Mais um dia, Mais um dóllar
1 Recomeço
Em uma fria manhã de terça-feira, Jeremy acorda meio tonto, havia uma luz forte sobre seu rosto pálido, ele cuidadosamente respira fundo e, lentamente abre seus tímidos olhos, com um sentimento de angustia e desconforto ele se levanta e rapidamente percebe que está no que parece ser um quarto de hospital, assustado e meio ofegante o garoto nem termina de analisar aquela situação quando sente uma forte dor na cabeça... e desmaia. Naquele mesmo dia, cinco minutos depois do ocorrido, a enfermeira Mabel que estava passando pelo corredor do setor de neuro entregando o café da manhã dos pacientes, viu aquela cena. O pobre garoto estava jogado no chão! Com o coração acelerado e paralisada de medo Mabel sai correndo até a sala do doutor Willer que apressadamente vai até o quarto:
—Foi assim doutor, eu estava passando e vi ele aí.
—Isso não é nada bom... Á quanto tempo você acha que ele está assim?
—Eu não sei Doutor, ele não demostrava sinais faz semanas.
—Ligue para os pais dele.
—Ok.
Quando souberam da notícia, os pais de Jeremy vinheram correndo com medo que algo pior acontecesse. Um sentimento de culpa e tristeza tomava conta do lugar......... Mas não demorou muito para que todos pudessem saber realmente o que tinha acontecido, a filmagem da câmera do quarto de Jeremy mostrou que na verdade ele tinha ACORDADO DO COMA! Logo, não demorou muito para que o semblante do pai e da mãe do menino mudassem completamente, afinal Jeremy poderia ter ficado muito mais tempo dormindo. O médico ficou vermelho, deu um sorriso de orelha a orelha, e disse:
—Isso é um milagre!
A mãe não se segurou e começou a chorar de felicidade. O pai chorando abraçou forte o Médico e a enfermeira. Depois de se acalmarem os pais de Jeremy decidiram que iriam dormir no hospital, o que era ótimo pois as primeiras pessoas que o menino iria ver seriam sua mãe Helena e seu pai Maxwell. foi uma tarde agitada mas tranquila no final. No dia seguinte ao acordar Jeremy não reconhecia seus pais, uma situação muito triste. Após exames médicos viu-se que o adolescente tinha perdido uma parte de sua preciosa memória, o recomendado foi que tanto a família do rapaz quantos seus amigos da escola, reconhecessem sua situação e o ajudassem de todas as formas possíveis pois, com o tempo a mente de Jeremy iria ficar forte novamente. Passando-se alguns dias Jeremy recebeu alta e com isso foi levado para casa, no relatório dizia que seu estado era preocupante porque ele tinha perdido quase 3/4 de sua memória mas, Helena e Maxwell não iriam desistir até ver o menino bem.
Todos os dias antes de dormir os pais do garoto sempre contavam histórias para ele, talvez fosse um pouco infantil mas ele até que gostava de ouvir. Quando acabavam, dando um leve sorriso a mãe e o pai beijavam a testa dele e mansamente saíam do quarto. Dois dias mais tarde na casa da senhora Amélia, avó de Jeremy, o silêncio foi quebrado após um alto barulho de telefone ecoar, *TRIM... TRIM...* ela então atende. Com um rosto sereno e sem entender muita coisa por causa da doença de Alzheimer que possuía, Amélia concorda em receber sua filha Helena, Maxwell e o querido neto Jeremy que tanto amava. Ela morava com sua cuidadora Amber e com seus quatro gatos, e felizmente não se sentia só, porém receber visita sempre a animava e por isso, mesmo com algumas dores, ela com a ajuda de Amber arrumaram a casa para poder receber os parentes.
Já eram 14:00 da tarde quando a campainha tocou, ao abrirem a porta, rapidamente reconheceram aquele majestoso cheiro de biscoitos quentinhos que tinham acabado de sair do forno, todos deram um grande abraço na senhora Amélia que os recebeu calorosamente, sua alegria era espontânea, todos ficaram felizes quando a viram. Carinhosamente Helena pede para Jeremy ir até a cozinha e deixar eles conversarem. (aquelas conversas de velho). Com uma séria expressão facial que o garoto mantinha desde que saíra do seu estado vegetativo, Jeremy vai até a cozinha, senta-se, come alguns biscoitos de chocolate e toma um copo de leite, ele se pergunta: Será que eu sou diferente dos outros?...
De longe, a família conversava justamente sobre ele, ele sabia disso, então, com um suspiro debochado e com uma cara de irrelevância, o adolescente decide explorar a casa, afinal a casa era da vó dele. Ele sobe as escadas, vai até o final do corredor onde viu uma luz acesa, ele entra. Era um quarto lilás, ele fica observando por alguns segundos até que ouve passos, pareciam ser de alguém usando pantufas, não demora muito até que uma garota abre a porta e vê Jeremy, os dois quando se viram ficaram paralisados de vergonha, Jeremy não sabia o que dizer:
—O-oi... M-meu nome é Jeremy.
—Jeremy?! É você mesmo? Me desculpa, eu nem tava te reconhecendo. Perdão, nem me apresentei, meu nome é Jessica, lembra de mim?
—Jessica?... Desculpa não lembro de você.
—Não é possível... Como você não lembra da sua prima?...
O coração dele estava totalmente acelerado, ele estava corado de vergonha e suando muito, no mesmo instante em que estava saindo do quarto, Jessica segura forte sua mão fazendo-o olhar para trás.
—O QUE VOCÊ QUER COMIGO? EU NÃO FIZ NADA PRA VOCÊ.
—Hehe, calma, você tá muito nervoso...
Então ela se lembra
—Ah! Então é verdade que você perdeu a memória?
—E SE FOR, VAI FAZER O QUE? >:(
—Só queria saber mesmo.
—Tá bom, eu acho que eu perdi uma parte sim.
—Ok...
—Só isso?
—É. Adeus Jeremy.
Cansado daquela conversa, ele desce as escadas e vai na varanda observar a bela vista. Chegando lá ele se assusta ao ver um dos gatos da avó que estava prestes a cair da janela, pois o gato era filhote e não sabia o tamanho do perigo que estava correndo, ligeiramente Jeremy pega um lençol do varal e puxa o pequeno filhote para dentro, salvando-o da queda. Ele fecha a janela.
Perplexo com tudo que acontecera naquele dia Jeremy senta-se no sofá do lado da família, ele não falou nada, apenas estava refletindo sobre o que tinha feito. Será que eu sou um herói? — pensava ele. Ele sorriu se sentindo bem.
Já era hora de ir embora, Helena, Maxwell e o garoto foram para casa.
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