Mais cinco minutos, talvez?

13 capítulo 13- Erik.


Notas iniciais
Você é estragado como eu? Estranho como eu? Acende fósforos só para engolir a chama como eu? Você se intitula como um furacão como eu? Apontando dedos pois nunca vai assumir a culpa como eu? (Halsey-Gasoline) Olá, povo ♥ Tudo bom? Advinha que está muito feliz essa semana? Isso mesmo, euzinha! E sabe por que? Porque vocês, leitores lindos da minha vida, são as criaturinhas mais adoráveis ♥ A fic chegou aos seus mais de 200 acompanhamentos ♥ Eu recebi comentários maravilhosos ♥ Muito obrigada, aliás, aos que comentaram ♥ E pra fechar com chave de ouro, ganhei um banner( Que estou usando como protetor de tela porque amei de mais ♥) da linda leitora Mrs Born to Lose, e, como eu amo exibir o talento de vocês, ele vai estar no fim do capítulo ♥ Enfim, queria agradecer a todos que acompanham, favoritam, comentam e demonstram tanto carinho comigo e com a fanfic ♥

O som cruel de um alarme me acordou.

Não de uma forma boa, por falar nisso. Minha cabeça latejou contra o travesseiro, minha boca estava seca, meus olhos não abriam e eu podia jurar que meu estômago havia passado por uma centrífuga.

A princípio, acabei deduzindo que estava no meu quarto e que aquilo queria dizer que eu deveria me levantar logo se eu não quisesse chegar atrasado novamente na escola. Estiquei a mão e tateei por todo o lado tentando encontrar a fonte do barulho maldito, mas, em vez do relógio que ficava na cabeceira da cama, meus dedos acabaram entrando em contato com algo morno, macio... E que por um acaso também estava respirando.

Esse último detalhe fez com que meus olhos se abrissem.

Para meu completo horror, percebi que não estava no meu quarto. Não estava nem mesmo em casa. E não tinha a menor ideia de como eu havia ido parar ali. Ou melhor, não tinha a menor ideia de quando eu havia adormecido na noite anterior. Muito menos em que momento da noite fatídica eu acabei indo parar na mesma cama que ninguém menos do que Caleb, usando o peito dele confortavelmente como um travesseiro.

A minha primeira reação foi a de me sentar em sobressalto na cama. Uma péssima decisão, por sinal, pois isso só fez a dor de cabeça piorar. A segunda reação foi de desligar o alarme e ver que já se passava das oito da manhã. E a terceira reação... Foi a de entrar em completo surto.

Bem, não foi exatamente culpa minha, ok? Eu mal conseguia me lembrar do meu nome, quem dirá o motivo que me fez acabar acordando na mesma cama que Caleb. Então não é como se eu tivesse conseguido fazer alguma outra coisa inteligente, além de começar a gritar. Porque foi exatamente isso que eu fiz. Segundos depois de perceber todas as coisas citadas acima, gritei com todo o ar que tinha nos pulmões.

Isso não foi uma boa ideia. Na verdade, acho que começar a gritar aleatoriamente quando há alguém dormindo confortavelmente ao seu lado nunca é uma boa ideia, mas isso não me ocorreu naquele momento.

— Mas que merda é essa...? — Foi a primeira coisa que Caleb proferiu, se sentando completamente desperto, porém confuso, na cama. — A casa tá pegando fogo?

— Ah, meu Deus...— Gemi, não apenas pela dor que pareceu triplicar, mas também por toda a situação— O que foi que aconteceu?

Naquele momento, acho que eu não queria a resposta para aquela pergunta. Pelo menos, não depois de dar uma olhada em Caleb, que estava me encarando ainda assustado por ter sido acordado aos gritos, e perceber que ele estava nu da cintura pra cima. E eu me recusava a olhar da cintura pra baixo. Em vez disso, dei uma olhada em mim mesmo e, ao menos, percebi que estava completamente vestido. Mas com roupas que não eram nem longe minhas.

— Por que você está gritando como se fosse um animal morrendo? — Ele ralhou. — Minha cabeça tá doendo pra cacete agora. Cara, que sorte que meu pai já saiu a essa hora...

