Mais um jogo
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Alguns segundos depois, alguém se sentou ao meu lado novamente.
— Oi. -era uma menina.
Muito bonita, até.
— Oi.
— Qual sua relação com o Lucca?
Pelo menos foi logo direto ao assunto.
— Não chega nem perto de ser uma relação -dei de ombros- Por que?
Estava perguntando só pra confirmar, já que estava meio óbvio o que ela queria depois de vir aqui.
— Certeza que vocês não estão juntos?
— Absoluta. Se quiser até te ajudo, ou sei lá.
— Não precisa. Sei me virar. -jogou o cabelo pra o lado.
Que criatura convencida. Espero que leve um pé na bunda depois dessa. Olhei pra ela com a melhor cara de cu que eu conseguia fazer, pra ver se ela saia logo dali.
Mas como ultimamente eu estou com muita sorte, um outro garoto se juntou a nós.
— Ei! Tudo bem?
— Tudo sim. -a garota respondeu.
— Não você. Ela. -cortou.
— Eu?
— Sim. A garota que o Lucca trouxe. -sorriu.
— Quem é você mesmo?
— Fernando. Mas pode me chamar de Nando. -que gay-.
— Veio aqui só perguntar isso? -questionei.
— Garota esperta. Vamos fazer de tudo pra a Vitória poder ficar a sós com seu amigo e você bem longe, que tal?
— Quê? Me deixem fora dessa, quero ficar é longe de confusão. Ainda mais com as ficantes dele. -me sentei, cruzando os braços.
— Esse é o problema. -a tal Vitória ficou de pé na minha frente.
Como se isso fizesse ela muito superior. Ah me erra né.
— É a primeira vez que vejo ele tão... Grude com alguém.
— Então vão falar com ele e me deixem aqui. -desdenhei.
— Ele é meu ex. Estávamos levando uma amizade bem legal até começarmos a nos reaproximar, mas depois você apareceu, e ele me deixou de lado.
— Mas eu vim hoje, sua doida.
— Não é de hoje que ele presta mais atenção no celular do que em mim. -fez um bico. Credo.
— Pois não é comigo que ele fala não hein. É difícil nós nos falarmos, sabe?
— Não minta. -revirou os olhos.
— Olha. Você devia começar a acreditar no que os outros te dizem.
— Só acredito que o Lucca vá ficar melhor sem você.
— Agora entendo por quê terminaram. -resmunguei.
— O que disse? -fez uma careta.
— Vai ver ele viu que você é alguém bem desinteressante. -dei de ombros.
— Pra sua...
— Se for me bater, vai logo. Depois vá embora, por favor.
Ela parou no meio do caminho, me observando, depois de virou e com uma troca de olhares entre os dois, ambos se viraram para mim.
— O que acha de um banho? -sorriu.
— Não.
Esse merda de gayNando praticamente me segurou e jogou sob o ombro como um saco, e eu achei meio impossível não gritar.
Claro que eles não iriam me jogar na piscina né...
— Tire os sapatos e qualquer outra coisa que possa quebrar ou estragar. -o garoto falou.
— Você é um bruto! Me solta!
Senti a menina retirando meus sapatos, óculos, celular...
— O Lucca vai ser meu de novo, querida.
— Odeio essas ex malditas. Pega ele pra você, égua. Aahh, por isso não me meto em confusão de ninguém!
— Querendo ou não, você já está tomando ele de mim.
— Morre, garota.
— Vai Nando, leva ela pra dar um mergulho.
— Ei! Não faz isso! Eu não sei nadar. Tem certeza que quer me matar?
Quem disse que ele me ouviu? Apenas continuou indo em direção à piscina.
— Você vai se arrepender. -falei, mas ele apenas riu e me jogou na piscina.
Maldito.
Qual a sensação de morrer? Acho que, provavelmente, é como eu estou me sentindo agora...
Mentira, antes que meus pés tocassem o fundo da piscina, meu corpo foi puxado para cima.
— Você tá bem?
Eu claramente não iria responder. Não até conseguir tossir toda a água em meus pulmões.
— Eu pareço bem? -encarei quem quer que fosse- Pedro?!
— Olá. -sorriu.
— O que faz... Aqui?
— Pensei que tivesse sido convidado.
— Ah. Certo.
