Mais cinco minutos, talvez?
14 capítulo 14- Diego.
Notas iniciais
Certo. Certo, eu admito. Eu passei um pouco dos limites.
Não tenho problema nenhum em dizer isso. Sério. Quer dizer, eu sei bem o que fiz, ok? Então não é como se eu fosse começar a negar a essa altura do campeonato. Muito pelo contrário. Estou totalmente disposto a assumir a culpa por aquela sequência catastrófica de fatos. Porque a culpa realmente foi minha!
Bem, pelo menos a maior parte foi.
A outra parte, entretanto, é totalmente culpa de Isaac e da fantástica ideia dele de bancar o imbecil pra cima de mim. Porque, você sabe, eu já tinha tido o trabalho de avisar a ele pra não sair tocando naquele corpo sem autorização. Mas Isaac me ouviu? Não, ele não ouviu.
Pois bem. O problema foi exatamente esse. Porque se Isaac fosse realmente tão esperto quanto achava que era, ele não teria tentado a sorte novamente naquele tipo de situação. Mas ele tentou! E ia tentar muito mais se eu não tivesse interrompido rápido aquela zona de caos.
E aí, eu assumo: Eu mordi ele.
Simples assim.
O negócio é que Isaac estava tão concentrado naquele beijo, e provavelmente no que viria após aquilo, que realmente não esperava que fosse levar uma mordida. De modo que, segundos depois de eu dar uma bela dentada no lábio inferior dele, Isaac se levantou, levando a mão aos lábios só para conferir se estavam sagrando.
E estavam.
— Porra, Erik! — Ele gritou, olhando dos dedos para mim. — Você me mordeu de novo?
— E você me beijou de novo. — Apontei, também me levantando da cama e dando um passo em direção a ele. — Qual a parte do “ não toca nesse corpo” você não entendeu?
A resposta para a minha pergunta era simples: Nenhuma. Isaac não tinha entendido absolutamente nada do que eu havia falando para ele. A prova disso foi que quando parou de prestar atenção no machucado e voltou a me encarar, Ele estava completamente furioso. Mas quando eu digo que “ ele estava furioso” quero dizer aquele tipo de fúria que a gente sente quando quer muito arrebentar a cara de alguém, entende?
Foi exatamente por isso que a coisa toda deu errado. E tudo em seguida aconteceu em questão de segundos.
Porque, sabe, eu também não estava no meu melhor momento. Então eu bem que deveria ter previsto o que veio logo em seguida. Porque Isaac não se contentaria, como não se contentou, em só rosnar pra mim. Ah, não. Ele também concluiu que era uma excelente ideia revidar... Me dando um tapa na cara.
Isso mesmo que você leu. A forma que Isaac escolheu para revidar a minha mordida foi acertando o lado esquerdo do meu rosto com força o suficiente pra fazer meu cérebro balançar dentro da cabeça. E quer saber? Eu sei que eu também não deveria ter quase arrancado metade da boca dele no dente, mas...
O filho da puta me deu um tapa na cara!
E preciso dizer: Isso me deixou completamente louco de ódio.
— Nossa! — Falei assim que consegui processar aquela merda. — Nossa, eu vou realmente matar você...
— Você ainda quer continuar com isso? — Isaac prosseguiu entredentes. — Acha que vou mesmo deixar você fazer o que quiser apenas por causa dessa sua brincadeira estupida com personalidades aleatórias? Você está se esquecendo de quem sou eu, Erik...
Pulei no pescoço dele nesse mesmo instante. Literalmente. Não deu tempo nem mesmo para ele concluir o que estava dizendo. Simplesmente, quando percebi, eu já estava agarrando o pescoço de Isaac, forçando o corpo dele para baixo e afundando o joelho em seu estômago. E pra ser sincero, essa foi a melhor coisa do dia.
Isaac se debruçou, tossindo todo o ar para fora e tentando inutilmente se recuperar daquela joelhada. Aproveitei disso para empurrar o corpo dele contra a parede. E ele não teve nenhuma força pra resistir.
— Você provavelmente já ouviu falar em taekwondo. — Falei, no mesmo momento em que torci o braço dele para as costas. Isaac soltou um gemido. — É uma das minhas artes marciais favoritas, sabia? Porque foi a primeira que o meu irmão me ensinou...
— Você não tem irmão! — Ele meio gemeu, meio grunhiu, e eu forcei a cabeça dele contra a parede pra ele calar a boca.
