Mais Uma Vez
17 Capítulo 16: Insanidade
Notas iniciais
Obrigada a Cella, minha beta que é tão surtada que quase me faz acreditar que eu escrevo algo decente de verdade. Obrigada a Carol Venancio por ler esse capítulo de antemão e me deixar mais segura sobre ele. *respira fundo* Lá vamos nós...
Capítulo 16: Insanidade
Bella
A letra estava trêmula, diferente da caligrafia limpa e ordenada que Edward sempre apresentava. Eu não queria imaginar que as partes quase manchadas no papel pudessem ser resultados de lágrimas escorridas. Me partiria ao meio. Então apenas li, com ânsia de chegar ao final.
"Bella,
Eu nem sei por onde começar isso. Você está dormindo agora. Nossa filha também. Eu acabei de falar com ela, acordando sem querer, mas não quero te acordar. Parece cansada demais, como sempre ultimamente. Eu nem sei se você vai querer ler essa carta. Merda. Eu tô tão decepcionado comigo.
Aconteceu uma coisa hoje. (Por favor, não fique brava antes de ler tudo.)
Tinha uma mulher lá no bar. Estudante de medicina do terceiro ano, loira e com um perfume barato. Pouco atraente. Mas nós flertamos a noite toda. Conversamos sobre música, sobre faculdade, sobre doenças coronárias em crianças. A gente falou sobre como era difícil passar naquela porcaria de prova pra se tornar um doutor de verdade, e sobre como tudo o que a gente mais queria era ajudar pessoas.
Ela me pagou uma cerveja, e eu paguei uma pra ela. Depois três, cinco, sete. Ela me roubou o celular do bolso da jaqueta, digitou uns números antes de eu pegar de volta e, quando percebi, ela já estava em cima de mim, agarrando minha lapela, meus cabelos e me beijando. Foi horrível, eu juro.
Você não vai acreditar em nada do que estou dizendo, mas falo sério. Eu nunca me senti tão mal.
Eu não fui capaz de sentir nada, pra dizer a verdade. Tudo o que passou na minha cabeça, naquela hora, foi que você e Claire estavam em casa, provavelmente dormindo, e que aquela mulher não tinha seu gosto suave, nem o seu cheiro. Ela forçou a língua em mim, enquanto eu pensava que você tinha trabalhado o dia todo, e que estaria linda quando eu voltasse pra casa, mesmo sem maquiagem nenhuma. E eu estava ali, beijando uma desconhecida.
Foi então que eu cheguei a conclusão de que não mereço você, nem a vida que você me proporciona. Eu sei que parece horrível dizer algo assim. Porra, foi horrível até mesmo escrever. Mas é totalmente injusto o que estamos vivendo. Você dá muito mais do que eu posso te oferecer. Não sou forte o bastante pra te dar apoio. Na verdade, ultimamente tudo o que eu sou é um fardo, um inútil que não consegue nem parar num único emprego por mais de dois meses. Ninguém precisa me dizer isso, eu apenas sei. Eu não quero estragar a vida de vocês com as minhas idiotices e coisas estúpidas que faço.
É por isso que não estou aqui agora. Ou não estarei, quando você acordar. Não quero um confronto, não quero que minha última recordação sua seja essa. Não posso te acordar e dizer que estou indo embora, porque eu sei que você acharia uma ideia absurda e esconderia a chave. Você não entenderia meus motivos.
Eu sinto tanto, que sei lá, tô com medo de morrer de dor. Mas faço isso pelo bem do futuro das mulheres que mais amo no mundo. Você e Claire. Me perdoem por isso que estou fazendo.
Eu amo vocês.
E."
- Por quê? – lamuriei em voz alta ao terminar a última linha das duas páginas. Eu estava estática sentada no chão. Junto às lembranças que foram trazidas com aquela carta, uma onda de lágrimas surgiu.
Não podia ter sido só por isso, podia? Um motivo tão torpe, que chegava a ser infantil. Eu nunca havia dito que ele era um inútil e eu entendia suas razões por não conseguir ter um emprego fixo naquela época. Era de se esperar que uma pessoa que estudasse tão arduamente, como ele fazia, tivesse dificuldades em manter um compromisso de trabalho. Me recordava muito bem de até mesmo lhe dizer aquilo, com quase as mesmas palavras.
Eu não estava satisfeita. Meus dedos folhearam as próximas páginas, em busca de novas respostas.
