Mais Uma Vez

3 Capítulo 2: Pobre Garota


Notas iniciais
Disclaimer: Twilight não me pertence, mas essa história, assim como a filha da Bella e do Edward sim, portanto respeitem! Obrigada a Cella, a beta que precisa escrever mais sobre crianças. Ou ter um filho logo. *corre da índia* Aqui vai o segundo capítulo, e a surpresa é um ponto de vista diferente. Embora a história seja predominantemente de Bella, em alguns momentos ela a dividirá com sua filha, que tem papel fundamental nessa trama - bem como na vida de Bella. Será através dela que vocês conhecerão Edward. Claire não vai aparecer sempre, acho que será a cada dois capítulos da Bella. Eu sei que parece estranho, mas não me abandonem ainda, não fujam! Eu prometo que vocês irão gostar (eu espero, né haha). Apresento a vocês a pequena luz de Bella e Edward: a (não tão) pequena, Claire!

Capítulo 2: Pobre Garota

Claire

Eu obviamente cheguei quando os portões estavam se fechando. Toda encharcada, espirrando a cada cinco minutos, e perturbando a todos por onde eu passava. O dia já tinha começado bem.

Tive sorte, o porteiro me conhecia desde antes de eu nascer – literalmente – e me deixou entrar. Essa era a vantagem de se estudar no colégio onde sua avó era diretora, e onde seus pais e tia estudaram.

Kate, ou melhor, a professora Marshall, fez uma cara feia quando cheguei e entrei correndo na sala. Mesmo assim, ouviu minhas desculpas e permitiu que eu me sentasse para fazer a porcaria da prova. A minha outra sorte, também, era ter a professora de matemática como vizinha. Ela era uma super fofa, e olha que eu tinha critérios rígidos para chamar alguém de fofa.

Apesar de chegar por último, eu fui a primeira a entregar o exame de setenta questões. Duas horas devia ser o meu recorde. Não me pergunte como eu conseguia fazer isso. Eu só tinha uma habilidade com números que, para ser sincera, detestava por não ser muito útil. Preferia Literatura, mas infelizmente, minhas redações eram péssimas.

Saindo da sala, tirei o celular do modo vibrador, olhando a hora e choraminguei impulsivamente, já sabendo que teria de esperar um bom tempo até minha carona. Minha prima Rosalie era sempre lerda para fazer prova, e hoje o último ano teria duas. Ela e a tia Alice, professora de música da St. Patrick e quem nos dirigiria, provavelmente só sairiam em três horas.

Eu não tinha escolha – o ônibus da escola não ia até minha casa e eu também não estava a fim de ouvir as chatices da minha mãe caso voltasse sozinha do colégio (um percurso de trinta minutos de metrô, mais dez a pé), sobre como o nosso bairro era perigoso demais, longe demais, e tudo de ruim.

Mas fala sério, se o bairro era "perigoso demais", então por que ainda morávamos lá, não é mesmo? Era a pergunta que eu sempre fazia a ela, e ela sempre me respondia que "em breve, Claire, em breve mudaremos".

Em breve uma ova! "Em breve" já durava mais de três anos, e eu não aguentava mais ter que pedir permissão para sair e avisar onde estava, mesmo que tivesse ido comprar um sorvete na esquina. Não era assim quando morávamos no apê do Harlem.

Ela dizia que esse era o preço por hoje morar no lado pobre do Queens, mas que devíamos "estar contentes pelo privilégio de possuir uma casa própria tão confortável, totalmente rara para os padrões atuais de Nova York".

Nesses momentos, eu só queria vir morar com meu pai em Manhattan...

Voltei ao meu celular, que piscava com nova mensagem, e abri ansiosa para ler. Nem sei porque eu ainda ficava empolgada achando que seria algo interessante. Tolinha. Como se eu tivesse alguém além das minhas amigas e meus pais para trocar mensagens.

Dessa vez, era a senhorita Isabella Swan.

Flor, você saiu correndo,
esqueceu de pegar dinheiro do almoço.
Vou deixar $20 na sua mesa, a geladeira tá vazia.
Ou almoce na tia Alice depois da escola, ok?
Tenho um jantar importante da editora hoje,
chegarei tarde. Esqueci de te avisar, desculpa.
Beijos.

(Ps: Boa sorte, depois me fala como foi a prova)

Bom, então era isso. Mais uma noite sem mãe em casa.

Era a segunda vez nessa semana, e a segunda que ela esquecia de me avisar antes. Ultimamente parecia até que eu morava sozinha.

