Mais Uma Vez
31 Capítulo 30: Expectativas
Notas iniciais
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Obrigada a Cella, minha beta que compartilha demais comigo. Demais. Chega a ser TOO MUCH.
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Uma série de imprevistos me impediram de postar na sexta-feira, de verdade, e peço desculpas a quem esperou. Mas aí está :)
Capítulo 30: Expectativas
Em algum momento eu adormeci. Fui chamada de volta à realidade ouvindo meu celular tocando ao longe. Minha mente levou alguns segundos para entender que tudo aquilo havia acontecido de verdade, e que eu ainda estava enroscada em Edward. Acalmei a preocupação que surgia ao olhar no relógio — ainda eram 23h30. Me movi com cuidado para não perturbar o homem que dormia ao meu lado e fui em busca do meu aparelho.
A voz de sono da minha filha deixou meu peito apertado, e apesar de sua preocupação chateada, eu a tranquilizei garantindo que já estava indo para casa. Fui ao banheiro rapidamente e quando voltei, catei minha blusa que tinha sido deixada no chão da sala até chegar ao quarto para pegar o resto das roupas. Me vesti com pressa, antes que a culpa por deixá-la sozinha mais uma noite inteira se instaurasse.
- Já está fugindo de mim? — a voz grossa surgiu de repente atrás de mim, e eu dei um pulo de susto. Me virei para encontrá-lo sentando-se na cama com um largo sorriso.
- Preciso ir, Claire já telefonou.
Ao me ouvir falando dela, seus olhos despertaram.
- Está tudo bem em casa?
- Sim, é só que ela fica aflita quando eu não chego. Nosso bairro anda meio perigoso pra quem fica na rua até tarde.
Sua testa franziu. — Eu li sobre isso. Quer que eu te acompanhe até lá?
- Não, tudo bem. Já estou acostumada.
- Ia te oferecer alguma coisa pra jantar... ou ceiar. — ele se levantou para colocar a sua boxer. Eu fiz de tudo para não olhar, mas foi impossível. A intimidade da cena que eu já vira repetida várias vezes me fez sentir como se estivesse espiando a vida de alguém pela fechadura. Eu não devia saber aquilo, mas sabia.
- Não precisa. Eu quero ir pra casa logo. Tomar um banho e dormir. Estou exausta.
- Certo. — Edward sentou-se na beira da cama, pegando minha mão. Me preparei para ouvir o que ele diria. — Obrigado. Por me dar essa noite. Acho que foi a melhor da minha vida. N-não por causa do sexo, mas... Você sabe.
A forte corrente de emoções impulsionou um choro na minha garganta, mas eu me segurei. Apertei sua mão e beijei sua testa, sem conseguir expressar tudo o que tinha me ocorrido nessas horas.
- Me leva até a porta. — pedi.
- Te levo até o carro.
- Melhor não. Sei lá, tem o seu porteiro... Pode ser estranho. Eu parei o carro aqui em frente, não tem problema.
Edward concordou a contragosto, mas me guiou até a porta sem soltar minha mão. Inclinou-se para beijar meus lábios levemente e sussurrou.
- Deixa eu te falar umas coisas.
- Sim?
- A primeira é que... — seu sorriso era discreto, quase escondido. — Eu quase morri vendo você usar só esse colar hoje e mais nada.
- Bobo. — eu ri. Instintivamente, toquei a pérola no meu peito, percebendo como a singela jóia tinha se tornado tão importante para mim — para nós dois, aparentemente.
- A segunda é que... eu vou cumprir tudo que prometi hoje. — falou com seriedade. — Tudo.
Suspirei fundo.
- Eu vou esperar. Mas não demore muito... E não suma mais.
- Pode deixar. Depois de Claire, seus telefonemas agora estão no topo das prioridades. — ele sorriu torto pela minha puxada de orelha. Eu sorri para a doçura das palavras, mas logo uma preocupação latente me invadiu.
- Olha... Eu não quero ser uma daquelas mulheres que fazem mil exigências, mas... Não fala pra ninguém sobre o que aconteceu, ok? Não entre em detalhes.
O brilho do seu olhar esmaeceu um pouco.
- Ninguém?
- Ninguém. Nem mesmo Tanya, sua família... Nem Alice. Especialmente Alice, que pode fazer isso chegar de uma forma totalmente diferente aos ouvidos da nossa filha.
- Posso perguntar o motivo?
- Porque... Acho que as coisas já estão complicadas o bastante pra termos que lidar com as coisas ditas e não ditas, com julgamentos errados... Ninguém sabe da nossa história, então ninguém precisa saber agora.
- Uma hora eles vão saber. Se tudo der certo, quero dizer.
