Mais Uma Vez
34 Capítulo 33: Sempre
Notas iniciais
Capítulo 33: Sempre
Bella
Edward estava certo em procurar a psicóloga de Tanya. Ela os levou até a casa de campo da família a 20km da cidade — um lugar que aparentemente era o refúgio de Tanya, conforme ela contava nas sessões de terapia. Quando eles chegaram, ela tinha acabado de ingerir um vidro inteiro de calmante tarja preta e tentava desesperadamente ligar o carro, que não queria pegar. Ela havia se arrependido.
A sorte estava a seu favor dessa vez, e felizmente eles conseguiram chegar a tempo de Tanya receber os cuidados no hospital e o pior ser evitado. Após ter alta, ela iria dar um tempo em uma clínica de recuperação no interior do Estado, a mando de seu pai Joaquin.
Eu não sabia mais o que, exatamente, se passou naquela noite, porque depois desse telefonema, Edward sumiu por duas semanas, apenas me mandando mensagens básicas para afirmar que estava bem e que em breve nos falaríamos. Dessa vez, ao invés de me sentir excluída de sua vida, eu o compreendi. Era duro, mas senti que precisava deixá-lo resolver-se com a culpa e confusão interna que eu tinha certeza que ele estava sentido. Ele sabia que eu estava aqui, e eu sabia que no momento certo ele iria me procurar.
Entretanto, não estava sendo fácil lidar com a preocupação do que iria acontecer com nós dois e até com nossos empregos, afinal ambos estávamos ainda envolvidos totalmente com a família de Tanya.
O futuro parecia tão nebuloso, e todos os dias seguintes ao episódio eu precisei de uma milagrosa pílula que me fizesse dormir sem pensar demais em tudo.
Enquanto esperava a tempestade passar, aproveitei para focar no meu trabalho e na organização da festa de aniversário de Claire, que seria em dez dias — sim, ela estava contando. Eu tinha uma adolescente ansiosa em casa e essa parte não era nada divertida.
Estávamos sentadas na ilha da cozinha tomando café antes de sairmos, numa quarta-feira. Eu com minha revista e ela em seu celular.
— Mãe, olha isso. – ela me mostrou uma imagem no celular, de uma decoração de palco improvisado. — Acho que eu vou querer montar um palquinho assim. Pensei em chamar as meninas da banda pra gente tocar, fazer um karaokê e tal.
— Você não disse que queria uma pista de dança com DJ? A casa da sua avó é grande, mas nem tanto... não tem espaço pra tudo isso.
— Disse, mas sei lá... agora eu quero karaokê, nem precisa de pista de dança, a gente se vira lá. Você sabe como eu amo. E o DJ ia ser o namorado da minha prima, não é como se fossemos perder dinheiro por cancelar. Por favor? – Claire fez um beicinho que ficava cada vez mais raro, eu reparei. Minha menina estava enfim crescendo e perdendo as manhas de criança.
— Tá bom. Mas chega. Precisamos confirmar as coisas logo.
— Eu sei! Mas tem coisas tão lindas pra festas, eu nem imaginava... – falou, voltando ao celular. — Além disso, eu só faço aniversário uma vez por ano.
— Nem é seu aniversário de 16. Fica tranquila, ano que vem você vai poder fazer uma festa melhor ainda.
— Não é, mas é como se fosse. Eu não vou ter festa de debutante mesmo.
— Ah não? – perguntei, surpresa.
— Não, senão não sobra dinheiro pro meu presente. – ela deu de ombros e ficou suspeitosamente calada.
Eu cheguei a morder a língua junto a torrada ao compreender a jogada dela.
— Ah não, sem chance! – exclamei firmemente.
— Que foi?
— Nem vem com essa. Eu não vou te dar carro nenhum.
— Por que não? – ela fez um som de muxoxo. — Pode ser de segunda mão, eu não ligo.
— Marie Claire, por que você precisaria de um carro? Você não trabalha, não tem filhos pra levar a lugares, nada!
— Porque... porque sim! É melhor eu começar a me virar com um carro desde cedo, não lembra aquele documentário no Discovery sobre aprender coisas mais velho? Fica tudo mais difícil.
Eu suspirei. — Querida, eu sei como é ter a sua idade. Acredite, estudei na mesma escola que você, e pra mim era terrível ter que conviver com um bando de gente mimada, e ver todo mundo ganhando carros, viagens e coisas que eu nem pensava em ter porque não tinha condição. Mas eu não quero isso pra você. Eu e seu pai só compramos um carro depois de juntar dinheiro por anos trabalhando. Fora que o trânsito dessa cidade é uma loucura, nem vou começar...
— Jake tem carro desde os 16 anos.
Eu larguei o pão para olhá-la nos olhos.
— A situação dele é diferente, e você sabe disso. Graças a Deus você não precisa de um carro pra levar um pai deficiente físico aos lugares.