Ignorando Isaac, continuei:
— É claro que ele me ensinou outras também. Mas a primeira a gente nunca esquece... — Torci o braço com ainda mais força. — E então, me aparece um escroto como você, achando que pode simplesmente me dá um tapa na cara? Sério?
Minha intenção, naturalmente, era quebrar em pelo menos três lugares aquele braço. Porque tinha certeza que depois daquilo ele nunca mais levantaria aquela mão pra mim. Mas...
Mas tinha o Erik. Pois é. E ele não parecia muito disposto a participar do meu magnifico plano. Muito pelo contrário. Eu diria que ele estava em desespero.
— Você ficou louco? — Foi o que ele gritou de repente, me desconcentrando. — Vai quebrar o braço dele!
— A intenção é exatamente essa.
— Você não pode fazer isso! — Ele argumentou. — É ilegal e... E não se pode sair por aí quebrando o braço de alguém, sabia?
Eu bufei. Sério. Aquilo era inacreditável! Isaac tinha dado um tapa na cara dele, momentos depois de tê-lo beijado, e o garoto estava defendendo o cretino. Dá pra acreditar nisso?
Eu estava começando a levar aquilo para o pessoal.
Erik continuou falando alguma coisa ao mesmo tempo em que Isaac virava o rosto pra mim e dizia:
— Porra, qual é o seu problema? — E ele ainda estava sentido dor. Sei disso porque a voz dele demonstrou. E se dependesse de mim, ele ia sentir muito mais.
Mas, sabe, eu poderia ter ouvido o Erik. Quer dizer, ele estava certo! Eu deveria parar com aquilo. Isaac já havia perdido aquela luta no momento em que eu o atingi no estômago. Acredite, o cara não ia ter força nem para uma queda de braço, quem dirá uma luta mais séria. Continuar batendo nele só faria de mim uma pessoa desprezível, não é?
Bem, uma pena que eu não estivesse ligando pra isso.
Agarrei um punhado dos cabelos espetados de Isaac e puxei sua cabeça para mim.
— O meu problema, Isaac, é que eu não sou a sua vadia. — Sussurrei para ele. — Tem algo mais que queira me dizer antes que eu quebre a sua cara? — Perguntei com o rosto colado a orelha dele.
— Você é um grande filho da puta, sabia? — Isaac cuspiu pra mim.
— Você nem faz ideia. — Disse a ele, antes de agarrar os cabelos de Isaac de novo e bater com a cara dele na parede. E posso jurar que ouvi as cartilagens do nariz dele sendo rompidas. O sangue desceu na hora.
Ok, falando sério, a cena seguinte não foi bonita. Quer dizer, imagine só: Euzinho, segurando a cabeça de Isaac, que gemia alguns palavrões direcionados a mim enquanto estava com o nariz saindo uma quantidade assustadora de sangue... E também tinha o Erik berrando o quanto eu não deveria ter feito aquilo. Mas como essa parte só eu sabia, vamos deixa-la de fora. A questão aqui, é que essa terrível cena não teria parecido tão ruim assim se tivesse ficado só entre mim e Isaac.
O problema foi que não ficou.
Segundos depois de eu ter puxado a cabeça de Isaac de volta em minha direção, pra contemplar o estrago, a porta do quarto do Erik foi aberta em um estrondo e os pais dele entraram, vendo exatamente a cena que acabei de descrever.
E vou te falar, eles não ficaram felizes.
— Ah, meu Deus! — A mãe dele gritou olhando de mim para Isaac. — Erik... O que foi que você fez?
— O quê? — Falei a ela. — O cara mereceu totalmente! Ele nem deveria ter entrado aqui, para começo de conversa.
Isso não foi a melhor justificativa. Não foi mesmo. Até o pai do Erik, que havia ficado boquiaberto pela cena, fez questão de mostrar isso. Quer dizer, foi ele quem arrancou Isaac das minhas mãos e tudo mais.
— Oh, nossa! — Ele murmurou olhando bem para a cara ensanguentada de Isaac. — Você está bem, Zack?
— Por que você não pergunta se eu estou bem? — Fiz questão de dizer. — Ou o que ele fez pra merecer isso, por exemplo?
