Mais Uma Vez
15 Capítulo 14: Inconstâncias
Notas iniciais
Não me batam pela demora! Estou atolada e sem tempo, vocês já sabem a ladainha. Vai ser assim até eu me acostumar com essa nova rotina, infelizmente. Queria eu ter tempo de sobra pra conseguir fluir com essa fic. *suspira*
Está sem betagem, por problemas técnicos. Qualquer erro, é falha minha.
Capítulo 14: Inconstâncias
Bella
Eram sete da noite, e Riley e eu saímos de nossa reunião, partindo para a segunda rodada do nosso trabalho, como havíamos combinado. Com o objetivo de fazer pesquisa de campo, nós estávamos a caminho do hotel para levantar o histórico dos principais funcionários — atuais ou não – e agendar possíveis entrevistas.
O assistente de Amanda Nixon, o jovem Roberto, nos recebera na porta, e logo nos levara para uma pequena sala, escondida de todos, onde ele passou a nos mostrar documentos antigos e registros fotográficos ou escritos dos funcionários pioneiros da rede de hotéis. Imagens impressionantes da construção, datadas de 1911 passavam a nossa frente em um projetor na parede.
Ao notar que Riley, ao meu lado, não parava de espirrar e fungar o nariz, eu me virei para checar o que acontecia.
- Ei, tudo bem aí?
- Sim. – sussurrou. — Só um pouco de... Atchim!... Alergia.
Eu assenti a cabeça, voltando minha atenção para o rapaz a nossa frente. Era impossível negar que, embora aquilo tudo parecesse realmente interessante, depois de uma hora, eu já me sentia cansada e entediada. Sem contar a sinfonia de espirros que o meu parceiro proporcionava ao pequeno cômodo.
Seria cômico, se eu não estivesse tão exausta do dia de trabalho.
Roberto tinha um forte sotaque italiano, e falava exageradamente usando seus braços, o que só fazia aumentar a circulação de poeira. Em certo ponto, Riley pediu licença para ir até o banheiro, enquanto o assistente me contava a saga da luta que havia sido transformar a cozinha clássica em uma das mais requisitadas da cidade atualmente. Quer dizer, não posso ser culpada por quase fechar os olhos e cochilar sentada no meu lugar ao ouvir uma palestra sobre as discussões geradas pela escolha entre um papel de parede mais moderno ou não.
Meus olhos estavam tão pesados, mas eu senti um cutucão em meu ombro que me fez despertar em um átimo de segundo.
- Bella, eu acho que já estamos satisfeitos de informações por hoje, certo? – falou Riley em pé ao meu lado. Eu esfreguei o braço e fiz uma careta.
Eu brigaria com ele por ter me cutucado, mas percebi que o falatório de Roberto havia cessado, graças aos céus. Me levantei rapidamente.
- Sim, eu tenho certeza que poderemos trabalhar muito bem com tudo que aprendemos hoje. – falei, me dirigindo ao rapaz, que agora guardava os seus slides e pastas em seus devidos locais.
- Eu iria lhes contar mais sobre o dia em que as esculturas do segundo andar chegaram, mas podemos deixar pra próxima. Essa vocês não vão querer perder. Foi meu próprio avô que as trouxe pra cá, é fascinante.
Eu ofereci um sorriso amarelo; eu podia não estar nem um pouco interessada, porém Roberto era gentil.
- Você pode nos enviar uma cópia dos eventos principais que você nos apresentou hoje? Somente um registro simples, nada demais. Depois viremos escolher fotos com mais calma. – pediu Riley, enquanto eu pegava minha bolsa e casaco, guardando o caderninho com anotações pouco úteis.
- Sim, claro. Até o final da semana estará nos seus emails. – falou Roberto, tão solicito.
- Ok, obrigado. Boa noite, Roberto. – Riley apertou a mão dele.
- Muito obrigada. Boa noite. – falei, imitando o gesto.
Nós saímos da saleta, andando em direção ao saguão do hotel. Ouvi Riley suspirar aliviado ao meu lado.
- Ar puro! Como faz bem! Pensei que fosse ficar prisioneiro lá pra sempre. – exclamou.
Eu ri. – Pois é. Eu já estava quase cochilando. Obrigada por ter a coragem de interromper o moço.
- Quase cochilando? Bella, na hora que eu voltei do banheiro, você só faltava babar em seu ombro. Sorte a sua que Roberto parece ser entusiasmado demais com o trabalho e nem deve ter percebido. Imagine só a gafe.
- Agh! – gemi de frustração. — Eu ando cansada demais. Não costumo ser assim, acho uma falta de respeito.
- Eu sei disso, só estou brincando. – ele sorriu.
Nós saímos do hotel, e agora andávamos pela calçada. Meu carro estava parado a poucos metros dali, e o dele logo atrás. Chegando em frente ao meu, Riley parou ao lado da porta, impedindo minha passagem. Ele pôs as mãos em seus bolsos da calça, e parecia pronto para falar alguma coisa, mas nada saiu de seus lábios.