Claire ficou quieta e seu corpo recuou um pouco. Ela sabia que eu estava certa e não tinha mais argumentos.
— Nova York é uma cidade muito bem estruturada pra quem não tem carro. – eu continuei. — Você vai poder aproveitar isso por muito tempo... Até trabalhar e ter seu próprio dinheiro.
— Tudo bem. Eu tenho um ano pra te convencer. – ela sorriu satisfeita com sua esperteza, e eu rolei os olhos, sem muita paciência para continuar com um assunto que eu não mudaria de opinião tão cedo.
Meu celular tocou sobre a mesa da sala, e eu levantei para atender, pensando ser alguém da redação me chamando antes do expediente.
Meu coração acelerou por um segundo antes de acalmar ao ler a tela. Era Edward.
— Oi. Que bom que você ligou. – falei, aliviada.
— Oi, amor. – um calor subiu pelo meu peito, me fazendo acolhida pela sua voz. Era uma sensação que eu estava voltando a me acostumar. — Como é bom ouvir sua voz… Está tudo bem?
— Tudo bem. Estamos tomando café pra sair.
— Claire está perto?
Andando distraída, fui parar na porta da cozinha. Vi Claire me olhando com o cenho franzido e percebi meu sorriso besta que estava esse tempo todo lá. Disfarcei e virei para a janela.
— Uhum.
— Ah, por isso a voz baixa. – ele disse. — E eu aqui achando que você estava tentando me seduzir.
Eu ri.
— Para. Você sabe...
— É, eu sei. – ele suspirei. – Posso te ver hoje?
— Acho que sim. Almoço?
— Queria jantar... Preciso conversar. – sua voz tomou um tom sério.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nada de urgente. Eu só... preciso de você.
Como eu deveria responder aquilo? Eu sentia tanta falta dele nessas últimas semanas, era risível para uma mulher da minha idade. Qualquer mínima demonstração de afeto estava me transformando em uma novata com pernas bambas.
— Ok. Eu vou tentar. – disse, tentando parecer composta. — Mais tarde eu te ligo.
— Vou esperar. Tchau, Bella. Te amo.
— Tchau. – eu quase sussurrei sem segurar o sorriso. Desliguei o telefone e me virei para prosseguir com meu dia. Claire já estava lavando a louça do café, me fazendo voltar a realidade.
— Vou escovar os dentes e já vamos, ok? – falei, deixando um beijo em sua testa e saí para o lavabo do primeiro andar.
Durante o percurso até a escola, minha filha parecia inquieta e pensativa. Virou-se para lá, mudou de posição das pernas... Era a dica de que algo a incomodava — e não deu outra.
— Então... Você tem um encontro hoje? – falou ela, com seu jeito costumeiramente direto, me pegando desprevenida.
— Que? – eu quase pisei no freio.
— A ligação... Eu vi que você estava toda corada, sorrindo a toa. Você não fica assim por qualquer coisa.
— Claire! Deu pra ficar ouvindo meus telefonemas agora?
— Ah qual é, mãe. Você estava ali perto... Desculpe, mas eu ainda não aprendi a fechar os ouvidos.
Eu nem conseguia reunir forças para repreendê-la. Queria contar para minha filha ali, nesse momento, tudo o que eu e seu pai estávamos passando. Mas eu não podia. Ainda não era a hora. Não depois de tudo o que tinha acabado de acontecer com a ex.
— Eu devo ir jantar fora hoje, sim. Mas não é um encontro. Preciso resolver algumas coisas, só isso.
— Sei. Então quem era no telefone?
— Era só um amigo. Do trabalho, você não conhece.
— Ok, então. Se você diz... – ela deu de ombros e ligou seu iPod, completamente insatisfeita com a resposta.
Um sentimento incômodo de culpa me envolvia, eu detestava mentir para ela. Respirei e tentei deixar esses pensamentos de lado antes de ser consumida.
O dia na redação se arrastou como nunca, com poucas tarefas e muito ócio criativo — o que significava na verdade passar o dia todo respondendo emails e checando o Facebook. Eu não conseguia parar de pensar no encontro da noite. Além de querer ver Edward, eu estava ansiosa para saber o que ele diria sobre a situação com Tanya.
Por falar nisso, sua tia Carmen — que por acaso continuava sendo minha chefe -, estava quieta todo esse tempo desde o incidente. Era realmente preocupante, pois destoava da sua personalidade costumeiramente efusiva. Se ela tinha suspeitas de que eu pudesse estar envolvida, não deu nenhuma pista. Trocamos poucas palavras a respeito de Tanya, o que me levava a crer que ela não havia contado a família o que de fato acontecera com Edward.
Assim eu esperava.
Duas colegas da minha equipe me chamaram para um almoço tardio, e eu aceitei, mesmo sem muito apetite. Foi bom ter uma distração no meio da tarde, não apenas porque Kira e Juliette eram divertidíssimas, mas também por saber que eu era bem quista por aqueles que estavam sob o meu comando.
