Mais Uma Vez

30 Capítulo 29: Encanto


Notas iniciais
Obrigada a Cella, por ser essa beta que é como Rexona: não me abandona. Acho que esse é o capítulo mais aguardado por todos, inclusive por mim, então não enrolarei aqui. Bora lá...

Capítulo 29: Encanto

Eu não queria abrir os olhos. Era melhor pensar que estava em uma realidade paralela onde complicações não existiam, onde esse momento era possível. Sua boca agora contornava a minha com uma sequência de beijos ingênuos tão doces, mas eu precisava respirar. Voltar à superfície.

Quase me arrependi de inspirar o ar, pois seu hálito quente me instigava a voltar, a não querer parar. Minha mente não hesitou em gritar "Você não pode. Ele está fora do seu alcance!". Mesmo sendo proibido, não parecia nem um pouco errado. Ah, não. E essa era a pior parte. Como uma coisa tão boa poderia ser errada?

Não podia ser. E tampouco fazia sentido. O proibido deveria também ser errado, não?

Até comecei a questionar minhas minhas decisões morais, mas naquele momento a resposta de tudo estava bem na minha frente, em ação, escorregando a boca pela lateral do meu pescoço. Quem conseguiria ter valores morais numa hora dessas?

– Edward... — chamei antes de saber que havia sido em voz alta. Ele parou no mesmo instante, e afastou o rosto, em silêncio. Eu sentia que ele me fitava.

Meus olhos abriram apenas para encontrar os seus dizendo muito mais do que qualquer coisa que ele pudesse falar agora. Era demais para eu conseguir aguentar.

Me dei conta de que segurava em seu cabelo com força, e o soltei antes que pudesse prosseguir com o impulso de puxá-lo ao meu encontro. Me escondi na curva de seu pescoço ao invés disso, buscando tranquilizar meu peito com o calor da sua pele e o tecido suave do seu paletó.

– Você não devia ter feito isso. — sussurrei.

– Você podia ter me impedido.

– No meio da rua, a poucas quadras do seu prédio, do seu hotel... — lamentei. Ele fez um shh e acariciou minha cabeça. O arrepio que aquilo causou me fez voltar a ficar ereta e encará-lo.

– Eu não me importo, Bella. Só o que me importa agora tá aqui. — ele segurou meu rosto para reforçar sua fala, deixando ainda mais difícil pensar direito.

– Você é louco... Eu tenho que ir embora.

– Não acha que devemos conversar sobre isso?

– O que tem mais pra conversar? Você conseguiu o queria. — minha voz quase não saía. Eu queria soar mais firme, e agora era impossível. Soava derrotada.

– Por favor.

– Estou tão cansada, Edward.

– Vem, vamos subir. Eu preparo uma comida pra gente, você não precisa fazer nada. Pode até deitar um pouco se quiser...

Sacudi a cabeça.

– Não é isso. Estou cansada de conversar. Já falamos tudo... A gente pode conversar a vida inteira e vamos continuar dando voltas, retornando sempre ao mesmo ponto.

– Não dessa vez, eu prometo.

Seu olhar implorou. Merda. Eu não conseguia negar. Suspirei e me submeti.

– Ok. Mas preciso passar no carro e pegar minha bolsa.

O sorriso iluminado que ele abriu quase me fez desistir. Que tipo de feitiço era esse, eu nem queria saber. Só orei para que estivesse fazendo a coisa certa. Que mantivesse o controle sobre mim mesma.

Ele me soltou e esperou que eu desse o primeiro passo. O silêncio me deixou desconfortável enquanto Edward me seguia ao lado. Nossas mãos se esbarraram e eu pus a minha em meu bolso antes que ele pudesse ter ideias.

Assim que fechei a porta do carro, meu celular começou a tocar na bolsa.

– É Claire. — avisei para que ele ficasse quieto e atendi. — Oi, filha.

– Mãe, olha só, estou aqui pensando em pedir comida indiana daqui a pouco... Pode ser?

– Desculpa, meu amor. Não vai dar... — engoli antes de inventar uma desculpa. — Apareceram uns empresários na redação e Carmen fez questão que eu os acompanhasse pra jantar. Vou chegar bem tarde.

– Então tá...

– Me liga se precisar, ok?

Ok. Vou jantar na Kate, então. Vê se não demora, por favor.– e desligou o telefone com um tom de desapontamento que fazia meses que eu não ouvia.

– Eu odeio mentir pra ela. — suspirei enquanto íamos na direção do seu prédio. — Pior é sentir que estou fazendo isso constantemente.

– Você podia ter dito a verdade.

– Que eu acabei de beijar o pai dela em plena rua na hora do rush? Não, obrigada.