- Olha se você demorar muito a me deixar entrar, eu pego o seu carro e dirijo pra casa sem você. – brinquei.
- Bom, é que... – ele parou e me fitou novamente. Instantes depois, abriu caminho para mim, sacudindo a cabeça. — Tsc, deixa pra lá.
- Deixa pra lá o quê?
- Nada, é que eu ia te convidar pra jantar agora. Mas você está cansada. Deixa pra outro dia.
Sorri levemente. – É, eu provavelmente não seria uma boa companhia hoje. Mas obrigada pelo convite. Vou cobrar!
- Cobre sim. A gente tem a semana toda, afinal. – ele falou, e eu entrei no carro, nos despedindo antes de dar a partida.
Apesar de ser apenas terça-feira, eu mal via a hora de chegar o sábado, já que seria uma semana longa de muito trabalho em hora extra. A parte boa era que eu não estava sozinha nessa, e teria a agradável companhia de Riley, embora certamente passaríamos mais algumas longas horas nas dependências do Le Printemps nesse estágio inicial de pesquisa de campo, o que não deixava de ser exaustivo; eu, definitivamente, preferia estar colocando as mãos na massa logo.
Eram quase dez e meia da noite quando eu abri a porta de casa, vendo minha filha terminar de subir as escadas, carregando sua mochila e baquetas em mãos. Eu franzi o rosto, e subi atrás dela.
- Você só chegou agora do ensaio? – inquiri alcançando-a. Ela deu um pequeno salto, um berro, e um tremelique, tudo ao mesmo tempo. Antes de falar, ela tirou os fones de ouvido, o que explicava a sua reação.
- Cacete, mãe, como você me dá um susto desses? – falou Claire com uma mão no coração. Eu pus as minhas na cintura.
- Ei, isso é jeito de falar comigo? – chamei sua atenção enquanto ela saía andando para colocar sua mochila no quarto. Eu a segui.
- Desculpa. Mas quase tive um treco. – falou sentando-se na cama e tirando os tênis. — Sim, eu cheguei há pouco tempo, estava lá embaixo tomando uma água antes de subir. E a senhorita não sabe fazer um pouco mais de barulho ao abrir a porcaria da porta?
- Eu entrei normalmente, você que estava com essa música alta demais nos ouvidos.
Ela se levantou e veio até a mim para me abraçar, e eu beijei sua bochecha.
- Você parece tão cansada, mãe. Tá tudo bem?
- Sim. Acho que eu posso dizer o mesmo de você. Está com os olhos pequenos de sono. Vem cá, já jantou?
- Meh. Mais ou menos. O tio Billy obrigou a gente a se alimentar, depois de cinco horas no estúdio, mas a única coisa decente que tinha lá era hot pocket de calabresa, e eu detesto.
Eu ri, balançando a cabeça, mas avisei para ela ir se lavar, enquanto eu iria preparar algo. Após trocar de roupa e lavar as mãos, fiz uns sanduíches rápidos com o que tinha na geladeira, mas que nos satisfariam até o café da manhã.
Comemos afoitas, e eu não via a hora de apenas cair na cama depois de um banho quente.
Quando saí do banho para dar boa noite a Claire, a porta de seu quarto estava fechada, mas ouvia barulhos de suas risadas. Bati antes de entrar.
- Posso?
Ela olhou para mim, deitada na cama, segurando o celular no ouvido, e assentiu a cabeça. Eu entrei e fui até sua cama para sentar.
- Rach, eu vou desligar. Amanhã mesmo falo com o meu pai na hora do almoço... Ok, até amanhã!
Eu franzi o cenho antes de perguntar-lhe. – Você vai falar o quê com seu pai?
- Ahn... ah, não é nada demais, é só que o McSky vai realmente ficar hospedado no Le Printemps, e eu vou...
Antes que ela completasse a frase, eu a interrompi.
- Ei, ei, ei, nada disso. Você não vai pedir pra encontrar com eles. Me desculpe, meu amor, mas eu não vou permitir isso.
Ela fez um bico antes de começar a protestar. – Ah, mãe, por que não? Eu já falei que vai ter um monte de gente junto, eu sei até de um grupo de garotas que ganharam uma promoção da rádio, elas irão lá depois da coletiva de imprensa, e eles vão recebê-las. Não tem nada de mais!
- Tem sim, Claire. Você vai envolver seu pai em uma coisa que é totalmente anti-profissional, e eu já sei muito bem que se você pedir, ele não vai te negar.
- Mas mãe, eu prometi à Rachel. – ela choramingou, e eu vi em seus olhos começarem a surgir lágrimas, não acreditando nos extremos que essa paixonite chegaria.
- Pense bem, Claire. E se der alguma confusão, e a equipe da banda achar que vocês estão atrapalhando por serem intrusas? Vai ficar muito feio pra Edward.
