Mais um verão
9 Em busca de Annabeth, parte 2: Mas Dionísio ajuda
Notas iniciais
"Em busca de Annabeth, parte 2: Mas Dionísio resolve ajudar"
PERCY (Point of View)
Eu não entendo como às vezes consigo ser tão estúpido. Deixei o Acampamento acompanhado por Samara para procurar Annabeth, mas não sei onde ela está.
- E agora, o que fazemos? – perguntou Samara.
- Eu... Eu não sei. Desculpe. – respondi.
- Isso foi um vacilo, mas não vou culpá-lo. Sei que está preocupado com a Annabeth. Agiu por emoção, sem saber o que estava fazendo. Mas agora não podemos simplesmente voltar como se nada tivesse acontecido. – falou Samara.
Ela tinha razão, e eu não estou dizendo isto por causa do charme. Não podíamos voltar para o Acampamento Meio-Sangue e falar: “Ah, Quíron, nós fugimos do Acampamento em busca da Annabeth, mas quando percebi que não sabia onde procurar eu resolvi voltar. Sobraram alguns bacons? Estou com fome, fugi sem tomar café.”.
- E agora, o que fazemos? – perguntei.
- Eu não sei! Você que deveria responder isso. Pelo menos, você sabe para onde Quíron mandou Annabeth e aquele garoto? – respondeu perguntando.
- Bom... Eu me lembro de ter escutado algo sobre Manhattan. É isso. A Annabeth está em Manhattan.
- Então sabemos aonde ir. Manhattan.
Eu não fazia ideia de como chegar à Manhattan junto de uma garota irritada só pelo fato de sairmos do Acampamento sem rumo. Isso não era tão grave... Quer dizer, era sim. Mas estamos indo bem! Bom, não estávamos indo bem... Mas, ah! Deixa pra lá.
*****
Eu e Samara estávamos andando, quando algo inusitado aconteceu. Senti um cheiro de uva no ar, e notei que tínhamos parado em frente a um jardim repleto de videiras. Por um momento, pensei no Sr. D. Dionísio, deus do vinho. Nunca pensei que diria isso, mas se eu pudesse vê-lo, ficaria bastante agradecido, pois ele poderia ajudar a encontrar Annabeth, pelo menos, se ele quisesse.
- Seria um bom momento para aparecer, Dionísio. – falei.
Samara parecia não entender. Eu expliquei que Dionísio era o deus do vinho, e que talvez ele pudesse ajudar a encontrar Annabeth.
- Você acha mesmo que ele pode nos ouvir? – perguntou Samara.
- Eu não sei... Mas você só descobre se tentar, não? – disse, tentando parecer confiante, mas não estava. Como um deus, não tão importante ou ocupado por ser apenas o deus do vinho, mas mesmo assim, poderia nos ouvir só por estarmos próximos a videiras? Isso é impossível!
- Na verdade não é, Peter Johnson. – falou uma voz familiar – ao ouvir aquilo, entendi definitivamente que nada era impossível.
- S-Sr. D? – perguntei, com a voz trêmula.
- O próprio, ora. – falou Sr. D, se materializando bem na frente de Samara, que parecia não acreditar no que via. – Você está bem, garota? Parece até que viu um fantasma. Ora, nunca viu um deus?
E ela nunca vira um deus. Especialmente um deus se materializando em sua frente. Expliquei a Dionísio que ela ainda era nova no Acampamento, não conhecia muitas coisas e que nunca tinha visto um deus em sua frente.
- Entendo. Pois bem, prazer. Como deve ter ouvido falar, sou Dionísio, deus do vinho e diretor do Acampamento Meio-Sangue. – falou o deus.
- E-espere... Se você é o diretor do Acampamento, o que está fazendo aqui? – perguntou Samara, um pouco desconfortável, parecia ainda não acreditar que aquele homem acabara de se materializar na sua frente.
- Bem, eu estive os vigiando desde que saíram do Acampamento, sem a permissão de Quíron. – falou Dionísio.
- E está aqui para nos punir antes mesmo de voltarmos ao Acampamento, não é isso? – perguntei.
- Bem, isto seria uma boa ideia, mas infelizmente não é isso. – falou o deus – Sinto que devo lhe ajudar a encontrar aquela garota, a Annabell, pois ela é uma semideusa importante para o Acampamento, oh deuses, não acredito que estou dizendo isto... – falou Dionísio, baixinho.
- O que disse? – perguntei.
- Nada. Tenho que ajudar por que ela é importante, além do fato de você parecer bastante preocupado com ela.
Eu senti meu rosto ficando quente, admito. Olhei para baixo, tentando disfarçar.
- É Annabeth. – corrigi.
- O quê? – perguntou Dionísio.