– Que você e o pai dela estão tentando... se acertar.

– Vai sonhando.

Nós alcançamos a portaria e Edward segurou o portão para que eu passasse.

– Como queira. — falou com extrema calma, mas ele não me enganava. Aquilo era sua autoconfiança debochando da minha cara.

– Ainda não acredito que você ia me dar um gelo indefinidamente, sem nem me avisar nada. — resmunguei, passando pelo porteiro e entrando no elevador.

– Desculpa. Estava desesperado. Foi uma ideia estúpida.

– Eu pensei que tinha acontecido alguma coisa séria pra você sumir, seu imbecil! — empurrei seu ombro com irritação, o que só o fez sorrir.

Era mesmo um idiota com um sorriso idiota. E eu, a boba que queria cada vez mais olhar para aquela cara idiota dele. Me internem já.

– Não vou fazer isso nunca mais, eu juro. Não vou sumir. E se eu sumir, prometo te avisar antes. — ele fazia piada, mas eu não podia estar falando mais sério.

– É bom mesmo. Já devia ter aprendido essa lição.

– Aprendi sim, e da pior forma. — concordou. — Mas sou humano...

O elevador enfim chegou ao seu andar, e logo estávamos dentro de seu apartamento. Edward me fez sentar no sofá enquanto preparava um café. Meu coração voltou a acelerar ao me dar conta de que eu estava aqui e não tinha volta. Devíamos mesmo conversar, mas o conteúdo dessa conversa revirava meu estômago, me afetando de tal maneira que eu tinha vontade de sair correndo e não encará-la.

O fato de estarmos a sós, sem os olhares de ninguém, deixou minhas mãos suando frio. Qualquer coisa poderia acontecer. Toda vez que eu pensava nisso uma corrente quente pulsava em uma região perigosa do meu corpo e simplesmente não podia acreditar que meu inconsciente tinha decidido reagir assim. Não. Eu não ia deixar nada sair do meu alcance.

Só que hoje eu o beijei, e... Porra, por que tinha que estar tão carente e vulnerável? Era o momento perfeito para esse idiota se aproveitar de mim. Eu nunca me senti tão desarmada.

– Ugh! — o resmungo escapou alto da minha boca quando deixei a cabeça cair entre as pernas, completamente derrotada. Não ouvi Edward se aproximar, então quando sua mão tocou minhas costas eu pulei de susto.

– Tá tudo bem? — ele perguntou preocupado, deixando as xícaras sobre a mesa de centro. Tirei minhas mãos do rosto e o encarei. — Você tá... corada. O que foi?

– Nada. — fechei os olhos para responder.

Quando abri, vi que ele me examinava com curiosidade enquanto tirava o paletó e a gravata, jogando sobre uma poltrona. E então tirou o cinto, para minha surpresa, deixando sua camisa amarrotada solta. Eu devia estar com a interrogação estampada no rosto, porque ele sentiu necessidade de esclarecer.

– Eu odeio essa merda. Não gosto de nada me apertando, sabe. Mas é o uniforme.

– Uhm...

– Bebe. — ele apontou. — Fiz chá. Vê se está bem adoçado, coloquei uma colher.

– Pensei que tivesse dito café. — me inclinei para pegar a caneca e só então reparei na ausência do cheiro característico da bebida.

– Você está pilhada o bastante. Deixa o café pra depois. — ele sorriu. — Se importa se eu acender um cigarro?

– A casa é sua. — dei de ombros. O cheiro era insuportável, mas não conseguia achar forças para me importar com isso agora.

Edward andou até a estante da sala e puxou um maço escondido. Xingou quando não achou o isqueiro, até desistir e ir usar a boca do fogão para acender.

– É o meu primeiro em três meses. — falou, retornando para a janela. — Eu disse que estava parando, lembra? Acho que consegui, né. Pelo menos até agora.

– Parabéns. De verdade. Sei que não é fácil.

– Tive uma boa ajuda de... alguém. — ele desviou-se e soprou fumaça para o lado de fora.

Alguém. Provavelmente sua noiva. Essa outra coisa que me deixava nervosa ao lembrar. Embora o problema aqui fosse muito além do empecilho do seu compromisso com Tanya, como ele havia me obrigado a confessar.

Bebi um pouco do meu chá para me tranquilizar depois de assoprar. Era erva doce, meu favorito. Às vezes eu me perguntava como ele conseguia lembrar de pequenos detalhes assim, e meu peito era acolhido pelo carinho do gesto. Essas pequenas coisas me deixavam louca. Porque ao invés de querer recusá-las, como deveria, eu queria experimentar mais delas. Saber quanta coisa ele ainda conhecia de mim, saber o que havia mudado em mim.