- Eu sei. Mas por enquanto, vai ser nosso segredo. Não sei o que você pretende dizer a Tanya, se pretende dizer que dormiu com outra pessoa, mas seja o que for, só peço que não mencione meu nome. É melhor os Denali não saberem de nada até eu terminar meu envolvimento com o livro.
Edward pareceu um pouco relutante, e obviamente eu o compreendia. Ele estaria omitindo algo importante de várias pessoas ao mesmo tempo. Não devia ser uma sensação muito boa.
- Está bem. — finalmente assentiu. — Acho que você tem razão.
- Quero pedir também que... eu quero ficar sabendo do que acontecer entre você e Tanya agora. Eu sei que não é justo com ela, porque vocês sempre foram confidentes e agora eu estou pedindo seu silêncio sobre nós, mas... Por favor, não me esconda nada. Eu vou ficar mais segura assim.
- Não se preocupe. Pode parecer desleal da minha parte, mas tem coisas que é melhor Tanya não saber, mesmo. Eu a conheço bem. — ele pegou minha mão. — Bella, o que você pedir, eu vou fazer o máximo pra te dar. Estou me comprometendo, nesse momento. Você tem que entender, de agora em diante eu sou só seu.
Para aquilo eu não tinha uma resposta rápida. Ainda havia tanto para entrar nos seus eixos, e Edward dizia tudo com tamanha convicção. Minha reticência o alarmou e ele perguntou o que estava errado.
- Eu... — suspirei. — Eu não me sinto bem quando você fala assim.
- Assim como?
- Falar "sou só seu", como se pra você já estivesse tudo definido. — expliquei, tentando ser delicada. — Não quero ilusão, Edward. Então escolho a realidade... E a realidade pra mim é a de que eu não faço ideia do que vai acontecer com a gente, nem você. Não quero que você fique achando que só porque nós transamos na sua casa isso signifique que agora temos alguma coisa.
Eu vi seus olhos ficaram mais escuros na minha frente, e ele se aproximou.
- E eu não me sinto bem te ouvindo falar assim... O que aconteceu hoje foi muito mais do que sexo, não é possível que você não sentiu. Não negue isso, eu imploro.
Era difícil criar qualquer avaliação naquele ponto, então eu acariciei seu ombro esperando aliviar sua apreensão.
- Eu ainda não sei... — falei. — Só espero que não tenha sido um erro.
- Vou te provar que não foi um erro. Não precisa se arrepender.
- Não estou arrependida. — fui rápida em lhe dizer. — Pelo menos ainda não. Só que estou te dando um voto de confiança muito grande. Se você me magoar de novo, um pouco que seja, Edward, eu juro...
- Shh. Não vai acontecer. Eu me jogo da janela antes de te magoar outra vez. — ele roubou um beijo e acarinhou minha bochecha.
Eu fechei os olhos sentindo-o em minha pele e fiz meu pedido com força: por favor, por favor, não me machuque de novo. Nunca mais.
Respirei fundo para me recompor e abri os olhos.
- Então... boa noite. — falei, sem saber ao certo como agir, me dirigindo ao elevador parado no andar.
- Vá com cuidado. Me avise quando chegar, por favor.
- Ok.
O caminho para casa foi estranho. Eu me sentia solitária, após uma noite tão intensa. Imagens avassaladoras se repetiam na minha mente, e o carrossel de emoções girava sem parar. Ora eu me sentia contente, ora triste, ora apavorada do que estava por vir. Eu queria poder dormir ao seu lado, mas também sabia que ambos precisávamos da distância. Eu ficaria esperando ansiosa até nosso próximo contato. Sabe-se lá quando isso aconteceria?
Não me preocupei muito com o vazio, pois Edward estava em todo canto me acompanhando. Se eu fechasse os olhos ainda podia ouvir seus gemidos roucos no meu ouvido, chamando meu nome; podia ver seu cabelo grudado na testa e os olhos verdes me venerando. O cheiro da sua pele estava colado na minha, o que me fez lembrar que, de certo modo, eu ainda o tinha dentro de mim. Era uma crua lembrança de um segredo.
Eu não estava louca para sair por aí contando o que acabara de acontecer — se fosse possível, não compartilharia jamais. Porém o segredo maior era um outro, difícil de confessar até para mim mesma... O desejo que eu sentia por Edward. Nunca havia sido um problema antes, já que não tê-lo por perto por tanto tempo se tornou hábito e eu me acostumei. Mas a nossa sintonia, o nosso desejo mútuo se manifestara hoje, tão preciso como se tivéssemos retomado exatamente do ponto onde paramos, ou muito maior do que isso.