Ainda parecia um pouco estranho lidar com o peso dessa responsabilidade, depois de tantos anos trabalhando apenas recebendo ordens, porém aos poucos eu ia me acostumando a dar as palavras finais. Eu tinha uma forte crença de que certas responsabilidades caíam em minhas mãos somente porque eu tinha perfeita capacidade de lidar com elas. Só assim consegui encarar a maternidade, afinal.
Quando a marca de 18h apareceu no reloginho do computador, eu imediatamente peguei o celular para enviar uma mensagem a Edward, perguntando onde nos encontraríamos. Ele me ligou dois minutos depois.
— Então, pra onde vamos? — perguntei. Ele hesitou um pouco antes de replicar.
— Pensei melhor, e acho que talvez devemos ficar em casa… Você topa?
— Na sua casa, quer dizer.
— Sim, claro. — sua voz baixa me deixou apreensiva, nem sei porquê.
— Por mim tudo bem.
— Ok. Vou adiantar o pedido da comida. Você tem preferências?
— Qualquer coisa reconfortante, um pouco gordurosa mas que tenha vegetais pra eu não sentir tanta culpa.
— Ótima pedida. — ele riu.
— Te vejo em vinte minutos.
Estacionei o carro em frente a praça próxima ao seu apartamento. Era sempre um pouco estranho, como se eu fizesse algo de errado em estar aqui. Eu frequentava regularmente a região, já que o Hotel Printemps ficava a poucas quadras. Por isso mesmo, a sensação de que eu podia ser pega em flagrante por algum conhecido a qualquer momento me perturbava. É lógico, eu sabia perfeitamente que não havia nada de errado no que fazia. Sabia também que, caso alguém me encontrasse, eu tinha uma desculpa na ponta da língua: estava apenas visitando o pai da minha filha. Parecia plausível para mim.
Entretanto, eu descobri que brincar de ter um affair misterioso só era excitante nos livros e filmes. Na vida real eu já não via a hora de não sentir mais essa sensação.
Assim que saí do elevador, Edward me recepcionou na porta de sua casa com um beijo e um longo abraço silencioso, compensando pelos dias sem nos vermos.
— Que saudade. — sussurrou.
— Idem. — respondi, sorvendo o calor de seu abraço. — Como você está?
— Melhor agora. Vem, entra. O jantar já chega. — falou enquanto entrávamos. — Pedi uma torta de queijo com legumes salteados e frango grelhado. Bom?
— Perfeito. Minha barriga até roncou. — falei, e ele sorriu.
Eu fui me sentar no sofá, enquanto ele colocava uma música. A canção que começou a tocar era calma e estrangeira, eu nem fazia ideia do que era. Edward e seus gostos musicais peculiares...
A sala estava aconchegante na penumbra, com as lâmpadas acesas nas laterais do teto rebaixado em seu aparthotel. Eu o observei sob a luz do único abajur aceso próximo ao aparelho de som, e foi a primeira vez que pude de fato olhar para ele ali. Algo me chamou a atenção. Edward parecia abatido, com olheiras um pouco mais acentuadas que o normal.
— Seu rosto está diferente. Você perdeu peso? — comentei, tentando ser sutil.
— É, eu sei… Não tenho tido muito apetite ultimamente. — ele deu de ombros e sentou-se ao meu lado. — Mas já estou melhorando.
— Edward, você tem que se cuidar. Isso me preocupa. — falei suavemente. Sua mão acariciou minha face enquanto ele me contemplava sem dizer nada.
— Não precisa se preocupar. Eu juro, já estou melhorando.
— Que bom, então.
— Quer beber alguma coisa? Separei um vinho, mas lembrei que você vinha dirigindo, então não sei se é uma boa…
— Eu posso beber uma taça. Até eu ir embora some o efeito.
— Bom, isso me preocupa. — provocou.
— Está tudo bem, confie em mim, estou acostumada. Além disso, estou sob a lei e não vou exagerar.
— Ok, mas eu vou ficar de olho, hein.
Edward levantou-se para pegar o vinho na pequena adega elétrica, mas a campainha tocou antes que pudesse me servir. Ele recebeu a comida e foi para a cozinha. Eu o segui.
Está bem, confesso que na verdade segui o aroma da refeição que me fez salivar.
— Quer ajuda? — perguntei, assistindo-o.
— Não, tudo bem.
Minutos depois, Edward havia montados nossos pratos e nós os levamos para a sala, onde a mesa estava muito bem posta.
— Que homem prendado, a mesa está linda. — brinquei ao sentar. — Já pode até casar.
— Bom, eu sou filho de Esme e irmão de Alice, afinal. Se eu não fosse prendado, seria deserdado da família. — falou sorrindo. — Agora, com licença que eu vou atacar porque a fome resolveu aparecer.
— O vinho. — eu o lembrei.
— Tem certeza? — falou, quase em tom de súplica.
