Mais cinco minutos, talvez?
9 capítulo 9- Diego.
Notas iniciais
Primeiramente, vamos deixar claro que a culpa não foi minha.
Pra início de conversa, eu nem deveria ter contado aquilo para o Erik. Afinal, quando você começa a falar esse tipo de coisa aleatória sobre algo relativamente importante, sempre vai ser necessário soltar uma boa explicação logo em seguida.
Mas não olhem pra mim! Eu não tinha uma explicação super lógica para dar a ele. Eu entendia da coisa toda tanto quanto você...
É, ok. Talvez um pouquinho mais devido aos acontecimentos.
Mas eu nem sei se aquilo foi realmente sério, pra falar a verdade. E também não sabia de absolutamente nada até aquele momento. O meu único erro foi ter dormido na hora errada, ou sei lá o que realmente aconteceu com a minha consciência naquele momento. Tudo que eu me lembro era de estar tendo uma conversar bem empolgante com Isaac, quando algo forte demais apagou a minha mente.
Mesmo assim, eu prefiro apostar que tive um sonho bem louco.
Dizem que sonhos são desejos reprimidos da mente. Mas, pra te ser franco, não acho que devemos confiar muito nessa informação. Quer dizer, uma vez eu sonhei que estava sendo perseguido por bodes. E não acho que isso seria um desejo reprimido da minha mente.
Não que os bodes venham ao caso no momento.
O problema em questão é que eu não sabia que dava pra sonhar naquele estado em que eu estava. Afinal, você sabe, pra ter sonhos é preciso primeiro ter um cérebro. E não acho que o do Erik estava muito encarregado dessa função. Mas qualquer outra explicação além dessa me faz pensar que eu viajei legal na maionese.
E qualquer um pensaria a mesma coisa se, ao invés da cara confusa de Isaac, do nada percebesse que estava diante de um guichê de... Bem, eu sei lá do que era aquele negócio. Só sei que estava em um enorme corredor.
Uma das coisas que mais notei, até porque não tinha como não notar, era uma placa bem grande, bem grande mesmo, na frente do balcão escrita com uma letra amarela bem chamativa: “ Como podemos te ajudar? ”.
Oh, bem. Eu não sabia como podiam me ajudar. Aliás, eu nem sei exatamente em que quesito eu precisava mais de ajuda. Espiritual, mental, emocional ou.... Físico. Mas imagino que eles sabiam muito bem, já que me mandaram pra lá e tudo mais.
E sabe o que eu quero dizer com “ eles”? Isso mesmo! Lá estava eu, novamente, na droga do outro plano de vida. É um lugar meio inesquecível, sabe? Não é como se eu não fosse perceber.
E vou te dizer: Não fiquei feliz. Não fiquei mesmo. De modo que só fechei meus olhos e exclamei um revoltado:
— Puta merda! De novo, não... — É, talvez isso não seja muito poético de se dizer, mas... Poxa! Olha só a situação. O que esperava que eu dissesse? “ Uau, supimpa! ” ou coisa do tipo? Eu estava só, em uma fila incontável de guichês fantasmagóricos. E com certeza aquele não era o melhor programa pra uma quinta-feira à noite.
—Não se preocupe. Você não morreu novamente. — Uma voz feminina esclareceu logo em seguida.
Por algum motivo, não me senti muito melhor com a repentina companhia. Tudo bem que eu também não estava curtindo muito o clima sepulcral de antes, mas... Não dava pra se sentir à vontade naquele lugar. Pelo amor de Deus!
E eu realmente gostaria de descrever como ela era. Aliás, eu gostaria de lembrar. Mas eu não sou muito bom com rostos e só me lembro que ela parecia uma senhora. Que provavelmente estava se divertindo com a minha cara de idiota.
Abri minha boca pra perguntar algo que, na minha mente, era muito importante e relevante para a situação, mas... Eu realmente não sei como é que acabou saindo:
— Eu to chapado ou coisa do tipo? — Indaguei de uma maneira bem confusa e totalmente condizente com o modo que eu estava me sentido.
A tal da senhora que, supostamente, era super gente fina, soltou um risinho pra mim, antes de dizer:
—Não se preocupe. Estamos aqui apenas para reparar a situação na qual você está...
