Mais um jogo

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Como disse antes, está praticamente completa já. Boa leitura ^^

Passamos pelas duas criaturas que conversavam animadamente e nós quatro seguimos em direção à quadra. Descobri que o nome do outro era Arthur, e ele jogava na mesma posição do Lucca, além de descobrir que, aparentemente, todos os jogadores eram muito animados. Sempre falando e sorrindo. Nem eu conseguia ser assim. Sou até uma pessoa culta e séria perto deles.

E olha que não sou lá um bom exemplo de discrição.

— Acorda. -senti uma mão no meu ombro e me virei para a pessoa- Faz um tempo que eu te chamo.

— Fala, Pedro.

— Não vai com seu amigo? -olhou dele para o outro.

— Ainda prefiro ir pra arquibancada, Lucca. -falei.

— Espera. -o loiro infame do Arthur chamou nossa atenção- Você é a tal Da... Qual seu nome mesmo?

— Dlayla.

— Isso! Você é a garota que o Lucca chamou pra ver ele?

— Ver o jogo. -corrigi- Não sei quem ele chamou né. Mas acho que provavelmente sou sim. Por quê? -fiquei curiosa.

— Arthur... -o moreno começou.

— É por que ele estava bem ansioso pra te ver, sabe?

— Tava?

— Sim. E depois ficou todo distraído.

— Ficou?

Então talvez eu não estivesse tão errada na minha teoria de que ele tinha acabado assim por conta da distração. Haha. Vou pressionar ele depois.

— Por que a surpresa?

— Ahn... Porque é uma surpresa. -falei.

E era a verdade. Nunca pensei que o cara de pau do Lucca ficasse ansioso por algo, ainda mais pra encontrar uma linda e inocente criança como eu.

— Bora, Arthur, já vai começar. -o amigo o chamou.

— Ela é estranha. -comentou.

— Eu consigo ouvir, sabia?

— Sim -sorriu- Mas você é legal. -virou para o Lucca, colocando uma mão em seu ombro- Está aprovada.

— Mermão. Legal? Tu mal falou comigo ainda. E como assim "aprovada"? Meu querido, nem comento. -comecei a rir.

— Garota estranha. -dessa vez o Pedro que falou.

— Quieto você também. -bati em seu braço.

— Nos vemos depois, Dlayla. Você é legal! -o loiro saiu acenando para mim, com o moreno resmungando ao seu lado.

— Depois eu sou a estranha? -encarei minha companhia- Vamos voltar pro nosso lugar, coisinha.

...

Juro que não sei o que eu estava fazendo aqui, provavelmente fiquei vegetando pensando qualquer aleatoriedade, porque quando vim perceber, já estava no fim do terceiro tempo, com os Arqui com 13 pontos na frente.

— Pedro, eu cochilei?

— O que? Não. Mas parecia bem perdida ai. -riu.

— Meu Deus!

— Surpresa?

— Demais. Aquilo foi uma festa de 3 pontos? Cara, que lindo. -comentei.

— Foi o time adversário.

— Eu sei! Mas não deixa de ser lindo, né?

— Acho que sim.

— Você por acaso consegue fazer uma dessas? -cruzei os braços.

— Por acaso eu sei sim.

— Haha. Tá bom então. -falei em um tom irônico.

— Você entende algo de basquete? -chamou minha atenção e eu o encarei.

— O que tá pensando? Sou formada via Kuroko no Basket.

— O anime?

— Ai meu Deus. Você conhece?

— Claro. Sei de tudo sobre basquete.

— Tu se acha, isso sim. Mas ok. Sempre pensei que vocês só usassem cérebro pra pensar nas jogadas. -falei sinceramente.

— Isso foi uma ofensa?

— Jamais. -comecei a rir.

— Sua estranha.

— Isso é um apelido?

— Agora é. -riu.

— Vai ver o jogo. -voltei minha atenção para a frente.

Não sei se o tempo tá passando muito rápido, o jogo que dura pouco, ou é culpa do Pedro que fica me chamando. Ou tudo isso junto.

Faltava menos de um minuto para acabar o quarto tempo, com os Arqui com 21 pontos na frente. Nossa. A diferença tá só aumentando. Espero que o Lucca não me pergunte se eu vi as cestas, por que se eu vi, nem lembro. E, por falar nele, parece que acabou de marcar com o lance livre. E acabou o tempo.

Quê?

— Que merda de jogo rápido. -comentei.

— Você nem assistiu, praticamente.

— Shiu. O que os olhos não veem, o coração não sente.

— Eu não falaria isso hein.

— É uma ameaça?

— Jamais. -falou o mesmo que eu mais cedo.

Enquanto os meninos comemoravam a vitória, eu só os observava. Credo. Todo mundo suado e se jogando no chão. Eu estava entediada, observando toda aquela comoção dos garotos, até o Lucca, que estava, aparentemente, numa conversa animada com outros 3 amigos, se virar e olhar diretamente pra cá. Sorriu e começou a correr, vindo em nossa direção.

Ah não. Ele não vai fazer isso.

— Pedro, será se ele ficaria muito chateado se eu saísse correndo lá pra fora?

O indigente só negou com a cabeça, rindo horrores ao meu lado.

Quando me virei novamente, ele já estava na minha frente, suado, ofegante e rindo.

— Para de rir. -resmunguei.

— Oi. -falou.

— Oi.

— Não vai me parabenizar por ter ganhado?

— Parabéns. Aproveita e diz pro resto do time. -sorri.

— Não assim.

— Quer o que? Que fale em outra língua? Já sei. Quer um doce?

— Nop. Vem aqui. -abriu os braços.

— Não vou te abraçar. Tá todo suado. -comecei a me afastar lentamente.

— Vai sim.

Eu ia mesmo correr, mas aí ele já tinha me agarrado e estava me apertando contra seu corpo.

— Não, não, nããããooo. Me solta, seu fedido!

— Seja carinhosa pelo menos uma vez na vida.

— Quanto eu me soltar, vou é te bater. -ameacei.

— Então não vou soltar. -senti seu queixo em minha cabeça.

— Isso é exploração de pessoas pequenas! Tá sujando meu óculos.

Ele se afastou um pouco, e quando eu já ia bater nele, ele tirou meu óculos e jogou para o meu companheiro de hoje, Pedro. E depois voltou a me abraçar.

— Ei!

Ele trocou nossas posições e se jogou pra trás, caindo sentado no banco, ainda abraçado a mim.

— Agora pronto. Vai quebrar minha coluna também. Me largaa. -choraminguei.

O que pareceu ser um século depois, ele me soltou. O encarei, pensando se o enforcaria agora ou só mais tarde, enquanto ele sorria animadamente. Quero saber por que ele ria tanto.

— Vai ficar com meu cheiro.

— Virou cachorro agora, animal?

— Velha chata.

— Eu vou te matar, você sabe né?

Ele segurou nos meus braços, ficando de pé, e beijou minha testa.

Mas que porra

— Vem comigo.

Notas finais
Até o próximo, pessoas ♥