Você deve estar pensando que era muito trouxa de não ficar feliz por ter a casa só para mim, como uma adolescente normal de quatorze anos faria, porém eu não era assim. Eu não queria ver minha mãe longe, pelo contrário. Ela era minha melhor amiga, e mesmo que não ficássemos grudadas o tempo todo, só de saber que ela estava no quarto ao lado já era suficiente.

Além disso, nossa rua era meio sinistra à noite e a casa ficava silenciosa demais quando eu estava sozinha. Cruzes.

Minha barriga roncava e nem lanchar eu poderia, pois minha carteira estava mais vazia que o Polo Norte e o refeitório não aceitava mais fiado. Nem mesmo para a neta da diretora, o que sinceramente, era um absurdo e eu já devia ter reivindicado meus direitos.

Derrotada, segui para um lugar que pudesse me entreter e passar a fome enquanto esperava minha carona.

Encontrei a biblioteca deserta pelo dia de provas na escola toda, e quando cheguei ao terminal de identificação, lá estava Gianna sentada atrás de uma enorme pilha de livros. Ela acenou uma mão para mim, claramente atolada ao organizar tudo aquilo, e eu ri da cena com um pouco de pena.

— Bom dia, Gianna.

— Bom dia, Marie! – falou com a voz abafada, e meus olhos se apertaram para ela.

— Meu nome é Claire. – corrigi.

— Pois prefiro Marie! Seu primeiro nome é muito mais poético.

É... Bem, eu não podia dizer que ela estava de todo errada. Marie era meu primeiro nome. Marie... Claire. Como a revista de mulherzinha. Podem me zoar agora, eu permito. Pelo menos era desse jeito, e não a mistura do nome das minhas avós, como tinha sugerido uma delas ao me registrarem no cartório.

Se bem que não tinha como minha mãe ser mais clichê. Como se fosse super casual uma jornalista de revista famosa ter uma filha com um nome desses. Eu jamais deixaria minha mãe em paz com essa história.

— Que seja, Gi. – chamei-a pelo apelido que eu sabia que a irritaria, e passei minha carteirinha da estudante pela roleta.

Com muito custo, as três horas passaram, mesmo parecendo uma eternidade e eu tivesse perdido as contas de quantas fotos novas do McSky eu tinha visto no Twitter e Tumblr. Eu só soube disso quando meu celular tocou, e atendi antes que Gianna ou Mary viessem encher meu saco para que eu desligasse.

— E aí, Rosie.

— Claire, você pode vir até aqui? – a voz urgente dela me alarmou num instante.

— O que foi? Onde você tá?

— No banheiro do térreo. Por favor, venha até aqui.

— Por que essa voz, Ro? Fala comigo! – disse aflita. O que ela tinha aprontado agora, cara? Rosalie sempre se metia em roubada.

— Eu... eu tô legal, só não estou passando muito bem.

— Já estou indo. – avisei, desligando o computador e a ligação.

Corri pelo longo caminho até o banheiro do térreo, e quando abri a porta, a cena que eu vi foi de cortar o coração. Rose estava debruçada sobre uma pia, visivelmente fraca. Seu rosto sempre impecavelmente lindo estava pálido, seu rímel borrado sob os olhos e a boca parecia de um cadáver de tão branca.

— Meu Deus, o que aconteceu com você? – andei em sua direção, alisando seus braços e penteando um pouco do cabelo loiro, molhado de suor e água.

— Nada. Eu só passei mal, vomitei. Você sabe como meu estômago fica nessas épocas de prova.

— Sei sim... Você quer que eu chame ajuda? Um copo d'água? Um remédio? – ofereci tudo o que eu podia pensar para esses casos. Eu nunca sabia lidar com gente doente.

— Não precisa, minha mãe já deve estar esperando. Só queria que você levasse meu material, por favor. Estou me sentindo um pouco fraca.

— Claro.

Saímos do banheiro feminino e vários olhares se voltaram para nós duas. Alguns assustados, alguns preocupados, mas os olhares quase satisfeitos de certas meninas não passaram batido.

Metade dessa escola tinha inveja de Rose, ou simplesmente a odiava gratuitamente só por ela ser linda, muito inteligente, e meio introspectiva, o que a princípio a fazia parecer esnobe. Tadinha. Eu sabia que ela não via a hora de ir para a faculdade no próximo semestre e deixar toda essa ralé para trás.

Tia Alice já estava no estacionamento quando passamos pela porta que levava à garagem da escola. Vi seus olhos arregalando-se ao reparar no estado de Rose. Cruzamos o pátio e, no mesmo momento em que entramos no carro, ela começou seu interrogatório de mãe preocupada.

