Mais um Ato de Amor
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Notas iniciais
– Sabe Kurumi-chan por mais que possam me difamar eu quero deixar claro que não tenho nada contra você – falava uma bela garota enquanto andava calmamente por um bosque com as mãos para trás.
– Sério Aiko-chan? Eu fico muito contente com isso, quando eu e Yato-kun começamos a sair você não se mostrou muito contente – alegrou-se a garota que a seguia.
Suas aparências e intenções eram opostas, enquanto Aiko tinha belíssimos e longos cabelos louros que iam até suas nádegas fartos e com movimento Kurumi tinha lisos e curtos cabelos pretos que não passavam de seus ombros, a primeira tinha olhos amarelos charmosos e a segunda misteriosos olhos azuis.
Aiko era uma perfeita dama seguindo seu amado Yato desde que aprendera a andar e Kurumi... Kurumi era apenas uma pistoleira que caiu de paraquedas e deslumbrou o lorde pelas aventuras que poderia proporcionar, isso, é claro, na visão de Aiko.
– Realmente devo admitir, no inicio fiquei um pouco confusa com tudo, Yato e eu estávamos noivos prestes a nos casar, de repente ele volta para casa com uma gatinha vira-lata, foi uma surpresa, depois vocês ficaram cada vez mais próximos até que ele finalmente cancelou nosso casamento – falou e a outra engoliu em seco, amava o homem mais do que tudo e ouvir aquelas coisas assim tão francamente a fazia pensar que realmente era um ser desprezível – Oh acho que perdi minha linha de pensamento, desculpe-me, mas no fim gostei de você, realmente Kurumi-chan, é uma garota espontânea; ingênua; sincera; de sorriso fácil; amorosa; bondosa, quando você e Yato se casarem e couber a ti a tarefa de governar junto com ele sei que ninguém terá nada contra ti – elogiou de maneira sincera expondo seus pensamentos.
– Aiko-chan eu fico tão feliz com isso, sabe às vezes sinto-me mal quando te vejo, abandonada e solitária pelo castelo – disse não percebendo o sorriso macabro que causou na garota a sua frente.
– Não será assim por muito tempo, ficarei com um homem que vai ser somente meu logo – prometeu tranquilamente.
– Aiko-chan posso perguntar para onde está me levando? – questionou a garota vendo a barra do vestido que loira usava se embrenhar numa árvore, diferente de si que usava calças e botas a dama jamais era vista sem vestidos delicados e graciosos, nesses momentos sentia-se a mulher mais feia do universo, perto de Aiko quem era? Não, os olhos de Yato eram tudo o que importava e se ele a achava a mais perfeita donzela desse mundo era isso que era e isso que deveria ser.
– Não, na verdade não – retrucou rudemente – Não se preocupe, é um lugar maravilhoso, acho que é tão bonito que jamais me preocuparia se fosse minha ultima visão – corrigiu-se virando e sorrindo brevemente sem mostrar os dentes.
Aiko tinha esse dom, fazer com que qualquer um se admirasse perante um sorriso seu, certamente uma bela mulher, se era assim então por que Yato humilhava-a colocando aquela plebeia em seu castelo? Não havia trocado juras de amor? Ele era seu, deveria ser seu, dedicou-se a ele quase insanamente então qual o motivo de tanta hesitação em unir-se a ela?
Passou a mão na cabeça e ajeitou o chapéu que usava, aquela gata não era nada perto de si, jamais seria, era uma das verdades do universo. Por mais que o encantasse ela nunca se portaria bem diante de visitantes, certamente que não faria arranjos de paz tão bem quanto si, no tempo em que permaneceu ali recebeu um total de cinco visitas e em todas não soube como entreter importantes pessoas, ah como era doce o sabor da vitoria quando Yato batia na porta de seu quarto e clamava por sua ajuda.
Mas se era isso que ele planejava ela jamais aceitaria, era uma dama e, sobretudo uma mulher de respeito e honra, suportar a situação de ver homem que amava mimando e acariciando outra para mais tarde soltar elogios no ar dirigidos a ela e somente a ela era incabível, insuportável. A mais terrível das torturas.
– Chegamos – disse quando terminaram de subir a montanha do bosque, dali enxergavam o horizonte coberto por folhagens, dragões voavam ao longe e o sol se punha com lentidão, absolutamente maravilhoso, um cenário meticulosamente preparado.
– Aiko-chan isso é lindo! – maravilhou-se Kurumi correndo bobamente como uma criança pela grama fofa.
