Mais que bons amigos.
18 Questioned.
Notas iniciais
— Apenas para os registros pode declarar seu nome e cargo no FBI? – Perguntou o homem da corregedoria.
— Agente especial supervisor Aaron Hotchner. – Respondeu Hotchner. Ele tinha alguns cortes no rosto devidamente cobertos por esparadrapos brancos.
— Há quanto tempo está aqui agente Hotchner? – O homem da corregedoria não parecia amistoso.
— Tempo o suficiente. – Respondeu Hotchner.
— Vamos falar sobre essa operação que você e sua equipe executaram na semana passada. – Falou uma mulher que estava ao lado dele.
— O que quer saber? – Perguntou Hotchner. – Se eu me arrependo? Eu não me arrependo de absolutamente nada.
— Uma vida foi perdida agente. – Falou com nervosismo a mulher.
— O que é uma vida em comparação com as demais que poderia tirar se não fosse parado? – Perguntou Hotch.
Uma semana antes...
Hotch voltou alguns minutos depois de ir buscar um café. Ele entrou na sala e os agentes o olharam assustados.
— Algo de errado? – Perguntou Hotch indo para a frente do computador.
Era um email resposta de Erick.
— Tenho medo. – Falou Hotch.
— Tenha coragem em vez de medo. – Falou Rossi.
Hotch abriu o email e respirou fundo.
— Seja o que Deus quiser. – Falou Hotch.
From: erickwrner@gmail.com
Subject: Vamos nos encontrar.
Não esperava mais de você agente Hotchner. Vamos nos encontrar.
Chalé Betty estrada com Roadshore. Venha sozinho com o corpo. Estaremos esperando.
Att,
Erick Warner.
Hotch tirou a arma do coldre a examinou. Depois colocou balas extras e saiu. Simples. Sem dar uma palavra com o time.
— Diga que ele sabe o que está fazendo! – Falou Reid.
— Ele sabe o que está fazendo. – Disse Rossi.
— Ele vai mesmo sozinho? – Perguntou Reid.
— Talvez ele ache que se render é a melhor solução. – Disse Rossi.
— Talvez todos morram. – Disse Reid.
— A única coisa certa é que um dos dois vai morrer. – Disse Rossi. – Erick e Hotchner não podem viver no mesmo mundo.
— E quem você acha que vai morrer? – Perguntou Reid.
— Talvez Hotch dê um jeito de controlar e sobreviva. – Disse Rossi.
— Talvez? – Perguntou Reid. – Não é um bom sinal.
Hotch levou o corpo junto com ele quando saiu. O trato era ele ir sozinho, mas a equipe o seguiu em dois carros de cores diferentes. Ele sabia o tempo todo que estava sendo seguido, mas agia como se não soubesse.
Chalé Betty, Roadshore.
Hotch desligou o motor do carro e sentiu como um vento atravessasse sua espinha toda. Ele verificou a arma e o corpo já em decomposição na traseira do carro. Ele sabia que só havia aquela chance de encontrar sua Penelope.
A equipe se posicionou tão bem escondida quanto pode nas matas que cobriam o local. Não havia sinal de celular. Não havia como chamar reforços.
Hotch retirou o corpo do porta malas e entrou. A porta bateu e não ouve mais nada.
Dias atuais...
— Agente Morgan. – Começou o homem da corregedoria. – O que aconteceu no chalé? E porque vocês seguiram o Agente Hotchner mesmo sabendo do acordo?
Morgan ficou alguns segundos em silêncio.
— Tentando formular uma desculpa convincente o suficiente? – Perguntou o Homem da corregedoria.
— Na verdade estou tentando lembrar de alguns detalhes. – Respondeu Morgan. – Aquele dia foi terrível para todos, mas para o Hotchner foi pior. Tudo aquilo que aconteceu poderia ter sido evitado se o FBI tivesse colaborado.
Uma semana antes
Sede da BAU, FBI
Hotch foi falar com Mateo. Ele esteve em missão por seis meses e tinha acabado de voltar.
— Faz tempo, né? – Perguntou Hotch entrando.
— Faz. – Respondeu Mateo.
— Por onde andou? – Perguntou Hotchner.
— Paquistão, Afeganistão e Israel. – Respondeu Mateo. – Vi o pior que o ser humano pode aguentar.
— Você soube que a Penelope foi raptada. – Falou Hotch.
— É. Eu sei. – Falou Mateo. – E já me contaram o que você pretende fazer.
— Eu preciso. – Respondeu Hotch.
— E é uma loucura. – Retrucou Mateo.