— Sim, pai. Por que a preocupação de repente? Você sabe que eu sempre bebi.
— Bella… Depois de tudo que aconteceu nos últimos meses, eu não consigo evitar a preocupação com as pessoas que eu amo.
— Nada vai acontecer, eu prometo. Além do mais, você vai beber também. Eu é que não posso te deixar bebendo sozinho uma garrafa inteira.
Ele esperou um instante para responder.
— Não vou beber, não posso.
— Ué, por quê?
Seu dedo apontou para o aparador que ficava ao lado da pequena mesa de jantar. E eu enxerguei o que só podia ser uma caixa de remédio tarja preta. Meu coração se apertou.
— Edward, desculpa, eu não sabia… — falei e peguei em sua mão. Eu não sabia o que dizer e me sentia meio envergonhada pela gafe. Sequer sabia que ele ainda tomava remédios. Era uma parte de sua vida que eu devia admitir que pouco conhecia.
— A gente conversa depois, ok? Melhor comermos antes que esfrie. — ele levou minha mão aos lábios e a beijou, antes de voltar-se para o seu jantar.
Peguei a jarra de água que estava desde o início ali no centro da mesa e servi para nós dois, esperando contornar meu erro. Torcendo para que ele reparasse que eu estava ali para apoiá-lo.
Seu suspiro discreto me disse que havia funcionado.
A refeição nos deixou entretidos por longos minutos. Comemos em silêncio, apenas aproveitando a companhia do outro. Eu sentia tanta falta disso, que minha satisfação não se conteve no meu corpo e saiu em forma de um sorriso sincero. Ele retribuiu, entendendo meu olhar e minha felicidade escancarada.
— Então, Claire já conseguiu te deixar de cabelos brancos? — perguntou, enfim, quebrando o silêncio. — Ela ficou esse fim de semana todo falando sobre o aniversário. A festa é semana que vem, não é? Hm, gostou da comida?
— Está deliciosa. — respondi terminando de mastigar. — Ah, nem me lembre disso. Ela está uma pilha dentro de casa, me deixando doida.
— Ela sempre foi assim, qual é a surpresa? — ele riu.
— Eu sei que sempre foi, mas com a adolescência tudo é muito mais intenso... Você lembra se éramos assim? — perguntei, por pura curiosidade.
— Acho que só um pouco ansiosos. Mas aí começamos a transar e liberamos um pouco a energia contida. — ele piscou um olho. Tinha dito aquilo só para me zombar.
— Idiota! — eu o cutuquei. — O que piora é que agora ela tem muitas vontades, quer tudo pra já. Acredita que veio com papo de querer um carro ano que vem?
— Por que ela sequer precisaria de um carro? Para ir até a escola e voltar?
— Foi exatamente o meu argumento. Mas Claire é teimosa, e eu sei que só quer um carro porque a prima e Jake ganharam carros cedo.
Edward fez uma pausa.
— Quem é Jake? — inquiriu.
— Merda. — sussurrei. Refreei a vontade de tampar a boca para retirar o que disse, e apenas enfiei um brócolis lá dentro rapidamente.
— O quê? — perguntou desconfiado.
Ele me assistiu pacientemente até que eu terminasse de mastigar para respondê-lo.
— Nada. Nada. Ele é um amigo… na verdade é o irmão da Rachel, a melhor amiga dela.
Claire vai surtar quando souber que eu deixei escapar isso. Merda. Mas eu também nunca disse que era boa em guardar segredos, ainda mais de Edward...
— Hm… — apenas resmungou e voltou a comer, seus olhos vidrados no prato. E os meus nele. Depois de longuíssimos segundos de silêncio, ele soltou essa. — Jake é o namorado, não é?
Fiquei sem reação por alguns segundos, mas no fim eu não tinha mais como escapar.
— Ah droga, eu não devia ter aberto a boca! Não sabia que ela ainda não tinha te contado. — confirmei sem querer.
— Há quanto tempo?
— Tem uns meses…
— Meses! — exclamou. — E por que não me contaram logo?
— Edward, eu não sei direito, só respeitei a decisão dela. Acho que ela ficou com medo… sei lá, de você ter essa reação exagerada.
— Não estou tendo reação exagerada, eu só estou chateado por ter sido o último a saber. — falou de modo enérgico, porém sem raiva na voz. De fato, ele parecia mais magoado do que outra coisa.
A tensão pairou no ar por alguns minutos a mais, enquanto nós terminávamos de jantar e Edward processava a informação em sua cabeça. Eu não sabia se devia dizer algo mais, ou se deixava quieto. Me sentia sem jeito de admitir que eu havia acobertado minha filha — ou melhor, nossa filha – sobre algo tão importante da vida dela.
— Nossa, agora tudo faz sentido… os telefonemas nos fins de semana aqui em casa, os cochichos com Rosalie na sala de Alice naquele dia... — ele meneou a cabeça, como quem tem um insight poderoso. — Toda a família sabia menos eu.