— Minha filha! O que aconteceu com você? – ela passou uma mão sobre a testa suada de Rosalie, checando por dentro das pálpebras inferiores. Qual era o sentido de toda essa palhaçada que as mães faziam, eu não sabia. De que iria servir checar minha pálpebra? Ver se as remelas estavam saudáveis?

— Mãe, não é nada demais, foi só meu estômago irritado de novo. – explicou Rose, retirando à força as mãos da mãe.

— Época de provas. – tia Alice afirmou, compreendendo tudo.

— Sim. Só quero ir pra casa e deitar. Vamos, por favor.

— Claro. – ela começou a dirigir, até que deu um tapinha no volante. – Ai, poxa vida, agora lembrei que tenho reunião mais tarde com pais de alunos, vou ter que cancelar.

— Que isso, tia, eu posso ficar cuidando dela, não precisa desmarcar nada. – ofereci sem pensar, mas já me arrependendo um pouco, pois cuidar de gente doente, como eu havia dito, não era meu forte.

— Você faria esse favor, querida? Eu te deixo em casa mais tarde, quando chegar da reunião.

— Claro, tia. Só espero que Rose não vire a menina do Exorcista e vomite na minha cara...

— Se a cabeça dela começar a girar, você sai correndo e chama um padre. – minha tia brincou, fazendo minha prima dar uma risadinha e só por isso já valeu a imagem mental nojenta que dei a mim mesma.

— O que temos pro almoço? – indaguei enquanto digitava uma mensagem à minha mãe avisando que eu ficaria lá a tarde toda.

— Você não comeu na escola?

— Esqueci de pegar dinheiro com a mamãe.

— Bem, ontem Jasper fez algumas batatas rostie recheadas com carne moída, queijo e cebola. Tem algumas congeladas, só preciso fritar. – ela anunciou. Rose gemeu alto, se contorcendo no banco da frente.

— Porra, mãe, quer parar de falar em comida? Eu estou mal pra caralho aqui.

— Rosalie Hale, eu sei que você acabou de colocar os bofes pra fora, mas se falar assim comigo de novo, a chinela vai cantar. Esfrego essa boca suja no tanque, hein. – ela falou, claramente provocando a pobre da minha prima.

— Você não merece nem uma resposta. – Rose indignou-se, e virou sua cabeça para fechar os olhos contra o vidro.

Dessa vez eu não segurei a gargalhada. Tia Ali falava umas coisas absurdas e engraçadas sempre nas circunstâncias mais impróprias. Eu realmente a amava.

Ela e minha mãe eram amigas desde a adolescência, apesar de tia Alice ser um pouco mais velha. Volta e meia elas usavam alguma gíria igual, ou davam uma bronca da mesma forma, e eu conseguia ver os anos de convivência delas ali. Quando se juntavam, então, ficava bem clara a longevidade da amizade. As duas juntas tinham uma grande facilidade para falar besteira – principalmente sobre homens, o que sempre me deixava morrendo de vergonha.

Meu pai, no entanto, embora também tenha crescido com elas, era completamente diferente – um cara mais sério e reservado, mesmo sendo irmão de tia Alice. Minha mãe, nas raras vezes em que falava sobre ele, relembrava o quanto ele costumava ser um rapaz tão diferente do que é hoje em dia.

Era um meninão viciado em videogame, que tinha o riso frouxo e a cabeça sempre nas nuvens, às vezes quase beirando a irresponsabilidade – o que eu não acreditava ser possível, afinal ele era super responsável (embora a parte do videogame ainda fosse mais ou menos verdade. A gente sempre jogava quando eu ia para a casa dele).

Eu tinha lá minhas suspeitas que a mamãe falava isso só por ele ter saído de casa. Ou talvez por ele ter a engravidado quando tinham só dezessete anos. Bem, eu era a prova viva disso tudo, afinal.

Eu acabei passando a tarde vendo filmes com Rose e tia Alice, que não deixou de paparicar a filha até às quatro, quando voltou à escola para a reunião. Confesso que por um minuto pensei em fingir uma dor só para conseguir que minha mãe ficasse assim em casa comigo por uma tarde inteira. Mas eu não era tão infantil assim.

Rose acabou melhorando dos enjoos após os remédios, e nós emendamos um filme de terror tenso com De Repente 30 para aliviar. Eu nem vi o tempo passar, e quando minha tia voltou já estava escuro.

— Claire, já são oito horas, você avisou à Bella que ficou por aqui depois da aula? Ela vai ficar preocupada. – ela perguntou, tirando os sapatos.

— Humpf, duvido. Eu mandei uma mensagem e ela nem respondeu. Se estivesse mesmo preocupada já teria me ligado.

