a hipótese de conviver com sátiros e centauros.
– Então já estão de volta, Peter e Annabell. – falou outra voz também conhecida, mas não muito apreciada.
– Sr. D... – falaram todos, menos Andrew e Sophia, que pareciam assustados. O homem estava um pouco acima do peso, usava uma bermuda havaiana, e camisa branca. E nas mãos, tinha uma lata de Diet-Coke.
– Sim, o Grande Sr. D! – ele exaltou-se.
– Hum, claro. – todos falaram.
– Bem... Esses são Andrew e Sophia! – falou Percy, puxando os dois semideuses para frente de Quíron.
– O-olá... – disse Sophia, timidamente.
– Oi... – falou Andrew.
– Sejam bem-vindos, novos semideuses! – Quíron falou. – Me chamo Quíron. Sou o diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue.
– O-obrigado... – disseram Andrew e Sophia, juntos.
– Aqui será a nova casa de vocês. – falou Sr. D, se intrometendo na conversa de Quíron e os novos semideuses. – Vocês devem treinar e treinar, morrer, digo, treinar...
– Sr. D, menos. – disse Quíron. – Eles são novos aqui. Não os assuste.
– Ah, desculpem. Minha intenção sempre, digo, nunca foi essa. – disse o deus do vinho, afastando-se.
Percy e Annabeth sorriram.
– Percy, Annabeth, o que acham de levar Andrew e... – dizia Quíron.
– Sophia. – a garota completou.
– Sim, Sophia. O que acham de levar Andrew e Sophia por um rápido tour pelo Acampamento, e nos encontrar na hora do jantar no pavilhão-refeitório? – propôs Quíron.
– Tudo bem! – falou Percy.
– Não há problema. – completou Annabeth. – Vamos. Vocês têm muito para ver.
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