— Me desculpa por não contar antes.
— Quantos anos ele tem?
— Isso importa?
— É claro que importa. Pelo o que você disse, ele é mais velho e tem um carro.
— E daí?
— Claire é nova demais pra se relacionar com um marmanjo que tem um carro e pode fazer o que quiser com ele. Você sabe do que estou falando...
Eu quase rolei os olhos. Lá estava Edward, como de costume, imaginando coisas mirabolantes e terríveis antes que houvesse algum perigo real. Seu maior defeito sempre foi pensar demais, e eu falhava em fazê-lo entender o problema disso.
— Jacob é diferente. — respondi. — Eu o conheço bem. E parece que ele gosta muito de Claire, de verdade. Ele tem 18 anos, é super responsável. Nós conversamos a respeito das regras, ele foi lá em casa…
— E esse tempo todo ninguém teve a coragem de contar?
— Foi um erro eu ter permitido que ela omitisse, ok? Mas não faça tempestade num copo d'água, por favor. Agora você já sabe, pronto.
Com o cenho franzido em extrema preocupação, ele suspirou.
— Você não entende, Bella? Eu já fui um adolescente de 18 anos, sei como são as coisas. Tenho medo… Não quero que…
— Não quer que ela seja uma adolescente grávida como eu fui? — completei sua frase, sentindo-me um tanto ofendida.
— Não, não foi isso que eu quis dizer. Desculpa. — ele apertou minha mão. — Nós nos demos muito bem e a vida se ajeitou, mas poderia ter sido bem mais fácil, não acha? Não quero que ela abra mão de tanta coisa tão jovem, como nós abrimos, entende? O susto que Rose nos deu no início do ano me deixou ainda mais apavorado de isso acontecer com Claire.
— Nós éramos jovens e ingênuos demais. E totalmente desinformados. Eu não vou deixar isso acontecer a Claire, fique tranquilo. — eu afirmei. — Vou dar todo o apoio que ela precisar, sanar todas as dúvidas. A gente construiu uma relação bastante honesta de mãe e filha, e eu tenho certeza que ela vai me procurar assim que precisar.
Resolvi não comentar que Claire sequer pensava em sexo com o namorado nesse momento, como havia me confessado. Não que eu achasse que ela era inocente quanto ao assunto, mas eu realmente acreditava que ela ainda não havia sentido estar pronta para experimentar sua sexualidade. Achei melhor preservar o pouco da intimidade de Claire que ainda restava depois da minha derrapada.
— Além disso, ela é uma criança ainda. — retrucou Edward. — Como eu vou aguentar vê-la com o coração partido por causa de um término, uma briga que seja?
— Claire é mais forte do que você imagina. Ela já passou por um término na vida, o nosso, que não foi nada leve... Acho que ela consegue administrar perdas. Um coração partido não mata ninguém, é sempre um aprendizado.
— Pra ela vai ser fácil, o problema sou eu. Não quero ver minha filha chorar por causa de um cara. Como vou saber lidar com isso?
Ele parecia honestamente aborrecido com a ideia. Eu suspirei.
— Infelizmente não podemos proteger nossa filha de sentir dor, por mais que vá doer em nós também. — repliquei. — Vamos lá, pare de ser o pai babão. A maioria das pessoas começa a namorar nessa idade, e o eleito foi um rapaz, Jacob. Nós não podemos fazer muito, só aceitar e instruir pra que tudo dê certo e ela seja feliz, não concorda?
Edward inspirou e expirou profundamente.
— Acho que você está certa. Como sempre.
Eu me inclinei e deixei um beijo em seus lábios. Depois deixei outro em sua testa para dissipar aquelas ruguinhas persistentes de preocupação.
— Sabe, quando ela me contou sobre o primeiro beijo, eu... chorei. — confessei, esperando que ele compreendesse que nós estávamos no mesmo barco das primeiras vezes da nossa cria.
— Ah meu deus. — Edward soltou uma risada. — Não acredito! Ou melhor, eu acredito sim. Você sempre foi manteiga derretida.
— Eu? Não fui eu que não quis deixar a menina sozinha no primeiro dia da escola. — cutuquei seu braço. — Você estava ridículo. Mesmo com 3 anos de idade, Claire já sentia vergonha alheia por você.
— Mas eu tinha um bom motivo, ok? Você se lembra como a escola pode ser um lugar ruim, cheio de crianças más.
— Claro… mas não em uma turminha de crianças em que "hora da soneca" é uma disciplina.
Nós dois caímos na gargalhada com a memória. Fora uma cena e tanto. O pai mais novo do jardim de infância chorando e não querendo soltar a pequena. E eu, morta de vergonha, tive que aguentar os muitos olhares tortos — de pais e crianças, incluindo da nossa. que não estava nem aí pra gente e queria mesmo era fazer amizades novas.
— Eu só tinha 21 anos, era todo emotivo e não sabia nada da vida.