Tinha as mesmas curiosidades sobre Edward, e estava certa de que era recíproco. Seria normal para um par de amigos, sob outras circunstâncias, mas não para nós. Essas vontades que cresciam me apavoravam, pois não era apenas a necessidade de conhecer, de saber o que o tornava um homem tão complexo e fascinante... Era a vontade de estar perto dele mentalmente, até que eu atingisse os cantinhos que mais ninguém tinha o acesso; era o medo de perdê-lo de vista, a urgência de ter sua presença física perto de mim, mesmo por alguns minutos na semana.

A não ser que eu fosse uma psicótica obcecada, isso não podia ser um comportamento de amiga. sabia que não. Eu tinha quebrado minhas próprias regras. Onde eu estava com a cabeça todo esse tempo para deixar chegar a esse ponto?

Estava perdida e desamparada, e morrendo de medo de abrir a boca e não ser compreendida. Morrendo de medo de perder.

– Não gosto quando você fica com essa cara... — sua voz invadiu o espaço, me tomando a atenção. — Parece que está tentando desvendar a origem do universo. Você não era assim... Sair do ar era o meu defeito, não o seu.

Ele estava me provocando, mas eu não conseguia sorrir agora.

– Edward, o que está acontecendo entre nós? — perguntei, me levantando. Ele estudou minha face por longos segundos, sua expressão ficou mais séria.

– Não posso responder por você, Bella, só por mim. — deu dois passos para apagar o cigarro no cinzeiro da mesa de centro, e eu deixei ali minha caneca.

– Me diz.

– Faz um tempo que tivemos uma conversa. Você pediu pra gente deixar rolar e ver como nossa amizade ia evoluir, lembra? Então... — ele deu de ombros, como se não pudesse fazer nada a respeito. — Se a gente chegou aqui, acredito que é o nosso destino final.

– Que destino? Que lugar é esse que a gente chegou? — perguntei, aflita.

Pausadamente, como se para não me espantar, ele respondeu.

– Um lugar onde nós ficamos juntos... Não sei que nome dar pra isso agora.

Era demais para minha cabeça. Para não hiperventilar, desviei os olhos, sentindo um choro inesperado surgir na minha garganta.

– Mas isso está nos meus planos. — protestei, respirando fundo, limpando meu rosto.

– Você tem planos sobre como agir comigo?

– Você não entende? Eu preciso me proteger de alguma forma! — encarei-o novamente. — Meu plano era virar a página. Só isso. Eu só queria seguir minha vida sem nenhuma mágoa. Ser feliz e realizada sem peso.

– Me explique onde está o erro nesse seu plano, Bella. Porque me parece que você conseguiu tudo.

– Eu devia estar nessa sozinha! Não quero ter a sensação de que dependo de você pra isso!

– Você não precisa depender de mim, nem de ninguém. Você é forte, sempre foi. Se qualquer coisa acontecer entre nós será só para acrescentar.

Sacudi a cabeça. Ele não entendia.

– Eu dependo das suas atitudes, Edward. Já fiquei à mercê das suas decisões uma vez, e fui muito, muito machucada. Você tem ideia do quanto isso me apavora? É por isso que eu preciso estar no controle, e dessa vez... Eu não estou. Não consigo mais evitar, não consigo parar de pensar em você, desde o seu sumiço essa semana, eu...

Ele veio ao meu resgaste porque eu já tinha começado a chorar de verdade. Suas mãos seguraram meu rosto e ele beijou minha testa. Meus olhos se fecharam e eu continuei balbuciando os pensamentos que mal tinham nexo ao sair pela boca.

– Você me desconsertou quando disse que ainda me amava. Você é louco de soltar uma bomba dessas assim! Aquela noite na casa dos seus pais nunca devia ter existido. Não daquele jeito. E depois ainda toda essa coisa de sermos amigos, nos aproximando tanto... Nós fizemos tudo errado, como sempre.

– Shh, esquece isso, Bella. Já passou. E entenda de uma vez que eu não me arrependo. Se não fosse por aquela noite nós não estaríamos aqui hoje.

– Mas eu me arrependo, porque você me leva a fazer essas coisas malucas. É a influência que você tem, e eu odeio isso! — me afastei para ter meu espaço, virando para a parede. — Estou a um passo de me odiar. Eu estava indo tão bem...

Encostei a cabeça ao lado da estante. Fechei os olhos novamente, desejando que esse momento passasse. Que o tempo avançasse logo para a parte em que tudo estava em seu lugar e essa angústia teria desaparecido.

Senti sua mão tocar meu braço, mas nem me alterei.

– Você quer que eu te leve pra casa? — ele perguntou com a voz baixa.