Minha pele clamava pela dele, e estarmos tão próximos nos últimos tempos foi como morder a isca. Era perigoso demais. Toda vez que eu lembrava os flashes da noite, era uma faísca que acendia para eu querer tê-lo de novo. Essa reação me deixava aflita, pois o medo de perder totalmente o controle permanecia. As próximas semanas seriam decisivas, eu pressentia. E eu só podia rezar para que, ao menos dessa vez, as coisas saíssem do meu jeito.
xxx
A sensação de que eu estava vivendo em uma realidade paralela perdurou até depois de acordar no dia seguinte. Ainda mais porque eu abri os olhos, e assim que revivi tudo, sorri. Sim, eu sorri enquanto me espreguiçava, como se fosse a bosta de uma propaganda de margarina. Que diabos estava havendo? Como voltei a ser uma garotinha assim?
Foi complicado levantar da cama com o corpo tão pesado, cada partezinha reclamando como se eu tivesse lutado contra dois leões. Sentindo tantas consequências físicas, tive urgência em me inspecionar no espelho antes de tomar banho, procurando qualquer diferença ou marca visível. Tirando uma vermelhidão ao redor da minha boca, mais nada parecia fora do lugar. Agradeci em silêncio. Uma marca roxa de chupão nessa idade era tudo que eu menos queria.
Claire mal falou comigo durante a ida para a escola. Estava concentrada em seu iPod, e possivelmente emburrada comigo. Eu sabia que ela sentia a minha ausência. Desde que comecei no novo cargo, meus planos de passar mais tempo com ela tinham sido furados pelo destino. Mas lhe prometi que compensaria por ontem, e que hoje faríamos o que ela quisesse assim que eu saísse do trabalho.
Quando cheguei à redação, o volume de tarefas me assustou um pouco. Eu havia esquecido de todas as preocupações e coisas que se acumularam na semana. Tinha começado a me concentrar na revisão de um texto quando meu celular tocou. Por algum motivo, eu já sabia quem me ligava antes mesmo de olhar o visor.
- Alô?
- Oi, Bella. — Edward me cumprimentou sem pressa. Eu soltei o teclado e virei minha cadeira para a pequena janela.
- Oi...
- E aí como você tá?
Dolorida, estranhamente satisfeita, mas primordialmente confusa era o que eu queria responder, mas sabia que não poderia.
- Bem, bem. E você?
- Muito feliz. — pude ouvir o sorriso na sua voz, me fazendo sorrir também, contra minha vontade. Ah, Edward, o que eu faço com você? Esse idiota era e sempre seria um romântico incurável, idealista demais para o próprio bem.
- O que houve? — perguntei, sem querer demonstrar minha fraqueza.
- Ah, você sabe, nada demais... Eu dormi com a mulher da minha vida ontem, e foi incrível. — sussurrou, esfriando meu estômago.
- Posso imaginar. — respondi, mas logo respirei fundo. — E... Sobre aquilo que você ia fazer... alguma novidade?
Ele ficou quieto por um tempo, até responder numa voz mais sóbria.
- Não, ainda não.
- Ah. É... Claro.
Não era o que eu queria ouvir, mas o que mais eu deveria esperar? Obviamente, ele não teria como resolver sua vida com Tanya em menos de 24 horas. Eu só precisava dizer isso para a ansiedade que se instalara em mim sem aviso.
- Mas aprecio sua preocupação. Significa muito pra mim. — Edward disse, e eu não tinha o que responder. Significava muito mais para mim, para minha sanidade. Ouvindo minha hesitação, ele suspirou. — Bom, vou te deixar em paz. Só queria te ouvir antes de ir pro trabalho.
- Não tem problema. Quer dizer, estou só um pouco atolada de pautas pra avaliar, mas tudo bem.
- Tem problema sim. Se eu não me policiar vou acabar te ligando umas cinquenta vezes no dia, e eu não quero que você pense que eu sou um desses malucos carentes, embora eu totalmente seja.
Eu ri de leve.
- Pode me ligar na hora do almoço.
- Ok... Eu te ligo depois de falar com Claire. Bom dia, Bella.
- Bom dia.
Mal tive tempo de almoçar, a demanda da minha equipe na redação tão ridiculamente grande. Edward me telefonou enquanto eu comia um sanduíche na sala do café, e eu pude ouvir preocupação em sua voz. Foi só à noite, enquanto eu voltava para casa, que fiquei sabendo o motivo. Ele me mandou uma mensagem explicando "Estou indo encontrar Tanya". O meu estômago se revirou, e eu só podia imaginar como estaria o dele.
Ao chegar em casa naquela sexta, encontrei minha filha sentada na sala assistindo TV. Mas ela não estava sozinha. Jacob, seu namorado, tinha um braço ao redor de seu pescoço. Namorado esse que se bem me lembrava, eu havia pedido para frequentar a casa apenas quando eu estivesse presente. Mal podia esperar para ouvir sua explicação.
- Olá... Então, perdi alguma coisa importante aqui? — falei, passando para o lado da televisão e tomando atenção deles.