— É, mas agora você sabe... Então por favor, não pega muito do pé dela, tá? Não seja aquele tipo de pai que acha que a filha mulher é uma donzela indefesa.
— Tudo bem, tudo bem. Você tem razão. Eu confio em Claire. — falou com firmeza, e ajeitou-se na cadeira. — Além disso, eu sou um pai moderno, sou jovem. Sirvo pra isso.
— Jovem? Hm… mas eu acabei de ver esse cabelo branco bem aqui, oh. — brinquei, botando a mão na sua cabeleira e fingindo pegar um fio.
— Branco onde? — ele pareceu preocupado por um segundo, antes de perceber que eu estava blefando. Sua cabeça continuava maravilhosamente castanho-acobreada aos quase 35 anos. — Não tem problema. Homens de cabelo branco são um charme, não é o que dizem?
— É… mas já reparou como mulheres de cabelo branco são sempre velhas desleixadas? É tão machista! — reclamei.
— Isso é verdade. Quer dizer, é machista e é uma grande mentira. Dona Esme está uma gatona com os fios platinados. Você viu que ela pintou de cinza e resolveu assumir os brancos?
— Tipo a Meryl Streep? Jura? — perguntei, surpresa. — Não a encontro há um tempo, ainda não a vi. Bom, acho que ela vai arrasar. Sua mãe é linda e ficaria bem com qualquer coisa.
Enquanto conversávamos trivialidades da vida, nosso jantar foi terminando. Edward então levantou-se e começou a retirar a mesa. Eu o copiei.
— Minha menina tem um namorado… Uau. — ele divagou, ainda surpreso com a notícia. — Ela está crescendo tão rápido, e eu me sinto tão velho. Daqui a pouco ela vai sair de casa, se casar, ter a família dela e eu vou ser apenas um telefonema de vez em quando pra saber se está tudo ok.
— Essa é a vida de todos os pais. Não seja dramático, vai… — eu tentei ser pragmática, mesmo tentando esconder a pontada de tristeza no meu peito ao pensar nisso.
— Não é isso, é só que… — ele parou na bancada da cozinha. — Me dá uma angústia perceber que estou aproveitando pouco a vida da minha filha, saber que assisto tudo de longe.
— Eu sei. Queria muito que você estivesse presente no nosso dia a dia. — falei com sinceridade.
Ambos depositamos a louça suja na pia, e após um movimento fluido quase sem eu perceber, eu estava em seus braços. Edward me olhou com seriedade.
— E como tornaremos esse desejo uma realidade? Quando?
O calor que encobriu meu peito até minha face foi um misto de medo, amor, incertezas e excitação. No momento isso que tínhamos era tudo o que eu poderia lhe oferecer. Mas o que aconteceria quando as coisas se ajeitassem — porque eu tinha fé que iriam — e nós resolvêssemos assumir nosso… namoro? Será que um dia conseguiríamos voltar a habitar a mesma casa, como um verdadeiro casal? E se não desse certo?
— Não sei ainda. — respondi enfim. Me desculpe por eu não saber, era o que eu queria dizer. — Não sei.
— Tudo bem. Não se estresse com isso. — Edward se aproximou e pegou em meu rosto. — Nós vamos descobrir juntos. Ok?
— Ok… Obrigada por ser paciente comigo. — falei com um nó na garganta.
Ele me beijou como resposta. O nó se dissipou enquanto eu me derretia com seu beijo carinhoso no meio de sua cozinha. Ficamos ali em pé pelo que pareceram horas. Quando nossas bocas enfim se desentrelaçaram, eu o abracei. Seu rosto escondeu-se no meu pescoço, inalando meu cheiro. Eu acariciei seu cabelo e tentei fazer o mesmo.
— Gosto disso. — sussurrei.
— Hmm também. — ele respondeu, porém deixou escapar um bocejo.
— Está cansado?
— Um pouco. Tive um dia longo. Acordei cedo pra correr.
— Se quiser eu vou embora.
— Quero que você fique. Só preciso de um banho e cama, mas isso pode ficar pra mais tarde. — falou, e afastou-se um pouco para me olhar. — Pensando bem… Eu tenho uma banheira...
Ele deixou escapar um sorriso.
— Você quer que eu prepare um banho pra você? – fingi-me de desentendida.
— Seria ótimo, mas eu estava pensando mesmo em dividirmos a banheira.
— Está falando sério?
— Uhum.
— Eu vim pra conversar com você, lembra?
— Nós podemos conversar lá. Prometo me comportar. Eu só preciso relaxar um pouco... E ficar perto de você.
Eu o contemplei. Era claro que eu aceitaria, não tinha opção.
— Está bem... Mas espera, eu não posso voltar com o cabelo molhado pra casa. Eu só ia jantar fora, seria estranho se Claire me encontrasse de volta de banho tomado.
— Esqueceu que ela também mora nessa casa? Tem todo um arsenal de beleza lá no quarto dela, incluindo um secador pra você usar.