— Mas aí. Tudo bem?
— Quando chegou? -ignorei sua pergunta.
— Quando vi aquele cara te carregando. Quer que eu faça o mesmo com ele? -começamos a rir.
— Me larga. -falei, e o vi sorrir de canto- Espera. Não me larga!
— Eu não iria...
— Aham. Acho que já podemos sair daqui, não? -falei quando uma bola quase acertou a minha cabeça- Estou sendo feita de alvo.
— Por que não aproveita que já está aqui e fica mais na piscina?
— Tenho que sair pra secar. Minha única roupa... -choraminguei.
— Eu te emprestaria a minha, maas... -olhou para baixo- meio que não deu tempo de tirar antes de eu me jogar aqui pra te ajudar. Então vou ter que sair pra secar também. -riu.
— Então vamos.
Saímos dali e, depois de espremer ao máximo o que dava, decidi ir atrás de um banheiro para tirar a roupa molhada, torcer e colocar de volta. Isso tudo e nada do indigente do Lucca aparecer.
Ou era o que eu pensava até ouvi-lo me chamando e depois de uma olhada rápida no meu estado, vir correndo até mim.
— O que aconteceu?
— Meio que me jogaram na piscina. Ou algo assim. Onde tem um banheiro?
— Quem fez isso?
— Hm... -fiquei o encarando, pensando se era uma boa ideia dizer que foi um complô da ex dele.
— Foi ela, não foi? Vitória. -ficou sério.
— Talvez...
— Pode dizer. -suavizou mais a expressão, aproximando a mão de meu rosto, e tirando os fios de cabelo grudados na minha bochecha.
— Não quero confusão. -suspirei.
— Não vai ser você, mas sim eu. -passou por mim, começando a andar na direção que eu vim.
— Espera! Meu deus, que pessoa ridícula! Eu vou te matar! -sai correndo atrás dele- Você não vai lá. -segurei seu braço.
— Duvida?
— Nem começa. Mas enfim, não vai e pronto.
— Mas olha o que fizeram contigo, criatura. -cruzou os braços.
— E eu não estou me importando. -fiz o mesmo que ele.
— Mas eu sim!
— Não discute comigo, Lucca.
— Você que está discutindo comigo, Dlayla.
— Eu? Tu que quer fazer confusão.
— Não. Ela que quis se meter comigo assim que fez algo contra você.
— Como se você se importasse né.
— E eu me importo.
— Ah tá.
— Sério. -riu.
— Para de rir! -bati nele- Sabe nem ter uma discussão decente, seu animal!
— Eu disse que você que queria. -resmungou, antes de levar outro tapa- Para. Isso dói. -massageou o local atingido.
— A intenção é essa mesmo.
— Vem. Vou te dar algo pra vestir. -pegou na minha mão, me puxando.
— Sua? Não quero.
— Por quê?
— Ahn... Por quê é sua...?
— Prefere ficar toda molhada? -concordei- Ah, fica quieta.
— Você devia ir resolver logo as coisas com tua peguete.
— Ela não é minha peguete, é minha ex. E, ultimamente, anda querendo sair comigo, mas ela... Sei lá, é estranho sair amigavelmente com ela agora, entende? E... Espera, você tá com ciúmes?
— Quem teria ciúmes de tu, criatura?
— Então fale isso sem desviar o olhar.
— Odeio quem fica me encarando.
— Olha pra mim, Dlayla. -riu novamente.
— Me deixa em paz, Lucca. -reclamei enquanto ele ria.
— E ainda diz que não temos nada...
— Cala a boca, meu Deus.
Ele não disse mais nada, apenas continuou me levando pra lá e pra cá, pegou umas roupas, me entregou elas e me mostrou o banheiro.
A contragosto, me troquei.
— Só eu que acho que agora tô parecendo um menino?
— Ficou muito bonitinha assim.
— Tá zoando né?
— Não. -sorriu.
— Eu tô com um blusão quase no joelho, e um short que tá quase uma calça!
— Mas tá muito fofa. Principalmente porque são minhas roupas. -colocou a mão na minha cabeça.
Quase desistindo de entender esse cabeça oca, ficamos fazendo altos nada enquanto minhas roupas secavam. Sinceramente, eu só queria ir embora e deitar.