— Não posso perde-la. – Falou Hotch.
— Está certo. – Disse Mateo. – Eu preciso de um tempo.
— Para quê? – Perguntou Hotch.
— Eu acabei de chegar de uma missão de seis meses. – Começou Mateo. – Minha mulher me deixou e levou nossa filha com ela. A minha casa foi penhorada por dividas grandes e eu estou morando em um apartamento cedido pelo governo.
— Sinto Muito. – Falou Hotch. – Ela vai morrer se eu não fizer o que ele está pedindo.
— Então faça. – Disse Mateo. – Faça e eu te ajudo.
— Obrigado senhor. – Disse Hotch.
— E mande o agente Morgan para cá. – Disse Mateo antes de Hotch sair.
— Claro senhor. – Respondeu Hotch.
Dias atuais...
— O que exatamente você e o chefe de seção Cruz conversaram, agente Morgan? – Perguntou o homem da corregedoria.
— Nós traçamos um plano de ataque para resgatar a Penelope. – Respondeu Morgan. – Era ariscado, mas precisávamos traçar.
— Então que plano era esse? – Perguntou o homem da corregedoria.
Uma semana antes...
— Sente-se Agente Morgan. – Disse Mateo.
— Eu ainda não entendi o porquê eu estou aqui. – Disse Morgan.
— Quero traçar um plano de resgate. – Disse Mateo. – Eu sei o que o agente Hotchner pretende fazer e é horrivelmente arriscado ele ir sozinho.
— Concordo senhor. – Disse Morgan. – Mas se ele vir alguém seguindo o Hotch ele vai matar a Penelope.
— Esse é o plano. – Disse Mateo. – Venho trabalhando nisso desde o sequestro dela.
— É um plano bom. – Disse Morgan. – Posso passar para a equipe?
— Com certeza. – Disse Mateo. – Inclusive ao agente Hotchner.
— Estaremos prontos até a hora combinada. – Respondeu Morgan.
Os dois levantaram ao mesmo tempo e apertaram as mãos.
— Se me permite senhor. – Disse Morgan. – Porque não passar o plano para o Hotch ao invés de mim?
— Eu vi a raiva os olhos dele, Agente Morgan. – Respondeu Mateo. – Não estava pronto para ser xingado.
— Ele está realmente apaixonado, Senhor. – Respondeu Morgan. – E depois de tudo o que eles passaram acho coerente.
— Me chame de Mateo, Agente Morgan. – Disse Mateo. – E eles realente se completam.
— Sim. – Disse Morgan. – Vou passar o plano para a equipe.
Morgan saiu da sala e foi para a sala da equipe.
— Prestem muita atenção. – Falou Morgan quando estavam todos presentes. – Esse plano é para resgatarmos a Penelope.
— Ótimo. – Disse Rossi. – Revele para nós.
— Hotch vai se encontrar com o bandido no Chalé Betty em Roadshore as 15:35 da tarde. Ele vai estar com dinheiro, passagens, um documento falso, um corpo em decomposição e a gente seguindo ele o tempo todo em dois carros diferentes. A entrada do chalé tem duas câmeras. Abby vai nos ajudar causando um apagão nelas com uma queda providencial de energia. – Disse Morgan. – Um aviso vai ser emitido para todos os chalés avisando da queda de energia para um reparo falso na fiação elétrica. Os carros vão parar na entrada e Hotchner vai transportar o corpo até a entrada da casa. Ele vai estar com um chaveiro que também é protegido contra qualquer aparelho que possa interferir no sinal.
— Isso é realmente um plano? – Luke parecia se nenhuma esperança.
— Sim. – Morgan disse tão seco quanto chão no calor. – Quando ele convencer o babaca a se entregar a gente entra. E a gente salva a Penelope. Talvez o cara acabe morto e isso resolva os nossos problemas.
— Adorei esse plano. – Falou Rossi. – Estou pronto para isso.
— Então vamos. – Disse Morgan.
Dias Atuais...
— — Agente Rossi. – Falou o homem da corregedoria. – No que pensavam quando executaram esse plano?
— Na vida de uma colega e amiga pessoal de cada um de nós. – Respondeu Rossi. – Quando um amigo está com problemas você deve ajudar ele a superar e arriscar sua vida para salvar a dele.
Reid entrou logo depois de Rossi sair sem dar outras explicações
— O que aconteceu na cabana? – Perguntou o homem. – Agente Reid?
— Nós seguimos o plano, mas algo saiu do controle. – Respondeu Reid.
Uma semana antes...