Caleb passou a mão pelo rosto e apertou as têmporas. Ele não parecia nem um pouco preocupado, ou chocado, com o fato de estarmos na mesma cama. O que me fez imaginar que ele tinha uma boa explicação para aquilo.

Permaneci completamente inerte olhando pra ele.

— Existe... Um motivo para eu estar aqui, certo? — Minha voz titubeou.

—É. Meu irmão te deixou completamente chapado ontem à noite —Ele comentou. — Eu avisei pra ele que não era uma boa ideia beber daquele jeito, mas entre falar com Diego e falar com uma privada, a privada me escuta muito mais.

Caleb se levantou da cama e, para meu completo alivio, ele ao menos estava de bermuda.

— O que aconteceu depois disso? — Incentivei a continuar.

— Você desmaiou no sofá. E eu te trouxe pra cá. — Ele fez uma pausa. — Na verdade eu pensei em te levar pro quarto do Diego, mas você começou a passar mal e eu vi que não ia ser uma boa ideia te deixar lá.

— E então você trocou minhas roupas?

— É. — Ele contou. — Porque você vomitou nas outras.

Minha boca se escancarou.

Aparentemente a minha humilhação era pior que um poço sem fundo. E algo me dizia que, quanto mais eu cavasse, mais sessão de vergonha alheia eu protagonizaria.

Assenti para ele de forma mecânica; apesar de que ouvir aquilo melhorou um bocado o peso dos meus pulmões. E também explicava totalmente o porquê de eu estar me sentindo como se tivesse acabado de sair de um liquidificador.

Ainda assim eu continuei:

— Então... Com exceção de tudo isso... Não aconteceu mais nada realmente memorável na noite passada? — Eu só voltaria a respirar normal depois dessa certeza.

Caleb coçou a cabeça, claramente incomodado com tantas perguntas, e estava pronto pra assentir pra mim, mas algo o fez parar no meio do caminho. E então ele começou a me encarar. Não de uma forma amigável, aliás. Era como se ele estivesse se lembrando de algo bem desagradável a meu respeito, e isso me fez encolher aonde estava.

— Não aconteceu nada. — Ele respondeu rispidamente. E notou isso tanto quanto eu, já que prosseguiu em um tom de voz mais ameno: — Não aconteceu nada consideravelmente relevante com que você tenha que se preocupar. Certo? — Foi o que ele disse.

Mas, depois disso, Caleb parecia não querer olhar mais diretamente pra mim.

Ele havia me arrumado uma escova de dentes nova, me mostrou onde ficava o banheiro e me deixou tomar banho. Depois até mesmo me emprestou novas roupas e estava, por fim, fazendo café. Bem, isto teria sido muito atencioso da parte dele... Se eu não sentisse que havia algo sobre mim que o estava incomodando terrivelmente.

Até me ocorrer que talvez não fosse realmente sobre mim.

— Hum... Você e Diego brigaram de novo? — Me arrisquei a perguntar depois de um tempo, já que o silêncio estava constrangedor.

Mas talvez tenha sido um erro fazer aquela pergunta. Porque Caleb começou a apertar um pedaço de pão que estava em suas mãos com muita força e eu só pude desejar em silêncio que aquilo não fosse, na verdade, um substituto para o meu pescoço. Ou o pescoço de Diego.

— Sabe, Erik? — Ele apertou os lábios pra mim. — O problema é que a vida é uma merda. E o meu irmão conspira para que as coisas fiquem ainda pior. Isso me irrita! Entende?

Com certeza eu entendia. Assim como também entendia que, seja lá o que Diego fez dessa vez, Caleb parecia realmente chateado.

— O dia de ontem não foi muito bom. — Tentei amenizar para ele. — Pra nenhum de nós, aliás.

Isso ao menos fez com que Caleb parasse de esganar o pão e, finalmente, voltasse a olhar pra mim.

— Por falar nisso — Ele apontou. — Sua família não já deve estar sentindo sua falta a essa hora?