– Não. Eu só quero uma garantia de um futuro bom pra mim. Quero respostas.

Mas Edward não as tinha para mim, pelo menos agora. Ele alisou meu ombro uma vez antes de se afastar. Ouvi enquanto pegava as xícaras na mesinha e as levava para a cozinha. O ruído da água constante e da louça enquanto ele lavava me acalmou aos poucos.

Ainda tentava achar uma lógica, uma forma de todo esse dia fazer sentido. Mas estava impossível. A sensação de tudo ou nada me sufocava. Era um caminho sem mais alternativas, e eu estava totalmente consciente disso. Ou sucumbia ao seu pedido apesar de todos os meus receios, ou perderia Edward para sempre em minha vida.

Alguns minutos passaram até eu ouvir o silêncio na cozinha. Estava no meu casulo pacífico quando, de repente, uma música baixa começou a tocar em um crescendo. Virei, confusa, na direção do som.

– O que está fazendo? — inquiri, e vi que Edward ajustava um iPod no rádio, enquanto respondia.

– Você não lembra que era nosso costume ouvir música juntos pra relaxarmos, pensar sobre a vida, sobre os problemas, sem pressão? Não lembra que eu te abracei e dancei com você quando fizemos o teste de gravidez e você estava apavorada? — ele me olhou rapidamente para ver se eu estava mesmo ali. — Prometi que tudo o que você iria sentir, tudo o que você iria passar dali por diante era o que eu sentiria também. E foi assim que conseguimos pensar em uma solução juntos.

Era claro que eu me lembrava. A memória estava perdida em algum buraco, e assim que ele mencionou, aquela sensação voltou com tudo. Foi uma noite em que nunca me senti mais apavorada. Mas também nunca me senti mais amada como naqueles minutos preciosos em seus braços.

– A gente era só um casal de adolescentes assustados. — eu queria chorar, fortemente. — É tudo mais complicado agora.

– Para de ser tão racional, Bella. Por favor. Estamos nessa juntos. Vamos resolver isso juntos, uma hora ou outra. E vai ficar tudo bem. — falou e esticou uma mão para mim, um convite.

– Eu não quero. — me virei, de pirraça, para a estante novamente.

Mas Edward veio e pegou em minha cintura por trás. Sem pressa. Esperou até minha tensão inicial passar para envolver seus braços sobre mim. A música lenta e bem cantada tomou conta dos meus ouvidos, e me deixei levar. Lentamente, começamos a balançar conforme a canção, sem sair do lugar.

– Eu queria poder ter ido naquele casamento. — Edward abaixou a cabeça para encostar no meu ombro. — Queria poder ter dançado com você assim, te ver toda arrumada, vestida de madrinha...

Minha risada fraca escapou pelo comentário inesperado.

– Eu estava linda. — respondi sinceramente.

– Tenho certeza que sim. — senti seu sorriso na voz e na minha pele.

O movimento calmo e a vibração de sua voz murmurando a canção me fizeram relaxar mais. Era quase como se eu tivesse dezoito anos novamente. Me encostei em seu torso, colocando minhas mãos sobre as dele.

– Quem está cantando? — perguntei.

– Um cara chamado Devendra Banhart. Mulher, você precisa esquecer esses rostinhos bonitos que você ouve e expandir seus horizontes musicais. — dessa vez eu ri abertamente, mesmo sentindo a pressão de lágrimas.

– Nunca. — brinquei.

Ficamos absortos na melodia, e eu ouvia sua respiração calma e baixa no meu ouvido. Eu não queria ter que falar nada. Se esse momento durasse para sempre, bem assim, já estaria bom. Mas a realidade devia ser encarada, nós devíamos achar uma solução sem fugir.

– Se eu te aceitasse de volta, hipoteticamente falando... O que você faria? — comecei, mas minha voz falhou. Tentei de novo. — O que faria sobre a sua noiva?

– Vou fazer o que é o certo. Desmanchar. — respondeu sem hesitar. — Você tinha razão, eu já devia ter parado de me enganar há muito tempo. Não daria certo dessa forma nunca.

– Mas você tem tanto a perder. Como ficaria quando Joaquin souber de tudo? Afeta seu trabalho... E até o meu.

– Não importa. Eu lido com as consequências, assumo tudo, você não vai ser prejudicada. Eu não vou desistir de você. — ele apertou minha mão. — Você sabe que não vou desistir, não é? Não agora que eu tenho a certeza de que podemos tentar de novo.

Respirei fundo limpando lágrimas antigas, a fim de dar passagens às novas.

– Você fala como se fosse tão fácil... São sentimentos de outras pessoas que está em jogo. É arriscar todo nosso futuro. — argumentei.