Depois daquele dia de maio, Edward pareceu ter deixado de lado o seu caderno de estimação; não havia rabiscos ou desenhos, o que só partia meu coração ainda mais. Passei por uma, duas, três... dez folhas intactas, percorrendo mais rápido para chegar a alguma coisa. Eu pressentia que havia mais ali.
Quando finalmente alcancei um novo texto, vendo meu nome novamente no início, devorei o seu conteúdo. A data era 25 de novembro de 2003, o dia do aniversário de oito anos de nossa filha. Seis meses após sua partida.
"Bella,
Você não quer me ouvir pessoalmente, então vou tentar fazer isso direito agora. Porque eu posso suportar continuar longe de vocês, mas te ver me olhando daquela forma fria e magoada é pior do que eu pensava.
Eu sei que você não quer me ver nem pintado de ouro e não tiro sua razão. Fui imbecil de sair daquele jeito, e nem tive coragem de entregar a merda da carta que escrevi. Me desculpe. Eu só queria que você acreditasse que eu não te traí. Quer dizer, o que aconteceu naquela noite foi um erro dos grandes: uma mulher me beijou à força e eu não tive a decência de me afastar antes."
Nessa parte, Edward voltara a escrever praticamente a mesma coisa que havia contado na primeira carta não deixada para mim. E ele estava certo quando afirmou que eu não entenderia suas motivações por não ter me acordado naquele dia e falado tudo o que tinha para falar.
Edward escreveu sobre Claire, e como ele gostaria de passar a data com ela. Baboseiras sentimentalistas. Se ele quisesse de verdade, não teria feito o que fez.
Quando eu perdia a esperança de encontrar uma resposta mais concreta, os últimos parágrafos da carta de quatro folhas me arremataram a atenção. Ele falava dos fatos que o levaram a ter certeza de sua decisão definitiva de me abandonar.
"Sabe quantas vezes eu saí à noite, naquela semana, em busca de diversão frívola? Cinco. Todos os dias, gastando o dinheiro que você tanto se orgulhava de ganhar sozinha, e o pior é que não havia sido a primeira vez que fiquei fora todas as noites.
Quando percebi aquilo, eu soube que estava seguindo os passos da pessoa que uma vez assombrara a minha família. Voltaria bêbado pra casa após beijar uma boca que não era a sua. Me lembrei de noites da minha infância, e agora tenho certeza que estava me transformando no homem que quase destruiu minha mãe.
Eu sei que tenho grandes chances de ser igual ao meu pai, tenho consciência de que sou um fracasso tão grande e nunca poderei ser como Carlisle ou Jasper. Eu me odeio por isso. Mas pelo menos, agora sei que não posso ficar perto de você, assim posso te salvar. Eu não quero te machucar, não quero jamais voltar bêbado, depois de te trair com mulheres diferentes na mesma noite.
Estou muito perdido agora, e nem sei se vou conseguir me encontrar. Mas vou tentar me resolver, por nossa filha.
Me desculpe por tudo."
- Ah, Edward. – murmurei para suas palavras, involuntariamente balançando a cabeça. — Como pôde pensar isso de si mesmo?
Era tão estúpido e tão tolo. Eu não compreendia como essas ideias pudessem ter surgido nele, de uma hora para outra. O Edward que conheci tinha suas inseguranças como qualquer outro jovem, mas eu jamais pude ver nele indícios de uma preocupação tão séria quanto estar repetindo a história de seu pai biológico.
Havia mais frases escritas nas próximas páginas. Coisas que não se encaixavam em lugar algum, somente parágrafos soltos.
"O problema é que você costumava ser a minha melhor amiga, e acho que a gente se perdeu pelo caminho. E você me intimidava tanto. Eu estava exausto e frustrado, me sentindo um fracasso por falhar nas minhas provas e nem tinha forças para fazer algo que valesse a pena, ou te ajudar nas tarefas mais simples.
Bella, você sempre foi uma força da natureza, mas naquele momento a sua energia e garra eram tão grandes que eu fazia a besteira de me comparar a você, e aí eu enlouquecia cada dia mais. Eu era um fraco. Ainda sou. Eu fiquei para trás, deixando a vida acontecer enquanto você dominava cada situação problemática, me carregando nas costas."
Enquanto lia aquelas palavras, cada passagem em que Edward demonstrava insegurança e instabilidade no passado surgiam em memórias. A forma como ele havia mentido sobre estar desempregado. Sua face abatida, seu desleixo atípico, seu comportamento apático dos meses precedentes àquela noite.