Senti como se toda a realidade da minha vida voltasse de uma vez ao meu cérebro confuso e fiquei de pé imediatamente. Eu havia me esquecido totalmente dessa parte! E algo me dizia que eu não deveria. Ter me esquecido, quero dizer.

— Ah, Deus... — Murmurei. — Eu estou muito ferrado!

— Não tem problema. — Caleb deu de ombros, também se levantando. — Eu te levo em casa. Apenas me dê um tempo pra trocar de roupa.

Eu aceitei totalmente. Quer dizer, eu nem tinha, na verdade a opção de recusar. Não àquela altura do tempo.

Caleb voltou para o quarto, me deixando ainda completamente chocado com o fato de que, por alguns minutos, me esqueci completamente de que aquela não era minha casa, Caleb não era meu irmão mais velho e eu com certeza não deveria estar ali, tomando café da manhã e me sentido confortável.

— Você também está sentindo como se estivesse morrendo? — A voz dolorida de Diego me tirou dos devaneios. — Eu morri uma vez, mas não me lembro de ter sido tão desagradável quanto isso...

— Eu pensei que você já estava acostumado com crises de ressaca. — Eu falei a ele. — Obrigado, aliás, por me dar uma de presente.

— Não, Erik. — A voz saiu arrastada. — Ninguém nunca se acostuma com essa merda. É algum tipo de punição divina por causa dos nossos pecados. Você não sente?

Sim, eu sentia. Era como se tivesse um amplificador nos meus ouvidos fazendo com que todo e qualquer barulho virasse uma bomba na minha Cabeça. Meu cérebro parecia um balão de água prestes a estourar e eu tenho certeza que o meu estômago havia sido atropelado por um cortador de grama.

— É, estou sentido. — Resmunguei. — Com muita intensidade, por falar nisso.

— Então, pelo amor de Deus... — Diego chiou. — Vá pegar uma aspirina! Ou você realmente espera que esse café resolva tudo isso milagrosamente?

Bem, não esperava. Mas Caleb havia feito com boas intenções para mim, então eu estava bebendo. E olha que eu nem gosto realmente de café.

— Não posso tomar aspirinas. — Contei a ele. E isso era realmente verdade. — Tenho alergia.

— Você está brincando com a minha cara? — Ele esganiçou. — Como assim “alergia”?

Não tive tempo de responde-lo. Caleb apareceu, devidamente vestido em seus jeans escuros, apontando para a porta da sala.

— Podemos ir quando quiser. — Ele disse a mim, ao mesmo tempo em que Diego falava:

— Não diga a ele que estou acordado. — Seu tom de voz soou sério. — Finja que eu ainda não dei as caras hoje e ele não fará nenhuma pergunta.

É. Então eles haviam mesmo brigado, afinal. Isso também explicava por que Diego estava completamente quieto desde que havíamos acordado.

— Agora! — Falei a Caleb. — Terei sorte se no caminho não encontrarmos nenhum jornal com a minha foto estampada nele...

Ele sorriu e, provavelmente, levou na brincadeira. Mas eu estava falando bem sério. Eu precisava mesmo chegar o quanto antes em casa. O antes, pelo menos, da minha família causar uma cena.

O que eu não imaginava, porém, é que a melhor, e única, forma que me haviam encontrado para isto seria na garupa de uma moto.

— Uma moto? Sério? — Diego ficou indignado no meu lugar. — Pouco mais de duas semanas após meu acidente e o babacão já comprou outra moto?

Ignorando os protestos de Diego na minha cabeça, dei um sorriso amarelo pra Caleb e então olhei, nem um pouco confortável, para a moto vermelha a minha frente. Porque, pra falar a verdade, não gosto de motos. Não há onde se segurar ou como se proteger em uma coisa daquelas.

— Você comprou outra? — Torci pra que minha voz não saísse tão medrosa quanto eu. — Você sabe, depois do acidente...

Caleb parou de alisar aquela coisa e voltou a olhar pra mim com semblante sério.

— Não comprei. — Ele se sentou sobre ela. — Apenas me emprestaram até que o dinheiro do seguro saia.

Continuei com minha cara paralisada enquanto assentia.

— Aquela moto tinha seguro? Por que eu nunca soube disso? — Diego ainda estava reclamando.