- Eu não acredito que você está acabando com meu sonho dessa forma! – ela exclamou dramaticamente, deitando-se por completo na cama e colocando o travesseiro sobre a cabeça.
- Filha. – chamei. Ela não me respondeu. Eu suspirei e contei até dez, já que me sentia sem forças para aguentar dramas adolescentes a essa hora da noite. Eu chamei de novo, tocando sua perna, mas ela se desviou.
Depois de longos instantes aturando a sua pirraça, eu enfim expirei o ar antes de falar.
- Claire você está sendo completamente imatura agora. Mas quer saber, você que se entenda com ele, só não diga que eu não avisei.
Ela rapidamente tirou o travesseiro da cabeça, indicando que lágrimas haviam escorrido, mas cessaram.
- Sério? Vai desistir tão fácil assim?
Eu dei de ombros. – Dane-se, eu não posso te proibir de falar com seu pai quando eu não estiver presente. E está muito tarde para esse tipo de aborrecimento. Só tenha bom senso, por favor.
- Hm. Ok. Vou tentar. – falou friamente, virando-se de lado e cobrindo-se com a colcha. — Valeu por não deixar seu ciúme vencer.
Eu fiquei boquiaberta. – Ciúme?
- Sim, ciúmes porque o papai vai me dar a chance de fazer algo super legal, e você não vai ter nada a ver com isso. Mas tudo bem, eu entendo.
Eu balancei a cabeça, me levantando antes que me estressasse desnecessariamente.
- Boa noite, e eu vou te acordar cedo, hein. – avisei.
- Você sempre me acorda cedo, mãe. Boa noite.
Apaguei a luz e saí do quarto rolando meus olhos. Meu único receio era de que ela estivesse, de fato, certa.
xxxx
O dia seguinte estava passando normalmente, apesar da pequena tensão que rolou entre Laurent e a equipe, durante uma reunião de rotina. As pesquisas e investigações para a reportagem especial do próximo mês estavam a todo vapor, agora, mais do que nunca, precisando de atenção especial. Faltava ainda um pouco mais da metade da matéria, mas tínhamos um bom caminho pela frente.
Como Riley e eu decidimos nos encontrar durante toda a semana para reuniões, pedi para irmos à minha casa ao final de nossos expedientes. Desse modo, eu teria a oportunidade de não voltar tão tarde para casa, além de arranjar um jantar decente a Claire, coisa que eu sentia estar sendo negligente desde que comecei a trabalhar no livro.
Quando eu cheguei em casa, à noite, minha filha filha estava tão serelepe que eu só podia imaginar que algo muito bom havia acontecido. Eu só não sabia que ela ficaria torrando o meu saco – e atrapalhando o meu trabalho — até que conseguisse me fazer perguntar o que tanto a deixava alegre. Eu tinha uma vaga ideia.
- Trouxeram trabalho pra casa de novo? – falou ela se aproximando com uma taça de sorvete, sentando-se desleixadamente na poltrona lateral ao sofá.
- Claire, modos. – chamei sua atenção discretamente, apontando Riley com o olhar. Ele estava concentrado analisando um arquivo.
- Ai, mãe, o tio Riley já é praticamente de casa, né?
- Sou? – ele indagou com divertimento, entrando na conversa, enquanto fingia analisar o documento em suas mãos. Eu revirei os olhos.
- Claro. Se você vem aqui e janta com a gente mais de cinco vezes, então você já é de casa. A não ser que você seja um daqueles namorados idiotas da mamãe, que eu não gostava nem um pouco, tipo o James. Ele não ia ser de casa nunca, nem se quisesse, porque eu não iria deixar.
- Está mais do que certa. – Riley sorriu.
- Eu sempre estou certa. Mas então... – falou Claire, e eu tentava me concentrar na contagem que fazia sobre os lugares fora do hotel que precisaríamos visitar.
- Filha, se você tem alguma coisa a dizer, fale logo. Estou trabalhando.
- Ai, sua insensível, só estou querendo ser agradável com as visitas. Fala sério, vocês já trabalharam o dia todo, e ainda precisam fazer isso em casa? É tipo tortura chinesa. Se bem que sua chefe é espanhola, né? Seria o quê então, tortura da Santa Inquisição?
- Uhum. – murmurei, sem dar atenção as suas divagações.
Ouvi minha filha bufar antes de vocalizar as próximas palavras apressadamente.
- Ok, já entendi, mamãe, você não vai me dar papo. Eu só acho que você tinha que ficar sabendo que o papai já reservou uma credencial especial pra mim e pra Rachel, para a entrevista coletiva do McSky na sexta-feira.
Eu assenti a cabeça. – É mesmo? Que bom.
- Que bom? Só isso? Pensei que eu merecia um pouco mais do que um comentariozinho sem graça.