Nós não brigávamos com frequência, pelo contrário. Vai ver era isso que faltava. Varrer sentimentos para debaixo do tapete era uma falha terrível. Tantas coisas estavam erradas na nossa relação há tanto tempo, e eu não fui capaz de perceber. Tudo poderia ser diferente.
Abaixei o caderno por um momento, enquanto a epifania do que tudo isso significava me atingia.
Edward estivera guardando aquilo dentro de si o tempo todo, desde que nos conhecemos. Era uma marca tão profunda que, apenas em um momento de grande pressão em sua vida, o que estava contido explodiria.
E no entanto, contrariando todas as juras de cumplicidade que fizemos um para o outro, ele me deixou no escuro sobre o que estava sentindo. Eu estava com pena pelo seu sofrimento e sentia remorso por não ter percebido. Mas, acima de tudo, me sentia enganada, como se eu não fosse merecedora de ter sua felicidade plena, e poder construí-la pouco a pouco. Edward havia me negado o laço fundamental de um casamento — a confiança.
Eu não era tão forte, como ele havia dito? Por que então se contradizia tanto em sua decisão de carregar sozinho sua cruz de angústia interior?
Minha mente não era capaz de processar isso, muito menos aceitar.
- Tudo poderia ser diferente, Edward. Não era pra ser assim. – argumentava para as paredes enquanto minhas batidas se aceleravam à medida que meus dedos percorriam mais daquelas páginas.
Minhas mãos tremiam e todo meu corpo parecia vibrar. Não era possível. Eu não conseguia acreditar que ele pudesse ter a tamanha covardia para nos enganar daquela forma, e invalidar uma união que era dura, mas que tinha imensas chances de dar certo. Desilusão e revolta não chegavam aos pés do que eu sentia naquele momento.
Nas próximas linhas, ele contava sobre um sonho que havia tido comigo. Erótico. Havia um desenho que parecia ser o meu rosto. Edward desenhava bem. Havia outra história luxuriante comigo como protagonista, que fez arrepios percorrerem meu corpo. Mas era doentio demais para continuar lendo aquilo.
A última carta que encontrei era recente e talvez a pior de todas. A data era do início do mês passado. Desta vez, li com dificuldade através dos olhos marejados. A letra estava mais trêmula do que nunca, e os trechos pouco faziam sentido.
"Bella,
Fiquei sabendo da sua promoção, Alice me contou. Fico tão feliz por você. Acredito que muitas grandes coisas ainda estão para acontecer na sua carreira e você merece, mais do que ninguém. Queria poder comemorar tendo a sua companhia.
É, eu sei que parece loucura, mas saiba que eu também gostaria de poder voltar pra casa. É claro que isso não é possível agora. Seguimos nossos caminhos e fomos para lados diferentes. Eu percebi meu erro tarde demais, e tentar me redimir seria fútil, já que você não me daria uma chance e com razão. Mas tudo bem, só o que me importa é ver que você está feliz. Eu sei que jamais irá me perdoar, mas acredito que ter saído da sua vida foi a melhor coisa que eu já fiz.
Eu vou te amar pra sempre, não importa com quem eu esteja. Mas é tão difícil, Bella. Tão difícil me desligar de você. Esses anos todos eu tive pessoas na minha vida, mas ninguém é igual a você. Eu juro.
Merda, eu tô bêbado pra cacete, sabe. (Não se preocupe, pois isso não acontece com tanta frequência quanto costumava acontecer. Eu tô bem. Só precisava de uma ajuda.)
Quando eu te encontrei hoje na rua foi tão difícil ficar longe. Sonhei com você de novo. Quer dizer, até mesmo acordado eu vejo seu rosto. É muito difícil. Tem vezes que eu esqueço completamente a pessoa que está dividindo a minha cama, e o seu rosto me assombra. Sou um monstro por fazer isso com Tanya. Mas não consigo evitar.
Não há outro rosto que eu veja quando estou dentro dela. Só o seu.
Eu te amo, pra sempre."
Suas palavras passaram a não mais fazer coerência no momento em que li aquela confissão, e então larguei o caderno no chão, como se tivesse me dado um choque. Precisava ignorar sua última linha, pelo meu bem.
Eu não conseguia acreditar que Edward havia desistido da nossa relação tão facilmente, como se não significasse nada. Durante todo esse tempo eu sofri, acreditando que seu amor por mim nunca fora sincero ou que acabara, ou que alguma mulher havia tomado espaço em sua vida.
