Mais um jogo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Provavelmente não.
Tenho umas 1000 histórias pra terminar e escrevendo outra kkkk
Rindo de nervoso, sério '-'
Mas olha pelo lado bom, essa já está quase toda escrita u.u I'm the best
Boa leitura ♥
Eu, sinceramente, não sei o que estou fazendo aqui. Acho que foi um momento impulsivo e provavelmente eu não tinha pensado nas consequências disso. Oh céus. Quero ir para casa.
Já faziam uns bons minutos que eu estava de pé, em frente da entrada da quadra, ponderando se entraria ou chamava um Uber pra ir embora.
Primeiro, eu estava curtindo minhas férias viajando pra cá. Segundo, ver um jogo de basquete não era lá uma coisa que eu faria. Terceiro, eu poderia não ter dito a ele que estava aqui. Quarto, ele podia não ter me obrigado a vir. Quinto, eu poderia não ter vindo. Sexto, poderia passar dias listando desculpas convincentes o suficiente para me fazerem dar meia volta e ir embora.
— Ei! -senti uma leve batida no meu ombro e me virei pra pessoa que chamou minha atenção.
— Se tivesse falado um pouco mais alto, eu provavelmente teria infartado. -falei- Desculpa, falei sem pensar.
— Você é a amiga do Lucca? -ignorou o que eu disse, sorrindo.
Essa criatura provavelmente devia estar pensando que eu era muito estranha. Na verdade, eu que estava pensando isso dele. Que pessoa estranha meu Deus.
— Você tá bem?
— Eu? Não. -pisquei algumas vezes.
— Não tá bem? -franziu a testa.
— Não. Digo, não sou amiga dele. -sorri.
Aquilo era verdade? Nem sei. Talvez uma meia verdade né. Lucca era irritante o suficiente para me fazer responder isso.
— Não? Mas ele disse que uma amiga dele viria hoje...
— Mas por que achou que seria eu? -estranhei.
— Deduzi. -deu de ombros.
— Deduziu? Conta outra. -desdenhei.
— Ok. Eu meio que ouvi você resmungando aí a um tempinho.
— Eu o quê?!
— Resmungando?
— Ah, fica quieto, seu chato.
— Chato, eu? -colocou a mão no peito, claramente fazendo drama.
— Exatamente. Mas agora diz o que você queria.
— Você é estranha. -riu.
— Não me diga que você veio atrapalhar meus pensamentos e reclamações pra dizer isso. -cruzei os braços.
— Não digo então.
— Nossa. Que pessoa chata.
— Vamos ver o jogo.
Começou a me empurrar até a entrada.
— Espera. Não! Eu não quero.
— Quer sim.
— Para de rir! E não, não quero. Não quero ver isso. Socorro, Deus!
— Para de fazer drama. Viu? Já entramos.
Parei e olhei para este ser aparentemente muito bem humorado, cogitando seriamente dar uns bons tapas nele.
— Se continuar me encarando assim, vou começar a ficar assustado.
— Essa é a intenção. Enfim né.
Comecei a olhar em volta, vendo as possibilidades de uma fuga. Oh Deus, por que eu tenho que ser alguém com uma mente tão fértil?
Olhei para a entrada bem na hora que um time começou a passar por ela. Pelo menos as cores eram bonitinhas, vermelho e branco combinam bastante.
Me afastei para aquele bando de avatares entrar, e o vi. Credo, espero que não me veja.
— Você veio! -falou, vindo todo sorridente em minha direção.
— Fui obrigada. -falei.
— Deixa de drama, baixinha.
— O que disse? Eu juro que vou arrancar suas unhas com alicate.
— Olha só -me puxou pra um abraço- Você é muito pequena. Ainda mais com sua idade...
— Aí meu Deus. Me solta antes que eu te enforque!
E ele só riu mais ainda. Aff.
— Então ela é velha? -fomos "interrompidos" pela pessoa que me trouxe aqui pra dentro.
— Eu não. -falei.