– Cuidado para não cair! – alertou Aiko quando a morena aproximou-se perigosamente do abismo.
– Oh sim, obrigada – agradeceu observando a paisagem.
– Kurumi-chan, sabe, na realidade eu te acho a mais safada das vadias – revelou a loira quando a morena estava de costas.
– Como? – indagou confusa certa de que tinha ouvido errado.
– É isso mesmo, como tem coragem de roubar o noivo de outra garota? É desprezível, conheço concubinas que não tiveram tamanha ousadia – explicou-se olhando-a com nojo evidente.
– A-aiko-chan, desculpe-me, mas eu amo Yato, amo-o tanto que mal posso respirar – declarou-se apaixonadamente.
– É só mais uma puta que está atrás do meu homem, não passa de uma diversão. Sabe minha mãe alertou-me sobre isso, homens gostam de procurar em mulheres sem classe aquilo que eles não podem ter de damas de educação, obviamente eu permiti calada, mas pelos bastidores que devemos agir, Yato passou dos limites com você e nem mesmo assim nega que eu sou perfeita para ele, será que é tão cega que não percebeu? Quando as coisas ficam difíceis e ele precisa de uma opinião confiável é a mim que ele procura, com um sorriso doce e palavras gentis ele sabe que eu não lhe poderia negar ajuda e me conquista totalmente, usando e maltratando meu puro amor – contou fechando os olhos e colocando a mão sobre o peito coberto pelo tecido preto e por um laço vermelho.
– Aiko-chan eu-eu sei que não sou suficiente agora, mas posso melhorar, aprender como agir e me portar, talvez um dia ser como você – desculpou-se Kurumi sem entender por completo porquê o fazia.
– Não, nunca, jamais – negou com tom assustador – Sabia que era pra que eu me casasse com o príncipe? Mesmo hoje ele ainda aguarda solteiro que eu volte e lhe diga sim, contudo eu não posso fazer isso, meu coração pertence à Yato. E eu não vou deixar que ele jogue isso fora, como poderia? Dediquei-me a ele de modo insano, machuquei-me, passei fome e incontáveis noites em claro para aprimorar meus conhecimentos em arte, literatura, bons modos, dança e qualquer outra coisa que lhe fosse atraente. Tem ideia de quanto é humilhante essa situação? A esposa e a amante vivendo no mesmo teto? Ele apenas nos usa, diga-me quantas vezes dormiu com ele? Ao menos foi todas numa cama ou colchão qualquer? – acusou levantando as sobrancelhas.
– Não estou te reconhecendo Aiko-chan, eu me dei a Yato, sim, mas-.
– Sem "mas"! – berrou cerrando os punhos.
– Escute – ela pediu fechando os olhos e suspirando – Eu sou a melhor das mulheres, uma bruxa excepcional, não sou do tipo que fica atrás das costas de um marido empurrando-o gentilmente, não, eu tomo a frente puxando-o pelos braços para o destino glorioso que o aguarda, tudo isso com a mascara de uma menininha frágil – disse aproximando-se da morena.
– Não entendo o motivo de estar me dizendo isso – disse recuando para trás, recuou e recuou até que seus pés atingiram a beira do abismo e Aiko estivesse quase colada a si.
– Claro que não, nesse abismo Kurumi-chan existe um ninho de dragões da lama, os ovos chocaram essa noite e eles saíram famintos – informou segurando o queixo da mais alta com os dedos delicadamente – Por isso não se preocupe, quando Yato der falta de você e te procurar, quando ele achar a carta de despedida que eu escrevi copiando com excelência sua caligrafia não restará mais nada de você nesse mundo – sentenciou colando os lábios num beijo casto.
A morena não teve tempo de processar as palavras e tampouco o gesto de sua rival, no segundo seguinte ao beijo a única coisa que pôde fazer foi vislumbrar os olhos amarelos da garota antes que a mesma segurasse seus ombros e a jogasse em direção a inevitável morte.
Gritou e gritou podendo ver as lágrimas voarem acima de si enquanto seus cabelos eram jogados para trás, via o céu mudando de cor e, sobretudo a face insana da mulher que considerava sua amiga.
– Insanamente o suficiente eu amei você – murmurou a loira vendo o corpo sumir diante da profundidade do local, claro que não se referia a vadia que morreria em poucos segundos e sim ao seu amado, finalmente o livrara de mais uma das vadias que o perseguiam.
– Um dia corro o risco de esse abismo ficar lotado – refletiu enquanto dava as costas e voltava para seu palácio, seu amado, seu mundo.
Notas finais
=)
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