Assim que subi, liguei para Betanne, ela sem acreditar, disse:

—O quê? Você está saindo com um amigo gato do seu irmão besta e nerd?

—Não! Acabei de conhecer o Sebastian, mas acho que ele é um dos caras mais gatos que eu já vi.

—Amiga tem certeza? E o Cristhian?

—Acho que ele nunca teria olhos para mim...

—Sai dessa Angel, ele sabe quem você é sim! Eu conversei com ele.

—Ah não sei, sou meio insegura e você sabe. — disse sentando-me na cama.

—Eu sei, mas não precisa se preocupar, você é linda e sabe disso, ele só precisa de um tempo para te conhecer melhor.

—Vamos tomar um sorvete, hoje você está livre? — Perguntei mudando de assunto.

No meio do caminho começou a chover, tive de mudar a rota para um caminho maior, acabei ficando sem sinal no celular e não recebi as mensagens de Beth cancelando o rolê.

Fiquei uns 20 minutos em uma mesa redonda no canto da sorveteria esperando por Beth. Resolvi ir lá para fora pegar um ar, já que o movimento estava fraco por conta da semana do feriado do Natal.

Não acreditei quando vi Ashley e Cristhian passando por mim e entrando na sorveteria como se não me conhecessem, juro que esse foi o cúmulo. O cara que eu to afim saindo com a minha rival infantil? Impossível!

Entrei e peguei duas bolas de sorvete de limão para colocar na minha casquinha de chocolate. Fui embora e sorri para eles.

Como a pista estava molhada e escorregadia por conta da chuva, meu carro acabava deslizando em alguns pontos. A chuva aumentou e eu perdi o controle do volante. Bati de frente em uma árvore que deveria ter cerca de 15 metros e uma espessura sinistra (devem caber umas 5 de mim ali). Fiquei desacordada por um tempo, o que me fez esperar no local até alguém me socorrer.

Acordei no hospital. Dessa vez Beth apareceu, tinha um buquê de orquídeas nas mãos, acho que ela havia colhido de seu próprio quintal.

—Ai graças a Deus você acordou, pensei que nunca mais iria te ver. — disse enquanto corria em minha direção prestes a me abraçar.

—Na verdade... Eu estou em um hospital ou é impressão minha?

—Como assim? Você não lembra mesmo do que aconteceu?

—Não, eu lembro que estava na estrada e perdi o controle do carro. Depois disso eu acordei aqui com você do meu lado.

—Amiga que loucura! Mas o que importa agora é que você está bem.

—Saúde em primeiro lugar — Brinquei. — Por que ligaram para você ao invés de ligarem para meus pais?

—Ah, como o Cristhian não tem o contato de nenhum deles, resolveu me ligar.

—O CRISTHIAN?

—Você realmente não lembra de nada né?

—O que o Cristhian tem a ver com o meu acidente?

—Ele te tirou de lá, da árvore que seu carro bateu. Disse que ouviu o barulho da batida e resolveu ver o que era, não estava muito longe de você pelo visto.

Olhei para o lado de fora da sala e o vi, estava sentado em um banco de couro preto. Tomava água enquanto esperava seu horário de visita.

É, talvez tenha sido nesse momento em que meu mundo resolveu desabar. Será que era agora que o Cristhian iria me notar? Sei lá, talvez eu esteja sonhando alto demais para uma garota comum que nunca teria uma chance com ele.

Viu que acordei e as enfermeiras decidiram liberá-lo.

—Como você passou pelo portal dos monstros? — perguntou Beth jogando um pacote de batatinhas fritas para ele.

—Você sabe, tenho meu charme. — Colocou o pacote de biscoitos de lado e sentou ao meu lado.

— Conseguiu fazê-las se apaixonarem por você assim tão fácil senhor Cristhian? — brinquei.

—Disse ser seu namorado, acho que elas não veem problema em deixar dois amantes se verem de vez em quando.

Ele disse que era meu namorado? O.K. Ele era um louco! Os loucos são os melhores.

—Achei que tinha jogado sua mágica, mas me enganei.

—Minha mágica eu apenas faço acontecer com quem é especial. — Disse enquanto acariciava meu braço e mexia em meus cabelos. Senti cada pelo de meu corpo arrepiar.

—E Ashley?

—Foi com seu motorista logo após minha saída quando ouvi o barulho da batida.

— Acho que ela vai surtar quando descobrir que você me trouxe o hospital e que está aqui comigo, ou não?

—Sei lá, não temos nada definitivo. Ela gosta de mim, mas não faz o meu tipo de garota.

A porta do quarto bateu, uma enfermeira entrou dizendo que uma Rita havia ligado perguntando como eu estava, alegou ser minha mãe e disse que estava indo me ver. Não conheço nenhuma Rita.

— Não posso atrapalhar a visita familiar, outra hora passo aqui para te visitar. — Se despediu me dando um beijo na testa.

— Essa é a hora que você me explica o que acabou de acontecer aqui? — Perguntou Beth abrindo o saquinho de batatas enquanto sentava de modo a entender que queria uma explicação.

— Amiga não sei o que aconteceu com o Cristhian, mas essa história da Rita eu posso te garantir que é mentira.

—Sei lá, hoje em dia a gente vê de tudo, tráfico de crianças, de órgãos, drogas...

Sua frase foi interrompida por uma enfermeira que abriu a porta do quarto e entrou com uma mulher. Era alta e magra, tinha cabelos curtos e ruivos em um tom meio sangue. Usava um sobretudo preto, um jeans e botas pretas.

— Ah minha pequena Angel, como você está enorme! — A mulher veio em minha direção abrindo um sorriso que eu nunca imaginaria que ela soubesse dar.

— A gente se conhece?

— Eu te conheço, mas você não se lembra de mim pois era bem pequena.

— Entendi, você é amiga da minha mãe? Não é todo dia que a gente vê uma estranha tentando se passar por sua mãe em um hospital.

— Eu conheço a sua mãe, Marilyn. Boa pessoa, cuidou bem de você. — Disse com um tom de tristeza na voz.

— Cuidou de mim?

—Eles nunca te contaram? Acho que chegou a hora, minha querida. — Sentou-se ao meu lado e tocou em meus cabelos, seus olhos pareciam tristes e fixos em meu tom azul meio desbotado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.