— Beleza, Lucca? -encarou meu suposto amigo.
— Beleza.
Nossa. Que tom desgostoso esse.
Me afastei um pouco dos dois, os observando. Lucca estava bem sério, enquanto o outro sorria despreocupado.
— Quer vir comigo? -se virou para mim.
— Pra onde?
— Você pode ver o jogo do banco.
— Ela pode ver da arquibancada mesmo. Posso até fazer companhia. -o estranho passou a mão por meus cabelos.
— O que você vai querer? -ele continuava me encarando.
— Acho que vou pra arquibancada mesmo. Tchau, Lucca, bom jogo. -acenei e passei direto peloa dois, indo procurar onde me sentar.
— Meu nome é Pedro, e o seu? -se sentou ao meu lado.
— Vocês já brigaram? -o encarei.
— Acho que não só ele, mas todos os Arqui não vão com a minha cara -deu de ombros- Meu colégio vem ganhando as competições, inclusive alguns amistosos contra eles. -sorriu.
— Ah sim. Entendi.
— Mas qual seu nome? Ou quer que eu te chame de "Ei, você" por aí?
— Talvez não seja uma má ideia...
— Fala, garota estranha.
— Vai me deixar em paz depois de saber? -ele concordou- Dlayla.
— Diferente.
— É. Agora fica quietinho aí.
Peguei meu celular e fiquei olhando todo mundo se preparando para o treino. Ahn. Acho que o Lucca estava mesmo incomodado com a presença do outro, já que vez ou outra ficava todo sério olhando em nossa direção. Que estranho.
Se bem que esse Pedro é todo suspeito, então não reclamo muito. Mas ok.
...
O outro time ainda não tinha aparecido, então achei algo mais interessante pra fazer do que prestar atenção no Pedro e ignorar o Lucca vez ou outra olhando pra nós: Jogar Farm Heroes.
— O que tá fazendo?
Mas claro que eu não poderia ter paz enquanto esse ser estivesse ao meu lado.
— Jogando. -falei o óbvio.
— O que?
— Farm Heroes.
— Você tá matando vegetais bonitinhos, Dlayla. Que feio.
— Não é matar. É coletar.
— Dá no mesmo.
— Não dá.
— Fica quieto, criatura.
E funcionou pelos próximos 15 segundos, ele ficou quieto.
— Você perde uns combos quase sempre, sabia? Me dá isso. -pegou o celular.
— Ei! -reclamei.
— Deixa o mestre te ensinar como se faz. -sorriu de canto.
— Mestre em se iludir, só se for.
— Para de reclamar e fica olhando.
Ele reiniciou a partida e, incrivelmente, ele era bem hábil. E ainda me "ensinava" estratégias. Como se eu precisasse disso.
— Para de fazer essa expressão de surpresa e me agradece logo. -colocou o aparelho em minha mão.
— Nam. De nada por ter te emprestado o celular. -comecei a rir, ignorando os resmungos dessa criatura.
— Olha o jogo vai começar. -avisou.
— Deixa só eu passar dessa fase rapidinho.
— Seu amigo vai ficar irritado depois, não?
— Amigo? Ah. Vai nada. -o encarei- Até por quê eu já terminei. -rimos.
Realmente já tinha começado quando eu comecei a olhar para o jogo, mas tudo bem.
Nunca tinha visto uma partida de basquete ao vivo, não era lá algo que eu diria que veria por diversão, mas é que nem qualquer outra coisa que você veja. Começa sem graça e termina com você arrancando cabelos de tanta ansiedade.
Não vou mentir, minha única experiência com basquete até agora tinha sido por anime. Pois é. Sou uma maldita otaku. E, sim, parecia algo bem violento se se ver. Eu que não iria querer jogar isso. Muito suor, braços, pernas, enfim, alguns pareciam touros em um rodeio. Eu mesma passaria bem longe desses garotos.
Procurei ver o Lucca pela quadra assim que percebi que tinha passado todo o tempo só observando o time adversário. E até que ele jogava bem.