— Nada justifica uma coisa dessas! — A mãe do Erik berrou com aquela voz esganiçada. E então apontou pra mim como se eu tivesse declarado guerra aos Estados Unidos. — Você definitivamente passou dos limites dessa vez!
— Eu estou bem, tia. — Isaac soltou outro gemido, colocando a mão pra conter o sangramento. — Erik só se exaltou um pouco...
— Vai se foder, Isaac! — Gritei exasperado. — Para de se fazer de vítima, caralho!
Bem, eu estava puto com aquilo, ok? Quem pode me culpar?
O pai do Erik podia, descobri em seguida.
— Cale essa boca! — Ele vociferou para mim de repente. Fiquei chocado. Nunca tinha visto ele gritar, para falar a verdade. E vou te dizer, não fui só eu quem calou. Sério. Até mesmo Isaac se encolheu. — Felícia, vá cuidar dos ferimentos de Isaac. Eu irei conversar com o Erik a sós. — Ele ordenou.
Bem, e isso era tudo o que eu realmente não queria escutar. Quer dizer, por que eu? Sério! Tá, eu sei que a culpa de tudo era minha, mas... Eu era a vítima ali, sabe?
— Foi só um nariz! — Fiz questão de dizer assim que Isaac saiu, se apoiando dramaticamente na mãe do Erik. — Não é como se eu tivesse atirado ele pela janela. Apesar de ser a minha vontade.
O pai do Erik fechou os olhos e apertou os lábios pra mim, erguendo o primeiro dedo:
— Primeiro você é suspenso da escola. — Ele levantou outro dedo. — Depois some por toda noite sem dar qualquer explicação. — Terceiro dedo. — E então te encontro em uma briga com Isaac, onde você quebrou o nariz do garoto. O que, exatamente, você pensa que está fazendo?
— Oh, Deus! Você consegue irritar até o meu pai! —Escutei Erik se lamuriar. — Logo ele que quase nunca se irrita! Realmente, Diego, a sua capacidade de arrumar problema se supera a cada segundo.
Eu ri daquilo. Não, sério, eu tive que rir. Quer dizer, ele estava contando os meus “pecados” no dedo! Aquilo era tão ridículo que chegava a ser engraçado. E acho que movido ainda pela adrenalina, comecei a soltar as palavras todas de uma vez:
— Bem, primeiramente, Isaac não é santo e eu não quebrei a cara dele porque ele estava rezando. Segundo, passei a noite fora porque o ambiente dessa casa é sufocante, a sua mulher é louca e você claramente não sabe como conversar com seu próprio filho. E terceiro, ser suspenso da escola é o menor dos meus problemas agora, não acha?
Na minha cabeça, Erik soltou um gemido.
— Olha como você está falando com o meu pai...
— Bem, eu só estou falando a verdade! — Argumentei. — Ou vai me dizer que estou errado?
— Você está certo! — Foi o que o próprio pai dele me disse, segundos depois. — Pra ser sincero, Erik, estou surpreso por ver você falando assim, mas... Você está certo. — Então ele suspirou. — Eu sei que as coisas não estão sendo fáceis. Sei que você e Isaac não se dão bem desde pequenos e sei que eu não sou um bom pai. — Nessa hora senti uma pontada no peito. — Mas eu me preocupo com você! E me preocupo com esse comportamento. Você tentou se matar de novo, e de repente desaparece desse jeito... Você sabe o que eu pensei ontem à noite?
— Que eu me atirei de alguma ponte? — Sugeri.
— Isso não é engraçado... — Ele balançou a cabeça.
Suspirei e fiz uma pausa. Estava pensando no que dizer, pra falar a verdade. Porque eu meio que entendia como o pai dele se sentia.
Por fim voltei a encará-lo:
— Bem, se a sua preocupação é só a de que eu volte a tentar me matar, vou te dizer: Isso não vai acontecer, ok? — Apesar de dizer isso olhando para o pai dele, eu estava dizendo aquilo ao Erik. Ou melhor, pelo Erik. — Está na hora de aprender que a vida tem mais valor do que parece. Então eu realmente não farei mais isso. Pode confiar em mim!
Tudo o que eu queria era encerrar aquele assunto. Porque, falando sério, já estava ficando chato. Mas alguma coisa no que eu disse parece ter sido muito certo. Papai Bryan pareceu até comovido. Ele me deu sorriso emocionado e assentiu, me puxando para um abraço meio sem graça, mas que eu correspondi porque achei que ia ser sacanagem deixar o cara no vácuo.