- Oi, mãe. — ela se levantou, trazendo Jacob consigo. Olhou para mim com expectativa, só para depois fazer um muxoxo. — Ai, você esqueceu, né? Eu te falei que ele vinha.
- Oi, Bella. — o garoto intercedeu desajeitado.
- Oi, Jake. E não, que eu me lembre nós não combinamos nada. Quero dizer, você disse que ia escolher o que faríamos hoje, mas eu não pensava que ia ser... com Jake.
- Eu te falei que ele estava vindo pra casa no primeiro fim de semana de novembro, lembra? Você disse que ele podia jantar aqui em casa. Aí ele conseguiu vir e, bem... — ela riu sem graça.
Eu tentei lhe dar meu olhar de mãe supervisora, a fim de mostrar minha desaprovação por não ter me avisado com antecedência, mas eu não podia negar que essa conversa tinha existido.
Suspirei. Não iria chamar sua atenção logo agora.
- Ok, nós conversamos mais tarde sobre isso. Mas, desculpa, Jacob, eu não comprei nada especial pra jantar. Você se importa de comer pizza? Ou prefere outra coisa?
- Não, por mim pizza está ótimo. — ele virou-se para Claire. — Tudo bem pra você?
- Claro.
Meia hora depois estávamos sentados na bancada da cozinha, jantando pizza. Mas os dois adolescentes à minha frente estavam tão calados que isso me deixou agoniada.
- Então... tudo bem em casa, Jake? — ele pareceu se assustar com minha voz.
- Sim. — respondeu rapidamente.
- E a faculdade?
- Tudo certo. Ainda estou pegando o jeito, mas estou gostando bastante.
- Bom. É assim mesmo no começo, mas depois você acostuma. — eu sorri.
- Fala pra ela do emprego. — Claire quase sussurrou para ele, cutucando com o cotovelo.
- Emprego, já? — perguntei, surpresa. Jacob sorriu acanhado.
- Não é nada de mais. Um professor meu estava precisando de um motorista pela manhã, e eu me candidatei. Ele é paraplégico, e como eu já tenho experiência... Com meu pai em casa e tudo o mais...
- Jacob, isso é ótimo! É bom ir juntando um dinheiro desde já, depois você não fica arrancando os cabelos pra pagar toda a dívida da faculdade.
- É, eu sei. — ele assentiu. — Não paga muito, mas é alguma coisa. Daqui a pouco eu arranjo outro melhor.
- Só cuidado pra não acabar se enrolando. — alertei, tirando uma mordida da minha fatia. — Quando acumula tudo pro fim do período é uma tensão desnecessária.
- Ah, por enquanto eu estou conseguindo. E como grande parte do meu trabalho é ficar sentado esperando no carro, eu posso estudar um pouco ali.
- Eu entendo. Tive que me virar muito pra estudar e cuidar dessa menina.
- Bom, não que precise dizer, mas você fez um ótimo trabalho, Bella. — ele falou meio sem jeito, virando-se com um sorriso para Claire. Eu vi o momento em que minha filha se derreteu sobre aquela bancada, reconhecendo muito bem essa sensação. Garotos fofos e seu charme... Oh Claire, você está ferrada.
- Espertinho! Tentando ganhar o coração da sogra com elogios, é? — eu disse, antes de sussurrar para Jake. — Está funcionando, continua.
Os dois gargalharam e eu dei uma piscadela, tentando mostrar minha aprovação a ele. Minha menina tinha um namorado. Agora só faltava minha mente se acostumar com esse fato.
O jantar continuou com mais conversas quietas, risadas envergonhadas, e os discretos toques entre os dois. Claire tinha me contado que ela não era a primeira namorada dele, mas eu pude perceber como Jacob a respeitava. O que no fim não significava muito, porque, bem, Edward me respeitava demais e quem acabou tomando a iniciativa e comprando camisinhas para nossa primeira vez fui eu mesma.
Eu tinha consciência que era impossível impedir que algo acontecesse, eu só podia confiar na minha filha e guiá-la no que ela precisasse. Fora isso, eu tinha fé que ela iria aprender sozinha o que significava estar em uma relação.
Mais tarde, depois que Jacob foi embora e nós terminamos de arrumar a cozinha, subimos para o meu quarto. Escovei os dentes, cansada demais para tomar banho antes de dormir, e coloquei meu pijama. Me enfiei debaixo das cobertas enquanto Claire estava sentada ao meu lado preparando o filme que iríamos ver — ou melhor, que ela veria enquanto eu dormia.
Meus olhos estavam quase fechando quando ouvi seu suspiro alto. Olhei para ela, e vi que tinha a testa franzida e mordia o interior da bochecha, na sua típica expressão de preocupação. Eu me sentei para perguntar.
- Qual é o problema?