- O que quer que eu fale? Estou feliz por você estar feliz, e é isso. Não está de bom tamanho? – indaguei retoricamente.
- Tsc. Chata. – ela bufou e se levantou da poltrona, indo para a cozinha.
Eu aproveitei para checar com Riley se a ordem que eu havia colocado os lugares de visitação estavam de acordo com nosso cronograma, até sermos novamente interrompidos por minha filha.
- Vem cá, essa lasanha não vai ficar pronta não? Vou ser obrigada a tomar outra taça de sorvete? – berrou Claire de onde estava, provavelmente agachada em frente ao forno, assistindo como um cão de padaria.
- Sossega esse facho, garota! Já vai ficar pronta. E para com essa mania de comer sobremesa antes do jantar!
Quando me virei, Riley assistia a tudo com um leve sorriso indecifrável nos lábios.
- Que foi? – perguntei embaraçada. — Eu sei que você deve estar achando que isso aqui é casa de duas malucas, mas não liga não. A gente é assim mesmo.
- Não estou achando nada estranho, só é engraçado. Claire é uma figura.
- Eu que sei. – disse assentindo a cabeça, fazendo Riley gargalhar.
- Vocês têm uma boa relação, isso é ótimo. Me sinto bem aqui. – confessou. — Me faz até sentir falta da minha irmã que está há tanto tempo morando na Irlanda, que eu nem me lembro mais como é a convivência com ela.
- Sinto muito por isso. Eu não tenho irmãos, mas imagino que seja péssimo ficar longe deles. – falei me recordando de como sua família era fragmentada.
Riley, embora fosse sempre alegre e espontâneo quando em companhia dos amigos, era o tipo de pessoa que simplesmente não falava da vida pessoal, então nós sabíamos que era um tópico delicado. Ele era um rapaz sozinho na vida, órfão desde muito jovem, criado pela irmã quinze anos mais velha, e mesmo assim, ele havia conseguido ultrapassar as barreiras emocionais que poderiam surgir em seu caminho.
Ele parecia ser uma fortaleza, mas eu temia que, no fundo, sua vida fosse amarga e solitária. O que seria completamente injusto, já que o meu amigo não merecia isso. Era uma pessoa de coração puro e bom, e merecia o melhor.
Nós conseguimos, enfim, além de resolver as pendências do nosso projeto para o livro, também jantar antes que ficasse tarde demais. Claire não conseguiu ficar quieta em sua cadeira por um minuto enquanto comíamos na mesa, e rapidamente saiu para checar seu Facebook, ou algo assim.
Quando, finalmente, dormi naquela noite, eu nem acreditei que já era quase quinta-feira.
A semana parecia estar drenando minhas energias, e tudo o que eu fazia era me arrastar de um lado a outro, enquanto era requisitada em lugares diferentes, por pessoas diversas. Me dividir em cinco ainda era um truque que eu precisava aprender, mas, aos poucos, conseguia lidar, já que nem tudo era tão urgente quanto faziam parecer.
Riley e eu marcamos de nos encontrar sexta-feira para entrevistar os funcionários da cozinha do Le Printemps. Eu finalmente conheceria o tão aclamado chefe Nahuel Nuñez.
Dizer que aquela sexta-feira havia começado como um dia atípico, seria amenizar a situação.
Quando acordei, Claire já estava pronta, me esperando na sala, e com um bom humor que era mais do que estranho.
- Isso tudo é por causa dessa bandinha? – indaguei ao descer e entrar na cozinha para pegar um café.
- Isso o quê?
- Esse sorriso besta no rosto. Cuidado, se passar um vento pode ficar pra sempre com essa carinha, hein. – zombei um pouco a minha filha, não resistindo a oportunidade. Ela sequer se abalou.
- Pode me zoar o quanto for, nem me importo. Tenho certeza que hoje vai ser um dos melhores dias da minha vida, e nada vai estragar isso.
Eu saí de casa tendo que ouvir sua excitação para conhecer os rapazes.
- Já combinou direito com seu pai? Você vai com a Rachel pro hotel depois da aula? – perguntei ao estacionar o carro. Sua mochila para passar o fim de semana com Edward já estava no banco de trás, e ela carregaria durante o dia.
- Vou, e fica tranquila, mãe, eu não vou dar nenhum vexame. Eu sei me comportar.
- Aham, como um anjinho. – ironizei. — Bom, eu vou estar lá no hotel para uma entrevista com o Nahuel, de qualquer forma. Chego por volta das 18h, vocês ainda devem estar por lá esse horário, certo?
- Creio que sim, se tudo der certo. A gente se vê. – falou ela, e nós trocamos beijinhos nas bochechas antes que ela saltasse do carro.
Eram quase quatro da tarde quando Alice mandou uma SMS para o meu celular.
Preciso falar com você, urgente. Pode me ligar? É sobre Edward...
não aconteceu nada, mas eu realmente preciso te mostrar uma coisa.
