Notas iniciais
Crianças (posso chamá-los assim?),

Esta história é apenas uma lição sobre as coisas imutáveis do coração, daquelas que não se deve lutar contra, pois nenhum de nós é forte o suficiente para vencê-las.

Espero que gostem dela ou pelo menos não achem que lê-la foi tempo perdido. Na verdade, eu gostaria que fosse para vocês apenas uma companhia agradável num final de tarde.

Beijos da Autora ♥

Jacob estava impaciente na porta. Temia que Isabel desistisse de tudo, mas ela não faria isso. Enquanto ela terminava de arrumar a última mala, tentava povoar sua mente com todas as aspirações que a fizeram tomar a decisão de fugir de casa, do país, e recomeçar a sua vida. Em um dado momento pegou-se fitando as cortinas floridas do quarto, então desviou os olhos. Aquelas cortinas guardavam demasiadas lembranças que não seriam nada úteis naquele momento. Desviou também da imagem de Eduardo lhe sorrindo no dia do casamento. Não podia pensar nele. Nem agora, nem nunca mais.

Ao lado de Jacob teria tudo o que o marido desaparecido lhe prometera, mas nunca fora capaz de cumprir: companhia, fidelidade, amor e filhos. Desceu as escadas correndo antes que as recordações pudessem inundá-la, antes que o grande amor que tentava esquecer a acorrentasse ali para sempre.

Ao passar pela porta, pensou se não devia deixar uma carta, mas achou que se sentiria melhor se não o fizesse. Olhou a bela face de Jacob e absorveu toda a atração que ele lhe impunha.

O homem a olhou no fundo dos olhos buscando alguma faísca de arrependimento e quando encontrou beijou-a com toda a paixão que tinha tentando convencê-la de que tudo aquilo era certo, que ele a amava e jamais a abandonaria como o tal do Eduardo fizera. Isabel por sua vez, sentia todo o seu corpo deleitar-se com as delícias daquele beijo, mas não pôde obrigar seu coração a bater tão forte quanto o marido fazia bater e nem convencer a sua consciência de que ela estava coberta de razão em fazer aquilo.

- Vamos, querida. Prometo fazê-la feliz. – ela não respondeu, apenas beijou-o de volta.

Seguiram com o coche para o porto, onde iriam embarcar para a terra natal de Jacob. Uma vez lá, a mulher não pôde evitar que mais recordações viessem atormentá-la, contudo, ao menos desta vez, elas viriam para o bem daquela viagem. Ao olhar para as bancadas nas quais se debruçava a esperar inutilmente pelo marido, ela podia sentir toda a dor de volta e toda a inconformidade também. Os olhos ardiam de raiva de pensar que tantos foram os seus dias perdidos e lágrimas desperdiçadas. E pela primeira vez Isabel não procurou no mar um barco que pudesse trazer o seu querido.

O navio deles já estava ancorado e assim que tiveram permissão de embarcar, Jacob não pôde evitar a impaciência, praticamente arrastando aquela que seria a sua esposa dali por diante, independente do que qualquer padre ou dono de cartório pudesse dizer. Ele a queria muito e não a deixaria escapar por nada nem ninguém.

Quase duas horas depois a embarcação seguiu viagem e Isabel despediu-se da pátria e supostamente da dor e das más lembranças. Ao chegar ao país do agora companheiro se passaria por sua esposa e tudo ficaria bem – ninguém teria por que desconfiar. Jacob trocara a impaciência pela ansiedade de finalmente possuir a mulher que tomara seus pensamentos nos últimos tempos, a atração era forte e recíproca e a paixão irresistível. Tentava controlar as suas emoções e até tentava deixar a expressão séria, mas quem notasse o fogo em seus olhos ou a inquietação da sua mão nos cabelos, saberia o que aquele homem estava passando.

Entrou na cabine em que dormiriam sem conseguir mais esperar, assustando a mulher que antes tirava calmamente as meias e se preparava para dormir.

- Isabel... – chamou-a rouco.

- Sim? – ela o olhou inocente – Já passa da hora de dormir, não acha?

- Eu não quero dormir... — o olhar dele era de um coiote faminto, mas ele se aproximou dela como um lobo se aproxima de sua presa – Eu quero você. Agora.

- Jacob... Eu não sei, eu... – ela lhe lançou um olhar suplicante – Você sabe que faz muito tempo desde que eu... – não pôde terminar a frase.

Jacob a capturou em um beijo longo e devorador, acabou deitando-a na cama e tirando a sua roupa. Distribuía beijos aqui e ali, despertando os desejos daquele corpo tão quente e abandonado, cheio de necessidades físicas. Contudo, nenhuma palavra de afeto fora proferida, apenas os olhos dele denunciavam a fragilidade de um homem apaixonado. Isabel entregou-se e tentou não pensar que comparado às noites que passara com o Eduardo, ter relações com o Jacob era como fazer amor com um bloco de gelo, apesar de ser satisfatório.

Notas finais
E então, crianças?

Devo continuar esta história ou dar um fim a ela? Vocês é que sabem :)

Prometo postar o outro capítulo assim que o primeiro filho de Deus resolver dar a sua opinião - ou então excluir a história para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Um super beijo,
A Abandonada :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.