Eu ri.
— Ok, você venceu. Mas não posso demorar muito, hein.
— Prometo me comportar. – Edward piscou um olho e me puxou pela mão até o banheiro.
E eu o segui sem questionar, porque tudo o que eu conseguia pensar no momento era "eu estou tão apaixonada por esse homem".
Dez minutos depois, cada um se despiu e entramos na banheira quentinha, com espuma na medida certa. O cheiro suave de lavanda preencheu o ambiente pouco iluminado, me relaxando aos poucos.
— Isso é maravilhoso. – eu deixei escapar enquanto enrolava meu cabelo num coque alto.
— Uhum. – ele murmurou, de olhos fechados, tombando a cabeça para apoiar na borda.
— Ainda bem que lá em casa não temos uma banheira. Eu iria querer todo dia, acabaria com a água de Nova York.
— Faz tempo que não venho aqui... Só em ocasiões especiais.
— Só quando está acompanhado. – eu constatei.
Edward bufou uma fraca risada com os olhos semicerrados e calou-se. Assim ficamos por muitos minutos, aproveitando toda a intimidade sagrada daquele momento. Eu estava quase pegando no sono quando ouvi sua voz rasgar o silêncio.
— No que está pensando?
— Em você... – falei, e abri os olhos.
— Mentirosa. Eu vi que estava quase dormindo.
— Me pegou. – eu ri. — Edward?
— Hm.
— Por que você estava tão chateado quando me ligou mais cedo?
Ele respirou fundo, e mergulhou a cabeça na água. Esperei ele ressurgir para ouvir sua resposta.
— Eu visitei Tanya... — falou, tirando água do rosto. — Ela saiu da clínica hoje de manhã e insistiu que queria me ver, disse que precisava conversar.
— E como ela está?
— Bem, mas deve voltar no fim de semana. Esse tempo fora da cidade fez bem a ela. Estava serena, eu quase não a reconheci.
— Vocês conversaram sobre o que aconteceu naquele dia?
Ele ajeitou-se e sentou direito.
— Ela quis se desculpar e esclarecer algumas coisas. Foi tudo o que eu jamais esperaria que fosse. Uma doideira, Bella, você nem imagina.
Eu me ajeitei, como ele, para prestar atenção.
— Tanya entrou em colapso naquele dia porque achou que eu tinha descoberto sobre um caso que ela teve.
Meus olhos se arregalaram. Por essa eu realmente não esperava.
— Um caso amoroso?
— Sim. Ela disse que aconteceu algumas vezes há dois anos, com o mesmo cara, em viagens a trabalho pra Chicago. Agora faz sentido as coisas que ela falou durante sua confusão mental naquele dia. Tanya dizia "me perdoe" e que só a terapeuta sabia… ela achou que foi a terapeuta que me contou sobre o caso, sabe-se lá porquê.
— Por que ela revelaria isso tudo logo agora?
— Não faço ideia. Ela se desculpou muito pelo jeito como tinha se comportado. Depois disse que se sentia culpada há muito tempo, e enfim soltou essa bomba...
— Mas... mas ela sempre foi louca por você, e demonstrava de forma incisiva até. Não faz sentido.
— Imagine a minha surpresa. Sei lá, eu chego a pensar que ela estava apenas tentando compensar pela culpa esse tempo todo. Mas não quero ser injusto com Tanya. Foi uma pessoa que me apoiou muito nos piores momentos, e eu sentia que era verdadeiro o seu carinho. No fim das contas não posso reclamar tanto, porque eu e ela estamos quites no quesito traições, não é?
Eu não achava que as situações eram nem de longe parecidas – a não ser que o affair de Tanya fosse um amor do passado inacabado repentinamente com o qual ela tinha filhos -, porém preferi não dar voz a minha opinião.
Me aproximei dele na banheira para pegar suas mãos. Edward puxou meu braço suavemente, me fazendo girar e me encostar em seu peito. Reclinei-me, ele pôs seus braços ao meu redor.
— Então foi isso? Enquanto você tentava terminar tudo com ela, ela surtou achando que tinha sido descoberta?
— Sim.
— E como foi a conversa de vocês hoje? Acabou tudo mesmo, não é?
— Não foi fácil. Foi bem pesado, pra ser sincero... Houve muito choro de ambas as partes. Mas sim, depois de hoje acabou tudo. Acho que ela finalmente aceitou o fim, mesmo tentando me convencer do contrário até o último minuto.
— Espero que sim. — falei, do fundo do coração. — Como você está se sentindo com tudo?
— Confuso. Angustiado... É uma sensação estranha.
— Está se sentindo traído, é normal. – argumentei.
— Na verdade não. Não me sinto traído, porque já aconteceu há anos, apenas a omissão dos fatos me chateia... Mas eu sei exatamente o que a levou a fazer isso em primeiro lugar, e pensar nessas coisas me deixa deprimido pra caralho.