— Certo! Isso.... Me tranquiliza, Erik. — Ele fungou. — E essa também é a primeira vez que eu vejo você ser ter uma conversa sincera comigo. Quer dizer, você nunca demostra realmente seus sentimentos... — Ele comentou. — Mas, na próxima vez, contenha-se um pouco, tá bom? Não vai ser fácil explicar aquele nariz quebrado para os pais de Isaac. E se Felícia perguntar, diga que eu fui muito mais duro com você.
Dei umas palmadinhas solidarias nas costas dele.
— Isso quer dizer que a gente morre o assunto agora? — Falei satisfeito.
O pai dele me soltou e me encarou, ainda com um sorrisinho.
— Não. Você está de castigo por tempo indeterminado. — Posso jurar que ele estava orgulhoso em dizer aquela frase. O que me fez deduzir que era a primeira vez que ele dizia. — E vá pedir desculpas a Isaac.
— Nem fudendo. — Respondi de prontidão.
O pai dele me deu um tapinha no ombro como se dissesse “ você não tem escolha”.
— Vá pedir desculpas. — Ele mandou novamente. — E melhore esse vocabulário, Erik. Fracamente, aonde você tem aprendido esse tipo de linguajar?
Não foi tão ruim assim, você deve estar pensando. Quer dizer, Isaac saiu vivo da briga, consegui melhorar a situação do Erik com o pai dele. As coisas podiam ter sido muito piores, não é?
Errado! Sério. Porque vou te falar qual foi o meu verdadeiro erro nisso tudo: Eu fui pedir desculpas a Isaac.
Ok, confesso que eu não ia realmente pedir desculpas a ele. Não tenho sangue de barata a esse ponto. E Isaac nem ia aceitar, pra começo de conversa. O que aconteceu realmente foi que me forçaram a ir e, bem, eu fui.
Pior decisão, por falar nisso.
Encontrei Isaac no banheiro, lavando o nariz na pia. Ainda escorria uma boa quantidade de sangue e era bem patético ver ele tentando parar aquela hemorragia. Quer dizer, tava na cara que Isaac nunca tinha tido um nariz quebrado e não fazia ideia de como parar o sangramento.
— Ah, pelo amor de Deus! — Fui até ele, fechando a torneira e fazendo ele sentar na borda da banheira. — Você não sabe fazer a droga de um nariz parar de sangrar?
— Veio pra dar outro show? — Isaac ainda reclamou, enquanto eu empurrava a cabeça dele para trás.
— Não. Vim garantir que você não sangre até a morte. — Arranquei alguns pedaços de papel higiênico e pressionei no nariz de Isaac. — Agora inclina a cabeça pra frente e aperta as narinas.
Isaac estranhamente fez isso. Acho que o desespero de fazer o sangue parar era maior do que o de ficar enchendo o saco.
— Você veio aqui só pra cuidar do nariz que você mesmo quebrou? — Ele perguntou depois de um tempo. — Comovente!
Me sentei em um tapete ao lado dele.
— Na verdade, eu deveria vir pedir desculpas. Mas nós sabemos que não há nenhuma possibilidade de isso acontecer. — Dei um sorrisinho. — Embora você vá dizer que eu pedi se perguntarem. Certo?
Isaac soltou um chiado.
— Por que eu faria isso depois de você ter quebrado meu nariz?
— Porque eu te ajudei com o sangue. E porque você me deu um maldito tapa na cara.
— É! Porque você me mordeu. — Isaac falou como se aquilo justificasse alguma coisa.
— E você me beijou duas vezes. Sem a minha autorização. — Então pensei melhor. — Aliás, você queria transar comigo. O que é muito pior, não acha?
Isaac virou a cabeça em minha direção como se eu tivesse falado o maior absurdo do mundo.
— Eu não ia transar com você! — Ele sussurrou, mortificado. Não sei quem Isaac achou que poderia nos escutar, considerando que a porta do banheiro estava fechada. — Da onde você tirou isso?
— Ah, por favor, Isaac. Eu não nasci ontem. — Revirei os olhos. — Vamos reconhecer a verdade, ok? Seja lá qual é problema entre você e o Erik, vocês simplesmente sentem um tesão filho da puta um pelo outro.