Acho que encontrei aquilo que faltava.
- Ali
A mensagem criptíca me fez franzir o cenho após ler, e a única recordação que me vinha a mente era a de Alice, na última vez que nos encontramos, querendo fazer minha cabeça para que eu tentasse impedir o casamento de Edward com Tanya.
Eu deixei de lado o seu apelo de urgência, já que meus instintos diziam que tudo que ela queria era, de fato, fazer aquele pedido absurdo de novo – e se algum momento seria ruim para eu ter que lidar com esse tipo de coisa, então seria o agora.
A sexta-feira na redação da New York Week passou voando, com reuniões em diferentes departamentos, e quando eu menos esperei, Riley estava me ligando para que eu descesse e encontrasse com ele, a fim de irmos, juntos, para o compromisso firmado com Nahuel. Nós tínhamos meia hora, enquanto jantávamos juntos com o chefe do requisitado restaurante.
Assim que chegamos, fomos muito bem recepcionados com vinho da melhor qualidade que havia na carta. Eu estava mais do que lisonjeada pela oportunidade de um jantar quase particular, com apenas poucos hóspedes e demais clientes no salão, já que poucos se aventuravam a jantar tão cedo. Era uma das regalias que eu aproveitava com esse emprego, e era sempre mais prazeroso trabalhar assim.
Nahuel era tudo que se esperava de um jovem mestre de cozinha, embora um pouco mais excêntrico e talvez mais modesto do que se encontra em restaurantes de luxo. Eu dividi minha atenção entre as perguntas e a deliciosa comida, enquanto deixávamos gravando nossa entrevista. Se o plano dele era ganhar minha simpatia pelo estômago, então podia considerar um sucesso.
Estava sendo uma noite ótima. Entretanto, como acontecia constantemente, a minha única falha foi me deixar abalar pelos acontecimentos da vida pessoal. Dessa vez, por mais que eu tentasse focar em outra coisa, a curiosidade quanto a mensagem que recebi de Alice esteve presente o tempo todo no fundo da minha mente.
Eu tinha certeza que me aborreceria se ligasse para ela agora. Mil cenários do que estava por trás daquilo passavam por meus pensamentos, me deixando com mais dúvidas.
Eu não queria saber, não queria me envolver naquilo. Entretanto, era impressionante como, quanto mais eu tentasse não pensar em uma coisa, era justamente nisso que eu pensaria o tempo todo em que estivesse tentando escapar.
Era tão confuso que fazia me cabeça latejar.
- Bella? – chamou Riley, me salvando da tempestade de incertezas e hipóteses que rodeava minha mente. — Você está distante, está tudo bem?
- Desculpe, só estou um pouco cansada. – falei com um sorriso sem graça. — Com dor de cabeça também.
- Senhorita Swan, eu posso providenciar aspirinas. – comentou Nahuel gentilmente.
- Não, tudo bem. Já estamos acabando, e eu só preciso ir para casa e deitar um pouco.
Enquanto terminávamos a sobremesa, eu refletia sobre algo que parecia a ponta de um esclarecimento etéreo, o qual sumiria se eu não agarrasse no exato momento.
Alice estava fazendo tanta questão de me unir a Edward novamente. Isso era claro. Mas e se isso tivesse um motivo maior? Uma motivação por trás disso que não fosse, de fato, de seu interesse, mas sim de outra pessoa?
A memória dos anos prévios, quando tudo o que eu fazia era fugir de Edward ao invés de aceitar ouvi-lo, vinha me acertar com a força de uma tonelada: todas as vezes em que Alice afirmava que ele não estava satisfeito com a vida que levava; Os apelos de sua família para que eu esfriasse a cabeça e engolisse o meu orgulho.
E se Edward estivesse por trás disso tudo?
Só assim faria sentido que ele tentasse fazer com que eu o buscasse através de outra pessoa, a quem eu iria ouvir e ser convencida.
Mas isso era simplesmente absurdo.
Ele escolheu essa vida. Escolheu unir-se a outra pessoa, nesse momento. Não teria porquê fazer algo desse tipo, depois de tanto tempo, e continuar insistindo em uma história que já era passado. Eu sabia que ele poderia ser um babaca de marca maior, mas não creio que ele seria capaz de manipular os sentimentos de alguém – tanto os meus, quanto os da pessoa com quem ele firmaria um sério compromisso em breve.
E por que agora, depois de tantos anos? Eu segui minha vida, e ele a dele. Para mim, Edward não passava de um conhecido, atualmente. E eu sequer tinha certeza se eu o conhecia de verdade.
As reflexões faziam meu corpo ficar inquieto, meu coração acelerado. Antes que a insurgência de coragem me abandonasse, eu me despedi de Riley no restaurante e me peguei entrando no elevador para subir até o trigésimo andar.
Me apresentei à secretária de Edward com trepidação; uma sensação de mortificação e arrependimento ameaçando extravasar a qualquer instante.
