Notas iniciais
Última fanfic que posto esse ano! A próxima só ano que vem XD Feliz 2020!!!

Mesmo com todos os preparativos sendo feitos com antecedência, o movimento na cafeteria na noite de Natal foi além do imaginado. Durante o dia apareceram mais clientes que o normal, todos em busca de um bom café, um doce e um lugar quente para se aquecerem. A Shirozumi tinha tudo isso e mais um pouco, o especial da data sendo as músicas natalinas tocadas ao vivo, hora na guitarra, hora no piano e também acompanhadas pelo vocal. Os donos do café, antes de abrirem o estabelecimento, eram integrantes de uma banda e não conseguiam viver sem música. Os antigos fãs da banda faziam parte de um bom número de clientes, sempre visitando-os quando possível.

Como combinado anteriormente, a cafeteria ficaria aberta até mais tarde, o que significava que funcionários de outras lojas passariam por ali durante seu caminho para casa. Mesmo que não ficassem muito tempo, mesmo que fosse só um café para se manterem acordados até chegar em casa, já era o suficiente para movimentar o lugar, todos sendo atendidos com sorrisos calorosos e desejos de um bom descanso.

Ao fim do expediente, todos receberam lanches enquanto terminavam de ajeitar para fechar, Takeo ainda brincando com a guitarra, sem deixar a animação no ambiente morrer. Hayato e ele foram os últimos a sair, pegando um táxi direto para a estação de metrô.

Na manhã seguinte, sabendo que só estariam presentes os funcionários que iriam trabalhar no próximo feriado, Miura os reuniu antes de abrir as portas, decidida a colocar aquele plano em prática: o plano de ganhar os dois dias de folga.

Felizmente a Ideia foi mais do que aceita por todos. Mikaru havia subido no conceito dos funcionários. Pelo menos um pouquinho…

* * *

Takeo e Hayato tiveram que esperar um bom tempo na estação até a chegada do trem, por várias vezes Hayato sendo obrigado a segurar Takeo no assento, que queria aproveitar o lugar quase vazio para correr.

— Você trabalhou o dia todo, não está cansado? – Izumi ralhou mais uma vez, puxando-o pelo pulso – Eu fico cansado só de ver você trocando de banco.

— Velho. – Takeo resmungou bagunçando os cabelos ruivos, dando-se por vencido e deitando no colo do namorado – Estou acostumado a trabalhar a noite. Virava a madrugada na boate e na banda a gente também não parava. O café é tranquilo perto disso.

— Se me chamar de velho de novo vai passar o resto do ano sozinho! Eu vou pra casa da minha mãe. – Hayato avisou com um puxão de orelha, mas não negou um cafuné quando o outro finalmente sossegou – Acho que me acostumei com o ritmo tranquilo da Shirozumi.

— Você não vai pra lá, não quer topar com seu pai. – Shiroyama apontou o óbvio – E se me abandonar, tenho certeza que a Hana vem me fazer companhia.

— Está tentando me passar ciúmes usando minha irmã, é isso?

A conversa continuou tranquila, mesmo com a troca de provocações, mas o silêncio tomou conta do ambiente quando entraram no trem, já que Hayato apagou assim que se acomodou no assento confortável, deixando Takeo sem ninguém para implicar.

O caminho de táxi até o hotel também foi calmo e o sono veio rápido após se acomodarem no quarto. Em contrapartida, na manhã seguinte Takeo estava totalmente desperto e cheio de energia, pedindo para o namorado levá-lo para visitar os pontos turísticos de Yokohama.

O ponto alto da visita na cidade natal de Izumi foi o almoço com sua mãe e irmã, onde Takeo decidiu mostrar os dotes culinários em um restaurante yakiniku, onde por um descuido quase colocou fogo na mesa, que resultou em seu bom comportamento o restante do passeio.

* * *

Quando Katsuya perguntou se tinha planos para o fim de ano, Mikaru já sabia que o namorado estava pensando em alguma coisa. Ele sempre fazia aquilo: confirmava se podia seguir com a ideia inicial ou se seria conveniente trocar. Também a pedido de Katsuya, tentou terminar todos os projetos ou adiantar o máximo que pode para não acumular, de modo que pudessem passar a virada de ano juntos.

O convite para um jantar no Natal partiu de Mayu, a irmã de Katsuya, dizendo que teriam muito frango frito e bolo. Mikaru não negava a comida caseira da sogra, mas Katsuya acabou com aquela pequena fantasia, dizendo que tinham o costume de comprar a comida pois ninguém queria cozinhar no feriado.

Passaram a noite na frente da TV, com Mayu e o pai distraídos com um filme, a mãe da menina conversando com uma irmã pelo telefone e Mikaru e Katsuya revendo os últimos detalhes da viagem. Katsuya ainda não acreditava no quanto o namorado estava sendo irresponsável, planejando fechar a cafeteria num dia de grande movimento, mas ao mesmo tempo estava gostando demais de saber que ele estava fazendo aquilo por sua causa.