" Hotch desligou o motor do carro e sentiu como um vento atravessasse sua espinha toda. Ele verificou a arma e o corpo já em decomposição na traseira do carro. Ele sabia que só havia aquela chance de encontrar sua Penelope.
A equipe se posicionou tão bem escondida quanto pode nas matas que cobriam o local. Não havia sinal de celular. Não havia como chamar reforços.
Hotch retirou o corpo do porta malas e entrou. A porta bateu e não ouve mais nada."
Hotch entrou se aproximou com o corpo.
— Sabe quantos favores tive que pedir para poder te entregar o corpo de bandeja? – Perguntou Hotch em tom de ironia. – Se vale de consolo estava enterrado em um bom lugar.
Erick o olhou fixamente. Não falou nem uma palavra.
— Cadê a Garcia? – Perguntou Hotch.
— Naquela sala. – Erick falou. – Acho que ainda está dormindo.
— É bom ela estar viva. – Falou Hotch. – Seu dinheiro está na aleta. Foi difícil trazer o corpo sozinho até a sala. Mesmo para um defunto em decomposição ele pesa.
— Você quer que eu me entregue? É por isso que marcou esse encontro? – Perguntou Erick.
— Um pouco sim, um pouco não. – Falou Hotch.
— O que isso significa? – Perguntou Erick já sem paciência.
— Uma parte minha quer que você reaja e eu tenha que dar um tiro em você. Não fatal, mas o suficiente para deixar a Penelope em segurança. – Disse Hotch. – A outra quer que você se renda sem fazer nada de estupido e consiga resgatar minha amada.
— Não vou me render fácil. – Disse Erick.
— A parte complicada é que não temos câmeras aqui. – Disse Hotch. – E eu poderia te matar e declarar legitima defesa.
— Com um tiro na testa? – Erick riu. – Não seria defesa pessoal.
— Alguns advogados contestariam sua versão. – Disse Hotch. – Eu provavelmente poderia dizer que a arma estava mirada para mim. E dar uns dois tiros e alegar defesa.
— Você não faria isso. – Disse Erick.
— Quando uma pessoa machuca alguém que a gente ama, essa pessoa pode ser morta. – Falou Hotch.
— Ela merece tudo o que ela ganhou. – Disse Erick. – Ela matou Floyd.
— Ela não matou Floyd, Erick. – Disse Hotch. – Ele se matou na cadeia. Ele tirou a própria vida. Ele provavelmente ficaria no corredor da morte por algum tempo e então morreria pior do que morreu.
— Ela abreviou isso. Poderíamos ter tido uma vida juntos. – Disse Erick olhando para o cadáver.
— Ele provavelmente te mataria e arranjaria um outro idiota para ajudá-lo. – Disse Hotch.
Erick provavelmente se mataria antes de se render.
— Ele não faria isso. – Disse Erick apontando a arma para a própria cabeça. Ele sabia que a hora tinha chegado.
— Você não quer tirar sua vida para vingar a dele, Erick. – Disse Hotch. – Não vale a pena morrer.
— Você vai dizer para meu pai que eu me matei? – Perguntou Erick. – Vai dizer o motivo?
— Talvez. – Disse Hotch.
— Você está gravando isso? –Perguntou Erick. – Ha alguém que pode dizer a ele que eu nunca o deixei de ama-lo?
— Provavelmente alguém dirá. – Disse Hotch. – Droga ele percebeu a câmera na abotoadura. – Pensou sozinho. – Que tal me passar a arma e talvez nós possamos chegar a um... – Hotch não conseguiu concluir. O som da arma foi tão forte que a equipe correu para a casa. – Acordo. – Terminou Hotch automaticamente depois de ver Erick no chão.
A porta veio a baixo com o chute sincronizado de Morgan e Rossi.
— Ei Hotch. – Disse Morgan. – O que foi aquilo?
— Ele... Ele se matou. – Falou Hotch.
— Diga que gravou. – Disse Rossi.
— Muito provável que tenha gravado. – Respondeu Hotch. – Tenho que achar a Penelope. – Falou Hotchner.
Ele saiu de perto da equipe abriu a porta de um quartinho nos fundos.
Hotch colocou um sorriso por ver sua garota, mesmo ela estando inconsciente.
— Conseguem uma ambulância? – Perguntou Hotch.
— Acho que posso pedir uma. – Disse Rossi tirando um telefone via satélite do porta malas. – É o melhor.
Rossi discou alguns números.
— Sim. Agente especial David Rossi. Preciso de uma ambulância no chalé Betty em Roadshore. – Falou Rossi quando a moça atendeu do outro lado. – Ela provavelmente foi drogada.