Caleb me jogou um capacete que me acertou bem no estomago e, por pouco, não caiu no chão.

— Não vai subir? — Ele me encarou.

Pensei em dizer que não. Pensei em dizer que eu poderia ir andando ou que pegaria um taxi e pagaria quando chegasse em casa. Pensei em milhões de coisa que poderiam evitar completamente que eu subisse naquela moto.

E então subi.

— É. — Eu disse com a respiração descompassada. Talvez por causa do capacete. — O que faço agora?

— Segure-se. — Foi tudo que ele me disse.

Eu estava a poucos segundos de perguntar a Caleb aonde, exatamente, eu deveria me segurar naquela coisa, mas não deu tempo. Antes mesmo que a minha boca se abrisse para a palavra “ aonde”, ele já havia dado partida naquele negócio e parecia fazer um bom uso do acelerador.

O solavanco foi tão repentino que me agarrei à primeira coisa que achei confiável o suficiente para não me deixar cair pra trás: as costas de Caleb.

Eu nunca havia subido numa moto em toda a minha vida. Em parte, porque eu realmente nunca gostei delas e, em parte por que meu pai jamais me permitiria subir em uma. E depois que conheci Diego e toda sua terrível experiência com o veículo confesso que minha opinião a respeito apenas piorou.

Entretanto lá estava eu. Costurando entre os carros, com estômago a ponto de sair pela minha garganta e me apertando contra Caleb com tanta força que fico surpreso de não o ter sufocado durante todo o caminho.

Mas ao menos, chegamos rápido em casa. Inteiros, por falar nisso.

Trinta e duas quadras é uma distância bastante longa caso você resolva ir a pé, mas na garupa da moto de um cara que acha que o acelerador não precisa ter limites, um tempo de quinze minutos é mais que o suficiente. E isso eu precisava concordar: Era incrível.

— Uau! — Foi o que Caleb disse quando parou em frente a minha casa. — Quando Diego disse que você tinha grana, não era brincadeira, não é?

— Eu não tenho nenhum dinheiro. — Minha cabeça estava rodando quando eu desci daquela moto. — Meu pai é quem tem. Eu só moroaqui. — Devolvi o capacete a ele.

— Você quer que vá com você e tente explicar pra sua família o que aconteceu? — Caleb se ofereceu.

— Melhor não. — Me apressei em dizer. — A coisa ficaria ainda mais complicada, na verdade...

Quer dizer, eu não sei nem se eles iam entender o fato de eu não ter dormido em casa sem dar nenhum aviso. Quem dirá aparecer no salão principal exibindo um lindo motoqueiro, com mais de 1,90 de altura todo tatuado! Felícia ia enfartar na minha frente.

E eu também não queria que Caleb presenciasse a bronca que eu ia receber...

— Tudo bem. — Ele apenas deu de ombros, e me encarou por um estante. — Pode me fazer um favor, Erik?

— Hã... Claro. — Ele tinha cuidado de mim bêbado! Eu não tinha o direito de recusar de Caleb pelos próximos mil anos.

— Poderia dizer ao meu irmão pra parar de tentar ser um maldito herói? — A mesma expressão que eu vi no rosto de Caleb de manhã surgiu novamente. — Porque, no final, eu com certeza não serei um.

E essa foi a última coisa que ele me disse antes de voltar a dar partida na moto e desaparecer rua abaixo.

— Você ouviu? — Falei a Diego, abrindo com pouca vontade o portão.

— Ouvi. — Ele me respondeu com a voz fria. — Mas, por ora, vou fingir que não.

Se eu não estivesse tão mais preocupado com o que me esperava em casa, juro que teria perguntando sobre o que se tratava.

Mas ao menos não havia nenhuma viatura de polícia, bombeiros ou o exército na frente da minha casa e isso por si só já era um grande alivio. Já havia acontecido outras vezes, então não é como se eu pudesse me dar o luxo de não me preocupar com a hipótese.

A porta da sala foi aberta antes mesmo que eu pudesse encaixar minhas chaves nela.

