Mais um verão

12 O problema de Silena


Notas iniciais
Mais um cap

PERCY (Point of View)

Annabeth e eu estávamos conversando sentados na grama, num lugar próximo ao bosque. Mas de repente, Samara chegou gritando algo parecido com "Silena está com problemas, ajudem!" e eu pensei "Nossa, o Acampamento deve estar sob ataque." e "Alguém deve ter a sequestrado...". Me levantei junto com Annabeth e acompanhamos Samara até o chalé de Afrodite. Ao chegar, me surpreendi com o motivo da gritaria. Havia uma aranha em cima da cama de Silena. Quando Annabeth a viu, começou a gritar como as outras garotas que estavam no chalé.

– Então vocês estão com medo de uma aranha? — perguntei.

Silena corria para todos os lados gritando. A aranha parecia assustada com aquilo tudo. Ela não era muito grande, peguei e levei até a janela, e lá deixei o pequeno aracnídeo viver sua vida.

– Pronto. Não está mais aqui. Podem descer das cadeiras. — falei.

Acreditem ou não, as garotas, inclusive Annabeth, estavam em cima de cadeiras por causa de uma pequena e inofenciva aranha.

– Tem certeza? — perguntou Annabeth, com os olhos fechados.

– Tenho. Podem descer. — falei, meio que entediado.

Poxa, eu estava junto da garota que eu amo, e de repente alguém chega e estraga o momento dizendo que uma de nossas amigas estava em perigo, e quando chegamos ao local do acontecimento eu descubro que era só uma aranha? Ah, isso irrita qualquer um. Como o "invasor" (jeito como as garotas do chalé de Afrodite chamaram a aranha) já havia sido retirado, Annabeth e eu deixamos o chalé e voltamos a andar pelo Acampamento, conversando. Eu ri um pouco lembrando desta cena: Annabeth em cima de uma cadeira com medo de uma aranha.

– Do que você tá rindo? — perguntou Annabeth.

– Sabe, é engraçado. Uma semideusa poderosa como você, com medo de aranhas. — falei. Isso a deixou irritada.

– Ora, cale-se. — ela disse fechando a cara.

– Tá bom, tá bom. — falei, e ela deu um soco no meu braço — Ai, calma! Eu tava só brincando!

Continuamos a andar, e logo consegui fazer Annabeth ficar mais feliz e esquecer do incidente da aranha. Já estava ficando tarde. Quase hora do jantar. E aquele seria o primeiro jantar da minha vida em que eu teria uma namorada. Ainda era difícil acreditar que eu estava namorando Annabeth, pois fomos amigos por vários anos (desde que entrei no Acampamento, com doze anos, para ser mais exato) e eu não sei se o fato de agora sermos namorados poderia prejudicar nossa amizade. Mas acho que não.

– Cabeça de Alga, está me escutando? — falou Annabeth.

– Eu já te disse que não gosto que me chame assim! — falei, tentando parecer irritado. Parece imbecil, mas de alguns dias pra cá ficou mais difícil de me irritar com Annabeth, e especialmente agora que somos namorados, não havia motivo para me irritar com ela.

– Você gosta, você sabe que gosta. — falou Annabeth, rindo pra mim. Nossa, aquele sorrindo lindo me deixava apaixonado. Fiquei alguns instantes o observando, até que ela se virou pra frente e continuamos a andar. Espero não ter ficado com cara de idiota, mas o que posso fazer? — Bom já tá quase na hora do jantar. É melhor irmos para o refeitório. — disse Annabeth, e eu concordei.

Quando chegamos ao pavilhão-refeitório de mãos dadas, alguns boatos puderam ser ouvidos.

– Eles estão de mãos dadas, será que Percy abriu os olhos? — falou uma garota, eu não sabia de que chalé era, mas aquele comentário me deixou irritado. Como assim "abriu os olhos"? Só por que comecei a namorar com Annabeth agora não quer dizer que meus olhos estavam fechados. Nestes anos passei por casos mais graves que não ter uma namorada. E na maioria destes casos eu quase morri.

Eu e Annabeth fomos até a mesa de Poseidon, vários outros campistas comentando algo sobre nós. Isto estava me irritando.

– Atenção, atenção! — começou Quíron. — Temos algumas mudanças e vamos discuti-las hoje após o jantar.

– Como assim mudanças? — perguntou um garoto do chalé de Apolo.

– Bem, nem tudo dura para sempre, não é? Alteramos algumas regras do Acampamento Meio-Sangue e queremos debatê-las após o jantar. — disse Quíron.

– Como se fosse necessário. — começou Dionísio — Eles não precisam e nem vão interferir em nenhuma decisão!

– É verdade, mas quero que saibam antes delas entrarem em vigor.

Todos os campistas presentes começaram a comentar sobre essas "mudanças".

– O que será? — um campista de Ares falou.

– Hum, deve ser importante. — um campista de Hypnos comentou.

– Atenção! — falou Quíron, mantendo a ordem. — Vamos falar sobre isto após o jantar. Agora se dirijam à fogueira para fazerem suas oferendas aos deuses.

Como Quíron falou nos levantamos e organizados em filas, fomos até a fogueira fazer nossas oferendas. Na minha vez, joguei uma grande fatia de pizza.

– Poseidon. — falei baixinho — E Afrodite também. — ora, a deusa do amor me convidou para tomar chá e falar um pouco sobre o que eu sinto por Annabeth. Não foi de grande ajuda, mas quis amenizar minha dívida com Afrodite.

Quando todos voltaram à suas mesas para enfim poderem jantar, algumas amigas de Annabeth (provavelmente do chalé de Athena) a puxaram para a mesa de Athena. Annabeth quis protestar, mas eu falei...