Quando ela disse isso, confesso que senti uma vontade imensa de abraça-la só pra agradecer por finalmente terem tomado vergonha na cara e notado a merda que haviam feito comigo. Quer dizer que então eu finalmente poderia voltar ao meu corpo. Sem dor, nem sofrimento e sem mais perrengues.
Ha ha. Claro. Porque a vida é simples assim, não é?
— Você voltará para o seu corpo e tudo voltará a ser como era. — Ela continuava com aquela amenidade, enquanto eu só conseguia imaginar eu lindo, voltando para mim mesmo.
Mas antes, obvio, eu tive que fazer pergunta que não queria calar:
— E como é que eu faço isso?
Ela cruzou as mãos e ajeitou os ombros. Eu imagino que ela só ajeitou mesmo. Me recuso a acreditar que ela deu de ombros pra mim.
— Bem, tudo que você precisa fazer é... Nos devolver o garoto. — Ela falou docemente.
As palavras dela não me causaram reação instantânea. Fiquei piscando por um tempo. Um bom tempo mesmo, aliás. Pra ver se captava a ideia. Mas como não rolou, tive que perguntar de novo:
— Que garoto?
A pergunta provavelmente soou estupida aos ouvidos dela, já que ela ergueu os braços e disse:
— O que você levou junto quando voltou, é obvio!
Imagino que era uma coisa tão óbvia, mas tão óbvia... Que eu realmente não entendi. Quer dizer, eu não levei ninguém comigo. Estava sozinho, tranquilo, caindo céu abaixo, até simplesmente cair no corpo do Erik e então permanecer desde então...
Aí eu parei direito pra pensar: O corpo do Erik. Que, suspostamente, deveria estar morto. É... O corpo do...
— O Erik?
E, como se já não tivesse como ficar pior, ela assentiu.
Bem, fazia sentido se parasse pra pensar: o Erik tentou se matar. Eu morri por engano. Eu caí no corpo dele por acidente. E sem querer acabei salvando a vida dele. Que... Não deveria ter sido salva. Logo, o Erik deveria estar mortinho da silva, mas por motivos da minha interferência, ele permanecia livre, leve e soltou. E vivo, é claro.
A minha conclusão: Que cagada foi essa que eu me meti?
— Veja bem, o garoto não deveria ter voltado também. — Ela tentou explicar. — Foi um... Incidente que não deveria ter ocorrido. Por isso, tudo o que você precisa fazer, é terminar a vida dele...
Olha, a minha vontade foi de voar no pescoço dela. E eu nem sei se podia fazer isso, é claro. Só sei que eu realmente queria esgana-la naquele momento. Aquilo era propaganda enganosa!
Mas relaxa. Eu não fiz nada. É, mereço um troféu por autocontrole. Porém, nada me impediu de gritar:
— Eu não vou matar o Erik! — Ele é estranho, esquisito, mal-agradecido e não tem nem um pouco amor próprio, mas... Eu não ia fazer nada pra machuca-lo.
A mulher não gostou da minha resposta. Percebi isso porque o tom de voz mudou drasticamente quando ela disse:
— Bem, se é assim, então não podemos fazer nada por você.
Àquela altura, você pode imaginar que eu estava em completo choque. Educação já não era a minha prioridade. Por isso não fui muito cortês quando respondi um sincero:
—Foda-se! —E então continuei: — Você acha que eu tenho cara de idiota? E nem me responda porque eu já posso imaginar que sim. De fato, eu quero muuuito o meu corpo de volta. Mas não vai ser às custas do coitado do Erik, caramba!
Ela ficou me encarando por um tempo. Um logo tempo, antes de soltar outro risinho ridículo e dizer:
— Você... Por um acaso se afeiçoou a ele?
É. Minha vontade de conversar morreu ali. Até então eu estava sendo um pacifista, sabe? Estava mesmo. Mas... Caramba, alguém pode, pelo amor de Deus, matar ela?
— E daí? — Foi o que eu respondi. — Isso não tem nada a ver com a situação! Se o Erik deveria morrer, mas não morreu, eu sinto muito. Só que não sou eu quem vai mudar isso. Vocês que arrumem outro modo de consertar isso.
A mulher apertou os olhos pra mim.