— Aonde, no mundo, você estava? — Felícia me recebeu com uma carranca. E eu quase, muito quase mesmo, notei um tom de preocupação em sua pergunta. — Por que desapareceu?

— Eu não desapareci. — Garanti, me espremendo entre ela e o vão da porta. — Apenas passei a noite na casa de um amigo...

— Você não tem amigos! — Ela jogou na minha cara, fechando a porta com força.

— Eu arrumei um. —Dei um sorrisinho sem graça para ela, que permaneceu emburrada. — Preciso contar ao papai que ainda estou vivo. Onde ele está?

Ela balançou a cabeça e apontou para o escritório. Nenhuma novidade.

Respirei fundo, rezando para que meu pai não notasse a minha terrível ressaca que ainda martelava minha cabeça, antes de abrir a porta e anunciar que o filho pródigo estava de volta.

Me preparei para o sermão e o surto que ele teria pra cima de mim, e entrei.

Mas não foi as olheiras e as rugas de preocupação do meu pai que eu avistei assim que passei pela porta de madeira e adentrei no escritório. O que eu vi, na verdade, foram os olhos frios e inexpressivos de Isaac me percebendo ao mesmo tempo em que eu o percebia.

O choque de vê-lo ali só não fora maior do que o de acordar na mesma cama que Caleb.

— O que você faz aqui? — Minha voz morreu a cada silaba.

Antes da minha resposta alguém me puxou para um abraço desajeitado.

— Ah, Erik, graças a Deus! — Só então notei meu pai, que também estava ali. Mas eu simplesmente não conseguia desviar os olhos dos de Isaac. — Onde você esteve?

— Por que ele está aqui? — Minha voz saiu histérica. Bem, não era pra menos. Isaac estava na minha casa! O único lugar que ele nunca deveria voltar a pisar.

— Seu pai me ligou. — Ele me lançou um sorriso presunçoso e veio em minha direção. — Porque aparentemente, eu fui a última pessoa a ver você. Aonde estava?

A minha cabeça estava a poucos segundos de cair do meu pescoço.

— Provavelmente fugiu após ser suspenso da escola. — Felícia estava falando, mas a voz dela estava oca nos meus ouvidos.

— Francamente, Erik — Meu pai também tentou me censurar. — O que está acontecendo com você esses dias?

— Sim, Erik. — O sorriso de Isaac aumentou. — Até parece que você virou outra pessoa...

— Ah, que vontade de matar esse cretino... — A voz de Diego se sobressaiu no meio ao caos.

Minha respiração estava falhando e tenho certeza que uma crise de pânico estava a caminho. Me desvencilhei dos braços do meu pai, passando rudemente por Felícia sem olhar pra trás e ignorando seja lá o que eles falavam, e corri para o meu quarto.

É uma atitude covarde, você pode dizer. Mas eu só queria ficar longe deles. De Isaac principalmente.

Mas eu preciso admitir: Ele era mais audacioso do que eu imaginava.

Tão audacioso que, antes mesmo que eu conseguisse controlar minha respiração novamente, Isaac estava esmurrando a porta do meu quarto.

— Abra a porta, Erik. — Ele mandou simplesmente.

— Vai embora. — Foi o que eu, inteligivelmente, consegui responder.

— Mesmo? — A voz dele saiu irritantemente calma e ele parou de bater. — Eu até mesmo vim aqui por você! Sabe? Por causa do que aconteceu no refeitório. — Eu quase podia imaginá-lo sorrindo. — Você não acha que isso é um assunto muito particular pra ser gritando através de uma porta?

Eu não deveria ceder as provocações dele. Não deveria abrir aquela porta. Eu só precisava ignorar que uma hora Isaac teria de ir embora. Mas eu não conseguia fazer isso. Algo em mim não se conformava com nada daquilo. E foi isso que me fez abrir aquela porta e encarar o rosto de Isaac.

— Por que realmente está aqui? — Minha voz saiu firme. — Não pode me deixar em paz nem mesmo aqui?

Ele me ignorou, passando por mim e entrando no meu quarto, fechando a porta logo em seguida. E então se voltou pra mim com a mesma expressão cruel de sempre.

— Aonde você esteve?