Ele ainda estava lá, como a recepcionista havia informado, e eu sabia que ele ficaria até que a tal coletiva de imprensa onde Claire estava terminasse.
Edward me recebeu com surpresa, embora ele tivesse pleno conhecimento de que eu estaria visitando aquele hotel mais vezes do que gostaria, por um tempo.
- Podemos conversar? – perguntei, entrando quando ele abriu a porta para mim.
- Claro. – falou com desconfiança, num cenário muito similar ao da última vez em que apareci de surpresa para ele.
Eu estava constrangida de perguntar o que queria. As chances de estar fazendo um papel de tola, ludibriada e ex-esposa ciumenta eram enormes.
- Alice me ligou hoje à tarde dizendo que tinha alguma coisa a me mostrar, ou falar, não sei. E era sobre você.
Edward franziu o cenho. – Sobre mim?
- Sim. – falei, tirando meu celular e lhe mostrando a SMS.
Ele leu, e voltou os olhos para mim, comprimidos com preocupação.
- Eu realmente não faço ideia do que ela está dizendo.
- Edward, eu queria poder dizer que sua irmã está ficando maluca com o seu casamento. Mas...
- O quê?
Edward se encaminhou até o sofá, me obrigando a sentar na outra ponta. Dizer que era uma posição desconfortável seria pouco para o que eu sentia ali.
Suspirei encorajadoramente antes de falar.
- Já é a terceira vez esse ano que Alice chega para pedir que eu converse com você, sobre sei lá o quê. Ela fica levantando questões do passado, coisas que já não fazem mais sentido revirar... E eu me pergunto se você tem algo a ver com isso.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Enfim, sacudiu a cabeça.
- Não. Claro que não, por que você pensaria isso?
- Eu não sei, Edward. Não sei. Eu fico me lembrando de todo aquele tempo em que você insistia em me procurar... Eu sei que fugir de você daquele jeito pode ter parecido imaturidade, mas minhas razões eram genuínas, e não me arrependo de ter firmado o pé. Pouca gente consegue entender o raciocínio de uma mulher com o orgulho ferido.
Dessa vez, uma ira, que há muito tempo eu não via, surgiu em seu rosto. Era como se eu tivesse lhe dado um tapa na face. Meus nervos chegaram à flor da pele.
- Você fala como se ainda acreditasse que eu te traí, Bella. É impressionante essa sua teimosia. Quantas vezes eu vou ter que repetir e pedir desculpas por todos os erros? Eu fiz muita coisa ruim nessa vida, mas com certeza, eu jamais te trai. Não do jeito que você pensa.
- Não importa agora. De qualquer forma, eu me sinto... me senti traída, e nada que você diga vai mudar isso. Mas não vim aqui pra discutir sobre esse assunto. Eu só quero que me responda se você está por trás dessa insistência da sua irmã, ou se ela só está sendo intrometida como sempre?
- Eu já disse que nem sei do que você está falando. Mas que merda, por que minha família não me deixa resolver meus problemas sozinho? – murmurou quase para si mesmo. — Eu vou dar uma dura em Alice, vou demandar que ela pare com isso. Pode ficar tranquila, Bella.
Ele estava visivelmente enraivecido ao pronunciar o nome da irmã. Merda. E agora eu me sentia culpada por ter implantado a discórdia entre os dois. Não seria tão mais fácil se eu tivesse coração de pedra e sangue frio? Por que diabos isso era uma tarefa tão difícil?
- Edward, calma. Eu não vim aqui para discutir com você ou criar intrigas. Estou cansada demais pra isso.
- Você não veio para discutir? Então apenas subiu até aqui para me mostrar uma mensagem de celular?
Suas palavras eram acusatórias, mas eu permaneci calada, cumprindo minha promessa. Não tirava sua razão de sentir raiva.
- Ok, você não vai dizer nada. – falou expirando o ar. — Bella, eu sei como você é, e provavelmente você está pensando mil e um absurdos nesse momento. Toda essa situação já chegou a um ponto ridículo, porém nem eu nem você estamos em condições de lidar com isso agora, eu já percebi. Só saiba que, se um dia você decidir parar de se esquivar de mim, eu estou aqui para conversar e esclarecer tudo o que te faz me odiar tanto.
Umedeci os lábios, assentindo a cabeça ligeiramente.
Eu sentia que a conversação tomava um caminho nada agradável, mas entrar novamente em terrenos minados era a última coisa que eu queria no momento.
E eu sabia, não havia chances de a conversa que Edward propunha terminar bem – meu pressentimento era o de que qualquer coisa que ele dissesse pioraria a situação e dilaceraria de vez o resquício de sentimento que eu tinha por ele, pelo nosso passado. A decepção derradeira era o que eu mais temia.
- Eu já entendi o recado. – falei para abastá-lo.