Mikaru não costumava comemorar essas datas festivas. Sabia que era puramente comercial, contudo, desde que começaram com aqueles encontros duplos, sua opinião vinha mudando e a data começava a ganhar algum significado. Se irritava com Izumi e os planos de última hora, mas gostava da companhia de Shiroyama e do tempo passado com Katsuya. Se não fosse por aqueles convites, nunca fariam nada diferente. Mikaru por vergonha de convidar e Katsuya por medo de receber uma negativa. Esse ano, entretanto, não fizeram um jantar com os amigos, mas com a família do namorado. E pelo visto também teriam algo diferente para o fim do ano.

* * *

Depois de tanto praguejar, ao ponto de Katsuya perder a conta de quantas vezes foram, os dois trocaram de lugar no carro. Mikaru odiava o frio, odiava sair no frio e mais ainda dirigir no frio. Kurosaki havia entendido na primeira vez que ouviu a reclamação, mas achou que ligar o aquecedor fosse o suficiente para acalmar o namorado.

Mikaru, no banco do carona, ajustou o GPS para não se perderem, pegando um casaco extra no banco de trás e se encolhendo no assento. Queria chegar logo e se esconder embaixo do kotatsu.

— Não está tão frio assim, Mikaru. – Kurosaki tentou iniciar uma conversa para distrair o namorado, mesmo sabendo que seria um caso perdido. Como resposta teve dedos frios pressionados contra seu pescoço, junto com um muxoxo – Hei! Devia colocar luvas!

— Eu estou de luvas! – Kazunari mostrou a mão coberta que segurava a luva retirada há poucos instantes – Se está agradável pra você, ótimo. Fico feliz por isso, mas pra mim não está bom!

— Logo vamos chegar, já passamos da metade do caminho. – mas o otimismo não atingiu o empresário.

— Ainda deve levar quase uma hora… – Mikaru mexeu mais uma vez no aquecedor, em vão por já estar no máximo – Não acredito que conseguiu me convencer a vir pra cá…

Sem responder de prontidão, Katsuya estacionou no acostamento, ignorando o olhar confuso enquanto respirava fundo.

— Você quer voltar? Eu posso dirigir o caminho todo, pegamos outro casaco n-

— Não. Vamos seguir. – Mikaru pareceu afundar no banco, segurando o cinto de segurança com as mãos.

— Tem certeza? Eu não me importo de ficarmos em casa… – a resposta foi um resmungo, uma afirmação, supôs Katsuya – Pretende reclamar a viagem toda?

— Sim. Já passamos da metade do caminho, você aguenta. – Mikaru repetiu as palavras do namorado, sabendo que iria irritá-lo, mas o tiro saiu pela culatra.

— Quem imaginaria que você podia ser tão infantil? – o comentário de Katsuya veio num tom leve e despreocupado, sem se importar com a pirraça do namorado, conseguindo o efeito pretendido. Mikaru voltou a se sentar corretamente, como o adulto profissional que sempre mostrava ser.

As reclamações cessaram após o puxão de orelha. Mikaru não gostava de ser tratado como criança e raramente fazia pirraça, para alívio de Katsuya. O rapaz não ignorava o mal estar do empresário e suas reclamações sobre o frio, mas precisava que ele levasse a sério e avisasse caso realmente não se sentisse bem. Contudo, se sentiu incomodado em certo momento.

— Ok, você venceu. Pode reclamar. – Kurosaki pediu baixinho enquanto ligava o som do carro.

— Já desistiu? – Mikaru sorriu de canto, afastando-lhe a mão do aparelho no painel – Preste atenção na estrada, eu faço isso. Por que o silêncio te incomoda tanto?

— Não sei… casa cheia, talvez. Sempre tem alguém conversando ou fazendo barulho.

— Você fica um bom tempo comigo, já devia ter se acostumado. – Mikaru pousou a mão em sua perna, tentando confortá-lo e mostrar que estava ali – Como achou esse lugar?

Katsuya agradeceu internamente por ser fácil resolver qualquer situação com Mikaru. Depois que aprenderam a conversar a respeito do que incomodava, nenhuma briga perdurava entre os dois. Contou a respeito da visita de um amigo da faculdade, que tirou férias naquele chalé em Fukushima e como gostou do lugar após ver algumas fotos e queria levá-lo para conhecerem juntos.

Chegaram ao destino no final da tarde e nenhum dos dois precisou olhar o lugar por dentro para ter certeza que o passeio seria bom. Estavam juntos e não seria o frio que iria impedi-los de aproveitar e comemorar o feriado.

Notas finais
Numa cena extra imaginária visualizei o pessoal da cafeteria se juntando pra dar algum presente pro Mikaru, como agradecimento pela folga extra. Em seguida, Miura se vendo sozinha com o chefe e sabendo do namoro (spoilers de Outro Alguém huhuhuh) iria perguntar como foi a festinha entre os dois. Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!