– Me dê só uma chance, Bella. — ele pediu um pouco aflito, sua confiança vacilando. — Estou tão confuso e assustado quanto você. Eu vou ter que magoar pessoas muito especiais pra mim, mas farei isso por você. Porque eu te amo e vamos fazer tudo funcionar.

Girei para encará-lo, sem pararmos de suavemente dançar. Quase me arrependi de olhar em seus olhos. Estava ali a honestidade e a necessidade. Uma intensidade crua que me magnetizava, como a mais perigosa armadilha. Eu estava perdendo.

– Que garantias eu tenho?

– Todas que eu puder dar. Vou resolver tudo, Bella. Prometo. — ele encostou a testa na minha, me trazendo para perto.

– Papo furado. Você nunca cumpre o que promete.

– Me deixe tentar. — sussurrou ele, tão vulnerável e sincero. Eu queria me enroscar em seu colo e não permitir que ele me soltasse jamais. Eu queria que ele nunca tivesse voltado para minha vida. Estava tudo tão bagunçado e descompassado.

– Por que tudo tem que ser tão difícil? Tão complicado? — indaguei sem esperar resposta.

Senti seus dedos tocando meus lábios antes de subir pelo meu couro cabeludo adentro enquanto falava, massageando.

– Shh. — me silenciou com um leve roçar de seus lábios nos meus. — Não tem nada difícil. Você não lembra como é fácil entre a gente? É tão fácil.

Sua boca passou a beijar a minha com maior intenção, e eu não pude rejeitá-lo. Eram tantas lembranças, tantas emoções evocadas. Ele brincava com minha língua e seu gosto sempre me fazia voltar para ter mais. Droga. Foco. Eu precisava me recompor e não perder o foco.

– Não faça isso comigo. Por favor. — supliquei em uma brecha, sem forças. — Para de me beijar.

– Para de pensar um pouco, Bella. — suas mãos me seguraram mais firmes, descendo por meu corpo. Eu o segurei com mais firmeza.

– A gente ainda não decidiu nada! Você está se precipitando. Isso aqui não pode estar certo. Não pode...

– Isso não está certo? — ele beijou abaixo da minha orelha, sugou a pele, enquanto com um toque suave sua mão acariciava minha lombar sob a blusa. — Tem certeza?

Edward continuou me seduzindo, trabalhando lentamente, fazendo todas as coisas para me deixar louca, para me quebrar. Afastou meu cabelo, cheirou minha nuca, e eu suspirei, sentindo todo meu corpo arrepiar. Mas que merda. Mal tinha forças para me sustentar em pé, como teria forças para resistir?

– Não é justo. Estou tão sensível e carente. — eu falei com o olhar fixo em sua boca. — E nem é justo com sua noiva... Eu não quero traí-la de novo.

– Não vamos traí-la porque não sou mais dela. Não pensa nisso agora. — ele me beijou, e pediu em um sussurro, como um segredo. — Me deixa te amar.

Quando me dei conta que ele não falava apenas de tentar um novo relacionamento comigo, e sim sobre o agora, já era tarde demais.

– Edward, é errado... — meu protesto morreu no meio quando suas duas mãos entraram em minha blusa, deslizando-a para cima. Meus braços levantaram por instinto para que ele me despisse.

Eu estava entregue e não havia mais volta. Ele segurava minha cintura, subindo e descendo e deixando um rastro de arrepios por onde passava. Minhas mãos começaram a desabotoar sua camisa e eu não sabia como me desgrudar dos seus lábios.

Aquela sensação que só com ele era criada, desde o nosso início, voltava para mim. Só que agora... Agora nossa conexão física estava diferente, muitos níveis acima. Parecia maior do que a minha vontade própria. Sentia na minha pele, nos meus ossos. Eratóxica. Bastava uma centelha para reacendê-la e eu não conseguir mais parar.

– Vamos pro quarto? — ele perguntou sem fôlego, hesitando pela primeira vez. Eu sabia que ele estava pedindo minha permissão, me dando a chance de dizer não e ir embora.

Percebi que era a hora de parar de me enganar. A essa altura já não faria muita diferença se eu fosse embora. Em casa ficaria obcecada pensando nisso, pensando nele, da mesma forma como antes. Só rezei para não estar fazendo nenhuma grande merda que prejudicasse o futuro, e peguei sua mão. Assenti em concordância, vendo o alívio e excitação correrem por seu olhar.

Edward me guiou para o seu quarto e eu sentei na cama enquanto ele acendia o abajur de luz amarelada. A nossa troca em silêncio de repente me fez sentir exposta. Nós vamos mesmo fazer isso. Minha mente continuava a não crer. Ele jogou seus sapatos para longe, tirou as meias e então ajoelhou-se à minha frente, tirando os meus. Suas mãos subiram pelas minhas pernas, só para puxar minha saia.