Ela soltou o controle remoto na cama.
- Você gostou dele, né?
- Claire, sempre gostei. Há quantos anos eu conheço o Jake?
- Eu sei, mas... Digo como meu namorado. Foi pra isso que ele veio, afinal.
- Claro que sim. Fala sério, o garoto ajuda senhores em cadeira de rodas todos os dias. Como eu posso pensar mal de alguém assim? — ri, mas ela continuou séria. — Filha...
- Ahm.
- O que está passando nessa cabecinha que tá te deixando tão preocupada? Fala logo.
Ela molhou os lábios.
- É que... Agora que é oficial pra você, eu preciso contar pro papai. E eu... Eu ainda não sei como fazer isso.
- Você quer que eu conte? Posso conversar com ele.
Ela pausou e me olhou com espanto, boquiaberta, talvez por eu ter dito rápido demais.
- Como é que é?
- O quê?
- Você, minha mãe Isabella, está se oferecendo voluntariamente para pegar o telefone e falar com meu pai, Edward?
- Ahm... Sim? — meu coração bateu um pouco mais rápido, com medo de que ela começasse uma inquisição que me deixaria perdida.
- Ok. Eu caí num universo alternativo. — ela piscou, olhando ao redor. — Socorro, me levem de volta à Terra!
Eu rolei os olhos, tendo que manter minha postura descontraída.
- O que tem de mais nisso? Nós temos que conversar sobre você às vezes, e eu telefono.
- É, mas você só telefona pra ele uma vez na vida e outra na morte. E só quando um de nós dois fizemos merda e você tem que dar a bronca.
Deus, isso me fazia parecer uma ex-mulher insuportável. Será que eu havia agido assim mesmo esse tempo todo?
- Isso não é verdade. — choraminguei.
- Ah não? Então vocês se ligam pra falar sobre como eu sou uma filha maravilhosa, como estou indo bem na escola e minha banda está sendo convidada pra tocar nas festas privadas dos alunos?
- Espera aí, você não me contou sobre isso!
- Não desvie o assunto, senhorita.
Eu suspirei.
- Tudo bem. Talvez eu tenha sido um pouco teimosa, gastei mais tempo descontando minha raiva em cima do seu pai, ao invés de falar sobre o que realmente importava sobre a sua criação. Pronto, admiti, ok?
- Você sabe que vocês são muito sortudos por um, serem meus pais e dois, mesmo assim eu ser razoavelmente equilibrada, — ela tocou a têmpora. — hoje em dia, né?
Claire falava em tom de brincadeira, mas eu sabia que o assunto era bastante sério para ela. Peguei sua mão e beijei.
- Eu sei. Acho que Edward também sabe, e nós morremos de orgulho de você. Também sei que não somos os melhores pais do mundo e que erramos, mas eu te garanto que as coisas estão mudando... melhorando.
- Coisas mudando, melhorando... Eu estou percebendo, mas até agora não sei que coisas são essas. Vocês só me enrolam. Aposto que existe toda uma conspiração por trás de mim, só eu não sei de nada do que se passa.
- Não tem conspiração nenhuma, sua boba.
- Você disse que quando chegasse o tempo certo eu iria saber. Então... já chegou?
- Ainda não. Mas eu posso te garantir uma coisa, eu não tenho mais vontade de brigar com seu pai por bobagem.
- Perdeu a graça?
- Não. Só... — refleti sobre como eu poderia expressar aquilo. Não havia muito o que dizer sem entrar em detalhes. — Eu cresci. Aprendi e amadureci. Foi isso.
Seus olhos se comprimiram, certamente tentando entender o que se passava.
- Certo. Mas ainda não faz sentido de repente vocês estarem de bem. Ele até te comprou esse bendito colar, que aliás você não sai mais de casa sem.
- Eu gostei muito, só isso. Agora, vem cá. — eu a abracei para deitar, e logo estava segura em meus braços. — Você sabe que nós te amamos muito, e queremos só o seu bem.
- Eu sei.
- Nós nos preocupamos tanto com você, com seu bem estar, que não tem nem graça. É por isso que evitamos jogar algumas coisas que são pesadas demais pra você lidar. Não é exatamente esconder nada.
- Eu entendo. Só quero que... se alguma coisa importante acontecer entre vocês... eu quero ficar sabendo.
- Claro. — beijei sua cabeça. — Agora, sobre contar para Edward...
- Deixa pra lá, eu mesma conto. Acho que é melhor.
- Tem certeza?
- Sim. Sei lá o que você vai falar, mas eu sinto que vai acabar fazendo vocês brigarem de novo. Só sinto.
- Como você pode sentir isso?
- Eu conheço vocês. — respondeu, toda metida a sabichona.
- Ok. E como vai contar, então, se há cinco minutos você estava se borrando de medo de ter que fazer isso?
