Notas iniciais
Mostre-me como é Ser o último a ficar em pé E ensine-me a diferença do errado e do certo E eu te mostrarei o que posso ser Diga para mim Diga por mim E eu deixarei essa vida para trás Diga se vale a pena me salvar (Nickelback - Savin' Me) Oi, gente ♥ Voltei com mais um cap. e desta vez dentro do prazo. Aeeee o/ Eu imagino que alguns de vocês perceberam que eu, finalmente, estou voltando a responder o comentários ( Aeeeee² o/) e também estou tentando lançar os capítulos o mais dentro do prazo possivél. E é isso aí o AAAH, e queria agradecer a todos o leitores que aconpaham a fic. Ultrapassamos o numero 100 *o* Vocês são lindos ♥

Pra ser sincero, eu não fiquei surpreso.

Com a pergunta de Isaac, quero dizer. Realmente não fiquei. Eu já imaginava que cedo ou tarde ele iria perceber que havia algo de errado. Apesar de não ser um fato para se orgulhar, Isaac me conhecia bem demais para não reparar. Foi apenas mais rápido do que eu imaginei.

Mas isso não significa que o fato de Diego ter desaparecido segundos seguintes após aquilo tenha de algum jeito favorecido a minha vida. Pelo contrário, me deixou atônito e em um verdadeiro impasse. Quer dizer, Isaac estava convencido de que eu, bem, não era eu. E não dava para explicar toda aquela teoria medonha na qual eu estava envolvido. Pelo menos não para alguém como ele. Até porque minha mente não estava muito preparada para aquele debate frontal.

Mesmo assim, acho que meus lábios estavam se mexendo em alguma resposta, já que o olhar de Isaac estava cheio de expectativas. Só que nenhum som estava realmente saindo. Em parte, porque eu não sabia ainda como responder e, em outra, porque ter alguém como Isaac me pressionando daquela forma não era exatamente o que podemos chamar de “confortável”.

Então a minha única opção foi arriscar:

— Você está bêbado? — Desengasguei.

E não fiz a pergunta em vão, por falar nisso. Na verdade, eu tinha quase total certeza de que ele não estava em seu normal.

Se é que alguma vez ele esteve.

Mas aquilo era o que mais explicava o porquê de Isaac está mais agitado do que de costume.

O problema é que, ele já não é a melhor pessoa do mundo sóbria. Bêbado então, ele era o último ser da terra com quem eu gostaria de bater papo em uma esquina escura. Ainda mais sobre tal assunto.

Acho que foi a primeira vez desde então que eu realmente senti falta de Diego e seus métodos sadistas de se livrar de problemas.

— Não tenta mudar de assunto. — Isaac pressionou o corpo ainda mais contra o meu. E acredite, aquilo foi terrível. — Eu confesso que me sinto idiota por não ter reparado antes. Achei que você poderia simplesmente estar aprendendo um pouco de defesa pessoal, mas... Ninguém muda tanto em tão pouco tempo. — Ele riu e vasculhou algo no meu rosto. — Modo de falar, de agir e... Lutar? Qual é? Para alguém que sequer podia fazer educação física sem ter uma crise de asma? Você não é o Erik...

Ele falava com tanta convicção que era difícil contestar. Até porque, mesmo não sabendo de toda a confusão, ele estava certo no que falava.

Engoli em seco e apenas fiz o que poderia fazer: O encarei de volta. Não que fosse a melhor das ideias, é claro. Pra te ser franco, eu estava tendo um ataque de pânico. Eu só não queria que Isaac percebesse isso.

— Então... Quem você acha que eu sou? — Balbuciei de forma mecânica. — Já que parece ter tanta certeza de que...

— Qualquer pessoa. Mas não o Erik. — Ele me interrompeu e balançou a cabeça. — Vamos lá. Poupe seu tempo e apenas me diga...

Cerrei meus dentes por breves segundos, antes de indagar:

— E por que eu deveria? — Minha voz conseguiu sair mais firme do que esperado.