Vi que ele parecia nervoso, e isso me deixou mais confortável comigo mesma, sabendo que eu não era a única. Só que apesar de suas mãos tremerem levemente, seus olhos me desconstruíam. Eu nem sabia que era possível haver algo assim na vida real.

Era o seu amor que transparecia em sua intensidade; seu desejo que o mataria se não fosse alcançado; a adoração que acompanhava cada movimento seu, de uma sinceridade tão crua, capaz de anular minhas resoluções. Todos os sentimentos contidos no esverdeado que eu havia memorizado há tantos anos. Minha garganta apertou-se com a grandeza do momento. Edward me tratava com carinho e respeito, subindo carícias e beijos pelas minhas pernas, desde meus pés. Podia sentir a importância que eu tinha para ele.

Uma parte da minha consciência não parava de recordar da última vez que estivemos sexualmente próximos. Aquele encontro havia sido sob a expressão da raiva que me cegava. O contraste com o que acontecia agora me incomodava, pois eu me lembrava da forma como agi, usando seu corpo sem pedir permissão.

A minha violência o machucou fisicamente. Talvez emocionalmente também, quem sabe? Nunca tive coragem de perguntar. Era terrível saber que eu fui capaz de tamanha agressividade. Depois de ter conhecido toda sua história, compreendido que ele não merecia nada daquilo, me arrependia tanto.

– Me desculpa pela última vez que nós... fizemos isso... — pedi, pegando-o de surpresa. Edward parou sua incursão entre minhas coxas e voltou os olhos para mim, confuso. — Me desculpa, por favor.

– Ainda está pensando naquele dia? Bella, não precisa... — sacudiu a cabeça. — Esquece isso.

– Precisa sim, porque eu te machuquei, eu sei. Eu quis te machucar, mas era a única coisa que podia fazer naquela hora. — me inclinei lentamente, tomando coragem para demonstrar meu arrependimento. Segurei sua face e um por um, depositei beijos em seus lábios, suas bochechas e suas pálpebras fechadas. — Você não merecia ter sido tratado daquele jeito. Eu te usei e te machuquei, foi muito feio. Me desculpa.

Edward pareceu tão abalado quanto eu me sentia, naquele momento. Vi seu pomo de adão subir e descer enquanto ele engolia em seco a sua emoção, ainda de olhos fechados.

– Tudo bem, Bella. Está tudo bem. — ele afirmou. Quando sentiu que eu descia minhas mãos para tirar sua camisa, ele suspirou. Comecei a abrir sua calça também, e ele se levantou para me ajudar.

Ele estava deixando que eu guiasse tudo isso, para o meu bem. Portanto, assim que nos livramos de sua calça, o puxei para deitar comigo na cama. O desejo que eu não sabia de onde vinha começava a chegar em seu máximo. Provava sua língua quando senti meu sutiã indo embora, e Edward logo deitou-se sobre mim, encaixando entre meus quadris.

Naquele instante, toda sua delicadeza dava lugar a sua paixão. Nos beijamos como dois adolescentes, com mãos que vagavam e membros que provocavam protegidos por finos tecidos das roupas de baixo.

Ele massageava meus seios, sem parar a fricção de seus quadris contra os meus. Quando o senti duro, forte e quente entre minhas pernas, não havia alternativas. Me balancei contra ele para ter só uma pequena fração do que ele seria capaz de me fazer sentir. Puxei sua cueca para baixo como um pedido, e ele sentou de joelhos na cara para terminar de tirá-la.

Só a minha calcinha nos separava do momento que esperamos por anos. Edward pausou seu frenesi para deixar os olhos semi-cerrados percorrerem meu corpo, como se estivesse em um transe. O fato de ele ignorar a minha lingerie branca de algodão nada sexy só me deixava mais excitada. Ele estava me enxergando, olhando para mim, e me fazendo sentir a mulher mais desejada. Suas mãos começaram a puxar minha calcinha e sua boca acompanhou o caminho.

Eu também tentava observá-lo, a curiosidade me forçando a decifrar o que tinha de diferente nele, comparado ao que eu me lembrava. Porém fui interrompida quando ele se inclinou entre minhas pernas parcialmente abertas, e encheu minha pele de beijos.

– Ah, Bella... Minha Bella. — murmurou beijando meu sexo, minha barriga, minhas coxas, meus seios, meus ombros. Minhas marcas, cada dobrinha e sinal. Edward não sabia por onde começar.