Isaac estava me encarando sem nem mesmo piscar. A boca estava aberta e algo me dizia que ele ainda não tinha se dado conta daquilo. E cheguei à conclusão que ele era de longe a pessoa mais imbecil do mundo.
— Você não se contenta em dizer esses absurdos só para mim, não é? Agora está dizendo a Isaac também... — Erik pronunciou em uma voz chateada. — Diego, você conhece a palavra limite?
Essa era a palavra chave do dia, por acaso?
E quer saber? Eu conhecia sim! Porque eu estava no meu. Estava no meu limite com aquela brincadeira sadomasoquista entre Erik e Isaac, e estava ainda mais no limite com o fato de nenhum dos dois admitir isso.
Embora eu reconheça que ainda não sei o que me fez dizer a seguinte frase:
—Há uma maneira muito simples de comprovarmos isso.
Me levantei e fiquei em pé na frente de Isaac, desafiando o com uma sobrancelha.
— “Comprovamos” o que? — Ele franziu o cenho. — Se eu tenho alguma atração por você? Tá falando sério?
Descobri no momento seguinte que sim.
E pra falar a verdade, é aqui que a coisa fica absurdamente ruim.
Porque eu fiz uma coisa realmente muito fodida! Quer dizer, eu nem tenho realmente uma desculpa pra justificar aquilo. Acho que eu simplesmente estava tão estressado com todo aquele teatro sem sentindo em que Erik e Isaac me envolveram, que eu quis desesperadamente tirar a limpo aquela situação.
Você vê o quanto isso é sem lógica? Porque, na minha cabeça naquele momento, isto fez todo sentindo.
Então você já pode imaginar o quão surpreso e chocado fiquei comigo mesmo quando, segundos depois de eu simplesmente desafiar Isaac àquele jogo estupido, me peguei montando sobre ele e simplesmente o beijando.
Eu. Beijando Isaac. Eu!
Era inacreditável...
Mas vou te confessar uma coisa: Valeu a pena. Quer dizer, só pelo fato de Isaac parecer realmente chocado com o fato de eu estar beijando ele, valeu totalmente a pena. Pelo menos agora ele sabia como eu tinha me sentido.
Embora a reação de surpresa de Isaac durou muito menos que a minha...
— Você vai realmente fazer isso? — Erik perguntou em desespero. Mas pra falar a verdade, não me comoveu nenhum um pouco.
Teria me convencido se o corpo dele não tivesse se arrepiado quando Isaac se esqueceu do nariz quebrado e simplesmente prendeu a mão nos meus cabelos me puxando ainda mais em direção a ele.
Bem, é isso aí! Eu já tinha encontrado minha resposta.
E quer saber qual foi o meu segundo pior erro?
Dessa vez eu o beijei de volta. E descobri que isso era tudo que bastava para que as coisas saíssem do controle.
E eu sei que você deve estar pensando algo do tipo “ como esse cara pode estar beijando outro cara, cujo nariz ele tinha quebrado algumas horas antes? ”, Não é mesmo?
Mas vou te confessar outra coisa: Eu não me lembrei disso. E pela forma que Isaac me beijava, ele era o que menos estava se preocupando com tal fato.
O problema é que, eu admito, Isaac realmente era um bom beijador. É terrível admitir isso, sabe? Mas ele era. Foi como se todos os meus pensamentos fossem silenciados naquele momento. Porque realmente não existia nada. Era só o corpo do Erik beijando Isaac. Uma coisa totalmente física.
Foi só quando as mãos de Isaac seguraram a minha cintura e me puxaram, que eu me lembrei o quanto aquilo era totalmente errado. Me afastei da boca dele no mesmo instante e disse a coisa mais lógica que apareceu na minha mente confusa:
— Cara, eu não sou gay!
Isaac abriu os olhos e me encarou por um tempo. Acho que ele também estava tentando associar o que tinha de fato acontecido ali.
— Eu também não sou gay. — Disse como se fosse óbvio.
— Então que porra a gente tá fazendo?
Descobri que Isaac sabia muito bem a resposta daquela pergunta pelo modo em que ele soltou aquele risinho infeliz, me dizendo no mesmo instante as três piores palavras do mundo:
— Você está duro.
Oook! Eu sei que aquelas não eram as piores três palavras do mundo. Mas, quando você se pega excitado, em um corpo que não é seu, segundos depois de ter beijado o cara de quem o nariz você fez questão de quebrar, a coisa realmente parece terrível. E nem dava pra negar um fato tão obvio. Bastava olhar para o meu quadril!