— Como assim? – virei o rosto para olhá-lo.
— Você sabe que alguns antidepressivos inibem a libido?
— Sim... já ouvi falar, mas não sei muito a respeito.
— Naquela época eu estava tendo muitos problemas com o que eu tomava, e claro que isso afetou nossa vida sexual. A gente tentou de tudo, eu fazia um esforço que achei que seria suficiente, mas... Não era. Nós somos humanos, e eu entendo que sexo é uma parte fundamental de uma relação. Imagino o que fiz Tanya passar... Não era fácil estar comigo.
Com um flash, uma lembrança de meses atrás correu na minha mente. "Quando estou com ela, eu penso em você" era uma das loucuras escrita naquelas cartas nunca enviadas que achei em nosso antigo quarto. Meu desejo era engatinhar para dentro de seu cérebro e poder entender o que se passava ali. Eu só podia imaginar o quanto sua vida tinha sido complicada até esse momento, com tantos conflitos internos.
— Você não se importa que eu fale sobre isso, né? É meio desconfortável. – Edward tirou-me do devaneio.
— Não, claro que não. É parte do seu passado, tudo bem. Eu também tenho um. — falei, e comecei a brincar com seus dedos. Ele beijou minha têmpora. — E eu acho que você tem razão, não posso julgá-la. Sinto muito por você ter passado por isso. Mas agora já acabou, não tem porque ficar mal.
— Meu medo é justamente que não tenha acabado.
A preocupação me fez virar para encará-lo de frente.
— Do que está falando? – inquiri.
Edward bufou e resmungou. — Isso é horrível. – Ele estava fugindo do meu olhar.
— Por favor, me fala. – pedi com suavidade.
— Eu… Eu tenho medo que isso aconteça com você, Bella. Que eu não consiga ser o homem que você precisa. Que você tenha que lidar com qualquer merda que possa acontecer por causa do meu tratamento no futuro.
Como sempre, meu coração tornou-se apertado ao ver toda aquela angústia em sua face.
— Você ainda toma os antidepressivos, não é? – eu precisava saber mais.
— Sim... Eu tinha parado no início do ano porque estava cansado, mas meu psiquiatra achou melhor retomar com um mais leve. É chato porque tenho que testar até encontrar aquele que tenha menos efeitos colaterais possíveis, mas nunca será o remédio perfeito.
— Lembro que você disse que iria se dar alta em breve… Não vai mais acontecer?
— Eu estava esperançoso que poderia, mas a verdade é que eu nunca vou poder realmente parar esse tratamento. Eu diminui as consultas da terapia, porque já estou muito melhor. Mas eu não conheço ninguém que se curou totalmente de um transtorno como o pânico nem de depressão, que são as coisas que me afligem. A gente só aprende a viver com essas doenças, e tentamos evitar ao máximo que voltem, por isso os remédios. Minha psiquiatra achou que já posso tentar diminuir as doses, pra quem sabe um dia não precisar mais. Mas isso pode demorar anos.
— Eu entendo. – falei com veemência. — Eu entendo, Edward. Não vou mentir, eu ficaria com medo se fosse outra pessoa, tudo isso é novo pra mim. Mas é você. Todo esse tempo que estamos juntos novamente não me mostrou nada que eu já não soubesse lidar. Acho que a vida me preparou pra esse momento.
— Você não viu tudo. Tenho dias bons e dias péssimos, e eu sei esconder bem.
— Todos temos nossos dias ruins, por várias razões. – argumentei.
— É diferente. – ele respondeu, teimando.
— Edward, você está me deixando agoniada. Acredite no que eu digo, por favor.
— Desculpa. Eu acredito... Eu só queria deixar tudo isso claro com você, antes de darmos outros passos.
— Tudo bem. É justo. Está tudo claro, fique tranquilo. – eu me inclinei, segurei seu rosto e deixei um beijo. — Obrigada por compartilhar isso comigo. Eu sei que não é fácil.
E lá estava, o brilho em seus olhos tão lindos que eu tinha voltado a admirar e desejar ver sempre. Eu quase me derreti naquela água.
— Eu te amo. – falou Edward, antes de me abraçar. — Obrigado por tudo... Você nem imagina o quanto me faz bem.
— Eu te amo. E estou aqui. – sussurrei em seu ouvido. — Nos dias bons e nos dias ruins.
Seus braços se apertaram, me fazendo colar em seu corpo. Minhas pernas foram de comum acordo envolvê-lo. Senti seu dedos traçando minhas costas, e estremeci, me unindo mais a ele para sentir sua pele que me fazia tão bem. O coração acelerou, transbordando de desejo por aquele momento.
Minha respiração intensificou-se, junto a dele, e eu sabia o que viria a seguir.
— Quero você... – Edward disse, enquanto sua boca percorria meu pescoço até chegar ao meu seio. — Posso te ter hoje?
Minha resposta foi a única que eu conseguia pensar naquele momento.
— Sempre.
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