Sua barba crescente me fazia cócegas e eu ria, só para depois gemer ao sentir que sugava e lambia meus mamilos. Suas mãos me viajavam, como seus olhos, me redescobrindo. Eu só conseguia acariciar seu rosto bonito e beijar onde eu alcançava — seu pescoço e os ombros que tinham ficado mais fortes com o tempo. Era incrível. Tudo nele parecia mais forte, mais sólido. Dentro e fora.

Ele era apenas um garoto quebrado quando estivemos juntos como marido e mulher pela última vez de verdade. Mas agora ele era um homem. Sua alma havia consolidado. Estava estampado em seu olhar, em sua pele, seu toque.

Sua mão passou a mexer meu sexo em círculos enquanto mordiscava minha boca, me fazendo não querer esperar mais. Eu tentava tocar seu membro, também, mas ambos estávamos aflitos e acelerados, deixando os instintos agirem sem passos premeditados.

Era como a primeira vez. Só que melhor, e muito mais intenso.

– Agora. Quero agora. — precisei suplicar ao sentir dois dedos dentro de mim. Puxei seu quadril, tentando guiá-lo, mas Edward me parou.

– Espera. — falou beijando minha bochecha. Eu sabia que ele estava se esticando para pegar algum preservativo, mas apesar de tudo, nesse momento só desejava senti-lo assim, sem nada entre nós. Completamente despidos.

– Não, por favor. Vem assim mesmo, eu quero... — respirei, sem saber como explicar. — Quero te sentir. Só dessa vez, não tem problema.

– Tem certeza?

– Sim.

Ele assentiu, se posicionando de volta. Eu o envolvi com minhas pernas, e meu coração queria sair voando. Podia sentir que o dele também, pois tinha encostado seu torso no meu, o que me deixou bastante ligada em cada ponto onde estávamos conectados. Os pelos em seu peito provocando meus bicos com cada respiração me deixaram ansiando por mais.

Quando parecemos perceber que havia chegado a hora, nós instintivamente nos contemplamos. Aquele momento de expectativa pareceu infinito.

– Isso vai mudar tudo, não é? — sussurrei a primeira coisa que saiu da minha boca e segurei seus ombros, abraçando-o.

– Vai. Você ainda tá com medo? — Ele tinha começado a mover sua ereção sobre meu sexo aberto de uma forma torturante, ao mesmo tempo que colocava uma mecha do meu cabelo para atrás da minha orelha. A provocação unida ao carinho me matavam. Meu corpo pedia para tê-lo, e agora.

– Um pouco... Ou muito. — engoli com a garganta seca. — Mas eu te quero.

– E eu te quero pra sempre. Isso não vai mudar.

Quando terminou de falar, Edward enfim me adentrou. Naqueles segundos, eu não conhecia nada do mundo além disso: nós. Gememos exasperados, como era de se esperar, e as emoções em seus olhos foram demais para mim. Fechei os meus e o abracei mais apertado, tirando proveito do seu pescoço ao meu alcance.

Eu achava que haveria a estranheza típica de quando me deitava com alguém pela primeira vez, mas foi bem diferente. E como poderia ser estranho, de fato? O descompasso do início foi superado rapidamente, pois nossos corpos se recordaram um do outro para entrarmos em sincronia. Era nosso próprio ritmo, aquele aprendido uma vez e ensaiado à exaustão.

Eu alisava suas costas e nuca, guiava sua bunda para ir mais fundo. Ele agarrava meus quadris e repetia um mantra do meu nome em meu ouvido. Tocando, sentindo, compreendendo. Era como se ainda precisássemos de provas concretas para acreditar que estava mesmo acontecendo.

O esforço nos atingia e o suor chegava sobre nossas peles. Foi assim que seu cheiro me invadiu, e eu percebi que estava em todo lugar, me preenchendo e envolvendo. Conforme minha respiração e o prazer aceleravam, ele aumentava a pressão ao me penetrar. Eu estava subindo rápido, lamuriando em seu ouvido.

Era tão bom. Como podia ser tão bom assim?

– Edward. — chamei, sentindo-me aproximar do clímax. Desejei que ele também estivesse, e conscientemente o apertei mais um pouco dentro de mim. Isso o fez investir com mais força, e eu o respondia igualmente.

Merda!– ele xingou baixo, chegando ao seu ritmo máximo. — Você, Bella... O que você faz comigo...

– Eu sei, eu sei. — gemi porque partilhava do mesmo sentimento de perdição.

– Você é linda. — balbuciou. — Você é linda, eu te amo.

– Edward. Você...