Encontramos o Pedro conversando com um grupinho e nos juntamos a eles por alguns minutos. Isso até o Lucca querer tretar com todo mundo e todo mundo começar a formar um círculo pra jogar alguma coisa que eu ainda não sabia o que era. Espero que seja Uno.
— Vocês também vão jogar Verdade ou Desafio? -uma menina aleatória acenou para nós.
— Ah não. Sério que as crianças ainda brincam disso? -revirei os olhos.
Sim, eles brincavam. E pior, ainda fui forçada a me juntar a esses adolescentes cheios de hormônios.
Como eu imaginava, eles estavam à base de desafios que iam desde dançar de cueca até se beijarem numa sala ali perto da piscina, que era uma espécie de almoxarifado, se não me engano.
Três rodadas depois e a garrafa parou em mim. O tal gayNando que tinha girado, aquele garoto que me jogou contra minha vontade na piscina mais cedo. Quis muito responder verdade, mas como eu sabia que ele e a Vitória estavam armando pra cima de mim, escolhi desafio.
Se bem que não vejo muito direito de escolha aqui. Ou você fala uma verdade cabeluda, ou vai beijar alguém no quartinho ou, no caso do mesmo sexo, paga mico.
E lá estava eu, numa sala pequena, escura e fria, de frente para um ser irritante.
— Olha. Pra ser sincera, eu não quero te beijar. -falei.
— Ótimo. Minha irmã me mataria mesmo -deu de ombros- Se bem que você não é de se jogar fora. -sorriu de canto.
— Cale a boca. -resmunguei.
E então passamos os 15 minutos ali, um olhando para a cara do outro, as vezes trocando farpas.
...
Mal me sentei na rodinha e já foi minha vez de novo. Dessa vez, com o Lucca.
— Sério isso? -comentei assim que ele trancou a porta.
— Parece que sim. -deu de ombros.
— Eu não vou fazer isso. -avisei.
— Por quê não?
— Não sinto a mínima vontade, sabe.
— Claro que sente. -cruzou os braços.
— Não mesmo.
— Você fez isso com o Fernando, então por que não comigo?
— Eu não beijei ele. -comecei a rir.
— Como não?
— Eu só disse que não queria e pronto.
— Assim como tá me dizendo...
— Garoto esperto. -dei um tapinha em suas costas.
— Me beija, Dlayla. -me encarou.
— Quê? Não.
— Se você não o fizer, eu faço.
— Não, Lucca.
Eu me afastava a medida que ele se aproximava de mim, até eu ficar com as costas na bancada.
— Eu vou me arrepender tanto... -suspirei pesadamente.
— Não vai. -riu.
— Vou sim.
Ele sorriu, levando uma mão ao meu rosto e acariciando minha bochecha com um dedo. Segurou minha cintura com a mão livre, então deslizou o dedo que acariciava minha face para meu pescoço e depois sua mão segurou minha nuca enquanto ele se inclinava para beijar meu pescoço.
— Se ficar alguma marca, vou te matar.
Mal terminei de falar e lá estava ele, mordiscando o local.
— Não, criatura. -o empurrei quando ele chupou com bastante pressão.
— Me deixa. -resmungou.
— Eu disse que não!
Ele parecia não me ouvir completamente, apenas concentrado no que estava fazendo e concordando com minhas reclamações.
— Para, Lucca. Eu já disse.
Ele me encarou rapidamente antes de me beijar. Ah droga.
Segurei em seus cotovelos quando ele segurou meu rosto com as duas mãos, pressionando o corpo contra o meu e me beijando com luxúria. Quando sua língua tocou a minha eu já estava sem resistência. Suas mãos desceram para minha cintura, depois para as nádegas, apalpando com força. Puxei os cabelos da sua nuca, o afastando de mim brevemente, e ele me encarou, ofegante. Seus olhos escuros se focaram nos meus por um instante, mas ele logo voltou a me beijar. Já sentia as pernas moles e bambas quando ele passou a se dedicar ao meu pescoço, enquanto tentávamos tomar fôlego novamente.
— Finalmente consegui. -murmurou contra minha boca.
Então eu percebi, que durante todo esse tempo que eu estava aqui, ele só queria me beijar. Claro! No fundo eu sabia que seria só mais um jogo para ele, mas mesmo assim ainda permiti me entregar assim...
Que droga!
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