– Tudo bem. Te vejo depois do jantar. — ela me deu um beijo, coisa que com certeza afirmou os rumores de estarmos namorando, e seguiu junto com as amigas para mesa de Athena, me deixando sozinho e livre para pensar enquanto estava me dirigindo à mesa de Poseidon.

– Bom, tenho uma namorada, mas vou jantar sozinho, tudo bem, tudo bem. — suspirei. Mas eu não iria jantar sozinho. Após alguns segundos, Grover sentou-se junto a mim e começamos a conversar.

– Acho que você já deve ter notado que alguns campistas acham que você e Annabeth estão namorando. — falou Grover, enquanto devorava uma lata de Diet Coke — À propósito, aceita? — disse o sátiro me oferecendo parte de sua latinha.

– Parece apetitoso, mas não. Obrigado. — disse, tomando uma nova bebida que haviam acrescentado ao cardápio naquele dia, era azul. Coisa que me deixava feliz. — E sobre os campistas acharem que Annabeth e eu estamos namorando, — hesitei em continuar, pois nem eu mesmo parecia acreditar — é verdade.

– O que é verdade? — disse Grover, colocando o último pedaço da lata na boca.

– Eu e Annabeth estamos namorando. — falei, e o sátiro quase se engasgou.

– É sério!? — falou Grover, surpreso.

– Você fala como se eu nunca fosse namorar alguém. — disse.

– Não cara, não é isso! Eu sempre soube que você gostava de Annabeth, só me surpreendi um pouco por saber agora que vocês estão namorando! Parabéns, cara! — falou Grover.

– Obrigado. — falei, e continuamos conversando.

A noite foi caindo, e já havíamos terminado de jantar. Nós fomos mandados para um lugar que eu nunca havia notado no Acampamento Meio-Sangue, eu acho que era uma nova construção. Ficava após as lavouras de morango. Eu estava do lado de Grover, enquanto todos nós andávamos em direção à nova construção. À medida que nos aproximavámos, foi possível ver o templo — não sabia se era um templo, mas parecia. — Realmente era uma nova construção. As paredes eram feitas de tijolos de pedra, um estilo bastante antigo (normal, já que nós lidávamos com deuses e outros fatos mitológicos). Quando nos aproximamos da entrada, Annabeth se juntou à nós.

– Oi! — falou minha namorada, sorrindo.

– Oi. — disse.

– Annabeth! Parábens pelo namoro com Percy! — disse Grover, bastante animado. Annabeth corou um pouco, e não posso negar: eu também.

– O-obrigada. — falou Annabeth.

– Bom, que lugar é este? — perguntei.

– É uma nova construção. — disse Grover.

– Obrigado. Eu juro que não sabia disso. — falei, Annabeth riu um pouco.

– É um templo para Dionísio. — falou Annabeth.

– Por que para Dionísio? — perguntei meio indignado.

– Por que ele mandou construir, ora. — falou Grover.

– Foi construído durante o período onde todos nós estámos fora do Acampamento. — disse Annabeth, complementando a explicação.

– Realmente... Eu acho que se tivesse sido feito enquanto estávamos aqui eu teria notado. — falei, e Annabeth me deu uma tapinha no ombro.

– A maioria dos campistas também não sabia que esta construção existia. — disse Annabeth, quando entramos no templo de Dionísio.

O lugar tinha um aroma de uvas, normal, pois era templo do deus do vinho, e no centro da construção havia uma estátua de Dionísio.

– Obrigado, obrigado. — falou Dionísio enquanto os campistas observavam a estátua — Sei que sou lindo, até em estátuas.

– Isso não é justo! — falei — Por que os outros deuses também não têm templos aqui?

– Em breve terão. Isto é questão de tempo — falou Annabeth como se o fato de Dionísio ter o primeiro templo da história do Acampamento Meio-Sangue fosse absolutamente normal.

– Sabe Percy, Dionísio é o diretor do Acampamento. É normal ele ter alguns privilégios em relação a isto.

– Tudo bem, já entendi. — falei.

Dentro do templo, Quíron subiu em um altar e tomou a palavra.

– Atenção, semideuses! Hoje é um dia muito especial, pois estamos inaugurando o templo de Dionísio, junto da queima de fogos!

Quando ouvi Quíron falar isto, lembrei que hoje é quatro de julho. Dia da queima de fogos. Como eu posso ter esquecido isto!? Porém, vários outros campistas também haviam esquecido, e outro, no caso novatos, não sabiam o que significava.

Bom, quatro de julho é o dia da queima de fogos do Acampamento Meio-Sangue, uma antiga tradição. E hoje era este dia. Annabeth, eu e vários outros campistas chegamos no Acampamento no dia um de julho, e faziam quatro dias que estávamos aqui.

– Nossa, eu esqueci que hoje é quatro de julho. Eu não chamei ninguém para a queima de fogos. — falei, coçando a cabeça, pondo ênfase na parte de não ter ninguém para levar à queima de fogos. — Será que Samara já tem companhia?

– Se é assim, não fale mais comigo! — disse Annabeth, virando o rosto e começando a andar para longe de mim. Rapidamente puxei seu braço.

– Ei! Eu tava brincando! Vem cá! — puxei Annabeth pra perto de mim e dei um beijo nela. — Eu não chamaria mais ninguém pra queima de fogos além de você. Eu te amo.

– Poxa, ela esquenta com tudo! Até com brincadeira! — disse Grover.

– Cale-se, menino-bode! — falou Annabeth.

– Atenção! — disse Quíron, chamando a atenção de todos os outros campistas que conversavam sobre a queima de fogos. — E amanhã iremos realizar um Capture a bandeira. Agora podem se dirigir à praia dos fogos de artifício. Falaremos sobre as mudanças na praia.

Notas finais
Fim. Domingo tem mais três capítulos novos o/