Hotch ficou ao lado de Penelope o tempo todo enquanto a ambulância não chegava. Ele considerava a possibilidade e que, se a ambulância não chegasse em de minutos ele mesmo levaria ela para o hospital. Felizmente a ambulância chegou cinco minutos antes. Eles imobilizaram Penelope e levaram para a Ambulância.
Ela foi colocada no melhor quarto do hospital que o FBI conseguiu com sua influência. O médico havia garantido que ela não havia sofrido nenhuma lesão e até mesmo a leve suspeita de estupro foi descartada. Hotch ficou ao lado dela durante a as 2 horas em que ela ficou desacordada e foi literalmente o primeiro ser vivo que ela viu quando ela acordou.
Hotch ficou contente por ela estar apenas com marcas nas mãos das algemas de plástico nos braços. Ele ficaria ali o tempo necessário para ela se recuperar. Ele sairia apenas para um banho e algumas hora de sono. Penelope nunca ficaria sozinha.
Dias atuais...
— Nós temos as imagens das câmeras do agente Hotchner. – Disse O homem da corregedoria. — Ele não vai ser punido. Mas eu quero saber porque a equipe não entrou com ele, Agente Jareau.
— Ele sabia exatamente o que fazer. – Disse JJ. – Ele tentou fazer Erick se render, mas Erick resolveu se matar.
— Então ele era apaixonado pelo Floyd? – Perguntou o homem da corregedoria.
— Ele era psicopata igual a ele. – Disse JJ. – Ele estudou o caso e ficou apaixonado por Floyd mesmo sabendo que o que ele tinha feito era horrível.
— Então para que ele queria o corpo e o dinheiro se ele iria se matar? – Perguntou o homem.
— Ele provavelmente queria ter uma despedida com o corpo do seu grande amigo. – Disse JJ. – Uma promessa que eles ficariam juntos onde quer que eles estivessem.
— Se matar era um meio de "se encontrar" com Floyd? – Perguntou o homem da corregedoria.
— No nosso meio isso comum. – Respondeu JJ. – Vemos isso todo dia.
JJ saiu e Prentiss foi a última a ser interrogada.
— Agente Prentiss. – Começou o homem. – O romance de Garcia e Hotchner atrapalha a equipe em algo?
Prentiss achou estranha aquela pergunta.
— Eles são perfeitos juntos. – Disse Prentiss. – Se respeitam no ambiente de trabalho. Trabalham como chefe e funcionaria e quando vão para casa esquecem os problemas do trabalham e conversam. Eles fazem as melhores festas. Eles estavam prestes a se casar quando ela foi sequestrada outra vez.
— Não respondeu minha pergunta Agente Prentiss. – Falou o homem da Corregedoria.
— Na verdade a pergunta que você deveria fazer é porque estamos aqui enquanto nós provavelmente deveríamos recebermos uma medalha por um resgate bem-sucedido. – Disse Prentiss. – Porque ninguém aqui tem culpa desse psicopata filho de uma puta ter resolvido acabar com a própria vida antes de acabar com a vida de uma agente supercompetente que é maravilhosa no que faz. O namoro dela com o Agente Hotchner só a fez melhor no trabalho. Ela ainda o chama de senhor no trabalho. – Prentiss se levantou e foi até a porta.
Antes de sair ela ainda disse algumas palavras.
— Quando ela foi baleada, a corregedoria também fez todas essas perguntas por causa de um registro da equipe encriptado. Eles perderam tempo investigando aquilo e ela foi atacada outra vez em sua casa. Ela tinha encriptado o registro da equipe por causa de um hacker alguns anos atrás e como resultado daquilo uma agente foi baleada e ela se sentiu culpada. – Prentiss parecia realmente zangada. – Felizmente ele foi morto e ela foi liberada das acusações. Vocês provavelmente deveriam ficar felizes por ela estar bem e não ficar fazendo perguntas ridículas. – Prentiss abriu a porta e saiu. Ela havia falado tudo que queria e se sentia bem com isso.
— Acho que encerramos por aqui. – Falou o homem da corregedoria.
A equipe se reuniu no hospital. Uma semana era o que Penelope precisaria passar no hospital e ela logo estaria de alta. Quando ela passou com a cadeira de rodas a equipe toda aplaudiu.
— Vai ter casamento? – Perguntou JJ.
— Vai sim. – Respondeu Hotch.
Garcia deu um sorriso e Hotch deu um beijo nela. Aplausos baixos foram dados. Eles realmente mereciam ser felizes.
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