- É Annabeth, não Annabell. – expliquei.
- Que seja. – falou o deus.
- E o que você pode fazer por nós? – perguntou Samara.
- Bem, não muito, mas o suficiente para que encontrem a Anniebell. – falou Dionísio, estendendo as mãos. Quando abriu, percebi que conhecia aqueles objetos. Eram pérolas de Perséfone, que poderiam ser usadas para teletransportar pessoas (semideuses, e até mortais que podiam ver através da Névoa) para qualquer lugar que desejassem, bastava apenas esmagá-las com os pés e imaginar um lugar: BUM! Lá estava você no lugar que imaginou.
- Isto... É verdade? – perguntei surpreso. – Você está mesmo tentando nos ajudar?
- Claro que é verdade! – disse Samara. – Mas, para quê isto serve? Parecem pérolas.
Expliquei a Samara o que eram aquelas pérolas. Ela entendeu e assentiu.
- O-obrigado, Sr. D. – falei, ainda meio sem acreditar que aquilo era verdade.
- Por que está surpreso? Eu sou legal, Percy Jefferson. – disse Dionísio.
- Ah, claro.
*****
-Narrator-
Dionísio se transformou em uma brisa com aroma de uvas roxas e se foi. Provavelmente, voltou ao Acampamento. Já Samara tinha algumas perguntas para fazer à Percy.
- Isto pode mesmo nos levar até Annabeth? – perguntou a linda garota, observando a pérola de Perséfone que Dionísio havia dado a ela.
- Sim... Já usei algumas destas antes, e funcionaram. Porém, naquela ocasião eu falei o nome do lugar, e desta vez não sabemos onde Annabeth está, ou seja, não sabemos onde queremos ir. – falou Percy.
- A única opção é arriscar, certo? – perguntou Samara, lançando um sorriso para Percy.
- Tem razão. Vamos lá. – falou Percy, colocando a sua pérola no chão, Samara fez a mesma coisa.
- Para onde a Annabeth está! – falaram os dois juntos, em voz alta com os olhos fechados.
Quando os dois abriram os olhos, um segundo depois, estavam em frente a uma casa abandonada, em algum lugar de Manhattan.
- Será que é aqui? – perguntou Samara.
- Tem que ser. – falou Percy.
De repente, ouviram alguns gritos, e logo Percy entrou na casa, pois tinha certeza: era Annabeth.
- Solte-a, seu... Seu monstro! – falou Percy, dirigindo a voz ao lestrigão que segurava a linda loira.
- Quem... – falou o lestrigão, virando para o lado.
- P-percy?! – perguntou Annabeth, surpresa.
Percy rapidamente ativou Contracorrente, e lançou em direção ao monstro que segurava Annabeth. Se ele errasse o alvo, poderia acertar Annabeth em cheio. Mas o lançamento foi certeiro, bem na testa do monstro. Rapidamente, a fúria que também estava lá, saiu voando para não ser vítima de Contracorrente, como o lestrigão foi.
- O QUE VOCÊ... – tentou falar o lestrigão, porém não conseguiu terminar a frase, pois se transformou em pó.
Annabeth correu para abraçar Percy. Ele parecia frio e triste. Mas por quê? Ele acabara de salvar Annabeth, a garota que amava, e agora ela estava indo em sua direção para abraçá-lo.
- Percy! Você me salvou, obrigado! – falou Annabeth.
- Por que não cortou a corda sozinha e fugiu daqui? – perguntou Percy.
- O William... Ele se transformou naquele lestrigão e pegou minha faca, não tinha como. Por que você tá assim? – perguntou Annabeth, percebendo o mau humor de Percy.
- Nossa Annabeth, seu plano para colocar ciúmes no Percy não deu certo hein! – falou Samara, e suspirou. Mas rapidamente notou que falou algo de errado.
- Pôr ciúmes em mim? – perguntou Percy.
- Me desculpa Percy! Foi a Silena, que falou... – tentava explicar Annabeth, mas Percy pareceu não querer escutar.
- Então foi por isso que você tava falando com aquele... Aquele monstro! E depois descobriu que ele era mesmo um monstro! Espero que esteja feliz, quase morreu por causa disso. Vamos Samara, temos que voltar rápido para o Acampamento antes que Quíron não nos aceite de volta.
Annabeth começou a chorar, e Samara tentou dizer a Percy que era tudo brincadeira, para ele levar no fairplay, mas Percy estava irritado. Irritado por causa de Annabeth, por causa de Silena. Irritado por ter salvado a garota que ama, e descobrir que aquilo tudo começou com um plano para brincar com os sentimentos dele. Não era bem assim, mas era assim que ele entendia. E levara isto a sério.
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