- Vou dar um jeito de fazer o melhor beicinho da vida pro papai. Já escapei de muitas broncas assim. — ela falou como se fosse uma estratégia muito séria, e eu só pude rir, me lembrando que Claire ainda era só uma criança.
- Que confiança, hein? E vai funcionar?
- Eu sei que vai. Só preciso tomar coragem.
- Certo. — bocejei. — Começa logo esse filme. E boa noite, porque antes do primeiro beijo do casal eu já vou ter capotado.
- Sua sem graça.
- Uhum.
xxx
Na manhã seguinte eu acordei cedo demais para um sábado. Matei o tempo e a preguiça tomando um banho de banheira, aproveitando para fazer uma hidratação no cabelo com o creme caro demais que eu só havia usado uma vez. Meu estômago roncava quando saí do banheiro, então pus meu roupão, chinelos e fui em busca de café da manhã.
Quando passei pelo corredor, porém, vi que a porta do banheiro de Claire estava fechada. Pude ouvir o som alto do seu rádio encobrindo o som do chuveiro ligado. Fiquei confusa, pois a essa hora ela já devia estar na casa do pai. Bati na porta para perguntar o que tinha acontecido, mas só recebi sua cantoria como resposta. Deixei para lá e resolvi descer antes de fazer um rombo no meu estômago.
O problema dessa manhã estranha começou quando eu cheguei ao pé da escada e visualizei algo que não devia estar na sala. Ou alguém. Meu grito saiu sem querer com meu susto. Edward estava sentado no sofá, como se morasse aqui, e levantou-se na mesma hora.
- Deus, Edward! Parece assombração! — praticamente gritei esperando o coração desacelerar.
- Droga. Desculpa, não quis te assustar.
- O que tá fazendo aqui? — perguntei andando até ele.
- Eu só estava... — seus olhos vagaram para baixo ligeiramente, reparando no que eu vestia. Seu olhar me fez sentir nua. Claro, eu estava nua por baixo do roupão surrado. Ele limpou a garganta, e voltou a me encarar. — Estava só esperando Claire terminar o banho pra podermos ir. Parece que ela ficou acordada até de madrugada fazendo não sei o quê, e aí pediu pra eu vir um pouco mais tarde hoje.
- E você tinha que ficar esperando aqui? Eu podia... eu podia estar pelada. — disse sem forças para pensar alguma reclamação melhor. Mas o idiota deixou escapar um meio sorriso.
- Não seria a primeira vez que... — falou com uma malícia sutil, me levando a fechar discretamente o decote. — Bem. É...
Eu suspirei, segurando minha boca para não abrir o sorriso que ameaçava escapar.
- Desculpe ter gritado com você. Mas você aparece assim do nada, não tenho como não me assustar. — expliquei. Ele colocou a mão nos bolsos do jeans e assentiu, parecendo achar muita graça de tudo isso. — Bom, eu vou tomar café, você aceita?
- Não, obrigado. Vamos tomar um brunch daqui a pouco.
- Ok. Vou estar na cozinha, se precisar. — eu dei as costas e segui para começar a preparar meu desjejum.
Só que eu não pude ir muito longe, porque uma mão me puxou de volta para o lugar, e quando vi já estava nos braços de Edward.
- Ei, que isso? — apertei seus ombros, mas ele me ignorou.
- Você sabia que fica linda até acabando de acordar?
Eu rolei os olhos e falei em voz baixa.
- Você não para de olhar pros meus peitos, como pode saber da minha cara? E faça o favor de me soltar já. A gente tá na minha sala.
- É verdade. — ele continuou, subindo seus dedos até chegar ao meu rosto. — Seus olhos ficam menores, é adorável. Faz tanto tempo que não vejo isso...
- Desde quando inchaço e olheiras são adoráveis?
- São, porque essa é você de verdade. Foi assim que eu me apaixonei, você chegava na escola com essa carinha de sono, cabelo molhado. — ele suspirou e traçou meu lábio inferior. — Além disso, sua boca... Parece tão...
Era o que faltava para eu baixar minha guarda completamente. Ele ainda não tinha o direito de fazer isso logo na minha casa, com nossa filha lá em cima, mas meus pés não iam se virar para sair daqui de jeito nenhum.
- Urgh, eu te odeio. — grunhi minha frustração por cair tão fácil nas suas graças, e puxei seu cabelo, trazendo aquele idiota para que eu pudesse beijá-lo.
Ele mordiscou e sugou meus lábios com suavidade, contrapondo a minha agressividade. Quando senti senti sua língua movendo dentro de mim e uma mão subindo pela minha coxa, reassumi minha consciência. O beijei uma última vez e empurrei seu peito para me separar dele.
- Volta. — sua voz pediu sem fôlego, suas mãos me pegando tão facilmente.