— Isso não é da sua conta. — Tive a petulância de responder.

Ele continuou me encarando, como se quisesse ter a certeza de que estava falando mesmo comigo. Os olhos dele pareciam queimar cada parte do meu corpo.

— Você arrumou um namorado? — Ele sentenciou pra mim, vindo em minha direção. — Essas roupas claramente não são suas. A sua vida anda muito agitada...

Pela primeira vez eu não estava recuando quando ele se aproximava.

— E quanto a você? — Balbuciei, apesar de encará-lo. — Abandonou dez anos de orgulho apenas pra saber aonde e com quem eu passei a noite? — Algo em minha garganta travou. — Voltou a pisar os pés na mesma casa da qual foi expulso como um cachorro apenas pra me perseguir? Você é mais estupido do que eu imaginava...

Eu queria dizer mais. Queria dizer a ele coisas que tenho certeza que nunca mais iria conseguir dizer se não naquele súbito momento de coragem. Mas Isaac tampou minha boca, me fazendo engolir cada palavra, e me fez recuar até a minha cama. O peso dele me fez ceder e eu cai de costa sobre o colchão com Isaac em cima de mim e a mão ainda em minha boca.

— Não fale como se a maldita culpa não tivesse sido sua. — Ele rosnou. — Suas mentiras e seu egocentrismo, aliás.

Meu coração batia com tanta força contra meu peito que eu podia jurar que Isaac podia ouvi-lo.

Ele retirou a mão lentamente, como se tivesse garantindo que eu não fosse começar a gritar a qualquer momento. Mas eu não ia.

Isaac permaneceu sobre mim em uma posição deveras comprometedora tanto pra ele quanto pra mim, de modo que eu podia sentir sua respiração sobre meu rosto.

— Você pode sair de cima de mim agora? — Minha voz soou firme, mas ele nem se mexeu.

Tentei me arrastar pela cama para sair da prisão que era o corpo dele, mas Isaac subitamente usou as mãos que há pouco tampavam minha boca e prendeu meus pulsos.

— O seu rosto é tão apático sobre tudo que acontece que as vezes eu realmente penso que você já está morto. — Ele soltou uma risada. — Mas há várias formas de fazer você voltar a se sentir vivo, não é?

Pela forma que Isaac se aproximou novamente do meu rosto eu já podia imaginar como aquilo terminaria. E o modo como que aquilo terminaria não era bom. Não mesmo.

Fechei meus olhos por instinto quando os lábios de Isaac cobriram os meus pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas.

— Bem, ele foi avisado uma vez. — A voz de Diego soou calma em minha cabeça de repente, apesar de eu sentir que ele estava irritado. — Mas Isaac está claramente me desafiando. E acho que já passou dá hora de deixar bem claro de que sou eu quem vai ditar as regras aqui...

Mal tive tempo de entender o que ele estava dizendo, porque tudo em seguida aconteceu muito rapidamente.

E, exatamente como eu havia dito, aquilo não terminou de um jeito bom.

Notas finais
EEEE... Fim. É. Só semana que vem agora :D Mas digam aí: Este foi ou não foi o capítulo com mais fanservice dessa Fanfics? Eu pelo menos achei. kkk E Diego, hein? Será que vai finalmente concluir toda a sua pequena lista de maldades no corpo do Erik? (Sabem? Aquela do capítulo 1? muhahaha) Finjam que eu não disse nada. Só sei que, aos meus amores que surtaram no capítulo retrasado, vão preparando o desfibrilador porque vai precisar ter coração forte pros próximos capítulos... E gente, espero com todo o coração que vocês tenham gostado deste aqui ♥ Fiz com muito carinho pra vocês! Estou amando os comentários, as confusões e os dilemas que vocês estão e adoraria confabular com vocês ♥ Ah, e principalmente as artes que me mandam ♥ Um grande beijo e até a próxima!! Bem, neste exato momento é mais de duas da manhã, um vizinho meu está apertando uma buzina maldita e me fazendo querer matá-lo, e eu estou a mais de quinze horas escrevendo... ( Isso não tem nada a ver com a história. É só um desabafo. kkk)