— Oh, bem. Então faça como quiser. — Ela ditou. — Apenas tenha ciência de que, quanto mais tempo ficar longe um do outro, menos ligação a alma e o corpo terão.
Arqueei as sobrancelhas pra ela.
— E....? — A intenção era me intimidar? Por que deu muito errado...
— E que, cedo ou tarde, você terá que escolher: Ele... Ou você. A decisão é toda sua e você já está ciente.
Eu estava prontinho pra começar uma oratória muito baixa que desonraria até a quinta geração daquela megera, quando... é, bem quando eu acordei com o Erik todo alegrinho botando a maior fé de que eu tinha ido embora. Mal sabendo ele a confusão infernal que ele havia me metido.
Foi aí que comecei a me perguntar se aquela parada foi mesmo real. Eu esperava que não, porque não estava disposto a imaginar que eu realmente era o responsável por dar um fim na tal situação. É muita reponsabilidade pra uma pessoa! E, como já deu pra perceber, ter responsabilidade não é lá muito o meu forte.
Foi por isso que quando o erik disse que precisaríamos acelerar uma forma de me fazer voltar, eu realmente senti vontade de contar tudo e manda-lo resolver a situação.
Mas eu não fiz. É, pois é. Não contei pra ele do sonho, da mulher louca psicopata me pedindo pra dar um fim nele, não contei absolutamente nada. Não queria traumatiza-lo. Quer dizer, eu acho que ele já tem coisa demais pra lidar. Mais essa bomba no pacote e ele teria um surto geral. Acredite!
Entretanto, o iludido do Erik viu aquilo como eu, sendo um safado egoísta que sabia sim a maneira de retornar, mas que não o fazia porque... Bem, porque eu era egoísta.
— Você é uma pessoa horrível. — Ele disse pra mim. — Pensei que você queria se livrar dessa situação tanto quanto eu, mas... Qual é o seu problema agora?
Se ele realmente soubesse qual era o meu problema, Erik calaria aquela boca e pararia de falar merda pra mim. Logo pra mim, que estava sendo um santo com ele.
— O negócio, Erik... — Eu fui tentar falar. — É que nem sempre as coisas são como a gente quer, meu querido. Nós temos que aceitar algumas coisas...
— Não temos que aceitar coisa nenhuma! — Ele me interrompeu e percebi que ele não queria gritar. Aposto que por causa do fato da mãe dele já achar que ele é perturbado. — Diego, as suas ações não são compatíveis com as minhas. Você está tentando me mandar pra um manicômio?
— Olha, eu estou quase te mandando pra um lugar sim... Mas... — Mas eu não ia fazer isso porque eu sei que a culpa de ter irritado o garoto era toda minha.
— O que está acontecendo com você, afinal? — Erik me perguntou com a voz menos irritada. — Até ontem você estava louco pra achar uma maneira de voltar não importava o quê e de repente, você me fala que sabe voltar, mas que não vai...
— Mudei de ideia. — Respondi. — Aqui é confortável também.
Não era, é claro. Mas teria que ser até eu arrumar uma forma menos cruel de sair dali.
— Mentira! — O problema é que o Erik não estava facilitando a minha vida. — Se vai agir como um idiota, ao menos fale a verdade...
Bem, a minha mente não consegue pensar muito rápido quando tem alguém enchendo o saco desse jeito. Por isso a coisa mais cabível que saiu foi:
— Não posso ir ainda. Por causa de... Você sabe, Isaac. Temos que resolver as coisas com Isaac. — Foi a mentira mais bem bolada que eu inventei.
Uma pena o Erik não cair nela.
— Esqueça o Isaac! Eu posso lidar com ele, como sempre fiz! Você, por outro lado, não está dando muito certo...
Agora...
Antes que eu diga mais alguma coisa, quero que entenda a minha triste situação: Eu estava quase morto, no corpo de um garoto puto da vida comigo, eu estava tentando salvar a pele do tal garoto por pura pena da vida que ele levava, estava começando a ficar irritado e... O meu raciocínio estava um pouco lento.
Daí o motivo para eu simplesmente conseguir chegar ao ápice da minha imbecilidade com uma simples resposta:
— Quer saber por que eu não quero ir? Porque acho que estou gostando do nosso querido Isaac! Satisfeito? — Foi a minha esplendorosa resposta.