- Não. Ainda não. — falei, tirando minha cintura da sua prisão e tentando me recompor. — Vou tomar café. Sente e se comporte.
Mandei como se ele fosse um moleque, e dessa vez consegui chegar à cozinha. Comecei a preparar o café na cafeteira, sentindo minha boca ainda formigando do seu beijo. Porém, como eu suspeitava, não demorou muito para que Edward aparecesse, minutos depois.
- Estava chato ficar olhando pra parede... — ele deu de ombros, e gesticulou para a cadeira no balcão. — Se importa se eu sentar?
- Claro que não.
Sentou-se calmamente e ficou me assistindo enquanto eu trabalhava na cozinha. Apesar de Edward parecer mais quieto do que o normal hoje, o silêncio acabou sendo agradável para mim. Peguei minhas torradas, a xícara de café e sentei no outro lado da bancada, antes de lembrar do cream cheese.
- Droga. — bufei, porém ele foi mais rápido e levantou-se antes de mim.
- Eu pego. — falou e virou-se para a geladeira. — Cream cheese, né?
Eu o olhei um pouco boquiaberta.
- Como você...
- Você sempre comeu isso de café da manhã. É meio óbvio. — ele sorriu suavemente colocando o potinho delicadamente na minha frente, voltando a sentar. Havia alguma coisa sutilmente enigmática na maneira como seu sorriso torto perdurou por mais alguns segundos, e eu me senti hipnotizada para desvendá-lo. Suspirei e agradeci.
Eu comecei a comer, e relaxei, apesar de um pouco desconfortável por tê-lo ali me olhando sem comer nada.
- Tem certeza que não quer nada? — falei novamente, oferecendo minha torrada.
- Pode ficar sossegada, estou bem. Na verdade, só de me sentir bem-vindo aqui já é ótimo. Agradeço.
- Aqui... na cozinha? — franzi o cenho.
- Na sua casa.
- Por acaso antes você não se sentia bem-vindo? Eu nunca te proibi de entrar aqui...
- Não proibia, mas... Eu conseguia sentir que você não ficava muito a vontade com a minha presença.
- E quem te garante que eu estou a vontade agora? — eu desafiei.
- Você está só de roupão e comendo na minha frente. Sem contar que quase montou em cima de mim naquela sala. Deve significar alguma coisa, não sei. — respondeu com ironia.
- Sua sorte é que eu estou com muita preguiça de ir lá em cima trocar de roupa. — resmunguei, embora quase pudesse sentir minhas orelhas começarem a queimar de vergonha. Ceder e colocar uma roupa agora talvez só pioraria meu estado.
Estiquei minhas pernas para frente a fim de apoiar na barra da bancada e senti as suas pernas de jeans encostarem entre as minhas. A princípio eu me afastei, por instinto. Tanto tempo evitando contato com ele, e de repente estar tão perto dessa forma era uma grande mudança. Eu ainda não me sentia completamente confortável ou preparada para isso. Mas logo relaxei e deixei minhas pernas apoiarem nas dele.
- Então... Ontem... — ele começou a dizer, captando minha atenção e eu o encarei. Um pulso de ansiedade percorreu meu peito, mas eu respirei fundo.
- Como foi? — perguntei. Mas da maneira como Edward desviou seu olhar, eu já devia esperar sua resposta.
- Um fracasso. Não consegui dizer nada a Tanya.
- Edward!
- Desculpa, mas não deu. Eu juro que tentei. Só que eu abria a boca e não saía nada, não estava muito no clima de ter uma discussão pesada ontem. Só que agora estou pensando nisso dia e noite, Bella. Estou morrendo de medo de magoá-la de tal forma que... Sei lá, eu tenho medo que ela faça uma besteira.
- Que tipo de besteira?
- Não se preocupe, não acho que ela faria nada contra você. Mas contra ela mesma. Você sabe, eu te contei dos problemas que ela teve com abuso de substâncias. — eu assenti confirmando. — Então não sei o que faço agora, não sei como vou contar. Estou esperando uma luz.
- Por que não conversa com seu terapeuta sobre isso? Ele pode te ajudar.
- É... Pode ser que sim.
O fato de Edward não ter pensado adiante no que fazer caso essa possibilidade se apresentasse — a de ter que terminar com sua noiva — me deixava com mais uma dúvida.
- Posso perguntar uma coisa que me deixou bem curiosa outro dia? — pedi.
- Claro.
- O que te fez tentar se aproximar de mim justo agora?
Ele me olhou como se não tivesse entendido.
- Bella, eu só voltei a estar na sua vida porque você escolheu. Primeiro nossos encontros no Joe's, e depois...