Edward se levantou do sofá, com uma bufada, passando uma mão pelo rosto e embaralhando os cabelos, de forma atordoada e aborrecida. Enquanto andou de um lado a outro, por uns instantes, ele parecia terrivelmente angustiado.
À essa altura, vê-lo desse jeito somente me incitava pena.
- Você está bem? – perguntei depois de um tempo, permanecendo sentada onde estava. Edward me lançou um olhar antes de abrir uma de suas gavetas na mesa de trabalho e procurar por algo, afobadamente.
- Na medida do possível. – falou dando de ombros. Ao atingir a última gaveta, ele retirou um pequeno pacote branco e um mínimo objeto preto, os quais seriam difíceis identificar do ângulo em que me encontrava, caso eu não achasse a ação tão familiar. Franzi o cenho enquanto assistia o desenrolar da cena a minha frente.
Edward andou até uma ampla janela, e a abriu para deixar o vento da noite entrar. Ele sentou-se na cadeira que arrastara até lá.
- Você não tinha parado de fumar? – inquiri enquanto ele acendia um cigarro retirado do maço branco. Ele deu uma longa tragada antes de responder.
- Todo viciado tem suas recaídas de vez em quando. – falou seca e friamente, embora seu olhar flamejasse em minha direção. Eu desviei o meu por um momento, e limpei a garganta.
- Qual é o seu problema, Edward? – perguntei com franqueza. De repente, eu estava falando sobre mais coisas do que ele poderia supor. Por que, de uma hora para outra, ele parecia querer voltar a se aproximar de mim? Por que todos esses olhares e gestos de muitos sentidos? Por que ele parecia tão triste, agoniado, aborrecido, quando deveria sentir-se feliz por estar perto de se unir a pessoa que ele escolhera para compartilhar a vida?
Os altos e baixos de seu comportamento ao meu redor estavam, pouco a pouco, me deixando insana.
- Qual deles? – falou após uma ligeira risada sarcástica.
- Eu jamais te vi tão... Irrequieto, e você parece entristecido. Está mais calado do que nunca, também. Será que você mudou tanto assim e eu não te reconheço mais?
Edward, que mantinha os cotovelos apoiados sobre os joelhos afastados, abaixou a cabeça por um momento, antes de erguê-la de volta e bater o cigarro aceso sobre a lixeira mais próxima.
- As coisas estão mudando, Bella. Eu mudei muito, embora prefira acreditar que ainda sou o mesmo. – disse, expelindo a fumaça fedida na direção da janela. — Mesmo que às vezes eu tenha a sensação de que nunca vou me achar aqui dentro.
Naquele momento, a pena virara compaixão – o sentimento lutando contra meus instintos de proteção e afastamento. Edward se levantou para olhar pela janela, e eu esperei alguns instantes para ir até ele.
- Você quer falar sobre isso? – ofereci, mesmo sabendo que me arrependeria. Porém, se havia uma forma de me sentir superior nessa merda de circunstância complicada em que estávamos, então seria assim.
- Eu te agradeço, mas não. Falar sobre meus problemas parece ser o que eu mais faço nos últimos anos. Eu só queria esquecer tudo isso... ou resolvê-los, mas não tenho tanta sorte assim. É difícil quando não colaboram comigo, sabe. – falou com sarcasmo para mim, e eu me refreei de lhe dar uma resposta atravessada.
Edward descartou o cigarro que já se esvaia em seus dedos para acender um novo. Ele tragou uma vez enquanto eu pensava se proferia ou não a pergunta que coçava na ponta da língua. Uma resposta afirmativa talvez me permitisse esquecer tudo isso e enterrar o assunto "Edward" de vez. Mas o que mais eu teria a perder?
- Você... – suspirei antes de disparar as palavras suavamente, tentando amenizar o impacto. — Você é feliz, Edward? Com Tanya, quero dizer.
Ele não me encarava. Todo seu corpo pareceu tenso com a pergunta, observando a paisagem da noite agitada ao longe, com olhos rápidos. Sua hesitação era enervante.
- Existem muitas formas de felicidade, Bella. Então, eu acho que posso dizer que sim. – disse, finalmente me encarando, para falar com a voz míuda. — Eu só queria que algumas coisas fossem diferentes.
E, novamente, ele batia na mesma tecla. Era como se andássemos em círculos, me deixando cada vez mais zonza. O nó que se formou na minha garganta foi demais para impedir minhas palavras de sair.
- Você sabe que tudo poderia ser diferente, se não fosse por você...
- Eu sei. Acredite, eu sei.
E a curiosidade, a mórbida curiosidade me mordia novamente.
- Você pensa sobre isso? Sobre como tudo estaria hoje em dia? – indaguei em voz alta, encarando um ponto luminoso através da janela. Edward deu uma tragada antes de jogar o outro cigarro terminado no lixo, e voltar-se para mim.