E foi aí que, graças a Deus, Isaac simplesmente se afastou de mim e relaxou o rosto. Dizendo com um tom de voz brando que, há muito tempo, eu não o via usar:

— Porque eu posso te ajudar. — Foi a magnifica resposta que eu recebi. — Mas para isso eu precisaria primeiro saber porque está fingindo ser o Erik...

Meu corpo simplesmente travou enquanto eu ouvia aquilo. E a minha primeira reação foi arregalar os olhos e deixar meu queixo cair. A segunda, não muito favorável... foi rir.

E foi isso que eu fiz. Apenas ri. De nervoso pra ser mais claro, mas era a única coisa que conseguia fazer.

— Me ajudar? — Falei incrédulo, ainda rindo de um jeito pasmo. — Por que a mudança repentina de ideia? Você passou anos dizendo que eu arruinei a sua vida! Você me bateu, fez todo mundo que eu conhecia me odiar, fez com eu mesmo tivesse vontade de me destruir e... Agora diz que quer “ajudar”?

A expressão de Isaac se fechou. Como se uma pesada nuvem negra acabasse de pousar em sua cabeça. Ele até entortou o pescoço e apertou os olhos para mim.

— Erik?

— É. — Assenti com uma voz estridente. E só então percebi minhas mãos geladas e tremulas. — O Erik que, de acordo com você, é um lobo na pele de uma ovelha. O mesmo Erik que você tentou estrangular algumas incontáveis vezes. Esse Erik. Inclusive me pergunto quem realmente acabou com a vida de quem. Ou você acha mesmo que dois erros fazem um acerto? — Não sei porque eu disse essa última parte. Talvez eu estivesse apenas com muita vontade de soltar aquela verdade para Isaac.

— Não... Nem você pode mudar de personalidade tão de repente... — Isaac apontou para mim, mas não pareceu muito seguro com esta afirmação.

— Bem, eu não sabia que você se encantaria por um personagem. — Me forcei a sorrir. — Acho que você se esqueceu das minhas.... Excepcionais habilidades de atuação. E, só pra que você não entenda errado, eu não preciso de ajuda. Não há nenhum sentimento com qual eu queria sua ajuda...

Ainda sustentei a encarada por alguns segundos, mas eu sentia que quanto mais tempo eu me forçava a fazer aquilo, mais o meu espirito desmoronava.

— Isso é ótimo. — Isaac finalmente respondeu, de uma forma travada. — Pois eu jamais me prestaria ao papel de ajudar alguém como você. Não sei o que há de errado com você, mas seja o que for...

— Por que você apenas não vai embora? — Interrompi em um suspiro. — Não acho que seu pai vai gostar muito de saber que você veio aqui. Bêbado, por falar nisso...

Isaac soltou algo como um rosnado para mim. Ele ainda tinha coisas para falar. Muitas coisas pra falar, aliás. E pelo modo em que sua respiração saia pesada, algo me dizia que eu não ia gostar muito de ouvir. Mas pareceu mudar de ideia na última hora e simplesmente disse:

— Apenas vá para o Inferno. — E então me deu as costas.

Acho que ainda fiquei encarando-o com os lábios entreaberto até ver Isaac sumir do meu campo de visão. Algo persistente em mim dizia que aquilo não tinha acabado exatamente. Então fechei meus olhos e suspirei o ar preso dos meus pulmões.

Ir para o inferno? É, bem legal ouvir isso de alguém que já havia me colocado nele.

Deus sabe como consegui voltar para casa entorpecido do jeito que eu estava. Há certos dias que parecem ter trezentas horas em vez de vinte e quatro. E esse com certeza era um desses dias.

— Até que enfim, Erik. — Felícia se pronunciou assim que notou minha presença. — Agora você sequer respeita o toque de recolher?

Felícia, ao contrário do que Diego acha, não é minha mãe. É minha madrasta. Casada a longos doze anos com meu pai. Ela não é uma pessoa ruim, por falar nisso. Só não nos damos muito bem, eu acho.

Ah, e... Talvez eu deva mencionar que ela é tia do Isaac. O que nos torna uma espécie depressiva de ... Quase primos.

Mas ninguém mais precisava saber exatamente disso.