— Talvez esteja ocupada...

— Ela não liga mais pra mim, tia, agora só quer saber de trabalho. Ou está no jantar da empresa, ou em alguma reunião muito séria com a chefona. – falei fingindo mágoa; o que não fugia muito da verdade, já que mágoa era algo que eu sentia pulsar lá no fundinho.

— Ohh, meu bibelô, não fale assim da sua mãe. – disse bagunçando meu cabelo. Eu odiava quando ela fazia isso. – Bella está trabalhando pra te dar um futuro brilhante como você merece. Tenha paciência, daqui a pouco as coisas se ajeitam.

— Estou falando quase sério, tia! Falta muito pouco pra ela me esquecer de verdade, tá? – choraminguei fazendo um biquinho exagerado. – A cada dia ela chega mais tarde do trabalho, sempre tem algum evento inadiável e super importante. Qualquer dia desses, eu vou ficar sozinha a madrugada toda, e se alguém entrar lá em casa pra me sequestrar e roubar meus rins, como aconteceu com aquela garota porto-riquenha ano passado, a culpa vai ser toda dela.

— Meu Deus, mas é dramática igual a mãe! – Tia Alice riu de mim.

— Ah não, o drama ela puxou do tio Edward. – Rose entrou na onda.

— É, pensando bem, a genética não te ajudou nisso aí, meu anjo. – elas me zoavam como se eu não estivesse ali.

— Me deixem, suas chatas! – levantei do sofá.

— Não, volta aqui, a gente te ama! – eu ouvi minha prima dizer, porém já tinha saído para ir até a cozinha pegar mais um copo de Coca. Aproveitei para ligar para a tão falada mamãe e tentar avisar – de novo – que eu estava viva.

Quando peguei meu celular, porém, eu o descobri mortinho da silva, não desbloqueava nem nada e logo comecei a fazer as contas sobre quanto da minha mesada eu iria ter que garfar para consertar essa porcaria. Eu estava ferrada.

Bufando de ódio da Apple, acabei pegando o telefone da sala para ligar. O celular dela não atendeu por um tempo, devia estar falando com alguém. Tentei ligar para o telefone fixo de casa, e só então consegui falar com ela.

Mas antes eu nem tivesse ligado para porcaria de telefone nenhum também.

Tudo ia bem até eu perguntar sobre esses eventos todos e porque ela não fazia mais questão de me avisar com antecedência. Eu juro que não queria ter perguntado nada, mas foi mais forte que eu, pois aquilo não era do seu feitio e me preocupava.

Ao invés de responder normalmente, com calma e numa boa como sempre, dessa vez eu acabei recebendo patadas suas pelo telefone. E doeu.

Não avisei porque... Porque não, ué! Não preciso ficar dando satisfações de tudo que eu faço, isso é coisa que só a filha deve à mãe. – ela disse sem paciência.— Semana passada você não me avisou que ia ficar a tarde inteira na casa da Rachel, avisou?

— N-não, mas—

Filha, estou muito atrasada. Depois a gente conversa, está bem? Um beijo, até mais.

— Beijo. – falei sem forças.

Mas o que foi isso aqui?

Fiquei olhando para o fone quando desligamos, espantada e confusa pelo que tinha acabado de se passar por ali. Nós nunca tínhamos sido tão frias em uma ligação. Meus olhos pinicaram com lágrimas que eu suguei de volta antes que minha prima na sala reparasse.

O telefone que eu ainda segurava tocou logo em seguida, me fazendo sobressaltar de susto. Atendi, mesmo não sendo minha casa. Ninguém se importaria.

— Alô?

Claire?

— Oi, pai. E aí? – eu me sentei, enfiando as pernas sob mim.

Oi, amor. Que voz tristinha é essa?

— Nada não... Meio cansada só. – tentei disfarçar, afinal a última coisa que eu precisava agora era meu pai sabendo que a mamãe tinha sido rude comigo, e assim começar uma intriga desnecessária entre eles. Isso só aumentaria minha chateação.

O que houve com o celular?

— Ah, sei lá, deu ruim, pra variar, vou levar ao conserto de novo...

Passa lá no Hotel amanhã, eu levo e te devolvo sexta.

— Jura? Ai, brigadão, pai... Ei, espera aí, como você sabia que eu estou aqui na casa da tia Ali?

Sua mãe me falou. Liguei agora há pouco procurando por você...

— Putz. – saiu sem querer quando imaginei como tinha sido essa ligação para que ela tivesse ficado tão estressada minutos atrás.

Meus pais não eram amigos agora. Mal se falavam quando se encontravam, e só mesmo trocavam poucas palavras quando necessário.