- Mas que merda. Que merda! Imbecil! – chutei a porcaria do caderno para longe.
Edward não acreditou no nosso amor. Não acreditou em mim e no que eu seria capaz de fazer por ele. Quebrou mais promessas do que eu podia imaginar. Tudo podia ser diferente, mas ele me enganou e se escondeu de mim. Era a maior traição que podia haver.
Minha mente funcionava a mil por hora com um único pensamento que começou a me infectar, me induzindo a um torpor. O de fúria.
Eu estava colérica, e tudo o que via na minha frente era vermelho. A parede branca agora era escarlate. Meu corpo se eletrificou por completo, o sangue bombeado martelava meus ouvidos como nunca antes.
Eu poderia quebrar toda essa merda de quarto, mas o som que ouvi me impediu.
A porta do quarto se abriu de repente e ouvi o fecho suave logo após a pessoa entrar. Os cabelos em minha nuca se eriçaram para recepcioná-lo, e eu instintivamente já sabia quem era. Meu olhar rapidamente encontrou o de Edward e naquele momento minha visão ficou precisa demais. Sua figura era um alvo.
Mal senti meu pés caminhando sob mim, indo até ele; o barulho que minha palma fez ao encontrar sua bochecha ecoou no quarto.
- Mas o qu…está maluc… – ele começou a dizer, mas eu o calei com um outro tapa.
- Como você pôde, Edward? Todo aquele tempo? Como pôde não lutar o bastante por nós?
Era como se minha vida toda nos últimos dez anos tivesse sido uma grande mentira. Um grande e infeliz equívoco.
- Do que você está falando, Bella? – franziu o cenho ao dizer.
Eu me aproximei e encarei seus olhos, as lágrimas que caíam dos meus sequer ficavam ali a tempo de embaçar minha visão, rolando feito um filete de um rio.
- Nunca me disse a verdade. Você podia ter me dito a verdade. Covarde! – eu berrei e um tapa em seu peito deu origem a outro. E outro, e tantos outros enquanto eu sentia seus braços tentando me empurrar para trás. — Covarde! Covarde!
- Bella, para Para! – ele me sacudiu e apertou os meus ombros. Minha respiração vinha em curtos arquejos. O emaranhado de emoções concentrado em peito pareceu crescer e expandir-se. Ele me segurou tão perto e a expressão que eu nunca conseguia decifrar estava lá novamente. Mas dessa vez estava claro para mim: arrependimento. Insegurança. Saudade. Amor.
Não há outro rosto que eu veja quando estou dentro dela. Só o seu. Eu te amo, pra sempre. Aquelas palavras rodeavam e embaralhavam minha linha de pensamento.
Impulsionada pelo esmagador conflito entre raiva e compaixão, eu o beijei. Beijei com força e fúria; com língua e dentes urgentes. Afiados.
Um ganido que antecedeu mais uma onda de lágrimas saiu de mim. Porque eu o provei e o gosto era o mesmo que eu me lembrava, diferente apenas pelas pitadas de amargura e tristeza — minhas ou dele, eu não sei dizer. Talvez de ambos.
Ele arfou dentro da minha boca quando permiti que arfasse. Não por muito tempo antes que eu voltasse a devorá-lo. Ele estava longe demais, parecia estar bem demais para tudo o que eu ainda queria lhe afligir.
Sim, eu queria machucá-lo. Dilacerá-lo. Eu queria que Edward doesse da mesma forma como doí esses anos todos. Eu queria que parasse de doer em mim.
Eu queria entender.
- Bella? Entender o quê? – murmurou abafado contra minha boca e eu sequer senti meus pensamentos fugindo pela boca.
As ondas de revolta contra ele chocavam-se às ondas de ânsia por ele, potencializando a tormenta que se formara com violência no meu corpo. Eu queria tomá-lo para mim, consumi-lo por inteiro até não restar mais nenhum pedaço.
De repente, beijos não eram mais suficientes e eu senti meus pés o empurrando na direção da superfície mais próxima. Aos tropeços, joguei Edward com meu peso sobre a porcaria da poltrona verde em um canto do quarto e montei sobre suas pernas. Seu olhar extasiado não foi capaz de me parar.
Nada poderia me parar agora. Eu iria até o fim. Eu não estava pensando, apenas precisava disso. Precisava ter a certeza de que tudo tinha sido verdade um dia; saber que nós existimos, que não éramos uma invenção da minha cabeça. O tempo perdido jamais iria voltar, mas eu apenas queria sentir novamente.