Cara...
Senti pena de mim mesmo naquele momento. E também senti pena do coitado do Isaac que na realidade não tinha nada a ver com aquela merda, mas... Já era. A coisa estava feita.
As vezes o fato de que mais ninguém poder me ver ou escutar é bem útil. Esse foi um desses momentos.
Mas mesmo sendo ridículo, humilhante e a coisa mais escrota que já saiu da minha boca (não literalmente, é claro), foi bem eficaz em fazer o Erik parar de surtar comigo. Acho que demorou um pouco pra ele entender as palavras ou algo assim.
Pelo menos até ele dizer em uma voz meio aguda:
— Como é que é? Ficou louco? Você não pode gostar do... Quer dizer... Como assim?
Olha, eu esperava que ele fosse ficar surpreso. Quer dizer, até eu estava surpreso com o que eu tinha acabado de falar, mas... Não foi exatamente apenas surpresa que e captei na voz dele. Não me entenda errado, eu não sei explicar exatamente que ligação bizarra era aquele que nós tínhamos, mas por algum motivo eu podia “captar” boa parte das emoções do Erik.
Incluindo ciúmes.
— Você está com ciúmes? Do Isaac? Sério? — Oh, é. Eu sim fiquei completamente em choque. Quer dizer... Uau! Erik era um possível masoquista ou o que?
— Mas é claro que não! — Dessa vez ele não se importou muito em conter a voz. — É obvio que não... Eu só acho que isso...
— Você está achado que eu nasci ontem? — Gracejei pra ele. — Por favor, Erik, seja sincero...
— Certo, Mas vale lembrar de que não fui eu quem acabou de fazer uma declaração bizarra para ele. — Ele tentou jogar na minha cara.
— É, talvez eu tenha um hábito de aceitação melhor que você. — Rebati, e aí parei pra pensar: — Mas, falando sério, você tem sentimentos por ele? Porque, sabe... Isso é estranho em vários níveis diferentes...
Se eu começasse a listar motivos pelo qual aquilo era chocante só sairíamos daqui ano que vem.
— Eu não tenho sentimentos por ele. — Erik suspirou. — Pelo menos não esses que você está imaginando. Não vá simplesmente deduzindo coisas alheias. E... Você não pode falar nada. É tão estranho quanto. Quer dizer... Que horror! Você... E... Isaac e... Ai meu Deus! Isso é brincadeira?
Eu estava quase revirando os olhos para aquele blábláblá do Erik. Quer dizer, outro pedaço da minha dignidade caiu em um abismo fundo e sem volta. Eu não estava particularmente feliz com aquilo também.
Mas ao menos eu descobri algo ridiculamente interessante...
— Certo. Pense o que quiser. Desde que você seja bonzinho e me deixe ficar por aqui por mais um... é... Sei lá. Um tempinho a mais. Então segura a barra, engole o choro e... A gente vê o que faz com o tempo. Pode ser?
E eu realmente ia precisar colocar o cérebro pra trabalhar. A coisa não estava muito bonita pro meu lado, mas para o lado do Erik estava mil vezes pior.
— Então... — Tentei mudar de assunto. — Você quer que eu fale com seu pai ou algo do tipo? — Eu me ofereci.
— Não. — Ele respondeu ríspido. — Pode deixar que eu me viro. Já entendi que a sua consideração comigo é quase zero...
Eu mereço. É, eu realmente mereço. Olha, espero ter um lugar muito especial reservado no paraíso depois que tudo isso acabar, porque honestamente!
Mas deixei ele pensar o que quisesse de mim. A minha consciência estaria limpa no fim do dia de qualquer forma.
Enquanto eu tentava pensar numa forma de salvar não só a minha pele, como a do Erik também, o dito cujo ainda estava “ chateado” comigo. E continuou assim até a hora que a mãe dele, que aparentemente era outra que não estava muito satisfeita, bateu na porta do quarto.
— Achei que você deveria saber que o seu pai chegou. — Foi o que ela disse com a voz contida.