Ele passou a acertar repetidamente todos os pontos mais deliciosos, que a essa altura pareciam estar por todo meu corpo. Eu implorei em voz alta que ele não parasse o que fazia. Só precisava sentir mais e mais dele. Minha respiração prendeu na garganta e meu orgasmo subiu alastrando por mim, formigando pela minha pele, me aquecendo por dentro. Meu gemido saiu em forma de um grito inesperado.

Edward me acompanhou sendo igualmente vocal. Meus olhos estiveram fechados segundos atrás, mas eu abri rapidamente, pois precisava presenciar a sua expressão nessa hora. Era inebriante, a minha parte favorita do nosso sexo — a forma como ele parecia vulnerável e ao mesmo tempo tão viril, seu olhar de pura veneração e satisfação me arrebatando.

Senti seu pulsar no meu interior antes de deitar-se sobre mim com cuidado, ambos sem fôlego. Meu corpo ainda vibrava e pinicava, carregado de eletricidade. Edward deitou a cabeça no meu peito e quando tive força, passei a fazer um cafuné displicente na base de seu cabelo, sentindo sua respiração soprar no bico do meu seio esquerdo.

O tempo parecia mesmo ter parado na quietude de seu apartamento.

O som esquecido ligado na sala ainda tocava, mas a música baixinha não interrompia a calmaria do quarto. Nossas respirações que desaceleravam, nossas bocas secas sugando o ar. Juntamente com o movimento que eu fazia em sua cabeça, tudo isso me levava para um estado fora do real. Minha mente foi longe.

Fiquei à espera de um sentimento definitivo chegar para acabar com o meu momento, mas nada. Esperei pela culpa, e ela não veio. Nem o arrependimento.

Eu me sentia tão contente, tão bem. Era uma satisfação que ia além da química de um orgasmo. Só que por me sentir assim, de repente a ficha caiu. Quanto tempo eu vivi sem alcançar essa plenitude que aconchegava meu peito novamente? E se ninguém mais conseguia me fazer sentir assim, como pude me privar disso, voluntariamente? Era claro que eu sabia as respostas lógicas e concretas, mas ainda assim, o que me pegou de verdade foi a pena. Uma pena excruciante por nós dois.

Nós podíamos ter feito isso o tempo todo. Podíamos ter feito tantas coisas juntos. Pensar em tudo o que perdemos em quase dez anos era uma via de mão dupla: ao mesmo tempo me impulsionava a querer buscar o melhor para nós, mas também me levava para trás, para querer voltar no tempo e mudar tudo. Que situação mais fodida o destino tinha aprontado para Edward e eu.

– Está chorando? — sua voz preocupada me acordou. Ele saiu de dentro de mim, e antes que fugisse, eu o envolvi no abraço mais apertado que pude, com minhas pernas e braços. — Eu te machuquei? O que houve?

Sacudi a cabeça para afastar sua preocupação antes de dizer baixo, pois doeria mais se falasse mais alto.

– É só que... Eu lamento tanto que nós tivemos que passar por tudo o que passamos. Toda a dor, todo o sofrimento... A gente não merecia.

Edward deixou um beijo em minha bochecha e virou para deitar-se na cama, me carregando junto e me aninhando em seu peito. Puxou a coberta desalinhada e nos cobriu.

– Eu também lamento, mais do que você pode imaginar. Mas agora é a hora de consertar isso. Vai ficar tudo bem, eu juro.

Eu sabia que não seria tão fácil como ele tentava me convencer. Diversas questões ainda me prendiam para ir em frente nessa... situação com ele. Mas por ora eu preferi fechar os olhos e abraçar seu corpo, sentindo seu cheiro misturado com o meu. Era familiar demais para eu ignorar.

– Só me abraça. — pedi, e ele me segurou mais forte.

– Por quanto tempo ainda te tenho?

Ele perguntava sobre a noite de hoje, mas minha mente não deixou escapar um duplo sentido na pergunta. Por quanto tempo eu esperaria pelo resultado de suas decisões? Por quanto tempo esperaria para comprovar se daríamos certo de verdade? Por quanto tempo eu estava disposta a tentar?

Eu não queria pensar no agora, estando tão segura em seus braços. Então apenas beijei seu peito e entrelacei minhas pernas nas suas para responder.

– Até meia-noite.

E rezei para que até bem depois da meia-noite o encanto continuasse intacto.

Notas finais
Bella NÃO vai engravidar, ok? Ok. Essa é a música que eles dançam - http://bit.ly/Freely - Podem já voltar pra ler a cena enquanto ouvem! hahahah
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Se houver interesse de vocês, pode ser que eu me anime de escrever um EPOV desse capítulo. Me digam então o que acharam, e se gostariam de ver a visão do Edward? Quero muito ver a reação de vocês! :)
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O próximo já está escrito, então planejo voltar em duas semanas.
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Beijos, até!