- Por quê, Edward? Por quê? – ouvia o meu fio de voz perguntar, mesmo contra minha vontade. Meus dedos tremiam enquanto eu abria sua calça com uma carícia desesperada em seu membro que havia enrijecido quando provei sua língua. Sempre havia funcionado assim.
Eu não me permiti iludir. Sabia que Edward não me daria respostas dessa forma, e mesmo que eu não pudesse sugar suas explicações pela boca, como tentava sem cessar, eu podia tirar dele aquela sensação única que ele havia me roubado há tanto tempo. A de completude.
Afastei a barreira que cobria o lugar latejante sob meu vestido, e antes que a vergonha ou o arrependimento me arrematassem, o guiei para o local que ele jamais deveria ter abandonado.
Dentro de mim.
Meus olhos fecharam-se quando realmente senti Edward me preenchendo por completo. Era tão familiar. Tão familiar que meu peito pesava com a rebentação de emoções.
Eu estava me movendo para cima e para baixo em seu colo com vigor, e sequer suspeitei o motivo de ele não ter me parado enquanto podia. Mas sua boca abriu-se para cessar essa dúvida; as lágrimas agora escassas deixaram um rastro frio e molhado, grudado em minha bochecha quando sua voz sussurrou.
- Desejei tanto por isso…
Senti suas mãos ancorando-se nos meus quadris, me trazendo de encontro a ele com mais rapidez.
- Não. – rugi, arrancando sua mão para longe. Eu estava no controle dessa vez. Não deixaria que ele decide por mim de novo. Minhas unhas cravaram em sua pele sob a camisa, e eu desejei que aquilo o fizesse sangrar. Outros dedos enterraram-se em seu couro cabeludo, com força.
E com força eu trazia seu rosto para o meu e com força eu o fodia — como ele havia feito comigo durante todos esses sete malditos anos, da pior forma possível.
Eu não estava excitada o bastante para ele, mas a ardência da invasão contínua que se espalhava pelo meu sexo era a dor mais sublime. Ardia como ardia meu coração. As chamas consumiam meu corpo assim como estavam consumindo minha alma, e de repente, sem aviso, um clímax surgiu para me arrebatar como uma descarga elétrica: ligeira mas poderosa, sem me proporcionar um prazer satisfatório, apenas libertação da energia que me fervilhava.
- Por quê? Por quê, Edward? – indagava ainda. — Eu só queria entender.
- Bella. – ele me chamou. Nossas bochechas estavam coladas deslizando uma contra a outra pelos movimentos que eu ainda era levada a fazer. Eu me afastei para olhar em seus olhos, e Edward deslizou sua mão esquerda, almejando meu rosto.
O que se seguiu foi tudo aquilo que eu mais esperava, e o que eu mais temia.
- Eu te amo. – escapou tão baixo de sua boca que quase não pude escutar.
E eu parei, congelada em meu lugar.
Desespero. Choque. Mais desespero e — meu Deus, ler aquilo já tinha sido doloroso demais, mas ouvir as palavras vindas de sua boca era o máximo que eu conseguia suportar. Era o meu limite.
Sua aliança imprensada contra minha face captou meu foco de atenção, e então eu fiquei sóbria em um átimo de segundo. Tudo o que eu precisava era sair dali.
Uma lamúria agoniada soou quando eu me levantei com impulso, fugindo dos braços que me apertavam, usando mais força do que eu supunha ter. Cambaleei até a porta sem olhar para trás, enquanto meu peito se comprimia, deixando-me sem fôlego. Lágrimas escorriam de forma tão violenta que me levavam a apenas soluçar.
- Bella, espera! – berrou Edward inutilmente.
A porta atrás de mim fechou-se com um baque, e eu rezei para que ele não viesse atrás. Implorando aos céus para que ninguém aparecesse no corredor naquele momento.
Eu preciso sair daqui.
Notas finais
Sim, esse Edward deu uma de Edward-Lua-Nova e mandou um "Eu te amo demais, por isso vou te deixar, pro seu bem". Não é tão grave assim, né? Desde o início eu venho dizendo que esse "motivo" não é o ponto principal da fic. Basta ler o prólogo pra entender isso.
Creio que muita coisa foi esclarecida, mas nem tudo. Eles ainda precisam sentar e conversar direito, como gente grande faz. Entramos agora em uma "parte 2" da fic, e espero que continuem comigo. :)
Até semana que vem,
Beijos!
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