— Agora não, Felícia. — Murmurei. — Por agora, apenas me deixe em paz.

Não que ela fosse escutar e obedecer. Pelo contrário, era o mesmo que desafiar a fúria de um demônio dizer para ela ficar quieta.

— Você está cada dia pior! — Ela berrou enquanto eu subia as escadas. — Eu vou telefonar para o seu pai. Ele terá que dar um jeito. Nem que tenhamos que te internar em uma clínica.

E talvez ela realmente devesse fazer aquilo. Quer dizer, não a parte de me interna em uma clínica. Isso não. Me referi ao fato dela telefonar ao meu pai. Aposto que com ele em casa, ela se preocuparia bem menos com meu paradeiro.

— Apenas faça isso... — Dei de ombros a ela.

Para ser sincero, o que queria mesmo era dormir até pelo menos o dia do juízo final. Mas acho que isso seria um pouco impossível. Até porque eu tinha um terrível companheiro de quarto que transformava minhas horas de sono em uma parcela do Amargedom.

Mas acho que o dia tinha sido exaustivo para ele também, visto que, até então, Diego também não havia me dado sinal de vida. E, ignore a ironia da coisa.

Veja só, ele não tinha exatamente um corpo. A exaustão dele não era física, era mental. E eu não podia exatamente julgar o quanto isso o derrubava. Quer dizer, eu nunca possuí o corpo de alguém para saber.

— Diego? — Arrisquei chamar.

A resposta foi nenhuma. E confesso que ficar só, ouvindo apenas meus pensamentos, não estava sendo a melhor coisa do mundo naquele momento.

Não que eu devesse achar natural ter vozes falando dentro do meu cérebro. Isso com certeza não é algo que uma pessoa normal deva aceitar tranquilamente. Mas, devido ao último acontecimento com Isaac, eu realmente não queria ficar sozinha com a minha mente.

De qualquer forma, acabei por ficar acordado por mais duas horas após aquilo. Não que eu não estivesse cansado, ou coisa do tipo, porque eu estava. Acontece que eu apenas estava... Bem, estranhando. Não acho que supostos espíritos devessem realmente dormir tanto. Pelo menos não daquele jeito profundo.

Fiquei imaginando se, talvez, Diego tivesse voltado ao próprio corpo. Quero dizer, agora que Caleb também sabia, talvez ele houvesse encontrado uma forma de fazer tudo voltar ao normal.

Bem, não era impossível, certo?

Acabei adormecendo sem minha resposta. Quinze horas de sono profundo, por falar nisso. Nem nos meus piores dias eu dormia por tanto tempo.

Não que eu tenha achado de todo ruim ter perdido aula naquele dia. A última coisa que eu precisava naquele momento era de ver Isaac novamente. O problema, era o fato de eu ainda estar dormindo, comandando meu próprio corpo e com uma mente silenciosa e calma. Tudo isso parecia apenas comprovar a teoria da noite anterior: Diego realmente tinha ido embora tão rápido quanto apareceu.

Mas não se assuste. Essa ideia só durou três segundos.

—Até parece que a coisa é simples assim. — Diego retrucou em resposta ao meu pensamento. — Espero que você tenha tido uma conversa afável com o Isaac. Sua cara não está roxa, então talvez eu possa deduzir que sim...

Acabei suspirando frustrado. Mas ao menos ele, de certa forma, estava bem.

— Agradeço a consideração por ontem. — Resmunguei. — Quer dizer, a culpa dele ter vindo aqui, era a sua. E ainda assim, você resolveu tirar uma soneca...

— Eu não estava tirando uma soneca, Erik. Eu não sou bebê. Ok? — Diego respondeu ríspido. Para alguém que havia dormido com se não houvesse amanhã, ele estava com um terrível mau humor. — O que respondeu a ele? Aliás, você respondeu?

— É claro que respondi. Não é como seu eu pudesse simplesmente ignorá-lo ou... Sair correndo. — Contei. — Não acho que Isaac tenha entendido o que exatamente aconteceu. Ele estava bêbado e, provavelmente, vai ficar confuso em relação a mim. — Suspirei. — Está vendo? É por isso que eu falei para não sair batendo nele como se eu fosse um maluco. Qualquer pessoa normal perceberia que são pessoas diferentes.