Não poderiam esperar nada demais de mim, uma pequena leiga no esporte, mas pelo menos ele jogando era uma coisa bonita de se ver.
Eu acho.
— Ei.
Em um minuto eu estava vendo os meninos e no outro estava encarando o Pedro, já que ele simplesmente segurou meu rosto e me forçou a encará-lo.
— O que é?
— Te chamei e você não me ouviu. Tá pensando em quê?
— Lucca me chamou pra ver o jogo, então estou vendo o jogo. -revirei os olhos.
— Para com isso.
— Com o que?
— De ser tão... Adorável. -riu.
Quê?
— Como é?
— Isso mesmo. Adorável.
— Me solta. -ele negou com a cabeça- Vou perder o fim do primeiro tempo por sua culpa.
— Vai sim. Quero que fique assim por mais um tempinho.
— Não estou com muita vontade de ficar te olhando, então não. -passei a empurrá-lo de leve.
Se ele ficasse nisso por mais dois segundos eu seria capaz até de gritar e fazer o maior escândalo aqui no meio da arquibancada.
Soou o apito, e eu virei lá para baixo. Provavelmente ainda não estava no fim do tempo, então por que?
Quando finalmente me livrei da criatura e pude me mover em paz, vi o árbitro com o cartão amarelo. Uma falta pra quem?
— Seu amigo está no chão. -falou.
Quando a rodinha de garotos se dissipou, vi o Lucca indo em direção ao banco, sendo substituído. Então o cartão era pra ele.
— O que aconteceu? -cutuquei o Pedro.
— Acho que ele deve ter dado ou levado uma cotovelada ou um chute. Mas como ele foi o único que saiu, imagino que ele que tenha levado. Normal por aqui. -deu de ombros.
— Vamos lá. -fiquei de pé.
— Fazer o que?
— Falar com ele, oras.
— Sabe que não vai conseguir entrar ali né?
— Nem vou precisar. Olha ele saindo ali. -apontei com o dedo.
— Ok. Você venceu. -suspirou, me seguindo.
...
— Lucca. -chamei.
Ele estava de costas para mim, sentado e encarando o nada feito doido.
— Fala. -nem se deu o trabalho de ver quem era.
— O que aconteceu, exatamente?
— Um pequeno acidente no jogo. Nada demais.
— Você tá bem?
— Estou.
— Tá irritado?
— Não.
— Olha pra cá e diz então.
Depois de um longo suspiro, ele se virou e me encarou.
Seu nariz sangrava enquanto ele limpava com papel.
— Nossa. -falei.
— Foi uma cotovelada. Isso sempre acontece.
— Vamos limpar isso. -falei.
— Não precisa.
— Ei. Eu não pedi permissão. -olhei para o Pedro- Sabe onde ficam os banheiros e o bebedouro?
— Eu te levo lá. -sorriu.
— O que ele faz aqui? -a expressão do Lucca ficou séria novamente. Na verdade, agora estava mais para irritação do que seriedade.
— Só vim com ela. Relaxe.
— Pode ir embora agora.
— Ei, Lucca, deixa ele. -ele me encarou, ainda irritado, virou as costas para mim e saiu bufando dali.
Aí que pessoa problemática.
Pedi ao Pedro que me esperasse ali e fui atrás do princeso. Segurei seu braço e fiz ele virar para mim.
— Por que a irritação?
— Vai com seu novo amigo.
— Era só o que faltava. -ri.
— O que?
— Nada. Me leva num lugar que tenha banheiros e bebedouros agora?
— Fazer o que? Tenho que voltar para o jogo.
— Só leva. -peguei em seu pulso, o puxando por aí enquanto ele reclamava.
— Para. É aqui. -avisou.
O soltei, indo encher minha garrafa de água fria e depois o puxei de novo, mas agora até o banheiro.
— Esse é o banheiro feminino!