Mamãe nunca falava sobre a separação deles. Nunca.

É claro que eu ainda lembrava do dia em que ele foi embora e de toda a tristeza que vi minha mãe enfrentar, mas o que eu realmente não entendia – e o que minha mãe nunca mencionava – era o verdadeiro motivo da raiva que ela ainda nutria por ele. Ou melhor, a razão verdadeira de sua separação, que não tinha sido nada tranquila.

Então por isso era tão estranho para mim aceitar que alguma coisa muito cabulosa havia acontecido entre eles. Eu era uma criança, tinha quase oito anos, mas naquela época tudo pareceu morno para mim... Quer dizer, eles nunca brigavam, e o dia anterior à sua partida tinha parecido como um outro dia qualquer na nossa rotina.

Hoje era tudo tão diferente de antigamente, quando eles pareciam o casal perfeito – ao menos, era isso o que dizia tia Alice: "O casal mais irritantemente lindo que eu já vi". Eu sempre achei que meu pai ainda gostava da mamãe, mesmo estando compromissado, e estava na cara que às vezes ainda ficava abatido por conta disso.

Porém pensar nessas coisas me deixava meio pra baixo, e eu sacudi a cabeça me livrando logo daqueles pensamentos.

— Mas então, fala aí, pai. O que ia dizer?

Nada, só... tive um dia tenso e queria falar com minha filha querida. Como foi o dia?

— Awn. – meu coração se derreteu todo, e eu comecei a contar sobre essa quarta-feira comum, como às vezes acontecia durante a semana quando ele não podia esperar até sexta para falar comigo.

É claro que eu sentia falta dele diariamente, mas além dos telefonemas, sempre que eu quisesse vê-lo, era só pedir e ele mandava algum motorista do hotel ir me buscar.

Meu pai era legal o bastante para me deixar perambular atrás dele nos hotéis da rede Le Printemps, os quais visitava para vistoria como membro da administração, ou ficar jogando bolinhas de elástico contra a parede de seu escritório. E eu ainda ganhava qualquer sobremesa que eu quisesse.

Apesar da distância e das birras entre ele e a mamãe, a gente se dava bem. Ele me levava para fazer passeios diferentes pela cidade, e era uma ótima companhia. Meu pai podia ser um cara divertido e bem bacana quando não entrava numas de ficar triste de uma hora pra outra. Ele tinha lá seus problemas e eu não sabia muito bem como lidar, a não ser ficar na minha e tentar não perturbar ainda mais.

Ele nunca lutou pela minha guarda, principalmente porque sabia que não teria como cuidar de mim, porém eu não o ressentia por isso, estava até grata.

Viver com minha mãe era ótimo – bem, até certos pontos, mas eram coisas que a gente superava. O que importava era que minha vida era mais do que confortável hoje, a grana que entrava da pensão era alta e coerente com o que ele poderia pagar, e nossa relação não se abalava facilmente.

Depois de terminar de jantar com a família Cullen-Hale, tia Alice me deixou em casa, e eu fui correndo terminar o dever para amanhã, antes que o sono me fizesse desabar na cama. Mandei SMS avisando a mamãe que já estava em casa e pronta para dormir, e ela disse que ainda estava lá no jantar. Claro.

Tranquei a casa enquanto escovava os dentes, e logo voltei para meu quarto, finalmente deitando nas cobertas quentinhas. Todos os acontecimentos do dia ficaram passando pela minha mente, que não conseguia desligar tão rápido, e talvez eu tenha chorado um pouquinho e limpado na fronha.

Havia um pensamento em específico martelando na minha cabeça.

Eu queria minha mãe de volta.

Era uma ideia muito infantil, e dessa vez eu nem liguei. Eu queria de volta a mãe que eu conhecia e que costumava ser minha melhor amiga para todas as horas. A minha mãe Bella Swan, que mesmo sendo editora-assistente da New York Week, perdia horas pintando minhas unhas e comendo pipoca e sorvete comigo.

Não importa se eu estava pensando como uma criança mimada. Já era difícil o bastante não ter o papai por perto. Eu não queria admitir dependência, mas agora que a minha ficha estava caindo, eu só queria voltar a ser do jeito que éramos antes dessa bruxa de chefe entrar na sua vida.

Dormi tentando encontrar um jeito de dizer tudo isso a ela, e como eu faria para garantir meu desejo sendo realizado.

Notas finais
Ahh, estou nervosa para saber as reações de vocês, admito! Alguma pergunta? Críticas? Gostaram? Odiaram? Clique nesse balãozinho aqui em baixo e me digam! :) Beijos.