— É, mas só de você ter conseguido falar com o cara, sem levar um soco na cara e sem sair gritando... Puxa! Estou orgulhoso. — Honestamente, não sei dizer se ele estava realmente zombando de mim. Vindo de alguém como ele...

Enquanto eu andava pelo quarto em meu aparente monólogo, felícia espancava a porta com força. Imagino que ela não tenha gostado muito do fato de eu não ter levantado na hora correta.

—Espero que ao menos você esteja vivo aí dentro. — Ela gritou.

— Não vamos para a aula hoje? — Diego cantarolou.

— Perdemos a hora. — Falei a ele e me direcionei à porta. — Dormimos demais.

Quando finalmente a abri, a cara de Felícia mostrava que ela estava a um passo de ter um colapso. Me senti culpado naquele momento por ter usado, inutilmente, todos os calmantes dela.

— Hãm...— Eu disse. — Bom... Dia?

—O seu pai chegará hoje, às duas horas. — Ela avisou com dentes travados.

— Você realmente ligou? — Indaguei surpreso. — Ou melhor, ele realmente vem?

Felícia ligar para o meu pai não era estranho. Ele atender ao chamado... É. Isso era um pouco preocupante.

—E o que você esperava? — Ela bradou exasperada. — Primeiro você tenta se matar. E agora, está agindo como um lunático? O diretor da sua escola me ligou. Disse que você quebrou o dedo de um garoto.

— Aah... Sobre isso...— Tentei argumentar.

— Seu comportamento está pior do que a de um marginal! Não confio em ficar em casa com uma pessoa como você.

E ela também não estava de toda errada. Mas, de novo, não dava simplesmente pra explicar.

—Olha, Eu sinto muito. — Foi tudo que pude dizer a ela. — De verdade.

Felícia respirou fundo e colocou uma mecha castanha atrás da orelha.

— Certo, Erik. — Falou de uma maneira mais contida. — Então resolvemos isso hoje. Com seu pai. Você querendo... Ou não.

Não tive outra opção senão assentir. A verdade é que a minha vida estava um tumulto sem fim por causa de Diego e tudo mais.

— Olha, perdoe o meu francês, caro Erik, mas a sua mãe é uma cretina. — Ele pronunciou assim que Felícia nos deu as costas.

Suspirei.

— Não sei nem se tem como culpa-la, Diego. — Levei minhas mãos a testa e esfreguei meu rosto. — Ela, e todo o resto do mundo, deve achar que eu sou louco. E, no mesmo caso que Isaac, a culpa é sua. Mas quem vai ter uma longa e torturante sessão de família agora, sou eu. E isso está ficando cada vez pior.

Lembrei-me da noite passada, quando fiquei me perguntando se Diego havia de fato voltado para o próprio corpo. Seria ótimo. Porém, como ele fez questão de lembrar: As coisas não eram tão simples assim.

Mas não é que eu desgoste realmente dele. Não era isso. Só era preciso reconhecer que, aquela situação era extremamente inconveniente. Para ambos.

— Bem, talvez devêssemos acelerar o processo de encontrar uma forma de você voltar. — Anunciei. — Ou ao menos arrumar essa bagunça na qual nos metemos...

Diego ficou calado. Ficar calado não era exatamente a coisa preferida dele, mas naquele momento ele ficou.

— E... se eu falar que, talvez, eu saiba?— Ele disse simplesmente depois de alguns minutos.

— Sabe o que? Uma forma de arrumarmos a bagunça? — Murmurei incrédulo. — Acho melhor não. Vai que fique pior e...

— Não. — Ele me interrompeu com uma voz molesta. — Estou dizendo que, de alguma forma, eu sei exatamente como voltar. Mas, sinceramente, acho que não vou...

Notas finais
E é isso aí o/ Espero que tenham gostado gente. E se gostaram, comente para eu saber... E se não gostou, comente também pra eu saber kkkk Então até domingo que vem. Beijos