— Eu sei. Agora anda. Quanto mais cedo começar, mais cedo termina.
...
— Começar o quê, exatamente?
— Você reclama demais, Lucca. Credo.
— Eu não reclamo.
— Tô vendo aí.
Fiz ele sentar na tampa de um vaso sanitário, enquanto ele insistia em querer sentar em cima da pia, e fiquei em pé na sua frente.
— Fica quieto, meu Deus. -bati em seu braço.
— Não seja violenta. -sorriu.
Praticamente joguei a água na cara dele antes de começar a limpar aquele maldito sangue.
— Vai me matar? -riu.
— Para de falar isso sorrindo, ou eu posso mesmo pensar no assunto.
— Você não faria isso...
— Se eu fosse você, não duvidaria. -falei e ele ficou quietinho.
Na verdade, ficou quietinho, mas me encarando.
— Ai que agonia. Olha pra outra coisa. -ele só negou com a cabeça, sorrindo- Você é uma criatura muito irritante. -joguei mais um bolo de papel no lixeiro- Pronto, terminei.
O puxei pelo braço para que ele se levantasse, e depois comecei a empurrá-lo para fora.
— Você tem costume de arrastar pessoas por aí?
— Não. Mas você é um peso morto! -riu da sua cara de indignação- Volta pro jogo.
— Vem comigo?
— O quê? Eu já estou aqui, filho. Quer que eu jogue contigo também é?
— Não seria má ideia, mas você não sabe jogar. -riu.
— Esfrega na minha cara. -resmunguei.
— Desculpa. -passou a mão em minha cabeça, ainda sorrindo.
Ele tá pensando que eu sou o quê?
— Ei. Eu não sou o mascote, você que é!
— O que? Ah. E você alcança minha cabeça, baixinha?
— Volta pro jogo antes que eu te mate. Sério.
— Tá bom, tia.
Pisei em seu pé com força, e ele fez uma careta.
— Quer mesmo que eu ainda jogue?
— Agora já não sei mais. -sorri.
— Violenta.
— Eu? Jamais. -nem fiz de vítima.
— Você não presta.
— Haha. Eu sei, querido.
Comecei a andar na frente dele, já que ele parecia ser uma pessoa meio lerda. Isso quando não estava correndo atrás de uma bola, claro.
— Ei. Mas você vai comigo?
— Nem.
— Por quê?
— Acho menos exposto ficar na arquibancada mesmo. E não é como se eu estivesse sozinha mesmo, se bem que também não me importaria.
— Entendi. Prefere ficar com o Pedro né?
— Depende. Eu falei que ia na arquibancada ou com o Pedro mesmo?
— Arquibancada.
— Então...?
— Ahn?
— Meu Deus. Vai jogaar! Olha, vieram atrás de você. -apontei para um garoto que estava junto com o Pedro.
Pensei que todos os Arqui não gostavam dele... Mas os dois estavam conversando e rindo.
— Ei, Lucca. Só tu que não gosta do pobre do Pedro é? -o encarei.
— Acho que nunca gostei. Agora muito menos. -deu de ombros.
— "Agora"?
— É. Ele roubou minha amiga.
— Olha o exagero. -comecei a rir.
— Estou falando sério. Te chamei pra ver o jogo, mas vocês passaram mais tempo conversando do que assistindo.
— Como sabe disso?
— Eu vi.
— Hmm. Então tava olhando pra gente é?
— Só as vezes. -olhou para o lado.
— Como você acabou com um nariz sangrando mesmo?
— Já disse que isso é algo normal por aqui.
— Certeza? Isso não teria sido por que você estava distraído?
— Tá insinuando o quê?
— Que vai ver tu estivesse olhando para o Pedro e se distraiu...
— Eu não sou gay. -me encarou.
— Não disse isso. -ri.
— Aff. Vamos voltar. -dessa vez ele segurou meu pulso, me puxando, enquanto eu só ria da sua cara.
Notas finais
Gostaram?
Me digam, e até a próxima! ^^
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