- Bom, eu não estaria aqui fumando esse cigarro, disso eu tenho certeza. – ele brincou sem humor; em seus lábios, um sorriso leve de apenas um canto arqueado.
Edward pegou o maço em seu bolso para retirar o segundo cigarro, e eu tive a recordação de nossa filha falando, com orgulho, do dia em que havia conseguido fazer o pai cumprir a promessa de nunca mais fumar.
- Ei, pare com isso. – falei, segurando seu pulso. Ele assustou-se por um breve instante com minha ação repentina. — Você prometeu a Claire. Não vá quebrar mais essa promessa.
Sua expressão suavizou-se para recobrir-se de vergonha.
- É mais forte do que eu. Esse é o último, eu juro. – falou. Uma rajada de vento atingiu a janela aberta, varrendo meus cabelos para diversos locais, enquanto eu sentia o arrepio passar por meu corpo. Uma mecha de cabelo ficara grudada em minha boca, e minha mão encontrou a de Edward pelo caminho, quando fui me ajeitar.
A minha caiu sozinha de volta a seu lugar, mas a sua mão em meu rosto continuou.
Edward arrastou a mecha, juntamente com seus dedos por minha bochecha até alcançar minha orelha, onde recolheu o meu cabelo para trás. Sua mão desceu por meu maxilar. Seus rastros deixavam calor, um arrepio percorrendo meus braços. As pontas de seus dedos tocaram minha nuca.
Com lentidão, seu dedão traçou o meu lábio inferior. Mas que porra é essa agora?
- O que você está fazendo? – sussurrei, e soou como desespero. Eu não era idiota. Ele queria me beijar. Todo seu torso inclinava-se na minha direção, e seus olhos não desgrudavam dos meus lábios. Sua cabeça chegava próximo a minha.
E eu queria aquilo?
É uma armadilha. Era só isso que poderia ser. Edward nunca havia agido assim, em todos esses anos. Ele não havia acabado de confessar que não tinha nada a ver com Alice querer nos reunir? Ele não tinha dito que sentia-se feliz ao lado da noiva?
Agir dessa forma logo agora não fazia o menor sentido.
Eu me desviei antes que ele alcançasse seu objetivo, desvencilhando-me de sua mão e de seu pulso que eu sequer notara que continuava a segurar. Aturdida por um segundo, eu parei, com os olhos grudados no chão, ouvindo sua respiração acelerada, que compassava com a minha.
Vi o momento em que Edward engoliu em seco antes de se afastar e guardar de volta seu maço na mesa.
- Desculpe. – murmurou, mas logo em seguida apontou para a gaveta. — Não conte isso à Claire, por favor.
Eu não queria pensar que ele estivesse falando de outra coisa que não fosse o seu deslize com os cigarros, então apenas meneei a cabeça afirmativamente.
- Não conto. Mas seja prudente. – alertei. Ele retomou sua postura enquanto eu me encaminhava até o sofá, onde minha bolsa estava. — Eu preciso ir. Já é tarde.
Ele murmurou algo como "tarde demais", e eu ignorei ao recolher tudo o que era meu, andando em direção a porta.
- Obrigada por me receber, Edward. – disse, respirando fundo.
- Disponha. – falou solenemente, encostado desconfortavelmente na janela fechada ao lado.
- Ok. Até o sábado, então. Boa noite.
- Boa noite.
Ao chegar no térreo, vi a movimentação na ala leste do hotel, indicando que a sala de conferências estava livre do evento que lá acontecia. Avistei minha filha e caminhei até ela com passos apressados, sentindo minha cabeça inundada do transe provido pelo estranho acontecimento anterior.
- Claire. – chamei. Ela portava um enorme sorriso no rosto.
- Ai, mãe! – gritou antes de me envolver num abraço apertado. — Foi tão lindo, eles tiraram mil fotos com a gente, e foram tão simpáticos. Eu nem acredito ainda!
- Eu imagino. Mas eu tenho que ir agora, estou com uma enxaqueca chata. Depois você me conta tudo, ok?
- Ok. – falou, e eu beijei sua testa. — Vê se não se atrasa amanhã pra festa do papai, tá? Começa às sete.
- Está bem.
Me despedi dela e de sua amiga Rachel, correndo para casa, e buscando a doce inconsciência do sono, que me permitira o merecido descanso. Do trabalho, da vida, das inconstâncias. De tudo.
Notas finais
Pelo lado alegre, a personalidade de Claire e a sua relação com a mãe são completamente imitadas das minhas observações de algumas outras adolescentes que eu conheço, e que são uma figura como Claire; em especial, duas têm mães bastante jovens, então vocês podem imaginar o quanto é divertido escrever isso!
Essa tensão toda entre Edward e Bella está me deixando também tensa para saber o que vocês vão achar do caminho que a história está seguindo. Me digam nos comentários?
O próximo capítulo está quase escrito, fiquem tranquilas.
Então, até semana que vem!
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