Eu poderia ter parado nesse momento. Aliás, era exatamente isso que eu tinha que ter feito. Me levantado dali e ter ido embora.
Mas sabe o que eu fiz em vez disso? Falei a Isaac a verdade inegável:
— Você também está. — Porque estava mesmo. Percebi isso no momento em que me inclinei para trás e senti o que não deveria pressionando minha bunda. — Tem algo a dizer em sua defesa?
— Você está sentando no meu colo, se esfregando em mim e me beijando desse jeito. O que mais você queria? — Ele pareceu quase ofendido. — Sabe, eu sou um cara normal!
Revirei os olhos.
— E o que você quer que faça? A culpa não é minha, sabia?
Bom, tanto faz! A verdade estava ali nua e crua pra quem quisesse ver.
Erik podia até continuar não admitindo que gostava de Isaac ou algo do tipo, entretanto o copo dele gostava. E muito. Principalmente quando Isaac colocava as mãos entre seus cabelos. E era exatamente isso que ele estava fazendo...
Então aconteceu de novo. Senti quando voltei a me inclinar em direção a boca de Isaac, como se eu estivesse sendo puxado, e o beijei novamente. Mesmo que, racionalmente falando, aquilo fosse a última coisa que eu quisesse fazer.
Mas, sabe? Era uma coisa tão eufórica que simplesmente não dava pra parar. Nem mesmo a dor, que provavelmente Isaac sentia quando meu nariz tocava ao dele, fazia aquilo ter controle.
Sem dizer uma palavra ou sequer hesitar, Isaac se levantou, ainda pressionando os lábios contra os meus, e tirou a própria camisa pela cabeça. E mais uma vez o corpo do Erik tomou o controle da situação. Drenando cada parte dos meus pensamentos e se agarrando completamente as costas nua de Isaac.
— Vai me bater de novo? — Ele perguntou de repente, se afastando da minha boca e beijando meu pescoço.
Eu queria muito poder manda-lo ir a merda naquele momento, mas eu tinha acabado de descobrir que Erik conseguia ser bem sensível no pescoço e que, se eu abrisse a minha boca, sons despudoramente humilhantes poderiam sair de lá.
Em vez disso, segurei Isaac pelos ombros e o empurrei até que suas costas batessem contra a parede; então deslizei minhas mãos por todo o peito, descendo cuidadosamente pelo abdômen e parando no cós de sua calça. Tateei por todo o tecido até minhas mãos pararem no zíper de seu jeans.
Senti todo o corpo dele estremecer quando toquei exatamente aonde ele queria ser tocado. Mesmo com a cueca boxer impedindo toques diretos, eu podia ver o quanto Isaac pulsava e crescia em contato com meus dedos. Talvez tenha sido por isso que ele pareceu tão desesperado quando retirou aquele tecido. E cada vez que Isaac deixava um som de gemido sair de sua boca, mais furioso eu ficava com aquela situação. Aquilo parecia ainda mais errado cada vez que avançávamos.
E mesmo assim eu não conseguia parar.
Ele se aproveitou de algum desses momentos para invadir minha blusa e desabotoar minha calça. Pude sentir suas mãos geladas deslizando pelas minhas costelas e subindo para meu peito. Isaac pressionou meus mamilos com os polegares e eu arquejei.
Retirei minha própria roupa, enquanto Isaac alcançava meus lábios novamente e deslizava as costas pelos azulejos, sentando-se no chão e me puxando de volta para seu colo. Ele segurou minha cintura com ambas as mãos e as desceu vagarosamente pelas coxas, até por fim alcançar a parte traseira.
Em outro momento eu teria achado aquilo o fim do mundo. Mas naquele momento eu podia entender totalmente. O desejo dele de tocar o Erik, quero dizer. E droga! Por que aquele corpo precisava corresponder tão bem?
Porque, juro, não era eu. Eu não tinha controle sobre aquilo. E como poderia? Quer dizer, controlar as reações do corpo de outra pessoa?
Os gemidos de Isaac eram a única coisa que faziam a minha mente ir e voltar naquela situação. Seu rosto estava colado em meu pescoço e os sons eram nítidos para mim, enquanto eu continuava uma massagem lenta por todo o seu membro. Vez ou outra ele agarrava as minhas costas e gemia o nome do Erik. E era isso que fazia minha consciência esmorecida acordar.