Erik encarou a notícia como se acabassem de decretar a ele uma morte lenta e dolorosa. Fiquei imaginando que o pai dele ia tranca-lo no porão sem comida ou água. Sabe? Sessão tortura mesmo. E ainda estava com esse pensamento quando descemos a escada. Erik pouco contente e eu imaginando que íamos comer o pão que o diabo amassou, sentou, chutou... Enfim. A coisa seria ruim.
E de fato, foi.
Principalmente quando chegamos lá embaixo. Eu vi algo que... Foi muito traumático.
Bem, não tinha amarras ou coisa desse tipo. Mas tinha a mãe do Erik, se esfregando de uma maneira entranha no cara que, eu prefiro imaginar que era o pai dele.
— Você está cansado? A viajem demorou demais novamente. Mas tudo foi um sucesso por você está lá! Fico tão feliz que você tenha chegado...— Ela estava falando no processo. E com uma voz meio anasalada e fresca e... Aquilo era um pouco nojento.
Eu estava tão chocado com a cena em sí, quanto com o pai do Erik. Porque o pai do Erik simplesmente não parecia com o Erik nem no dedo mindinho do pé. Ele era alto, tinha cabelo preto e ... parecia jovem demais pra alguém que tem um filho adolescente. Eles acharam o Erik embaixo da ponte ou que? Porque ele simplesmente não se parece com nenhum dos pais!
Pelo menos as coisas estavam tranquilas. Bem, mas isso até o pai dele nos ver.
— Erik! — Ele chamou com uma voz imponente e...
... Simplesmente veio até o Erik, com os braços abertos e um sorriso, dizendo:
— O papai está aqui! — E falou como se estivesse recitando um poema.
Olha, eu achava que já tinha visto de tudo... Até ver o pai do Erik. Porque aquilo foi um show de esquisitice gratuito!
— Mas que diabos é essa pose? — Eu tive que perguntar.
O Erik só abaixou a cabeça e suspirou.
— Ele quer que eu o abrace. — Ele me respondeu, não muito feliz. Depois levantou a cabeça. — Pai, como foi de viajem?
Foi um erro fazer aquela pergunta. Já que segundos depois ele estava mais estrangulando do que abraçando o pobre do Erik.
— Eu soube que você não estava bem de novo. — Ele apertou ainda a mais. — Você sabe como é difícil conseguir vir pra casa, mas quando soube que você estava com problemas...
— É... É, pois é! — O Erik, coitado, estava tentando se soltar. — Aconteceram umas coisinhas que...
— Querido, ele está impossível! Você precisa fazer algo com ele... — A mãe dele interferiu. — Você acredita que aparentemente ele quebrou a mão de um garoto da escola?
Foi um dedo! Um dedo, meu Deus! Será que ninguém vai superar isso?
Ao menos o pai dele se afastou quando escutou isso e, com semblante sério, encarou:
— Isso é verdade?
— É, mais ou menos. Não foi a mão. Foi apenas um dedo e...
— Isso é ótimo! — Foi a resposta do papai Bryan.
Olha, eu fiquei chocado. E eu não deveria, já que o meu pai também diria isso, mas... Não esperava ouvir aquilo do senhor cabelos pretos sedosos.
— Não incentive esse tipo de coisa! — A mãe dele, como uma pessoa normal, falou. — Estou dizendo que há algo de errado com ele...
— Felícia. — Ele usou a voz imponente de novo, e dessa vez parecia sério. — Ele é um garoto. Garotos brigam nessa idade. Sem falar que isso significa que o nosso Erik está com uma saúde melhor. Não é ótimo?
E eu entendi naquele momento o porquê da mãe dele não parecer gostar muito do Erik. O pai dele era totalmente pró-Erik. Era tanta rasgação de seda que enojava. Fiquei com pena dela.
Ou pelo menos era o que eu achava. Até a mãe dele, bocuda, simplesmente dizer com asco:
— E vai me dizer que também é normal garotos na idade dele tentarem cometer suicídio? Não uma, mas várias vezes? — Então ela encarou o Erik. — Ou você realmente achava que eu não sabia que aquela não foi a primeira vez?
A última frase foi a que mais pasmou. Todo mundo ficou inerte na sala. Então quer dizer que Erik era um suicida habitual?
É, quem diria o quanto aquilo soaria irônico pra mim. Afinal, alguém sabe como se salva um suicida da morte? Porque era isso que eu ia fazer...
Fale com o autor