- Não, não é disso que eu estou falando. Estou falando de uma espécie de... padrão que eu reparei. Esse ano você esteve muito presente pra mim, de uma forma ou outra. Nunca foi assim antes. E o fato de você me indicar para trabalhar com sua empresa, todos os encontros ocasionais no meio da rua. Isso nunca tinha acontecido, então por quê logo agora?
Ele desviou o olhar por um segundo, parecendo acanhado. Coçou a cabeça e sorriu ligeiramente.
- Não sei. Acho que foi uma decisão um pouco inconsciente. Logo depois do noivado com Tanya, foi quando percebi que eu estaria te perdendo pra sempre, que não haveria mais volta. — ele se inclinou na minha direção. — Não me ache doido, mas um dia eu te vi de longe na rua e de repente senti que... Que não conseguia mais ficar afastado. Tinha que arranjar formas de te ver, mesmo que de longe.
Eu tentei entender, porém era complicado fazer sentido daquilo. Ele era tão impulsivo o tempo todo, que me deixava ainda mais apreensiva, minha cabeça dando nós com as dúvidas que pareciam nunca terminar.
- Isso soa um pouco bizarro. Quase um stalker de filme policial. — tentei provocar, mesmo falando sério.
- Eu sei. Droga, eu sei. — ele riu mas sem divertimento. Seus olhos ficaram mais envergonhados. — Às vezes me ouço falando algumas coisas que passam na minha cabeça e fico achando que mereço ir direto pro sanatório. Mas eu juro, nunca quis te fazer nenhum mal. Só queria te ver, e bem.
- E onde ficava Tanya nisso tudo?
- Ao meu lado. Sem saber de nada. Me apoiando como uma tola...
- Edward, essa linha de raciocínio... Eu não consigo seguir, desculpe. Se você queria ficar mais perto de mim, como nunca pensou em desmanchar o noivado? Nunca passou pela sua cabeça que talvez um dia vocês pudessem terminar, e você teria que passar pelo que está passando agora?
- Eu não planejei nada, porque nunca achei que fosse ser possível mudar algo entre nós, de verdade. — ele deu de ombros. — Eu só queria poder conviver com você. Errei mesmo. Pensei que fosse possível poder ficar de bem com todos, eu queria ter tudo. Agora vou pagar esse preço.
Assenti, compreendendo melhor seu pensamento. E voltei a morder minha torrada.
- Espero que você esteja tirando uma grande lição de tudo isso. De como suas escolhas afetam todos ao seu redor.
- Estou, Bella. — ele suspirou cansado. — Ah, se estou.
- Pai? — nós ouvimos Claire chamar de longe, e Edward levantou rapidamente. Inclinou-se sobre a mesa e deixou um inesperado beijo na minha testa.
- Eu te ligo. — ele falou com a voz baixa e virou-se para se encontrar com nossa filha na sala. Eu ouvi os dois conversando; ela perguntando onde eu estava e os planos para hoje.
Eles voltaram para a cozinha e eu a abracei.
- Que banho demorado. — comentei, não resistindo a pegar no seu pé um pouquinho. — Ah, é porque hoje é sábado, dia de lavar a perereca, né?
- Mããe! — ela choramingou com os olhos imensos e eu vi Edward cuspir uma gargalhada atrás dela.
- Não lembra quando você fingia que tomava banho pra poder brincar mais? Tenho que checar vez ou outra.
- É, quando eu tinha sete anos. — ela falou sem achar graça, mas eu e Edward continuamos rindo. — E parem de rir de mim! Vocês não sabem brincar.
- Me tira fora dessa. — ele pôs o braço nos ombros dela. — Vamos, Claire. Sua mãe é que é louca, deixa ela rindo sozinha aí.
Ela se virou franzindo os olhos para mim de uma forma ameaçadora, mas que a fazia parecer nada mais que um filhote atrevido. Eu tinha a filha mais fofa do mundo.
- Vai ter volta.
- Estou tremendo. — zombei, mexendo minha mão de propósito. Ela foi na frente, saindo pela porta dos fundos, e Edward a seguiu. Não sem antes piscar um olho para mim e me deixar com uma sensação no estômago que era muito mais forte que eu esperava.
Era tudo uma novidade. Tanto tinha mudado nos últimos meses, e tão rápido. Era só uma questão de tempo para que eu me acostumasse com tudo isso. Que meu coração abraçasse minha mente, que minha consciência aceitasse os riscos corridos.
Ainda haviam tantos passos pela frente, mas o caminho tinha começado a ser pavimentado. Eu sentia que a caminhada poderia ser doce. E hoje, mais do que nunca, orei para que o universo estivesse ao meu favor. Ao nosso favor.
Notas finais
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Comentem, por favor! Gostaram do Edward sendo fofo ou estranham esse clima de romance? hahahah
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Farei de tudo para escrever e postar o próximo capítulo em duas semanas.
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Beijos!
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