Quando as mãos dele deslizaram para o meio das minhas pernas, e toda aquela vibração e dormência passou pelo meu corpo, apertei meus dentes com força contra meus lábios. Porque eu jurei a mim mesmo que ele não arrancaria sequer um gemido de mim. E estava tendo sucesso em cumprir isso até então. Apesar de que era ridiculamente complicado fazer isso quando ele beijava meu pescoço e minha clavícula como se fossem a minha boca.
— Você quer ir até o final? — A voz dele vibrou por todo o meu corpo, fazendo minha consciência letárgica despertar totalmente.
Então me dei conta do que eu estava fazendo.
Abri meus olhos e vi exatamente a situação caótica em que eu me encontrava: Nu, com Isaac também nu, eu estava sentado nas coxas dele, apertando o pênis dele nas minhas mãos, enquanto ele simplesmente me masturbava e me dava chupões no pescoço.
Mas que droga de situação era aquela, afinal? Se aquilo não era a visão do caos, eu realmente não sei o que era...
E não vou mentir pra você: Eu pensei em dizer que sim. Quer dizer, pensei em dizer que íamos até o final. Afinal, o que tinha de mais ali, não? Com exceção de... Tudo!
— Por favor, Isaac... — Foi o que eu disse, entretanto, sabe se lá com que tipo de voz. — Apenas goze logo e vamos terminar com isso.
Se ele ficou frustrado com a minha resposta, pouco me importei. Como eu fiz questão de dizer: Eu só queria que aquilo acabasse.
Isaac aumentou a pressão em meu membro, fazendo meu quadril se mover praticamente sozinho em busca de mais contato. O atrito que aquilo causava entre o meu corpo e o dele parecia ser o suficiente para causar fortes ondas de espasmos. Quando tanto a minha respiração, quanto a dele, começaram a falhar e ficaram apressadas, anunciando o que viria logo em seguida, Isaac provavelmente viu aquilo como uma última oportunidade de me beijar. E foi exatamente isso que ele fez.
Então minha mente ficou completamente em branco novamente, deixando que as sensações físicas se sobressaíssem a qualquer consciência que eu pudesse ter naquele momento, enquanto sentia o corpo de Isaac estremecer em baixo de mim. Segundos depois senti minha mão umedecer com algo quente. Não precisei olhar para saber o que era.
Continuamos completamente parados, respirando alto, sem dizer absolutamente nada por um longo tempo. A vergonha e a humilhação estava pairando sobre nós.
Fui o primeiro me recuperar daquilo. Mesmo que completamente irritado e aturdido pelo que tinha acabado de acontecer, a minha primeira reação foi a de lavar minhas mãos. Na verdade, eu estava com tanta raiva de mim, de Isaac e principalmente do corpo de Erik pelo que tinha acontecido, que eu meio que estava quase que arrancando os meus dedos fora.
Isaac provavelmente deve ter usado desse meu tempo de devaneio para se vestir, já que quando sua mão alcançou a minha, ele estava completamente vestido. Ele fez com que eu parasse de esfregar minhas mãos que, pra falar a verdade, já estavam doendo.
Olhei pra ele, só pra encontrar uma expressão indiferente me encarando de volta.
— Isso... Nunca aconteceu. Certo? Nunca! — Foi o que ele disse. E eu nem sei dizer se isso foi um aviso ou se ele estava simplesmente dizendo aquilo pra que eu me sentisse melhor.
Seja lá o que for, respondi entredentes com a única coisa que me pareceu sensata:
— Vai pro inferno.
E ele provavelmente deve ter ido, já que me deu as contas minutos seguintes.
Quando Isaac bateu a porta, achei que Erik falaria algo. Achei que ele iria brigar comigo ou começaria a gritar como geralmente fazia. Mas em vez disso, ele deixou mais uma vez que seu corpo falasse por ele. Senti como se meus membros fossem pesados de mais para serem sustentados e me sentei mais uma vez no chão.
Foi quando eu notei a primeira lagrima a vazar por um dos meus olhos.
Depois veio várias e várias, e tudo que eu podia fazer era seca-las rudemente até meus olhos começarem a arder.
E vou dizer: Não sei se era porque eu estava completamente afundado nos sentimentos do Erik ou algo assim, mas naquele momento... Aquilo doía mais que o tapa na cara.
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